Cidades

CAMPO GRANDE

Ex-primeira dama de MS, Maria Aparecida Pedrossian morre aos 88 anos; Câmara decreta luto

Ela estava internada desde o dia 21 de dezembro, após sofrer infarto

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A ex-primeira-dama de Mato Grosso do Sul, Maria Aparecida Pedrossian, morreu na manhã desta sexta-feira (23), aos 88 anos, em Campo Grande.

A informação foi confirmada pela família, por meio das redes sociais.

Segundo informações, Maria Aparecisa Pedrossian estava internada desde a última quarta-feira (21), após sofrer um infarto.

Em Campo Grande, a ex-primeira dama foi homenageada ao dar nome ao bairro e ao Hospital Universitário, que se chamam Maria Aparecida Pedrossian.

Ela deixa filhos e netos, entre eles o deputado eleito Pedro Pedrossian Neto.

O velório será a partir das 13h no Cemitério Parque das Primaveras. Já o sepultamento srá às 16h30, no mesmo local.

Luto oficial

A Câmara Municipal de Campo Grande decretou luto oficial de três dias, no âmbito da Casa de Leis, em sinal de pesar pelo falecimento da ex-primeira dama.

Durante o período, a bandeira ficará hasteada a meio mastro.

Também, o governador de Mato Grosso do Sul em exercício, Reinaldo Azambuja manifestou o pesar pela perda da ex-primeira dama, estendendo seus pêsames aos familiares e amigos. Confira a nota na íntegra: 

"A ex-primeira dama, dona Maria Aparecida Pedrossian deixa legado de uma história de conquistas em favor do povo sul-mato-grossense.
Participou com muita determinação de programas sociais  importantes para as famílias mais necessitadas de nosso Estado, nos anos do nosso saudoso Governo de Pedro Pedrossian.
Fizemos questão de elaborar, discutir e aprovar a Estátua de Pedrossian para eternizar sua história na entrada do Parque dos Poderes, com a dona Maria Aparecida, como era carinhosamente conhecida em nossa terra.
Que Deus conforte  familiares e amigos neste momento."

Ex-primeira dama

Maria Aparecida Pedrossian foi esposa do ex-governador de Mato Grosso do Sul, Pedro Pedrossian, que morreu em 2017, aos 89 anos.

Ele foi governador de Mato Grosso no período de 1966 a 1971, antes que o Estado fosse dividido. 

Foi eleito senador em 1978, renunciou ao mandato em 1980 para assumir o cargo governador nomeado do Estado de Mato Grosso do Sul, em 7 de novembro daquele ano. 

Em 15 de março de 1991, assumiu novamente o cargo de governador sul-mato-grossense - eleito em pleito direto em 1990. 

Permaneceu no posto até 1º de janeiro de 1995.

*Matéria atualizada às 11h41 para acréscimo de informações

CLIMA

Pantanal registra até 49 milímetros e adia período de estiagem

Chuvas em quase todo o Estado marcou queda nas temperaturas e precede frio de 9ºC marcado para a próxima quinta-feira

20/06/2026 10h30

Arquivo Correio do Estado

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Durante a noite de sexta-feira (19), a região pantaneira de Mato Grosso do Sul chegou a registrar 49,4 milímetros de chuva. Com o volume de água, o período de estiagem no Pantanal sul-mato-grossense deve adiar em pelo menos um mês.

Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as cidades que abrangem a região pantaneira tiveram queda de 25ºC para 14ºC da tarde de sexta-feira para a manhã deste sábado (20).

Em Corumbá, Capital do Pantanal, foi registrado apenas 0,6 milímetros durante a manhã de ontem. Porém, na região norte pantaneira foram registrados 49,4 milímetros nas proximidades da Fazenda Campo Zélia, e 17,8 milímetros na Fazenda Eldorado da Formosa região próxima a fronteira com Mato Grosso.

Em outras regiões do Estado a chuva também deu as caras e registraram queda nas temperaturas que está prometida a mais de um mês.

Em Corguinho, município a cerca de 100 quilômetros de Campo Grande e banhado pelo Rio Aquidauana, que forma as margens da região pantaneira, também registrou chuva durante toda a tarde de sexta-feira e se estendeu até a madrugada de hoje, com 29 milímetros de chuva.

Na região Centro-Sul, a cidade de Naviraí marcou 21,8 milímetros. Em Dourados a chuva também apareceu com 19,2 milímetros, além de Bonito e Ponta Porã com 17 e 13 milímetros de chuva, respectivamente.

Mais ao extremo sul do Estado, o município de Sete Quedas localizado na ponta de Mato Grosso do Sul registrou 10,4 milímetros e 12,2ºC.

No Bolsão, Três Lagoas registrou o maior volume com 5,8 milímetros, seguido de Chapadão do Sul com 3 milímetros e Costa Rica sem registros de chuva.

Em Campo Grande, a chuva apareceu ainda durante a tarde e dura até a manhã deste sábado, até o momento são cerca de 21,8 milímetros e quedas nas temperaturas de 24ºC registrado ontem para 14ºC.

De acordo com o meteorologista Natálio Abrão, na região do Jardim Panamá foram 8,6 milímetros de chuva, além do mesmo volume na região do Jóquei Club. Nas proximidades do bairro Tirandentes foram 7,6 milímetros e o mesmo volume na região da Embrapa.

Segundo o especialista as chuvas continuaram fracas e leves durante o dia, com o céu nublado e frio mais intenso durante a noite.

O Climatempo reforça a queda na temperatura e durante a madruga de domingo pode chegar a 11º. A previsão é que o dia mais frio seja na próxima quarta e quinta-feira, com temperatura minímas durante a manhã de 10ºC e 9ºC, respectivamente.

Entrevista

"Só existem dois caminhos: ou devolver a concessão, ou decretar a caducidade"

O interventor no Consórcio Guaicurus, Alexsandro Adriano Lisandro de Oliveira, detalha a "operação de guerra" para auditar o transporte de Campo Grande nos próximos seis meses

20/06/2026 09h30

Alexsandro Lisandro de Oliveira - Advogado interventor

Alexsandro Lisandro de Oliveira - Advogado interventor Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Em uma entrevista exclusiva ao Correio do Estado, o interventor nomeado pela Prefeitura Municipal de Campo Grande para o Consórcio Guaicurus Alexsandro Adriano Lisandro de Oliveira, detalha os bastidores da “operação de guerra” iniciada para desvendar as causas da crise de mobilidade na Capital.

Com uma frota envelhecida e um histórico acentuado de quebras e acidentes, o sistema enfrenta um cenário de “ruptura de confiança” não apenas com os usuários, mas também com os órgãos de controle. 

O trabalho, conduzido por um colegiado de quatro especialistas das áreas técnica, financeira, operacional e jurídica, foca em um diagnóstico profundo para identificar se a má prestação do serviço é fruto de má gestão ou de um desequilíbrio econômico-financeiro do contrato firmado em 2012.

Nos primeiros dias da intervenção de 180 dias, a equipe agiu de forma coordenada para resguardar a integridade das informações, travando sistemas de tecnologia da informação (TI) e fluxos de pagamento para realizar uma auditagem rigorosa.

Alexsandro enfatiza que, embora o desejo popular seja por soluções imediatas como novos modais ou o redesenho de linhas, o foco atual é garantir a continuidade do serviço e a manutenção dos empregos, evitando qualquer risco de suspensão das atividades por dificuldades do consórcio.

Para o interventor, este é o momento do “diagnóstico”, separando as discussões sobre melhorias futuras – o chamado prognóstico – da análise técnica sobre o descumprimento das obrigações contratuais vigentes.

O desfecho deste processo administrativo será o pilar para a decisão do Município sobre o destino do transporte coletivo.

Alexsandro é enfático ao definir as possibilidades após a conclusão dos trabalhos: “O relatório final da comissão recomendará um de dois caminhos: a devolução do serviço ao concessionário, com recomendações de ajustes obrigatórios, ou a caducidade do contrato”.

Caso a caducidade seja declarada, o caminho será a relicitação do sistema, com a gestão permanecendo sob o controle direto do Município durante a transição, visando assegurar que o transporte público cumpra seu papel de política pública essencial e recupere a dignidade do passageiro.

Iniciamos este período de 180 dias com um sistema que enfrenta uma grave crise de credibilidade. Quais são as etapas fundamentais deste trabalho de intervenção?

O primeiro cenário que ficou claro ao chegarmos é que o serviço público vem sendo prestado de maneira muito aquém do contratado e do que a população espera.

Temos indicadores objetivos: frota antiga, número acentuado de quebras e acidentes, reflexos de um contrato não executado como deveria. O trabalho da intervenção, neste primeiro momento, é de assumir a gestão da empresa para garantir a continuidade do serviço e evitar qualquer suspensão por dificuldades do consórcio. 

Concomitante a isso, realizamos uma auditoria voltada para o contrato: queremos saber o real motivo da má prestação – se é apenas desequilíbrio econômico ou se os problemas que existem são relacionados à gestão.

Você mencionou que os primeiros dias foram como uma “operação de guerra”. Como foi o processo de entrada na empresa?

Foi um procedimento complexo e planejado para evitar paralisações. Nos primeiros dias, travamos toda a parte de TI e sistemas de pagamento para resguardar a integridade das informações e puxamos todos os relatórios necessários. 

Agora estamos em uma fase de estabilização, consolidando dados operacionais, financeiros e técnicos para começar a análise detalhada a partir da próxima semana.

Também temos um cuidado especial com a comunicação interna para tranquilizar os funcionários sobre seus empregos e pagamentos.

Como está composta a estrutura de comando da intervenção e qual a sua autonomia?

Somos um colegiado de quatro interventores, cada um com sua especialidade: eu como interventor-geral, o Rodolfo Bahiense Fernandes no financeiro, o Robson Tadeu Pereira no operacional e o dr. Alexandre Souza Moreira no jurídico. Temos independência administrativa total para conduzir o processo. 

Além disso, há uma comissão prevista em lei que julgará o processo administrativo da intervenção, garantindo o direito de defesa da empresa. Esse procedimento terá produção de provas e resultará em um relatório final.

O sistema enfrenta uma queda constante no número de usuários. De que forma as mudanças no mercado de trabalho e a preferência pelo transporte individual, como as motocicletas, têm pressionado a sustentabilidade do contrato?

Esse é um fenômeno que observamos em todo o País: o transporte público tem perdido passageiros de forma constante nas últimas duas décadas.

A mudança no perfil do trabalhador, com menos pessoas no regime CLT, impactou o financiamento tradicional via vale-transporte, que é um subsídio importante ao sistema. No entanto, notamos que o desafio é também comportamental: muitos usuários preferem converter o benefício em dinheiro para custear o combustível ou as parcelas de uma moto própria.

Para reverter esse cenário, precisamos entender que o transporte público é a única solução viável para grandes centros, mas ele só voltará a ser atrativo se oferecermos qualidade e, principalmente, vantagem no tempo de deslocamento, fazendo com que o cidadão sinta que vale mais a pena usar o ônibus do que o transporte individual.

O que acontece após esses seis meses? O contrato pode ser rescindido?

O relatório final da comissão recomendará um de dois caminhos: a devolução do serviço ao concessionário, com recomendações de ajustes obrigatórios, ou a caducidade do contrato.

Caso a caducidade seja declarada, o caminho é a relicitação do sistema, com o município mantendo a gestão até que uma nova licitação seja concluída.

Há um claro rompimento de confiança entre a população e o prestador de serviço. A intervenção tem planos para recuperar essa imagem?

Esse desgaste é público e notório, uma verdadeira quebra de confiança não só com os passageiros, mas com a sociedade e o poder concedente.

No entanto, a intervenção em si não tem o papel de trabalhar a imagem da marca; isso é um risco inerente ao negócio da empresa. 

O que faremos é investigar a fundo a origem dessa quebra, do ponto de vista legal e técnico, e encaminhar os achados para que a autoridade municipal tome a decisão correta. Acreditamos que a melhora na prestação do serviço é o que realmente pode mudar essa percepção.

Existe espaço para discutir modernizações, como ônibus elétricos ou o redesenho das linhas, durante a intervenção? 

No momento, o objetivo é o diagnóstico, não o prognóstico. Alterações de linhas são complexas, demandam estudos de embarque e desembarque e afetam todo o sistema de forma orgânica.

Embora ideias como o uso de micro-ônibus ou veículos mais confortáveis sejam válidas para uma futura licitação, agora não temos condições de mexer nisso. 

Se identificarmos ajustes operacionais que não demandem grandes investimentos, como melhorias na limpeza dos terminais, faremos o possível, mas o foco é organizar o contrato atual.

Para finalizar, qual a sua visão sobre a solução definitiva para o transporte público em grandes centros como Campo Grande?

O transporte público é a única solução viável, mas exige política pública séria e conscientização coletiva. Precisamos oferecer um serviço de qualidade – terminais arrumados, dignidade ao usuário e tempo de viagem reduzido – para que as pessoas sintam que vale a pena deixar o carro em casa. 

No mundo todo, o sucesso da mobilidade passa por priorizar o coletivo e, em um segundo momento, desestimular o uso do transporte privado.

O contrato de concessão, mesmo antigo, prevê mecanismos de readequação para o equilíbrio econômico-financeiro diante das mudanças sociais. Nosso papel agora é garantir que esse equilíbrio e a qualidade caminhem juntos.

{ PERFIL }

Alexsandro Adriano Lisandro de Oliveira 

Advogado com mais de 20 anos de atuação nas áreas de Direito Empresarial, Regulação, Recuperação Judicial e Direito Administrativo.

Foi nomeado interventor na concessão de transporte coletivo de Campo Grande pela prefeita Adriane Lopes. 

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