Cidades

Valores retroativos

Enfermeiros com retroativos atrasados recebem R$ 1 milhão em MS

Os profissionais da enfermagem esperaram quase dois anos para receber os valores referentes ao complemento do piso salarial desde 2023

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Cem profissionais da enfermagem que trabalham no Hospital Regional José Simone Netto, após quase dois anos de espera, receberam mais de R$ 1 milhão em valores atrasados desde setembro de 2023. O valor é referente ao complemento do retroativo do piso salarial da categoria.

Embora o Estado tivesse recursos em caixa, como explicou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Área da Enfermagem de Mato Grosso do Sul (Siems), Lázaro Santana, o atraso no pagamento ocorreu porque era necessário que o Ministério da Saúde autorizasse a liberação.

Com isso, o  montante “pingou” na conta dos profissionais após um processo de mediação do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS). 

"Esse valor estava pendente porque no ano de 2023, quando começou a ser feito o pagamento dos nossos trabalhadores referentes a complementação do piso, vários profissionais ficaram sem receber e não tiveram naquele momento uma justificativa. A morosidade aconteceu, apesar do Estado ter um recurso em caixa, mas não tinha autorização ainda do Ministério da Saúde, então quando saiu a autorização o Estado liberou o recurso para fazer o pagamento", disse Lázaro.

A liberação dos recursos pelo Ministério da Saúde ocorreu em agosto, após a conciliação promovida pelo MPT-MS, que estabeleceu o diálogo entre as partes envolvidas:

  • Direção do Hospital Regional José Simone Netto, localizado no município de Ponta Porã;
  • Sindicato da Enfermagem (Siems);
  • Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Negociações

Conforme destacou a procuradora-chefe do MPT-MS, Cândice Gabriela Arosio, o passo decisivo para destravar o atraso salarial foi a atuação firme e integrada das entidades.

“É por meio da mobilização conjunta que podemos alcançar soluções ágeis e garantir o respeito à dignidade desses trabalhadores. A situação do Hospital Regional José Simone Netto evidencia um cenário recorrente entre profissionais da saúde em diversas regiões do país, onde atrasos e entraves burocráticos comprometem direitos garantidos em lei", disse a procuradora.

Momento histórico

O presidente do Siems, Lázaro Santana, comemorou a decisão, classificando-a como um momento histórico para os profissionais da categoria.

“O valor finalmente foi creditado aos trabalhadores que nunca deixaram de cumprir sua missão de cuidar da população”, disse Lázaro.

A advogada do Siems, Étila Guedes, pontuou que, até a efetivação do pagamento, houve muita persistência e mobilização para garantir os direitos dos trabalhadores.

“Foram inúmeros encaminhamentos junto aos órgãos competentes, sempre em parceria com o MPT e sob a firme condução da procuradora-chefe Cândice Arosio. Estamos falando de profissionais que enfrentaram meses de incerteza e de luta para ver um direito básico respeitado. Esse pagamento representa não apenas uma reparação financeira, mas também o reconhecimento da importância da enfermagem para o sistema de saúde”, pontuou Guedes.

A mediação, segundo o coordenador jurídico em exercício da SES, procurador Marcelo Rozendo Vianna, foi a peça-chave para a construção de soluções e o desfecho do processo.

“A participação da Procuradoria-Geral do Estado, por intermédio da CJUR/SES, também se mostrou essencial, assegurando a defesa do interesse público e a definição de uma saída juridicamente segura. A atuação conjunta permitiu um diálogo transparente entre as partes, garantindo a valorização dos profissionais da enfermagem e, ao mesmo tempo, a sustentabilidade da assistência hospitalar. Essa experiência reafirma a relevância da mediação institucionalizada como instrumento de pacificação social e de fortalecimento das políticas públicas de saúde”.

Acordos coletivos

O MPT-MS, por meio do Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição (Nupia), realizou negociações com diversas entidades hospitalares em todo o estado, formalizando Acordos Coletivos de Trabalho com vigência de 1º de maio de 2025 a 30 de abril de 2026.

“A atuação do Nupia contribuiu de forma efetiva com a abertura de um canal de diálogo transparente e equilibrado entre o Siems e os gestores dos hospitais, possibilitando a formalização de instrumentos sem necessidade de judicialização e assegurando pacificação social, segurança jurídica e fomento à cultura da autocomposição”, disse a advogada do Siems, Olívia Brandão.

Com isso, houve redução de ações judiciais trabalhistas, conforme destacou a vice-presidente do Siems, enfermeira Helena Delgado, trazendo equilíbrio e segurança jurídica nas relações entre empregadores e trabalhadores.

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ACIDENTE

Bombeiros identificam corpo de homem que afundou caminhão no Rio Vacaria

Robson Ferreira Soares foi encontrado preso às ferragens dentro da cabine do veículo, após a equipe de mergulho realizar buscas no local

13/05/2026 08h15

Equipes do Corpo de Bombeiros e da CCR Vias realizaram o resgate do corpo

Equipes do Corpo de Bombeiros e da CCR Vias realizaram o resgate do corpo Crédito: Rio Brilhante em Tempo Real

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O corpo do motorista Robson Ferreira Soares, de 49 anos, foi encontrado na tarde de ontem (12), pelo Corpo de Bombeiros, no Rio Vacaria, próximo ao distrito de Prudêncio Thomaz, em Rio Brilhante. O homem dirigia um caminhão caçamba, quando o veículo rompeu o guard rail da ponte e afundou na água, na noite de segunda-feira (11).

De acordo com as informações divulgadas pelo site Rio Brilhante em Tempo Real, o corpo de Robson foi encontrado preso às ferragens dentro da cabine do veículo, após a equipe especializada de mergulho do Corpo de Bombeiros realizar buscas no local do acidente.

Um caminhão-guincho da Motiva Pantanal, concessionária responsável pela administração da BR-163 em Mato Grosso do Sul, esteve no local para fazer o içamento do caminhão caçamba, submerso desde a noite de segunda-feira.  De acordo com a polícia, o caminhão que afundou pertencia a uma empresa terceirizada da concessionária.

Robson era morador no distrito de Anhanduí, em Campo Grande. A identificação do motorista ocorreu após familiares reconhecerem uma mochila com roupas encontrada boiando no rio durante as buscas. 

A equipe especializada em mergulhos teve que ir de Campo Grande à Rio Brilhante para realizar as buscas pelo corpo de Robson. Foram necessários três mergulhos para encontrá-lo. Capitão Bueno, do Corpo de Bombeiros, relatou a dificuldade durante o trabalho. "“Visibilidade zero. Tem muitos enroscos e a correnteza muito forte dificulta bastante a varredura”. 

"Como o rio está muito cheio, o caminhão ficou muito afundado. E mesmo com a equipe especializada, tivemos muita dificuldade, tivemos que descer três vezes para conseguir identificar o local e a vítima", relatou o capitão Alencar, responsável pelo Corpo de Bombeiro em Rio Brilhante. 

Investigação

Fábricas de cigarros ilegais foram fechadas em MS e outros 17 estados

Pesquisa aponta que 10% do mercado de tabaco irregular no Brasil pertencem a fábricas clandestinas que se utilizam de mão de obra paraguaia

13/05/2026 08h08

DIVULGAÇÃO/BANCO MUNDIAL/ONU

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Além de ser rota de entrada para os cigarros paraguaios, Mato Grosso do Sul também abriga fábrica clandestina de cigarros ilegais. Além do Estado, levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) aponta que, desde 2007, 75 locais já foram fechados em fiscalizações.

Divulgado recentemente, o Mapa do Contrabando, feito pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf), aponta, com base em dados da Abifumo, que mais de 75 fábricas e 100 depósitos clandestinos de cigarros foram fechados em fiscalizações pelo Brasil, além da apreensão de 57 máquinas de produção no período de 2007 a 2025.

Ainda conforme a publicação, as fábricas clandestinas foram flagradas em: Mato Grosso do Sul, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

“Tivemos várias operações que flagraram fábricas clandestinas de marcas paraguaias funcionando no território brasileiro. Eles usam as marcas paraguaias, o fumo de lá, maquinário, e até mão de obra de paraguaios, que muitas vezes trabalham em regime análogo à escravidão. Mas esses cigarros também são falsificações dos vendidos lá e já teve relato de facções envolvidas nessas fábricas”, afirmou o presidente do Idesf, Luciano Barros.

De acordo com Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), o crescimento do consumo desse tipo de produto incentivou a criação de um mercado paralelo, com a vinda de maquinário e de fumo do Paraguai para que os cigarros fossem feitos no País, o que reduz o custo para estados mais distantes da fronteira.

A instalação dessas fábricas clandestinas, que falsificam inclusive as marcas paraguaias que entram ilegalmente no País, segundo ele, contribuiu para que este mercado chegasse a movimentar R$ 10,3 bilhões em um ano.

“No ano passado esse mercado de cigarro paraguaio movimentou R$ 10,3 bilhões, e 10% desse valor vêm das fábricas clandestinas e das fábricas de devedores contumazes”, contou o presidente do Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade ao Correio do Estado.

Segundo Vismona, os devedores contumazes são fábricas devidamente registradas no País, mas que não pagam os impostos, mesmo podendo operar, o que, na visão do setor, causa um favorecimento das marcas.

Na visão do presidente do Fórum, a atuação contra esses grupos deve ser feita sobre duas óticas, a da oferta e a da demanda.

“A oferta pode ser reduzida com articulação das forças policiais para atuar na repressão ao contrabando de cigarros. Esses grupos estão atuando como máfias, estão se infiltrando no País, instalando-se em depósitos, criando um meio de distribuição. Deve haver uma atuação integrada, com troca de informações das forças para fazer um mapeamento permanente desde a fronteira até o ponto de venda. Para isso, é preciso [ter] recursos financeiros e humanos e tecnologia”, analisa Vismona.

“O caso da demanda é o preço, diminuir o imposto aumenta a atração e afasta a demanda por essas marcas ilegais. Acredito que deveria haver um equilíbrio tributário, porque aumentar muito os impostos impacta no preço e isso leva a um aumento da atratividade do cigarro contrabandeado, o que leva a aumentar o lucro ilegal”, completou o presidente do FNCP.

DOF

Na publicação do Mapa do Contrabando, entre as fontes utilizadas, o Idesf ouviu o tenente-coronel Wilmar Fernandes, diretor do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) de Mato Grosso do Sul. Na visão dele, o contrabando de cigarros hoje é feito por uma rede do crime organizado.

“Há caminhões que provêm de furto ou roubo para o transporte, há casos também de aliciamento de agentes públicos para fazer vista grossa e não fazer fiscalização, e eles colocam uma rede de pessoas para avisar onde estão os policiais. É muito bem estruturado. Tem o batedor, o olheiro, o chefe da vila, que entrega a marmita, passa o rádio e telefone para as pessoas que atuam no crime. Toda essa estrutura é para tentar fazer com que a carga saia em segurança e não seja apreendida. Em geral, a maior dificuldade é sair daqui”, disse o tenente-coronel na publicação.

“Sabemos da atuação do CV [Comando Vermelho] e PCC [Primeiro Comando da Capital], porque os produtos que saem daqui [MS] estão sendo vendidos principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Além destas, também tem as Orcrim [organizações criminosas] daqui, que não são intituladas facções, elas têm o seu próprio mercado”, completa Fernandes.

* Saiba

Matéria do Correio do Estado publicada ontem trouxe levantamento que aponta o contrabando de cigarros como tão lucrativo quanto o tráfico de cocaína.

Enquanto o mercado de cigarro-s ilegais movimenta R$ 10,3 bilhões por ano, o tráfico chega a R$ 15 bilhões.

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