Cidades

AÇÃO CIVIL

Falta de visita domiciliar dificulta o acesso a benefícios do CadÚnico em MS

Para a Defensoria Pública da União, trata-se de uma falha estrutural, pois o Estado cria uma exigência administrativa, mas não garante os meios para que ela seja cumprida

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A Defensoria Pública da União (DPU) ajuizou, na última sexta-feira (20), uma ação civil pública, na Justiça Federal em Mato Grosso do Sul, para corrigir falhas na atualização do Cadastro Único (CadÚnico), sistema usado para o acesso a programas como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

De acordo com o órgão público federal, pessoas em situação de vulnerabilidade estão tendo benefícios sociais negados, suspensos ou cancelados no Brasil por não terem passado por uma das exigências que depende do próprio Estado: a visita domiciliar.

Na ação, a Defensoria pede que a União e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deixem de negar ou interromper benefícios quando a falta de atualização do cadastro decorrer da não realização da visita domiciliar. Também solicita que pedidos do BPC sejam analisados mesmo nessas situações e que seja criado um mecanismo para que o cidadão possa comprovar que tentou regularizar o cadastro, mas não foi atendido.

Para algumas pessoas, especialmente aquelas que moram sozinhas, a atualização do cadastro passou a depender de uma visita domiciliar feita por agentes públicos. O problema é que, na prática, essas visitas, muitas vezes, não acontecem.

O cidadão precisa da visita domiciliar para regularizar o cadastro. Sem a atualização, o sistema registra a situação como irregular, o que leva automaticamente ao bloqueio ou cancelamento de benefícios.

“O modelo atual transfere ao cidadão o risco administrativo decorrente da incapacidade estatal de cumprir a exigência por ela própria instituída”, destaca o defensor regional de direitos humanos em Mato Grosso do Sul, Eraldo Silva Junior.

Para a DPU, trata-se de uma falha estrutural, pois o Estado cria uma exigência administrativa, mas não garante os meios para que ela seja cumprida, transferindo o problema para quem depende da política pública.

“O cumprimento da exigência depende exclusivamente da atuação estatal, mas as consequências negativas recaem integralmente sobre o cidadão, mesmo quando não há qualquer conduta irregular de sua parte”, afirma Eraldo Silva Junior.

CadÚnico

O Cadastro Único funciona como o principal instrumento de identificação das famílias de baixa renda no país. É por meio dele que o governo verifica quem tem direito a benefícios sociais. Quando o cadastro está desatualizado, a pessoa pode deixar de receber o Bolsa Família, ter o pagamento interrompido ou até ficar impedida de solicitar o BPC, benefício voltado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.

A ação busca garantir o direito à assistência social e ao chamado mínimo existencial. A DPU destaca que esses direitos não podem ser condicionados a exigências que o próprio Estado não consegue cumprir.

A instituição destaca ainda que o problema não é pontual. O órgão público aponta que há falta de equipes, acúmulo de demandas e demora no atendimento em diversos municípios, o que evidencia uma falha estrutural na implementação da política pública.

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infraestrutura

Agesul prevê R$ 78 milhões para asfaltar rodovia no extremo norte de MS

Licitação anunciada nesta segunda-feira prevê a pavimentação de de 20 quilômetros no município de Sonora, na divisa com Mato Grosso

22/06/2026 11h07

Rodovia que agora será pavimentada já havia recebido força-tarefa em 2023 para escoamento de eucaliptos

Rodovia que agora será pavimentada já havia recebido força-tarefa em 2023 para escoamento de eucaliptos

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Licitação anunciada nesta segunda-feira (22) pelo Governo do Estado prevê investimento de até R$ 78 milhões na pavimentação de 20 quilômetros da MS-213, uma rodovia no extremo norte de Mato Grosso do Sul, no município de Sonora, na região da divisa com Mato Grosso. 

A rodovia tem em torno de 200 quilômetros  e corta a região norte de leste a oeste, ligando a BR-163, cerca de seis quilômetros ao sul da área urbana de Sonora, aos municípios mato-grossenses de Itiquira e Alto Araguaia. Porém, somente 20 quilómetros, entre a BR-163 e a MS-407 receberão asfalto nesta primeira etapa. 

Em 2023 e 2024 a rodovia já havia recebido uma força-tarefa composta pela a prefeitura de Sonora, o Governo do Estado e a empresa Suzano para melhorar as condições de tráfego da estrada, com colocação de pedra britada sobre a pista.

Na região há grandes plantações de eucalpitos que passaram a ser extraídas pela fabricante de celulose que tem unidades em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo.

Ao longo dos 20 quilômetros não existe nenhum distrito ou povoado e, além de eucaliptos, o trecho a ser pavimentado também tem grandes fazendas ocupadas por cana-de-açúcar, soja e milho.

"Considerada estratégica para o escoamento da produção local, a rodovia atende toda a região produtora, com expressivo cultivo de cana de açúcar, soja, milho e eucalipto, além de gado", justifica o termo de referência por meio do qual foram destinados em torno de R$ 900 mil para fazer o estudo técnico que preparou a licitação anunciada nesta segunda-feira. 

Na sequência, a Agesul explica que "a rodovia MS-213 representa a integração da região produtiva do município de Sonora à sede do município, bem como ao eixo viário central do Estado, fazendo a ligação com a rodovia federal BR-163/MS, importante rota de escoamento de toda a produção com o estado vizinho Mato Grosso/MT".

"Este crescimento e desenvolvimento regional faz com que seja um desafio cada vez maior para a Gerência de Conservação de Rodovias, manter sua condição de serviciabilidade, porque mesmo com as manutenções periódicas realizadas, os problemas e custos de uma rodovia não pavimentada são recorrentes", argumenta a Agesul ao apontar a necessidade de asfaltar uma rodovia em meio a uma região desabitada. 

O aviso de licitação publicado nesta segunda-feira prevê que as propostas das empreiteiras interessadas no projeto sejam abertas no próximo dia 9 de julho. 
 

CORUMBÁ

Operação apreende 21 toneladas de solvente usado na produção de cocaína

A intervenção foi realizada após os agentes identificarem incorreções nas informações da carga apreendida, a qual divergia da especificação em nota fiscal

22/06/2026 10h53

Carga de acetato de etila apreendida em Corumbá

Carga de acetato de etila apreendida em Corumbá Divulgação: Receita Federal

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Na madrugada desta segunda-feira (22), a Receita Federal do Brasil (RFB) e a Policia Rodoviária Federal (PRF) apreenderam aproximadamente 21 toneladas de acetato de etila, insumo químico utilizado na produção de cocaína.

A intervenção foi realizada em Corumbá, após os agentes identificarem incorreções nas informações da carga apreendida, a qual divergia da especificação em nota fiscal.

De acordo com a Receita Federal, considerando a proporção média de um litro de acetato de etila para dois quilos de cocaína pronta para consumo e a concentração do insumo químico apreendido, estima-se que aproximadamente 40 toneladas de cloridrato de cocaína poderiam ser obtidos com a utilização do produto químico.

O acetato de etila é um insumo conhecido como “solvente nobre”, exatamente por propiciar a produção de uma droga de alta qualidade, obtida através da transformação da cocaína base no cloridrato de cocaína.

A carreta com o produto químico e o motorista foram encaminhados à Polícia Federal para as devidas providências.

A ação contou com a participação da equipe de Análise de Risco da Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho da Receita Federal do Brasil da 8ª Região Fiscal em São Paulo/ SP (DIREP 08), da Vigilância e Repressão da Receita Federal em Corumbá, da Polícia Rodoviária Federal e de informações obtidas junto a Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (GARRAS).

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