Cidades

TERRA FORJADA

Empresa ligada a esquema de grilagem no Pantanal volta para mira da PF

Novas diligências da Polícia Federal apontam para dados manipulados em sistemas públicos federais para fingir domínio ou posse sobre terras, com fraudes até em reserva legal

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Passados cerca de seis anos desde o início desse esquema, os trabalhos da Polícia Federal na manhã de hoje (07) através da Operação Terra Forjada mostram que a possível fraude para simular domínio sobre terras aparentemente não foi freada. 

Isso porque, como confirmado pela PF em nota, uma das empresas investigadas na ação desta terça-feira (07) já foi alvo inclusive da Operação Terra Nullius, que se desdobra desde 2023 e desenha um esquema criminoso que teria iniciado pelo menos três anos antes. 

Com isso, os agentes foram às ruas apurar a possível retomada de inserção fraudulenta de informações falsas em sistemas públicos federais, com o intuito de "enganar" sobre os domínios e/ou posses sobre as mais diversas terras. 

Em áreas rurais, esses espaços fraudados iam desde propriedades privadas regularmente constituídas até aquelas terras públicas, frente de esquema que já havia sido descoberto pelas autoridades. 

Entre essas terras públicas, segundo a PF, há indícios que apontam para fraudes ligadas a áreas de reserva legal, onde eram inseridas informações inconsistentes para tentar conferir essa aparência de regularidade ambiental.

Esquema de fraudes

Ainda, as investigações levantam suspeitas sobre um dos responsáveis de inserir dados ideologicamente falsos em sistemas oficiais, em um esquema que no passado já envolveu até mesmo servidores da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer). 

"Inclusive com uso indevido de informações vinculadas a imóvel diverso, viabilizando a tentativa de apropriação de terra pública e a sobreposição indevida de área particular", complementa a PF em nota. 

Além disso, é descrito que uma das empresas alvo da investigação hoje (07) já esteve na mira da chamada Operação Terra Nullius, de 2023: a Toposat Engenharia e Ambiental, localizada na rua Dr. Paulo Machado, no número 1200 do Jardim Autonomista, em Campo Grande. 

À época, as apurações se debruçaram sobre  fraudes fundiárias com inserção de dados falsos em sistemas públicos, também com o mesmo objetivo criminosos de simular posse e de viabilizar a regularização indevida de áreas rurais, inclusive com indícios de grilagem de terras.

Relembre

Investigação da Polícia Federal (PF) mostrou que a articulação de um esquema de grilagem de terras no Pantanal de Mato Grosso do Sul tinha tentativas de regularização fundiária em áreas da União, pelo menos, desde 2020.

O desmantelamento desse esquema indicou que investigados no suposto conluio com servidores da Agraer inseriram, em agosto de 2020, pedido de regularização fundiária da Fazenda Carandá Preto, de 2.225 hectares.

Esse trabalho teria sido feito, como apontado pela PF à época, por meio de profissionais engenheiros cartógraficos. O imóvel, segundo a corporação policial, iniciou a suspeita de fraude às autoridades.

As apurações indicam que empresários e fazendeiros da região pantaneira falsificavam documentos e os inseriam em processos administrativos de titulação para obter áreas do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, localizado em faixa de fronteira.

Sendo que a Polícia Federal (PF) explicou que agentes internos da Agraer "escondiam" terras da união no processo de regularização fundiária, como abordado pelo Correio do Estado, o gerente de Regularização Fundiária e Cartografia da Agência, Jadir Bocato, aparece entre os alvos por suposto envolvimento no esquema. 

Apontado como gerente de Regularização Fundiária e Cartografia à época da investigação

Jadir e outros três engenheiros agrimensores alvos da operação já foram até mesmo homenageados, com entrega de medalha e diploma de honra ao mérito legislativo. 

Dos servidores da Agraer que foram homenageados em 2021, no Dia do Engenheiro Agrimensor, Dírio Ricartes de Oliveira, que também está entre os alvos da PF, apareceu:

  • Jadir Bocato
  • Eng. Agrimensor - André Nogueira Borges
  • Eng. Agrimensor - Josué Ferreira Caetano

Cabe destacar que, além de engenheiro agrimensor servidor da Agraer, André Nogueira Borges, inclusive, chegou a ocupar a presidência da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul (Agraer). 

Além desses, os identificados como  responsáveis pela empresa Toposat Engenharia, Mario Maurício Vasques Beltrão e a engenheira ambientalista Bruna Feitosa Brandão,também  aparecem entre os alvos, assim como o funcionário Nelson Luís Moia, o servidor estadual Evandro Efigenio e a proprietária rural Elizabeth Peron Coelho. 

Relembre os alvos relacionados na Operação Pantanal Terra Nullius: 

  1. André Nogueira Borges 
  2.  
  3. Elizabeth Peron Coelho 
  4. Evandro Efigenio
  5. Jadir Bocato 
  6. Josué Ferreira Caetano
  7.  
  8. Nelson Luís Moía

Entenda o esquema

Com a determinação do bloqueio de valores e o sequestro de bens que inicialmente ultrapassaram R$ 3 milhões, foi indicado em um primeiro momento que servidores da Agraer seriam responsáveis por falsificar documentos e inseri-los em processos administrativos de titulação.

No processo de grilagem de terras da União no Pantanal de Mato Grosso do Sul, esses agentes que possivelmente recebiam propinas no esquema eram responsáveis por "esconder" essa informação no processo de regularização fundiária. 

Nesse meio tempo, caso ninguém identificasse que essa terra seria de origem pública, o processo de titularização era concluído de forma a completar o esquema ilegal. 

Essa ação tinha como objetivo obter ilegalmente áreas localizadas dentro do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, uma unidade de conservação situada em faixa de fronteira.

"Caso a fraude fosse percebida durante o trâmite, o processo era cancelado sob a justificativa de irregularidade, alegando-se erro no reconhecimento da titularidade da área", complementa a PF. 

Os investigados podem responder por crimes como associação criminosa, usurpação de bens da União, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema público e infrações ambientais.

* Conteúdo atualizado em 08/04/2026, às 11:05, para a supressão de nomes em conformidade com decisão liminar, visto que os envolvidos encontram-se sob investigação.

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Mundo

Papa Leão XIV envia mensagem aos bispos do Brasil reforçando o apelo pela paz

O discurso ocorreu após uma série de provocações do presidente Donald Trump, iniciadas no último domingo, 12

17/04/2026 23h00

Papa Leão XIV

Papa Leão XIV Foto: Divulgação

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O Papa Leão XIV enviou uma mensagem nesta semana para os bispos reunidos na 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O evento, que teve início na quarta-feira, 15, acontece em Aparecida (SP) até a próxima sexta-feira, 24.

A assembleia acontece no contexto das comemorações dos 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé.

Na carta, o Papa saúda os bispos, faz referência a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e expressa proximidade, esperança e paz diante dos conflitos armados.

"Num mundo marcado por violentos conflitos armados, devemos com urgente insistência suplicar ao Príncipe da Paz que ilumine os corações e as mentes dos líderes das nações envolvidas nas guerras atuais", diz o pontífice no documento divulgado pela CNBB.

Em seguida, ele afirma que a verdadeira paz não significa ausência de conflitos. "A convivência pacífica nasce do reconhecimento do valor do outro, da consciência de que somos todos irmãos, criados por Deus à sua imagem e semelhança".

Ainda na carta, lida na conferência pelo padre Leandro Megeto, o pontífice também recorda o ensinamento da Encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco, ao afirmar que todos são "iguais nos direitos, nos deveres e na dignidade".

Por fim, o papa agradece o empenho pastoral dos bispos em manter canais abertos de diálogo com as autoridades civis, tornando concreta e efetiva essa "longeva relação institucional nos vários recantos do vosso amado País".

Conforme a CNBB, os bispos do Brasil se encontram na conferência para "refletir os desafios e as oportunidades do tempo presente, à luz do Evangelho e das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora".

Nesta mesma semana, durante pregação em Camarões, Leão criticou um "punhado de tiranos", que, segundo ele, estão devastando o mundo com guerras e exploração.

O discurso ocorreu após uma série de provocações do presidente Donald Trump, iniciadas no último domingo, 12, quando afirmou que o papa deveria "parar de ceder à esquerda radical" e o chamou de fraco no combate ao crime e péssimo em política externa.

Mato Grosso do Sul

Relatório da PF indica que filha de desembargador tinha quase R$ 1 milhão em dinheiro vivo

Advogada Renata Pimentel foi indiciada por corrupção passiva no relatório final da Operação Ultima Ratio da Polícia Federal

17/04/2026 20h49

Dinheiro vivo encontrado na casa da advogada Renata Pimentel, indiciada por corrupção

Dinheiro vivo encontrado na casa da advogada Renata Pimentel, indiciada por corrupção Reprodução

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As investigações da Polícia Federal, no âmbito da Operação Ultima Ratio, deflagrada em 24 de outubro de 2024, colocaram a advogada Renata Gonçalves Pimentel no centro de um suposto esquema de venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Apesar de a operação ter sido desencadeada há um ano e meio, só agora, com o relatório final do inquérito elaborado pela Polícia Federal, foram revelados detalhes sobre o envolvimento de Renata, que é filha do desembargador Sideni Pimentel.

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na residência da advogada, localizada no condomínio de luxo Damha III, em Campo Grande, os agentes federais encontraram vultosas quantias de dinheiro em espécie guardadas em cofres. Ao todo, foram apreendidos R$ 128.290,00 em moeda nacional e US$ 125.000,00 em espécie. Considerando a cotação da época da operação, o montante total apreendido passa de R$ 800 mil.

O relatório final indiciou Renata Pimentel por corrupção passiva.

A Polícia Federal aponta que o uso de grandes somas de dinheiro em espécie é um forte indício de corrupção, uma vez que a prática visa dificultar o rastreamento bancário de pagamentos de propina.

Embora Renata tenha alegado, no momento da busca, que os dólares pertenciam ao tio de seu marido, a autoridade policial considera que a posse desses valores reforça as evidências de que ela atuava como intermediária na comercialização de sentenças proferidas por seu pai, o desembargador Sideni Soncini Pimentel.

Segundo o relatório, Renata teria negociado e vendido a decisão que autorizou a alienação da Fazenda Santo Antônio, em Corumbá, recebendo mais de R$ 1 milhão em vantagens indevidas.

Dinheiro vivo encontrado na casa da advogada Renata Pimentel, indiciada por corrupçãoAdvogada Renata Pimentel

A análise do telefone celular da advogada revelou intensa movimentação financeira paralela, incluindo mensagens sobre a compra de uma caminhonete de R$ 250 mil para o pai e depósitos em dinheiro para quitar financiamentos pessoais.

Em um dos diálogos interceptados, Renata chegou a discutir com seu contador qual seria a melhor forma de justificar um depósito em espécie de R$ 213 mil ao banco, sugerindo classificá-lo como “honorários”, enquanto o profissional recomendou registrá-lo como “empréstimo”.

Para os investigadores, esses elementos indicam a existência de uma estrutura de lavagem de dinheiro para conferir aparência lícita a recursos obtidos com a venda de decisões judiciais.

Detalhes

As investigações da Polícia Federal na Operação Ultima Ratio apontam que a advogada Renata Pimentel atuou como intermediária na negociação da venda de uma fração da Fazenda Santo Antônio, em Corumbá, cuja liberação judicial envolveu seu pai, o desembargador Sideni Soncini Pimentel, e outros magistrados. O imóvel, pertencente ao espólio de Darci Guilherme Bazanella, estava inicialmente bloqueado para venda por conta de débitos de ITCD.

Mesmo sem integrar formalmente o processo, Renata teria participado diretamente das tratativas entre os advogados do espólio e o representante do comprador, Cláudio Bergmann. Após a liberação do negócio, ela recebeu ao menos R$ 920 mil. As negociações foram registradas em mensagens e áudios, nos quais aparecem valores detalhados para viabilizar a decisão judicial.

Entre os trechos mais contundentes, aparecem propostas como: “880 k à vista 120 k segunda parcela” e “E 500 do por fora nos 4 apartamento do inventário”, indicando pagamentos oficiais e valores extras fora do registro formal. Em outro momento, Renata pede a um dos envolvidos que vá até ela para acertar o “nosso ganha-pão”.

As conversas também indicam preocupação em incluir outros atores na divisão dos valores. Ao tratar do advogado do comprador, Renata afirmou: “Agora que chamo, ele vai ter que se sentir parte, senão, fudeu (sic)”. Em seguida, propôs repasse de recursos: “Consegui tirar 100 k para matar os seus 50 p cada 1”.

O acordo avançou rapidamente. Em um grupo de mensagens, o advogado do comprador declarou: “Negócio tá pronto”, avaliando em apenas 10% o risco de a Justiça não liberar a venda, ao que Renata respondeu: “kkk boa”. Posteriormente, ao receber a confirmação de pagamento, comemorou: “Aí simmmmm” e “Pagou”.

A Polícia Federal identificou pagamentos feitos por meio de transferências e notas fiscais com descrições genéricas, como “prestação de assessoria jurídica para aquisição de imóvel rural”, sem menção ao processo. Para os investigadores, há indícios de tentativa de dar aparência legal aos valores movimentados.

A liberação da venda ocorreu apenas meses depois, por decisão de desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, incluindo o pai de Renata.

O caso levou a Polícia Federal a pedir ao Ministério Público Federal a abertura de ação penal contra magistrados, sob suspeita de participação em um esquema de venda de decisões judiciais, além de levantar indícios de fraude fiscal, já que a fazenda foi avaliada no inventário por valor muito inferior ao da negociação.
 

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