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Empresa fatura R$11 milhões para restaurações no 'Coração do Pantanal'

Obras do PAC Cidades Históricas compreendem os antigos prédios do mercadão e da prefeitura da Cidade Branca

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Vencedora das disputas para restauração dos antigos prédios do mercadão e da prefeitura da Cidade Branca, a empresa Marsou Engenharia Ltda. foi quem faturou mais de R$11 milhões nos processos para essas obras no "Coração do Pantanal" através do programa federal PAC Cidades Históricas, conforme publicação feita hoje no Diário Oficial Eletrônico (DOE) do Estado de Mato Grosso do Sul. 

Esse texto publicado hoje (15) traz os resultados das concorrências eletrônicas ligadas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, sendo a Marsou a vencedora dos dois certames distintos. 

Como abordado anteriormente pelo Correio do Estado, um desses trata-se justamente dos R$5 milhões separados para reforma do prédio da antiga prefeitura de Corumbá, distante aproximadamente 438 quilômetros da Capital do Mato Grosso do Sul. 

Enquanto essa licitação saiu por exatos R$5.090.327,08, a Marsou faturou ainda outros R$6.129.800,00 com a concorrência para execução de obras de restauração do Antigo Mercadão e requalificação da Praça Uruguai na mesma Cidade Branca.

Somados, os valores atingem a exata quantia de R$11.220.127,08 faturados pela Marsou Engenharia pelas duas frentes de trabalho assumidas, como detalhado pela Fundação de Desenvolvimento Urbano e Patrimônio Histórico (Fuphan) sobre essa contratação semi-integrada. 

Vale lembrar que esse certame seguiu o modelo da chamada "licitação com inversão de fases", onde basicamente acontece primeiro a etapa de julgamento das propostas para somente depois ocorrer a verificação dos documentos para habilitação da empresa.

Prometido há tempos

Vale lembrar que há tempos a restauração desse e de outros pontos vêm sendo prometidas em Corumbá, pelo menos desde 2013 como bem acompanha o Correio do Estado, com sete prédios históricos a serem restaurados através do PAC Cidades Históricas, além da requalificação da Praça Uruguai. 

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), esses locais integram parte do conjunto histórico tombado do município, sendo um conjunto construído durante o período do ecletismo - um estilo europeu nascido entre os séculos XIX e XX que mistura elementos do clássico, renascentista, barroco e gótico para criar novas construções -, que reúne mais de 200 edifícios preservados, edificados por construtores italianos e portugueses. 

À época, para atender às cidades que possuíam bens tombados pelo Iphan, o PAC Cidades Históricas destinou R$1,6 bilhão para 425 obras de restauração de edifícios e espaços públicos, em 44 cidades de 20 estados brasileiros. 

Entretanto, muitas dessas obras não chegaram a ser concluídas. 

Além disso, em 2019, o Governo Federal, sob Jair Bolsonaro (PL), revogou o PAC, que havia sido criado em 2007, durante o Governo Lula (PT). Com o fim do programa, tornou-se inviável dar continuidade às restaurações. 

Mas, em 2023, com a troca de poder e o retorno de Lula ao governo, o PAC foi relançado, prometendo a retomada dessas obras e de muitas outras. 

 

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Campo Grande

UFMS vai ganhar posto de saúde para atendimento ao público externo

USF será instalada em Campo Grande, em parceria com a prefeitura

15/09/2026 11h45

Assinatura do acordo de lançamento da Escola de Saúde Pública de Campo Grande

Assinatura do acordo de lançamento da Escola de Saúde Pública de Campo Grande Foto: Ana Carolina Vasques/Rúbia Pedra

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Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) vai ganhar uma Unidade de Saúde da Família (USF), para atendimento ao público externo, no câmpus Cidade Universitária, em Campo Grande.

A realização é uma parceria com a Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG), por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

O objetivo é auxiliar a formação de estudantes, desafogar atendimentos em outras USFs e proporcionar atendimento público de qualidade à população campo-grandense.

A reitora Camila Ítavo e a prefeita Adriane Lopes assinaram o acordo para instalação na terça-feira (8), durante o lançamento da Escola de Saúde Pública de Campo Grande, no auditório do Complexo Multiuso 1, no câmpus Cidade Universitária.

Na cerimônia, foi assinado o Contrato Organizativo de Ação Pública Ensino-Saúde, que autoriza o funcionamento da Escola de Saúde Pública e a utilização das características de saúde de Campo Grande para a formação dos estudantes. O documento tem vigência de cinco anos.

Na USF, estudantes dos cursos da área da saúde poderão atuar, mediante supervisão de um profissional, em atendimentos, consultas e orientações à pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Portanto, agora os acadêmicos tem mais uma opção para colocar em prática seus conhecimentos: além de atenderem no Hospital Universitário (HUMAP-UFMS), também poderão atuar na USF.

A reitora destacou a parceria entre as instituições para proporcionar atendimento de qualidade à população e promover a formação de estudantes.

“É um dia de muita alegria receber a prefeita e todo o seu time da saúde na UFMS. Quando pensamos em saúde, percebemos a força que existe quando somamos esforços para chegar mais longe, ter efetividade nas políticas públicas e, principalmente, cumprir a nossa missão, que é oferecer uma formação de excelência”, pontuou.

A prefeita ressaltou que a nova USF é estratégica para contribuir em dois lados: estudantes e população.

“A saúde é o maior desafio de um gestor público e, de todas as áreas da gestão, tem suas peculiaridades. A Escola de Saúde Pública Dr. Eugênio de Oliveira Martins de Barros inicia esse projeto trazendo para os nossos profissionais um novo caminho, porque o aprendizado é constante e, todos os dias, temos algo novo para aprender ou para ensinar. É uma escola de educação permanente, integrada às universidades, que representa um novo tempo para a saúde de Campo Grande. Tivemos o desafio de iniciar esse trabalho e queremos que a Escola se torne referência não apenas para Mato Grosso do Sul”, destacou a chefe do executivo municipal.

A data de inauguração e a capacidade de atendimento da nova USF não foi divulgada.

tac

MP arquiva ação contra sócio do Itaú por megaincêndio no Pantanal

Família Bracher firmou um acordo com a promotoria para recuperar a área de 13,2 mil hectares de sua fazenda destruídos pelo fogo em julho de 2024

15/09/2026 11h40

Investigação apontou que o fogo começou em um caminhão superaquecido, saiu do controle e destruiu 53 mil hectares

Investigação apontou que o fogo começou em um caminhão superaquecido, saiu do controle e destruiu 53 mil hectares

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Um ano e quatro meses depois de virarem alvo de um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul por conta de um megaincêndio florestal no Pantanal de Mato Grosso do Sul. O banqueiro Cândido Botelho Bracher e sua esposa, a ambientalista Teresa Bracher, firmaram um acordo com a promotoria e a investigação está sendo arquivada. 

A investigação envolvendo o ex-presidente do banco Itaú/Unibanco, a maior instituição financeira da América Lativa, foi aberta em maio do ano passado por conta de uma queimada que começou na Fazenda Tupanceretã, em julho de 2024, no Pantanal da Nhecolândia, no município de Aquidauana.

A fazenda, comprada da família Rondon, tem 25,6 mil hectares em torno de 13,2 mil hectares foram destruídos pelo incêndio entre os dias 23 e 31 de julho daquele ano, período de forte estiagem em toda a região pantaneira. 

O fogo, segundo a investigação, se espalhou a partir de um incêndio em um caminhão, atingiu propriedades vizinhas, queimando a vegetação em 52.940 hectares. Mas, o foco da investigação foi uma área de 267,7 hectares, na região onde o fogo teria começado. 

Conforme a Polícia Militar Ambiental, em relatório concluído em 12 de agosto de 2024, o incidente começou a partir de um caminhão que ficou atolado na areia e por conta da insistência do motorista em sair do atoleiro o veículo superaqueceu e pegou fogo.

Agora, conforme publicação do diário oficial do Ministério Público de Mato Grosso do Sul desta terça-feira (15), o casal de banqueiros firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no qual está a informação de que 15.135 hectares da fazenda de 25,6 mil hectares foram afetados pelo incêndio, dos quais 860 hectares correspondem à Área de Preservação Permanente (APP), 4.956 hectares da Reserva Legal e 1.005 hectares da Área de Vegetação Remanescente. 

Por meio deste TAC, os banqueiros se comprometem a apresentar, no prazo de 90 (noventa) dias, contados da assinatura do acordo, um Plano de Recuperação de Área Degradada ou Alterada, devidamente protocolado no IMASUL. E, caso descumpram os termos, serão multados em R$ 8.320,50 (150 UFERMS). Inicialmente o MP havia proposto multa no valor de R$ 44,376 mil, mas atendeu a um pedido dos fazendeiros e reduziu o tamanho da possível punição.

Em vez de firmar acordo e arquivar a investigação, a promotoria também poderia ter aberto uma ação civil pública para exigir punição aos proprietários da fazenda. Mas, como o incêndio ocorreu em meio a uma forte estiagem em em meio a uma onda de queimadas em boa parte do Pantala, o caso está sendo engavetada, faltando somente o aval do conselho superior do Ministério Público. 

Na época, os policiais ambientais que foram ao local onde começou o incêndio destacaram que “salvo melhor juízo, não foram constatados indícios de práticas de queima com intenção que configure crime ambiental ou por omissão ao fato ocorrido na propriedade”. O caminhão havia acabado de descarregar material de construção na sede da fazenda e estava retornando para a cidade.

LAUDO PERICIAL

Porém, um laudo pericial concluído em 19 de outubro de 2024 também anexado ao inquérito diz que no local onde supostamente começou o fogo não foi encontrado qualquer indício daquilo que pode ter desencadeado o incêndio. Ou seja, o perito diz não ter encontrado nenhum resquício do caminhão. 

Essa laudo descarta ainda a possibilidade de ter iniciado a partir de um raio ou a partir de rede de energia elétrica, que não existe no local. E, diz que “este relator descarta a gênese acidental, restando, todavia, a gênese culposa e proposital como hipótese mais provável para o surgimento do fogo”. 

Na sequência, o perito destacou que o megaincêndio “destruiu espécimes vegetais, não se descartando ainda que tenha causado a mortandade de parte da fauna local e colocado em risco a vida daqueles que participaram das equipes de combate”. 

Ao fundamentar a abertura do inquérito, a promotora Angélica de Andrade Arruda deixou claro que não existia comprovação de que o incêndio tenha tido origem criminosa.  Mas, disso que era necessário “mesmo não tendo sido possível constatar, nesse momento, que houve ato intencional ou culposo na ignição do incêndio, o que a princípio inviabiliza a responsabilidade administrativa e penal, ainda subsiste a responsabilidade civil que é “objetiva e por risco integral", especialmente voltada à busca de prevenção de novos incêndios e de eventual reparação do dano”. 

GRANDES FAZENDAS

A fazenda Tupanceretã não é a única propriedade dos sócios do Itaú no Pantanal de Mato Grosso do sul. Na região da Serra do Amolar, no município de Corumbá, o banqueiro e a mulher aparecem como proprietários de mais de 64 mil hectares. 

Tanto em 2020 quanto no ano seguinte estas terras apareceram no noticiário mundial por conta das intensas queimadas.  Foi nas terras do banqueiro que foi feita a foto de um macaco bugio carbonizado que se destacou em uma série de fotos mostrando a devastação das queimadas no Pantanal em 2020. 

Investigação apontou que o fogo começou em um caminhão superaquecido, saiu do controle e destruiu 53 mil hectaresImagem feita na fazenda da família Bracher rodou o mundo após a onda de queimadas em 2020

A imagem ganhou a categoria Meio Ambiente do World Press Photo, a mais importante premiação de fotojornalismo do mundo. Em 2020, o fogo teve início em uma das propriedades da família. No ano seguinte, a fazenda dos Bracher foi atingida por um foco que começou em área vizinha. 

Em meio às polêmicas, a família Bracher mantém uma atuação filantrópica na área ambiental e no combate aos incêndios no Pantanal.  Teresa é fundadora do Documenta Pantanal e do Instituto Taquari Vivo, além de integrar o conselho do Instituto Acaia, SOS Pantanal e Associação Onçafari. 

Em artigo publicado em abril de 2021, ela disse estar em “choque” com a cena do bugio carbonizado. “O que aconteceu é disruptivo e perturbador. De um bioma extremamente delicado, o Pantanal se converteu em um enigma da era da mudança climática”, escreveu.  

BANQUEIRO

Com patrimônio estimado na casa dos R$ 15 bilhões, Cândido Bracher foi CEO do Itaú Unibanco, do qual é um dos importantes acionistas, entre abril de 2017 e janeiro de 2021. Atualmente,  é Integrante do Conselho de Administração da instituição financeira, que fechou o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido de R$ 24,6 bilhões. 

 

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