Cidades

CORUMBÁ

Rumo Malha Oeste entra na mira do MPF por incêndio no Pantanal

Órgão instaurou inquérito civil contra a concessionária após ficar provado que fogaréu teve origem durante atividades de manutenção na ferrovia

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A concessionária Rumo Malha Oeste S.A., responsável por gerir a ferrovia de quase dois mil quilômetros que percorre o interior de São Paulo até Corumbá, está sendo investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) por ser a suposta responsável por um incêndio de grandes proporções no Pantanal há quase um ano e meio.

De acordo com a portaria assinada pelo procurador Alexandre Jabur, o caso aconteceu em agosto de 2024, quando um incêndio florestal desmatou 17.817 hectares de vegetação nativa no bioma sul-mato-grossense, em área de especial proteção ambiental, mais especificamente na região de Porto Esperança, em Corumbá, conforme investigação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Foi apurado que o incêndio foi originado durante atividades de manutenção na linha férrea, que foram executadas pela terceirizada Trill Construtora Ltda, empresa especializada em infraestrutura, com foco principal no setor ferroviário, fundada em 2011 e com sede em Hortolândia (SP).

Também foi apontado que “há indícios de que o sinistro foi provocado por faíscas oriundas de equipamento de corte metálico (policorte), potencializado pela ausência de medidas preventivas adequadas, tais como a manutenção de aceiros e a remoção de material combustível ao longo da via férrea”.

Diante da gravidade e da extensão dos danos ambientais, que atingiram diversas propriedades rurais e demandaram prolongadas ações de combate ao incêndio, além do encerramento do prazo da fase preliminar e necessidade de prosseguimento na investigação, foi resolvido instaurar o inquérito civil.

Vale destacar que a Rumo Malha Oeste S.A. detém a concessão da ferrovia há quase três décadas, com vencimento do contrato previsto para o dia 1º de julho deste ano. Por isso, está sendo realizado um processo de relicitação em conjunto com o Ministério dos Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Problemática

A Rumo Malha Oeste foi autuada 74 vezes em três anos, entre 2021 e 2024, por não cuidar da faixa de domínio, abandonar prédios e não trocar dormentes e trilhos nos 1.973 quilômetros da linha férrea entre Mairinque (SP) e Corumbá. Estas infrações, em sete casos, resultaram em autuações e multas que chegaram a R$ 7,5 milhões, de acordo com a ANTT.

Essa situação de abandono contrasta com a proposta do Ministério dos Transportes, que está preparando para fevereiro de 2026 uma nova modelagem de concessão para “salvar” a Malha Oeste, já que a proposta de uma solução consensual foi barrada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), ao constatar que a Rumo devolveria 1,6 mil km dos 1,9 mil km da linha férrea.

Este novo contrato foi confirmado pelo governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), ao Correio do Estado, após conversa com o ministro dos Transportes, Renan Filho, no ano passado.

“O ministro Renan Filho me garantiu que terá uma modelagem nova para a ferrovia”, afirmou Riedel, que ainda lembrou que o contrato de concessão da Rumo para o trecho vence em julho do próximo ano e que, por isso, o governo federal terá de licitar a ferrovia.

Enquanto essa proposta não é finalizada, a ANTT continua fiscalizando a gestão da Rumo na Malha Oeste, tanto que a última multa foi efetivada no dia 30 de setembro, quando a agência fez a notificação final da penalidade aplicada em 23 de setembro do ano passado, no valor de R$ 2,1 milhões.

Nova concessão

Com o contrato prestes a vencer, o Ministério dos Transportes já trabalha em uma nova modelagem de concessão da Malha Oeste. O plano é relançar a ferrovia sob novos parâmetros técnicos e financeiros, tentando atrair investidores e evitar a desativação definitiva do traçado.

A proposta de uma solução consensual entre governo e empresa chegou a ser discutida em 2023, mas foi barrada pelo TCU. O órgão entendeu que o acordo favorecia a Rumo, já que a empresa pretendia devolver 1,6 mil km dos 1,9 mil km da ferrovia, mantendo apenas o trecho mais rentável.

O TCU considerou o plano “incompatível com o interesse público” e determinou que o governo optasse pela relicitação integral do contrato – decisão revelada em reportagem anterior do Correio do Estado.

A degradação da via permanente compromete o potencial logístico de Mato Grosso do Sul. Sem ferrovia em operação eficiente, o escoamento de minérios e grãos continua dependente do transporte rodoviário, mais caro e poluente.

Relatórios da ANTT alertam que a falta de manutenção compromete a integridade física dos bens públicos e representa “risco à segurança operacional e às comunidades lindeiras”, sobretudo nos trechos urbanos de Campo Grande, Três Lagoas e Corumbá.

Saiba

Duante os anos à frente da ferrovia, a denominação da empresa mudou de nome diversas vezes. De 1996 a 2007, era chamada de Ferrovia Novoeste S.A. No ano seguinte, em 2008, a ANTT aprovou a alteração do Estatuto Social da empresa , que passou a ser América Latina Logística Malha Oeste S.A (ALL). A partir de 2015, após um processo de fusão com a Rumo Logística, a empresa passou a ser controlada pela Rumo, sendo chamada de Rumo Malha Oeste S.A.

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VIOLÊNCIA INFANTIL

Pai é preso suspeito de espancar bebê de dois meses

Homem confessou ficar sem paciência com choro da criança e assumiu a agressão

15/08/2026 09h30

Rio Verde News

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Um homem, de 31 anos, foi preso durante o início da noite da última quinta-feira (13), suspeito de espancar a filha, de apenas dois meses de vida. O caso aconteceu em Rio Verde de Mato Grosso, município localizado no centro-norte de Mato Grosso do Sul.

Segundo o site Rio Verde News, o bebê deu entrada no Hospital Geral Paulino Alves da Cunha (HGPAC) na quarta-feira (12) em estado grave. Com os exames médicos foram identificadas hemorragia cerebral e suspeitas de fraturas na região da cabeça.

Os profissionais suspeitaram do estado clínico da criança, por diversos motivos, entre eles por algumas lesões não aparentarem ser do dia.

Ao ouvir a versão inicial do homem para entender o que tinha acontecido, a equipe médica suspeitou do relato e características dos ferimentos, e então acionou o Conselho Tutelar de Rio Verde (MS), que levou o caso para a Polícia Civil do município.

Para os investigadores, o homem sustentou inicialmente a mesma versão que apresentou a equipe do hospital. Segundo o relato, durante o banho o bebê teria sofrido uma queda e o homem teria caído em sobre o bebê, o que provocou as lesões.

No entanto, posteriormente, ele admitiu ter agredido a criança por perder a paciência. Conforme o novo relato, ele disse que o bebê estaria chorando insistentemente e, por isso, ele perdeu a paciência e o agrediu.

Com a confissão, os policiais deram voz de prisão ao homem e o levaram preso em flagrante para a Delegacia de Polícia Civil da cidade. Após audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em preventiva e o homem seguirá preso durante as investigações do caso.

A investigação apontou também, que o bebê estava sob cuidados do pai apenas, pois a mãe estava com outra criança, que necessitava de acompanhamento em uma unidade hospitalar.

O caso está registrado até o momento como maus-tratos e lesão corporal, previstos pelo artigo 136 e 129 do Código Penal.

Conforme a legislação, o crime de maus-tratos prevê aumento de pena quando a vítima é menor de 14 anos, com reclusão de dois a cinco anos como pena base, e maiores penalidades se os maus-tratos resultarem em lesão corporal grave ou morte. A lei prevê aumento de um terço em razão da idade da vítima.

A criança foi tranferida para uma unidade hospitalar de Campo Grande devido aos ferimentos e está internada.

A Polícia Civil está responsável pelo caso e ainda investiga circustâncias das lesões, dinâmica dos fatos, período exato em que ocorreram as lesões, bem como demais necessidades da investigação para esclarecer a situação.

Até o momento, as hipóteses das lesões anteriores a do dia é que teria ocorrido no domingo, mas a possibilidade ainda pode ser confirmada ou descartada pela equipe de investigação.

Violência infantil é crime. Denuncie no Disque 100, pelo Conselho Tutelar, 190 para Polícia Militar ou na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e Adolescente (DEPCA).

Manutenção Urbana

Buracos fazem Prefeitura usar 100 toneladas de asfalto neste sábado em Campo Grande

Quatro equipes vão atuar em dez ruas da Vila Progresso; serviços devem continuar durante a semana e volume de asfalto utilizado pode aumentar.

15/08/2026 09h03

Equipes trabalham na recuperação do asfalto durante mutirão de tapa-buracos em Campo Grande.

Equipes trabalham na recuperação do asfalto durante mutirão de tapa-buracos em Campo Grande. Foto: Divulgação Prefeitura de Campo Grande.

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A Prefeitura de Campo Grande mobilizou quatro equipes e prevê utilizar aproximadamente 100 toneladas de massa asfáltica em mais uma operação de tapa-buracos realizada neste sábado (15). Desta vez, os trabalhos estão concentrados na região da Vila Progresso, onde dez ruas foram incluídas no cronograma de manutenção.

O volume de material previsto para uma única região chama atenção e evidencia a dimensão do desafio enfrentado pelo município para manter as vias em condições adequadas de circulação.

Apesar dos sucessivos mutirões anunciados pela administração municipal, a necessidade de operações concentradas continua fazendo parte da rotina de manutenção da malha viária de Campo Grande.

Os trabalhos deste sábado alcançam as ruas Portugal, Ary Coelho de Oliveira, Estevão Capriata, Carlinda Tognini, Simon Bolívar, Thomas Edson, Aristóteles, São Cosme e Damião, Dona Dorinha de Figueiredo e Frei Henrique de Coimbra.

E as 100 toneladas previstas inicialmente não deverão ser suficientes para encerrar a intervenção.

A própria Prefeitura informou que os serviços continuarão ao longo da semana e que as equipes permanecerão na região até a conclusão dos trabalhos programados. Com isso, o volume total de massa asfáltica empregado deverá aumentar.

Apesar das operações de tapa-buracos, o serviço é uma solução pontual para um problema que se repete em diferentes regiões de Campo Grande.

Em vias onde o pavimento já apresenta desgaste acentuado, os remendos podem não resolver definitivamente a deterioração, fazendo com que novos buracos apareçam ou os trechos reparados voltem a apresentar problemas.

A situação reforça a necessidade de intervenções mais estruturais, como recapeamento e recuperação completa do pavimento, especialmente nas ruas mais comprometidas.

A Prefeitura não informou, no comunicado sobre a operação deste sábado, quantos buracos deverão ser fechados com as 100 toneladas, qual será a extensão total das vias recuperadas nem o custo específico da intervenção na Vila Progresso.

Manutenção em meio a pacote de R$ 280 milhões

O mutirão integra o Vira CG Infraestrutura, programa anunciado pela administração municipal com mais de R$ 280 milhões em investimentos. O pacote, porém, não é destinado exclusivamente à recuperação de ruas deterioradas.

O montante reúne recursos para drenagem, pavimentação, recapeamento, implantação de ciclovias e manutenção da malha viária.

Dessa forma, somente o valor global divulgado não permite dimensionar quanto efetivamente será direcionado às operações de tapa-buracos nem qual parcela será aplicada em soluções mais estruturais, como o recapeamento completo de vias.

Ao comentar os trabalhos, a prefeita Adriane Lopes afirmou que a intenção é acelerar o atendimento das demandas existentes nos bairros.

“Estamos mantendo as equipes nas ruas e ampliando o atendimento para que as demandas dos bairros sejam atendidas com mais rapidez. O trabalho de manutenção é contínuo e busca garantir vias mais seguras e melhores condições de circulação para quem mora e se desloca pela nossa cidade”, afirmou.

A manutenção contínua citada pela prefeita ocorre justamente diante da necessidade de recuperar pontos deteriorados em diferentes regiões.

Além das operações concentradas aos sábados, equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) permanecem nas ruas durante os demais dias da semana.

Segundo a administração municipal, a programação é definida conforme as condições das vias e as necessidades identificadas pelas equipes.

O avanço das operações pode aliviar problemas imediatos para motoristas e moradores, mas a quantidade de material necessária apenas na Vila Progresso reforça que o município ainda enfrenta uma demanda significativa por manutenção.

Mais do que ampliar o número de equipes e toneladas de asfalto utilizadas, o desafio para a administração municipal será demonstrar se os reparos realizados terão durabilidade suficiente e se os investimentos anunciados conseguirão reduzir a necessidade de intervenções recorrentes nas mesmas regiões da Capital.

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