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Investigação

Ex-prefeito de Campo Grande mata fiscal tributário em briga por mansão

Alcides Bernal foi preso ontem, após atirar e matar Roberto Carlos Mazzini; o fato ocorreu em meio a uma disputa judicial por um imóvel de luxo

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O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, matou o fiscal tributário da Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso do Sul (Sefaz), Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, após se recusar a entregar seu imóvel – uma verdadeira mansão – que havia sido leiloado.

Ele flagrou por meio do monitoramento de segurança a vítima entrando na propriedade, durante a tarde de ontem.

A história começa em de 2023, quando em um primeiro pregão, o imóvel foi ofertado por R$ 3,7 milhões, mas ninguém se interessou.

Depois, o valor caiu para R$ 2,4 milhões e o fiscal tributário acabou comprando a mansão. Contudo, mesmo após ter sido arrematado por Roberto Mazzini, Bernal se recusava a entregar a casa, levando a imbróglios judiciais, o que resultou no assassinato de ontem.

Pouco antes das 14h, Bernal foi avisado pelo monitoramento de segurança do imóvel que Roberto estava tentando entrar no terreno, com a ajuda de um chaveiro. Ao chegar no local, o ex-prefeito se desentendeu com o fiscal e efetuou dois disparos na direção do rival judicial, sendo que dos tiros atravessou a região da costela.

Após isso, Bernal fugiu do local do crime e se apresentou à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac-Centro). Enquanto isso, a Polícia Militar e a Ambulância foram acionadas por testemunhas que ouviram os tiros e identificaram uma movimentação estranha no imóvel.

De acordo com o tenente Gustavo Frias, do Corpo de Bombeiros, Roberto já estava sem sinais vitais quando as autoridades e socorristas chegaram na ocorrência. Mesmo assim, durante 25 minutos, houve a tentativa de reanimar a vítima, mas sem sucesso.

O corpo foi retirado pela funerária por volta das 16h, mesmo horário em que a Polícia Científica e a Perícia saíram do local.

Na parte interna da caminhonete de Roberto, que ficou na frente da casa até a família retirar, havia uma notificação extrajudicial para desocupação, emitida no dia 20 de fevereiro enviada por Carlos Mazzini, na qual o comprador estava dando prazo de 30 dias para que Bernal esvaziasse a casa e entregasse as chaves. A morte ocorreu quatro dias depois deste prazo final. 

Mansão onde Bernal diz residir está localizada na Avenida Antônio Maria Coelho e tem mais de 600 metros de área construída - Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

Neste documento consta a informação de que a recusa de entrega acarretaria um aluguel mensal equivalente a 1% do valor do imóvel.

Este aluguel mensal, segundo Carlos Mazzini, seria de R$ 24.135,45, deixando claro que ele pagou mais de R$ 2,4 milhões no leilão realizado pela Caixa Econômica Federal.

Esta mesma notificação informa que o leilão foi adjudicado pela Caixa em abril de 2023 e que, desde então, ele tentava assumir a casa localizada em área nobre de Campo Grande e na qual o ex-prefeito ainda estaria morando. A casa tem 680 m² e está dentro de um terreno de 1.440 m², o que equivale a quatro terrenos convencionais.

O sindicato que representa os servidores emitiu nota lamentando o assassinato.

“É com profunda consternação e indignação que recebemos a notícia do assassinato do nosso colega Roberto. Ele era um servidor dedicado, pai de família e, acima de tudo, uma pessoa honrada. Neste momento de dor, expressamos nossa solidariedade à família e a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele.

A perda deixa uma lacuna irreparável no seio da família e em toda a nossa categoria, que hoje se encontra enlutada”, disse a categoria

O caso foi registrado como homicídio simples e legítima defesa, de acordo com o advogado de Bernal, Oswaldo Meza.

OUTRO LADO

Após se apresentar à polícia, Bernal foi encaminhado a Depac Cepol, onde passou pelos procedimentos legais. Segundo Wilton Acosta, advogado de defesa do ex-prefeito e que foi ouvido pela reportagem, a arma usada no crime foi um revólver calibre 38, e que ele agiu em legítima defesa.

“Ele [Bernal] já prestou o depoimento, já fez os esclarecimentos e está alegando legítima defesa. Ele foi alertado pela empresa de segurança sobre os fatos e foi até a residência dele porque a porta da residência estava sendo arrombada. E é isso, infelizmente aconteceu o que aconteceu, mas os fatos são esses. Ele foi agredido, foi ameaçado, por conta disso ele teve que reagir para se defender”, disse.

O advogado afirmou que o ex-prefeito possui o registro de colecionador, atirador e caçador (CAC), documento concedido pelo Exército Brasileiro ou pela Polícia Federal para pessoas físicas praticarem tiro esportivo, caça ou ter coleção de armas. A defesa também detalhou quais serão os próximos passos de Bernal após o depoimento.

“Ele vai para uma sala especial, que é o direito, todo advogado tem, dentro da prerrogativa da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil], e ele vai para essa sala especial no Batalhão da Polícia Militar vai aguardar a audiência de custódia e as determinações da Justiça”, conclui.

A audiência de custódia está marcada para a manhã de hoje, no Fórum Cível e Criminal de Campo Grande.
Atualmente, depois de comandar Campo Grande entre 2013 e 2016 e ter ocupado o cargo de vereador e deputado estadual, Bernal deixou a vida política e também havia abandonado a carreira de radialista, exercendo apenas a função de advogado.

DÉBITO

A mansão que foi o pivô do assassinato tem uma dívida de quase R$ 345 mil somente relativa ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). 

Mas, caso fosse obrigado a pagar este valor à prefeitura, o fiscal tributário tinha a esperança de receber em torno de R$ 850 mil do ex-prefeito a título de aluguéis mensais de R$ 24,1 mil retroativos a abril de 2023, quando a Caixa tomou a casa que pertencia a Alcides Bernal.

 

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CRIME | EX-PREFEITO

Imagens de circuito interno gravaram morte em mansão de Bernal

Nas mãos da polícia, material deve ajudar a esclarecer os fatos que terminaram na morte de fiscal tributário em disputa pelo imóvel que acumula R$345 mil em dívidas de IPTU

25/03/2026 09h44

Após vítima abrir portão social com chaveiro, por volta das 12h56, o B.O narra que Bernal chegou às 13h44 e desceu do veículo já com uma arma de fogo.

Após vítima abrir portão social com chaveiro, por volta das 12h56, o B.O narra que Bernal chegou às 13h44 e desceu do veículo já com uma arma de fogo. Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Registrada no começo da tarde de terça-feira (24) em Campo Grande, a morte do fiscal tributário, Roberto Carlos Mazzini, pelas mãos do ex-prefeito da Capital, Alcides Bernal, foi registrada pelas câmeras de circuito interno privado que fazem o monitoramento da mansão e, nas mãos da polícia, devem ajudar a esclarecer os fatos na disputa por esse imóvel onde o crime foi registrado. 

Com dívidas referente ao popular Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) que chegam a casa dos R$345 mil, o imóvel em questão possui equipamentos de vigilância pertencentes à empresa de monitoramento New Line. 

Conforme os itens relacionados no Boletim de Ocorrência (B.O), a empresa em questão forneceu um pen drive de 16 gigas de memória, contendo as imagens da morte de Roberto Carlos Mazzini pelas mãos de Alcides Bernal. 

Além disso, o próprio boletim de ocorrência deixa claro um primeiro passo a passo que cita algumas vezes o trabalho da empresa de monitoramento interno privado empregada na mansão. Como narra o B.O, Bernal teria recebido uma notificação da New Line. 

Aqui fica claro que as ações resumiram-se às atividades e encargos da própria empresa, que diante do sinal que alguém estaria tentando entrar no imóvel pelos meios não convencionais "e fez contato com o autor, supostamente proprietário/ex-proprietário do imóvel que foi ao local", complementa o boletim. 

Linha do tempo

O registro dos fatos aponta que a vítima chegou até a mansão em disputa, que fica na Rua Antônio Maria Coelho, 3242 - Bairro Jardim dos Estados, antes das 13h. Em sua Toyota, Roberto Carlos Mazzini chegou à residência junto de um chaveiro, identificado como Maurílio da Silva. 

Depois disso, o portão social foi aberto por volta de 12h56 e, após conseguirem acesso ao imóvel, ambos foram rumo à porta de entrada. Alcides Bernal teria chegado na mansão às 13h44. 

"Pelas imagens de câmeras fornecidas pela empresa, o senhor Alcides Bernal chegou ao local em seu veículo, desceu do veículo já com uma arma de fogo, foi em direção à vítima, e efetuou dois disparos", cita o texto oficial do boletim de ocorrência. 

Em um primeiro momento, o crime envolvendo o radialista, vereador por dois mandatos e ex-prefeito, foi noticiado como uma recusa de Bernal em entregar o imóvel que em um primeiro pregão ainda em 2023 foi ofertado por R$3,7 milhões, mas ninguém se interessou. 

Posteriormente, a vítima Roberto Carlos Mazzini foi identificado como fiscal tributário da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), considerado um dos cargos mais cobiçados do Executivo Estadual, acabou comprando a mansão quando o valor caiu para R$ 2,4 milhões.

Ainda no fim da tarde de ontem, o ex-prefeito de Campo Grande justificou que matou a tiros fiscal tributário na tarde desta terça-feira (24), “para se defender”, com a defesa apontando já na manhã de hoje (25) que Bernal inclusive teria acionado os bombeiros e que "não sabia da morte". 

Sobre a mansão, vale destacar que a casa de 680 metros quadrados foi tomada pela Caixa e, após o arremate pelo leilão, estava nessa disputa de posse, sendo que Mazzini mantinha a  tinha a esperança de receber em torno de R$ 850 mil do ex-prefeito a título de aluguel mensal de R$ 24,1 mil retroativo a abril de de 2023, quando o banco tomou a casa de Alcides Bernal. 

Além disso, o valor do IPTU é alto, R$344.923,14, já que essa casa trata-se de uma construção antiga, com área construída localizada em área nobre da Capital, em um terreno de 1,4 mil metros  quadrados.

Para fins de comparação das dimensões dessa mansão, um terreno convencional, de 12 metros por 30, soma um total de 360 metros quadrados. 
**(Colaboraram Alison Silva e Felipe Machado). 

 

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EX-PREFEITO

Bernal chamou bombeiros após tiros e não sabia da morte, diz defesa

Defesa sustenta legítima defesa e pede que Bernal responda em liberdade após audiência

25/03/2026 09h03

Segundo Meza, Bernal agiu em legítima defesa ao se deparar com pessoas dentro do imóvel onde reside

Segundo Meza, Bernal agiu em legítima defesa ao se deparar com pessoas dentro do imóvel onde reside Marcelo Victor

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A defesa do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, afirmou nesta quarta-feira (25) que ele chamou o Corpo de Bombeiros após atirar em Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. A declaração foi feita pelo advogado Oswaldo Meza momentos antes da audiência de custódia, realizada nesta manhã no Fórum de Campo Grande.

“O doutor Bernal chamou o Corpo de Bombeiros para atender. Não sabia que a pessoa veio a óbito”, declarou Meza, acrescentando que os tiros foram feitos “na linha da cintura”, o que, segundo ele, demonstra que Bernal “não atirou para matar”.

Segundo o advogado, Bernal agiu em legítima defesa ao se deparar com pessoas dentro do imóvel onde reside. “Ele foi surpreendido por três indivíduos que invadiram a sua residência. Um deles partiu para cima e ele, com a sua arma, devidamente registrada, efetuou dois disparos”, afirmou.

Meza também sustentou que o imóvel ainda estava sob posse de Bernal e que a situação jurídica não autorizaria a entrada das pessoas no local. “O processo ainda estava sendo discutido, o Bernal ainda estava na posse, ainda está na posse da casa. É uma ação da Caixa, ele estava discutindo a purgação da mora, não havia oficial de Justiça, nem mandado de imissão na posse. Então, realmente foi invadido”.

O advogado acrescentou que Bernal não sabia quem eram as pessoas que entraram no imóvel. “Supostamente tinha uma pessoa que diz que era chaveiro, mas o boletim de ocorrência aponta que se trata de um servidor aposentado do Tribunal de Contas, o filho dele era um GCM, provavelmente uma pessoa que talvez estaria no local, segundo o depoimento do Dr.”.

A versão apresentada pela defesa diverge do boletim de ocorrência, que aponta a presença de apenas duas pessoas no local: a vítima e um chaveiro. “Segundo o depoimento do doutor, eram três indivíduos, mas isso ainda será esclarecido pela polícia”, disse.

Entenda o caso

O caso ocorreu na tarde de terça-feira (24), em um imóvel localizado na Rua Antônio Maria Coelho, região central da Capital. De acordo com a Polícia Civil, Bernal procurou a 1ª Delegacia de Polícia informando que havia atirado em um homem que teria invadido sua residência.

No local, investigadores encontraram Roberto Carlos sendo socorrido pelo Samu, mas ele não resistiu aos ferimentos e morreu cerca de 25 minutos depois.

As apurações iniciais indicam que a vítima havia arrematado o imóvel em leilão e foi até o local acompanhada de um chaveiro para tomar posse. A defesa, no entanto, sustenta que o processo ainda estava em discussão judicial e que não havia mandado de imissão na posse, o que caracterizaria invasão.

Bernal foi preso em flagrante e encaminhado à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac Cepol), sendo autuado por homicídio qualificado.

Investigação segue

O delegado Danilo Mansu informou que as circunstâncias do caso seguem em apuração. Imagens de câmeras de segurança e demais provas devem auxiliar na reconstituição dos fatos.

A defesa afirmou que vai solicitar que Bernal responda ao processo em liberdade, alegando que ele é réu primário, possui residência fixa e profissão definida.

A decisão sobre a manutenção ou não da prisão deve ser definida ainda hoje, após a audiência de custódia.

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