Cidades

CAMPO GRANDE

Figueira centenária volta a queimar quase um ano após início de remoção

"Fim" da figueira foi prometido, de fato, em maio de 2024, quando iniciada a poda da árvore e processo de retirada total começou em maio do ano passado mas não foi concluído

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Mesmo após quase um ano desde o início do processo de remoção, a Figueira 'assassina' que é centenária em Campo Grande e há tempos está condenada ainda não foi completamente retirada da calçada na rua Dr. Pacífico Lopes Siqueira, voltando a queimar recentemente.

Conforme repassado pelo Corpo de Bombeiros, o incêndio teria começado ainda na noite de terça-feira (30), com trabalho de contenção das chamas continuado na manhã de hoje (1°), em figueira centenária essa que passou a ser alvo de incêndios diários, há aproximadamente três anos, o que aumentava ainda mais o risco de queda da árvore. 

A árvore - de nome científico "ficus-elástica" - possui um perfil radicular, ou seja, as características das raízes dessa planta, que em condições favoráveis pode apresentar um crescimento lateral bastante extenso, já que a raíz pode alcançar até seis metros de profundidade.

Com isso, é comum observar, como no caso dessa figueira, que essas árvores em perímetro urbano acabam por destruir o passeio e tomar conta de toda uma calçada. 

A equipe do Correio do Estado acompanha a situação da figueira, que já foi alvo diário de incêndios criminosos, com pelo menos três ocorrências e aproximadamente sete mil litros de água usados pelo Corpo de Bombeiros entre as 24 horas do dia 05 de setembro de 2023.  

"A primeira guarnição usou uns dois mil litros de água, depois viemos usar outros três e em seguida voltamos onde foi preciso usar outros dois mil. Esses substratos queimam em tempos diferentes, mas o incêndio nesse tronco, que nem pegou agora, não acontece do nada, foi alguém que colocou", relataram os agentes do Corpo de Bombeiros Militar à época. 

Figueira "assassina" condenada

Condenada, além da ação do tempo e de queimadas pelas mãos humanas, a figueira já sobreviveu até mesmo ao decreto que busca seu fim. 

Com raízes firmes na calçada até o momento, a árvore que já vitimou um ser humano no passado, foi condenada após elaboração de relatório técnico, onde um auditor fiscal de meio ambiente recomendou por sua remoção total.

Entretanto, o processo de remoção da árvore por parte do Executivo de Campo Grande só teve início quase um ano após o decreto de sua "condenação", demora essa que a Pasta de Meio Ambiente do município justificou pela localização da espécime. 

Isso porque, como é possível observar por quem passa pelo local, a árvore encontra-se em conflito com a rede de energia e, por isso, o serviço foi iniciado em parceria com a concessionária de energia elétrica. 

Por essa 'ficus-elástica" tratar-se de uma espécie de grande porte, já era esperado que esse trabalho de remoção não seria feito "da noite para o dia", com o Executivo afirmando precisar de até 15 dias para concluir a remoção dessa árvore, que deveria ter sumido da rua Dr. Pacífico Lopes Siqueira até o fim de junho do ano passado, antes de sua última primavera, o que nota-se que não aconteceu. 

Marcada por um passado em que a queda de um de seus galhos vitimou um ser humano, a figueira centenária ganhou mais alguns dias de vida graças à burocracia dos poderes envolvidos em sua remoção, porém já não passando a mesma onipotência que teve um dia.

Ainda em 2023 funcionários da empresa vizinha explicaram o título de "árvore assassina" - fixado inclusive com banner em seu próprio tronco -, já que o apelido foi atribuído à figueira após a espécie vitimar um vigia noturno em 2021.

Com o potencial de atingir até 30 metros de altura em seu habitat, essa "ficus" cresceu e expandiu suas raízes por onde havia calçada, além de estender os seus longos galhos tanto por cima da Rua Dr. Pacífico Lopes como para sobre o empreendimento ao qual é vizinha de muro, chegando até mesmo a entrar em contato com a rede elétrica. 

Em maio do ano passado, o "miolo" da árvore que acabava engolindo a rede elétrica chegou a ser liberado, quando restavam apenas três semanas úteis de vida para a figueira caso os prazos do município se concretizassem. 

Responsável pela Rodomaq Construtora, Helmut Maaz detalhou à época que há mais de uma década pedia pela retirada da árvore, já que, além do fato dessa figueira consumir a calçada do local e o tronco adentrar o ambiente privado que funciona sua empresa, a queda de seus galhos pode ser fatal, como de fato foi. 

Vale lembrar que o "fim" da figueira foi prometido, de fato, em maio de 2024, quando iniciada a poda da árvore pela então Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur).

Importante frisar que, todo o processo de remoção total só teve início após análise de auditor fiscal de meio ambiente responsável, que com a conclusão de relatório técnico recomendou pela retirada já que a árvore apresentava um iminente risco de queda. 

 

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Fila de Espera

Pacientes esperam mais de quatro anos por exame em Campo Grande

Com 650 pedidos de exames, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul verificou que a demanda está concentrada em um hospital que oferece nove vagas mensais

01/04/2026 14h44

Crédito: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou investigação para avaliar mais de 650 pedidos pela realização de polissonografia na rede pública municipal de Campo Grande.

O inquérito civil foi aberto após a constatação de que centenas de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) esperam há mais de quatro anos pelo exame, considerado essencial para o diagnóstico de distúrbios do sono e de doenças que comprometem a saúde e a qualidade de vida.

Segundo registros enviados à 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), existem mais de 650 pedidos de exames pendentes, sendo o mais antigo datado de março de 2022.


Fila de espera

Ainda segundo o MPMS, o tempo médio de espera chega a 70 meses, ultrapassando o limite considerado aceitável pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que classifica como excessivos prazos superiores a 100 dias para exames eletivos.

O levantamento demonstrou que a oferta do procedimento está concentrada no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap/Ebserh), que disponibiliza apenas nove vagas por mês.

Para se ter ideia, entre setembro de 2024 e agosto de 2025, foram realizados 117 exames — número insuficiente diante da demanda acumulada.

Com isso, o MPMS solicitou informações detalhadas à Sesau e à Secretaria de Estado de Saúde (SES) sobre medidas para ampliar a oferta, incluindo cópia do edital de credenciamento em elaboração e a possibilidade de contratualização com novos prestadores.

Também cobrou esclarecimentos do Humap sobre sua capacidade instalada e potencial de expansão.

Além da falta de vagas, o Ministério Público apontou problemas estruturais, como a ausência de registro do exame no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e a inexistência de classificação ocupacional específica para o profissional executor,  fatores que dificultam o planejamento da rede.

Falta de comparecimento

Outro desafio é o elevado índice de faltas. Em outubro de 2025, apenas 11 dos 24 pacientes agendados compareceram para realizar o exame.

A atuação da Promotoria de Justiça integra um esforço mais amplo de fiscalização das filas de exames especializados em Campo Grande, que incluem procedimentos como ressonância magnética, colonoscopia e endoscopia digestiva.
 

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vale da celulose

Venda de florestas garante lucro astronômico a gigante da celulose

O lucro da Eldorado no ano passado chegou a R$ 4,55 bilhões, o que representa aumento de 315% na comparação com o ano anterior

01/04/2026 14h20

A Eldorado funciona em Três Lagoas desde 2012 e no ano passado produziu quase 1,8 milhão de toneladas de celulose

A Eldorado funciona em Três Lagoas desde 2012 e no ano passado produziu quase 1,8 milhão de toneladas de celulose

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Com 1,789 milhão de toneladas produzidas ao longo de 2025, o mesmo volume do ano anterior, a Eldorado Celulose, indústria intalada em Três Lagoas, reportou lucro líquido de R$ 4,552 bilhões no ano passado, conforme balanço anual divulgado pela empresa nesta semana. 

O volume é 315% superior ao do ano passado, quando a empresa fechou com lucro líquido de R$ 1,095 bilhão. A explicação  principal para este resultado, segundo informações constantes no balanço da empresa petencente aos irmãos Joeley e Wesley Batista, é que a empresa vendeu ou permutou milhares de hectares de plantações de eucaliptos. 

"Em 2025 a Companhia realizou operações de permuta e venda de madeira e recebeu R$ 5,286 bilhões. Esses valores foram classificados como adiantamentos de clientes", diz nota explicativa da empresa 

Somente no último trimestre do ano estas operações garantiram à  contabilidade da Eldorado um lucro líquido de R$ 2,884 bilhões. Por conta disso, a empresa destaca que o resultado anual de R$ 4,552 bilhões ocorreu "principalmente em função do mesmo fator". 

Parte da venda das florestas em pé foi anunciada agosto do ano passado em um acordo com concorrente Suzano, que tem duas indústrias no Estado, sendo uma em Três Lagoas e outra em Ribas do RIo Pardo. Este acordo rendeu aporte R$ 1,317 bilhão. Parte deste dinheiro, R$ 465 milhões, entrou nos cofres da Eldorado somente em janeiro deste ano.

Conforme este acordo, a Eldorado transferiu madeira madura (a ser colhida entre 2025-2027) para a Suzano, enquanto a Suzano cedeu um volume equivalente de madeira mais jovem (para colheita entre 2028-2031) para a Eldorado.

Ao longo dos últimos anos, por conta da previsão de dobrar sua capacidade de produção, a Eldorado plantou mais eucalpitos do que consumia. Porém, esta segunda linha de produção não saiu do papel e por conta disso existe sobra de florestas. Ao todo, são em torno de 300 mil hectares de plantações. 

QUEDA DE PREÇOS

Se fossem contabilizados somente os resultados relativos às vendas de celulose, os números da indústria que desde 2012 atua em Mato Grosso do Sul bem mais modestos. A quantidade de vendas cresceu 3% de um ano para outro.

Mas, o valor médio da celulose no ano passado caiu 16% na comparação com o ano anterior, recuando de 659 dólares para 549 dólares por tonelada, mostram os dados relativos ao balanço anual da empresa. 

Por conta disso, a receita líquida consolidada atingiu R$  5,879 bilhões em 2025, com redução de 8% frente ao período anterior, quando a gigante do setor faturou R$ 6,373 bilhões. 

Quando a empresa fala de EBITDA ajustado, que é um indicador de desempenho de um negócio usado para calcular o lucro sem fatores excepcionais, os números também são diferentes aos do lucro líquido.

"O EBITDA ajustado alcançou R$ 2,961 bilhões em 2025, redução de 10% em relação a 2024. O desempenho foi impactado principalmente pela menor receita liquida, reflexo do menor patamar de preços (-16%)", diz trecho do balanço anual. 

Depois de cerca oito anos de disputa, 2025 foi marcado pelo fim da disputa pelo controle da Eldorado. Em um acordo anunciado em maio, os irmãos Batista concordaram em pagar US$ 2,7 bilhões à Paper Excellence para recomprar pouco mais de 49% das ações da empresa. 

Esta negociação, conforme revela agora o balanço da empresa, teve custos multimilionários somente com gastos jurídicas. Somente no último trimestre foram contabilizadas  "referente às despesas jurídicas relativas à aquisição da Eldorado e encerramento do litígio entre os sócios, no montante de R$ 76 milhões". Mas, o valor foi bem maior. "No ano cumulado, esse efeito somou R$ 435 milhões". 

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