Cidades

NEGLIGÊNCIA

Falta de energia em aldeia indígena vira alvo do MPE

Denúncia aponta que comunidade enfrenta ausência de eletricidade há mais de 10 anos

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A Aldeia Indígena Pirakuyá, localizada no interior de Mato Grosso do Sul, está há mais de 10 anos sofrendo negligência por parte da Energisa, concessionária responsável pela distribuição de energia em quase todo Estado.

O caso chegou ao Ministério Público (MPE) por meio de uma denúncia relatando a dificuldade que a população da comunidade em Bela Vista enfrenta com a ausência de energia nas casas.

Conforme o documento de denúncia, há 16 anos, em 2010, a aldeia recebeu casas do Programa "Minha casa, Minha Vida" e para a comunidade, a previsão era de que as moradias incluíam o acesso à energia, porém nunca houve a instalação do sistema elétrico.

A situação ultrapassa o campo de direitos fundamentais à dignidade, à cidadania e à universalização dos serviços públicos previstos em lei que estão sendo violados, e afeta em especial, ressaltado na denúncia, a saúde de idosos e crianças que precisam de medicamentos que devem ser armazenados em geladeiras e que sem energia não é possível.

A fim de investigar, o MPE instaurou uma Notícia Fato, porém desde fevereiro deste ano, a distribuidora Energisa não emitiu uma resposta que clarece o que ocorre na região, ou mesmo apresentando uma alternativa para a população, ou plano de ação para sanar o problema.

Desde o início da apuração pelo órgão público, a concessionária não respondeu a tentativa de contato, o que levou a prorrogação da Notícia Fato por 90 dias, com um prazo de mais 15 dias para esclarecimentos por parte da empresa.

Contudo, em sua única resposta durante o período de feveireiro até esta quinta-feira, há pouco mais de 4 meses, em abril, a resposta da distribuidora ao ofício do MPE foi para solicitar uma nova prorrogação.

No documento, a Energisa alegou que era necessário "a realização de levantamento técnico in loco, destinado à verificação das condições existentes na localidade e à identificação de eventual necessidade de execução de obras ou adequações na rede elétrica para o atendimento à mencionada comunidade".

Com uma prorrogação de mais 30 dias, a concessionária supostamente iria averiguar qual era a viabilidade técnica para atender à comunidade, qual realização do escopo das possíveis intervenções necessárias e o prazo regulatório para a implementação da rede elétrica, porém mais uma vez não deu retorno.

Dada a situação, o MPE instaurou um procedimento preparatório para apurar a suposta deficiência no fornecimento de energia elétrica na região.

A Aldeia Pirakuyá fica localizada próxima ao Rio Apa, no município de Bela Vista e abriga cerca de 600 indígenas da etnia Guarani Kaiowá.

Negligência histórica

Apesar da instauração do procedimento preparatório do MPE para averiguar a instabilidade na energia elétrica na Aldeia Pirakuyá, outras áreas indígenas sofrem com negligência e falhas de infraestrutura nas moradias há anos.

Há quase um ano, o Correio do Estado noticiou uma situação parecida, que ocorreu em Dourados.

No município, uma aldeia indígena com mais de 20 mil moradores enfretava uma série de problemas com a estabilidade de energia elétrica e até preconceito burocrático por parte da concessionária em aceitar a autodeclaração como comprovante de residência.

Os casos de negligência e descaso com a população indígena mantém-se presente, e antes mesmo da época do caso em Dourados, ainda em 2023, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) oficiava o Ministério Público Federal com questionamentos sobre exigências de documentos e autenticação para abertura e/ou mudança de unidades consumidoras para indígenas, especificidade essas que ainda são exigidas pela Energisa em 2026.

Ainda em sua resposta ao MPE em abril deste ano, a concessionária ressaltou que o procedimento adotado em todo o Estado em relação aos pedidos de ligação de energia elétrica em comunidades indígenas consiste na aceitação da "autodeclaração de residência", que deve ser apresentada pelo interessado no momento da solicitação. 

O curioso, é que a concessionária destacou que a medida vale "especialmente nas hipóteses em que se trate de localidades já atendidas por rede de distribuição e de comunidades previamente estabelecidas", mas na denúncia realizada ao MPE, o morador da Aldeia Pirakuyá relatou que a distribuidora solicitou a limpeza da estrada para que não houvesse interferência onde supostamente foi feito a instalação da rede, porém com a afrimação de que nunca teve energia na aldeia.

O caso está em fase de procedimento preparatório e com o seguimento pode evoluir em esferas judiciais e extrajudiciais.

campo grande

Feriado de 7 de setembro vai movimentar 18 mil pessoas na rodoviária

Destinos preferidos são Corumbá (MS), Ponta Porã (MS), Três Lagoas (MS), Dourados (MS), Bonito (MS), Cuiabá (MT), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ)

03/09/2026 11h30

População cheia de malas para viajar

População cheia de malas para viajar MARCELO VICTOR

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Dia da Independência do Brasil, feriado nacional celebrado anualmente em 7 de setembro, movimenta tanto rodovias, quanto aeroportos e rodoviárias.

Quem tem condições financeiras, oportunidade e disponibilidade, não perde tempo para curtir o feriadão em outra cidade.

Com isso, o movimento promete ser intenso no Terminal Rodoviário de Campo Grande.

De acordo com a Socicam, concessionária que administra o terminal, a expectativa é que 18 mil pessoas embarquem e desembarquem, entre sexta-feira (4) e terça-feira (8), no local.

Cerca de 4 mil embarques estão previstos para sexta-feira (4) e sábado (5). O dia mais movimentado é a sexta-feira (4), com mais de 2 mil embarques.

Os destinos preferidos são Corumbá (MS), Ponta Porã (MS), Três Lagoas (MS), Dourados (MS), Bonito (MS), Cuiabá (MT), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ).

Caso necessário, ônibus extras serão disponibilizados para suprir a demanda.

ORIENTAÇÕES

A empresa que administra a Rodoviária da Capital orienta que o passageiro:

  • Apresente documento oficial com foto no momento de embarque, mesmo que seja criança;
  • Chegue com 1 hora de antecedência do horário do embarque;
  • Obedeça o limite de bagagem: 30kg por pessoa no bagageiro e 5kg de bagagem de mão;
  • Remarcação e reembolso de passagens são feitos com até 3 horas de antecedência, diretamente com a empresa de ônibus;
  • Crianças e adolescentes menores de 16 anos devem estar acompanhados dos pais ou responsáveis. Caso viajem desacompanhados ou com terceiros, precisam de autorização.

 

JUSTIÇA

Operação contra sonegadores em SP cumpre mandados em MS

Nova fase da Operação Ícaro cumpre mandados em Mato Grosso do Sul e prende ex-número 3 da Fazenda de SP e advogado

03/09/2026 10h00

Empresário ligado a Campo Grande está entre os investigados no esquema da Fazenda de São Paulo

Empresário ligado a Campo Grande está entre os investigados no esquema da Fazenda de São Paulo Divulgação

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Mato Grosso do Sul voltou ao radar da investigação sobre um esquema bilionário de corrupção na Secretaria de Fazenda e Planejamento de São Paulo (Sefaz-SP). Nesta quinta-feira (3), uma nova fase da Operação Ícaro chegou ao Estado, pouco mais de um ano depois de a apuração prender um empresário ligado a Campo Grande e apontado como operador financeiro do grupo.

A ação cumpre mandados de busca e apreensão em 47 endereços espalhadas pela capital paulista, Grande São Paulo, interio de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Até o momento, o MPSP não revelou quem são os alvos nem em quais municípios sul-mato-grossenses ocorrem as diligências.

Durante a operação, dois foram presos, André Weiss, ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária paulista, e o advogado João André Buttini de Moraes. 

Weiss ocupava, até maio deste ano, o terceiro posto mais alto da estrutura da administração tributária de São Paulo, subordinado apenas ao subsecretário da Receita Estadual e ao secretário da Fazenda. 

Já Buttini, é indicado como líder do núcleo privado da organização investigada e suspeito de negociar facilidades para empresas interessadas na liberação de créditos tributários.

Outro ex-integrante da cúpula da Fazenda paulista, Vitor Manuel dos Santos Alves Jr., também foi alvo de buscas, mas não foi preso. 

Operação em MS

A Operação Ícaro não começou nesta quinta em MS, em agosto do ano passado, o empresário Celso Éder Gonzaga de Araújo foi apontado como lobista e operador financeiro do esquema que teria movimentado mais de R$ 1 bilhão em propinas. 

Éder foi preso na primeira fase da Operação Ícaro, juntamente com outros investigados. Na época, também foram presos o empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, além de empresários e auditores fiscais. 

A investigação paulista chegou até Celso anos depois de ele já ter entrado na mira das autoridades estaduais. 

Em 2017, ele havia sido denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), no contexto da Operação Ouro de Ofir, investigação sobre um suposto esquema milionário que funcionava em Campo Grande.

O caso envolvia a promessa de liberação de valores supostamente originados de uma negociação de ouro. Os interessados realizavam aportes financeiros sob a promessa de receber quantias muito superiorres posteriormente. 

Celso chegou a figurar em processos relacionados ao caso e a Company Consultoria Empresarial, da qual era sócio, tinha atuação em Campo Grande. A ação penal principal relacionada à Operação Ouro de Ofir, entretanto, foi trancada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A ligação com MS ganhou novo capítulo quando Celso voltou a ser investigado, desta vez no esquema tributário paulista.

Quando Celso Éder foi preso pela Operação Ícaro, em agosto de 2025, investigadores encontraram pacotes de esmeraldas durante as buscas.

O empresário permaneceu preso por cerca de sete meses até obter do STJ, em março deste ano, autorização para cumprir prisão domiciliar.

R$ 13,6 milhões

De acordo com o portal G1 São Paulo, agora, esta nova etapa da operação é baseada na colaboração premiada de Paulo Sérgio Siqueira Prado, ex-delegado regional tributário do Butantã, responsável por uma unidade da Fazenda paulista por onde passavam pedidos de ressarcimento investigados.

Segundo a apuração, João Buttini teria repassado aproximadamente R$ 13,6 milhões a Prado entre 2021 e agosto de 2025 para interferir na tramitação de pedidos de ressarcimento apresentados por clientes de seu escritório.

Prado afirmou aos investigadores que aproximadamente R$ 4,5 milhões teriam sido posteriormente repassados a André Weiss.

As entregas, conforme o G1, teriam ocorrido em dinheiro vivo, colocado em mochilas e levado principalmente a restaurantes de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo.

Além da colaboração premiada, os investigadores reuniram quebras de sigilos bancário e fiscal, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), registros de divisão de valores, informações extraídas de aparelhos eletrônicos e gravações submetidas à perícia.

O esquema investigado estaria instalado em procedimentos de ressarcimento de ICMS retido por substituição tributária (ICMS-ST) e no aproveitamento de créditos acumulados.

O mecanismo tributário é legal e permite, em determinadas situações, que contribuintes recuperem valores recolhidos a mais.

A suspeita do Ministério Público, porém, é de que integrantes do grupo tenham transformado o procedimento em um mercado clandestino de facilidades.

Empresas interessadas em acelerar ou facilitar a liberação dos créditos teriam pago propinas calculadas sobre os próprios valores que pretendiam recuperar. Nos episódios investigados, os pagamentos indevidos teriam variado entre 1% e 10% dos créditos fiscais.

A organização seria dividida em dois braços.

No núcleo privado, profissionais seriam responsáveis por captar empresas, negociar as vantagens e destinar parte dos valores aos servidores envolvidos.

Do outro lado, agentes públicos teriam condições de interferir na fiscalização e na tramitação dos pedidos, acelerando, centralizando ou facilitando a aprovação dos processos.

A investigação aponta que a influência do esquema teria alcançado diferentes níveis da administração tributária paulista, inclusive integrantes da cúpula da Fazenda.

Além das duas prisões e das buscas realizadas nesta quinta-feira, a Justiça determinou o afastamento de seis servidores.

Também foram impostas medidas como retenção de passaportes, proibição de saída do país e impedimento de contato entre investigados.

Grandes empresas, entre elas Ultrafarma e Fast Shop, já apareceram nas investigações, que também deram origem a operações como Mágico de Oz e Fisco Paralelo.
 

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