Cidades

ULTIMA RATIO

Carrões de filha de desembargador afastado estão na mira da PF

Um dos veículos, comprado em 2023, custou R$ 750 mil e não foi declarado no IRPF de Renata Pimentel. Em dez anos, ela movimentou R$ 4,1 milhões na compra de 22 veiculos

Continue lendo...

Alvo da operação Ultima Ratio, a advogada Renata Pimentel, filha do desembargador afastado Sideni Soncini Pimentel, é exímia negociadora de carros de alto padrão e um deles custou a bagatela de R$ 750 mil, conforme demonstra a investigação da Polícia Federal na investigação que resultou na operação Ultima Ratio.

Trata-se de uma Mercedes GLE 400, comprada no ano passado. Este é o valor declarado em nota fiscal encontrada pela Polícia Federal, mas dependendo da versão deste veículo, ele pode chegar ao dobro do preço. 

E esse é somente um dos 22 veículos que aparecem em uma lista das aquisições da advogada entre os anos de 2014 e 2023. Além de duas Mercedes, aparecem nesta relação duas BMW, uma Range Rover, duas SW4, cinco caminhonetes, entre outras aquisições. Juntando tudo, a movimentação financeira dela neste período foi de R$ 4.136.983,52. 

Por si só estas compras não tem qualquer problema, uma vez que o rendimento de uma advogada poderia ser compatível para este tipo de negociação.

Porém, elas aparecem no relatório que fundamentou o afastamento de cinco desembargadores, de um juiz e de um conselheiro do Tribunal de Contas, no dia 24 de outubro, porque estas aquisições não aparecem na declaração do Imposto de Renda da advogada. 

FONTE: PF

“Em análise às notas fiscais disponibilizadas pela Receita Federal e bancos de dados disponíveis verificaram-se veículos que constam como adquiridos por RENATA PIMENTEL, que não foram informados em suas Declarações de Imposto de Renda.”

E, “como a compra e venda de tais veículos não foi informada nas DIRPF, há possibilidade de que tenham sido adquiridos com recursos de origem desconhecida”. 

IMÓVEIS

A filha do desembargador afastado também entrou na mira da Polícia Federal por conta de negócios  imobiliários. A Receita Federal identificou que ela participou da compra e/ou venda de cinco cinco imóveis e que nenhuma delas aparece na declaração do Imposto de Renda.  

“No total, foram aparentemente ocultados mais de R$ 2,7 milhões em imóveis pela advogada RENATA PIMENTEL. Como a compra e venda de tais imóveis não foi informada nas DIRPF, há possibilidade de que tenham sido adquiridos com recursos de origem desconhecida”, diz o relatório que tem mais de 850 páginas. 

Além de Renata, na operação Ultima Ratio também apaereceu o nome do advogado Rodrigo Pimentel, filho do desembargador Sideni.  

E o relatório da PF aponta que, além de o pai atuar como magistrado em uma série de casos em que eles eram advogados, há indícios de que houvesse uma espécie troca de favores entre os filhos de Sideni e o filhos do desembargador Vladimir Abreu, também afastado. 

“Apesar de não haver uma sociedade formal entre os filhos dos desembargadores VLADIMIR e SIDENI, o fato de utilizarem o mesmo endereço para seus escritórios de advocacia aponta para a existência de um forte vínculo entre tais famílias”, diz o documento. 

E, segundo aponta a investigação da PF, além defenderem os interesses dos próprios filhos, os desembargadores cuidavam para  proteger os filhos do outro. Vladimir Abreu atuou em pelo menos seis casos em que Rodrigo Pimentel era advogado.

Em um deles, Vladimir votou a favou de uma indenização superior a R$ 8,2 milhões em favor da Bigolin, antiga loja de materiais de construção, defendida por Rodrigo. Apesar de seu voto, Vladimir foi voto vencido.

“Portanto, a partir do momento em que filhos de VLADIMIR possuem seu escritório de advocacia no mesmo endereço do de um dos filhos de SIDENI PIMENTEL, está demonstrado, a nosso ver, um forte vínculo entre tais famílias, e, diante da existência de decisões de tais desembargadores em processos nos quais atuou(aram) filho(s) do outro, entendemos haver indícios da existência de associação criminosa entre as citadas pessoas, no sentido de que as decisões dos referidos desembargadores beneficiem a atuação profissional de seus filhos advogados, possivelmente de forma cruzada entre as famílias, apontando que estes sejam seus operadores na venda de decisões.”

O relatório da PF também aponta uma série de transferências bancárias e empréstimos entre Sideni e seus filhos. Isso, segundo os investigadores, seria indício de que os filhos repassavam para o pai parte de seu faturamento. 

“Consta comunicação do Banco Bradesco de que RENATA GONÇALVES PIMENTEL, filha de SIDENI PIMENTEL e advogada, teve movimentação vultosa em conta bancária no período de 04/10/2021 a 21/07/2022 (os créditos somaram R$ 3.745.009,08), inclusive com recebimento de R$ 258 mil por meio de 3 depósitos em espécie e pagamentos de 2 boletos de SIDENI totalizando R$ 14.954,98”. 

De acordo com o relatório da PF, boa parte desta supostas vendas de sentença pelas quais os desembargadores foram afastadas foram negociadas pelo advogado Félix Jayme Nunes da Cunha. O nome dele aparece 438 vezes no relatório da PF, já que ele tinha relação com a maior parte dos envolvidos na Ultima Ratio. 

Enquanto isso, o nome da família Pimentel, que tem três integrantes que foram alvo da operação, aparece 393 vezes ao longo das 850 páginas 

Transporte coletivo

Consórcio Guaicurus diz que prefeitura deve R$ 27 milhões

Dívida da Administração Municipal superam os débitos em atraso do Consórcio e empresas questionam por que a informação foi "deixada de lado" na apresentação dos primeiros relatórios da intervenção

08/07/2026 17h15

Interventores teriam omitido dívida da Prefeitura nos documentos referentes aos primeiros dias de intervenção

Interventores teriam omitido dívida da Prefeitura nos documentos referentes aos primeiros dias de intervenção FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

Continue Lendo...

O Consórcio Guaicurus encaminhou nesta quarta-feira (8) uma interpelação extrajudicial à Comissão de Intervenção do Sistema de Transporte de Campo Grande alegando que a Prefeitura de Campo Grande tem uma dívida em aberto de mais de R$ 27 milhões com as empresas. 

Na última segunda-feira (6), o resultado dos primeiros levantamentos e das auditorias financeiras e contratuais realizadas após a intervenção do Município no Consórcio Guaicurus, iniciada no dia 16 de junho, apontaram dívidas de R$ 20 milhões de uma das empresas integrantes do Consórcio, com instituições financeiras e fornecedores, inclusive de combustíveis.

Também foram apontadas defasagem na parte operacional e falta de manutenção preventiva da frota. 

Na ocasião, o interventor-geral Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira afirmou que o transporte público de Campo Grande pararia “mais cedo ou mais tarde” se a intervenção não fosse instaurada, já que a condição financeira do Consórcio Guaicurus e a situação de segurança dos ônibus estavam encaminhando o serviço para uma paralisação total.

Em contrapartida, o Consórcio questionou o motivo de os interventores terem "deixado de lado" os atrasos no subsídio mensal que a Administração Municipal deveria pagar desde 2022, quando o subsídio foi instituído. Segundo as empresas, o valor estaria em torno de R$ 27,02 milhões, sem correção monetária. 

O valor se refere à diferença entre o preço da tarifa paga pela população, chamada de tarifa pública, e o valor integrado pela prefeitura às empresas concessionárias (tarifa técnica). Segundo o Consórcio, esse modelo tarifário foi definido pela própria prefeitura municipal no contrato de concessão assinado em 2022. 

O valor atrasado supera a dívida de R$ 20 milhões, valor devido a fornecedores do Sistema de Transporte Urbano de Campo Grande, ao sistema tributário e bancos. 

"As dívidas seriam ainda maiores caso os sócios não houvessem realizado aportes financeiros não obrigatórios. A contabilidade das empresas demonstra que essa dívida não se deve a má gestão, mas ao atraso no pagamento de subsídios por parte da Prefeitura, situação que já dura mais de 4 anos", afirma o Consórcio. 

No documento apresentado, as dívidas devidas pela Prefeitura estão distribuídas da seguinte forma:

  • Em 2022: R$ 8.122.393,25
  • Em 2023: R$ 17.694.537,05
  • Em 2024: R$ 3.113.084,25
  • Em 2025: R$ 39.318,59
  • Em 2026: R$ 1.923.217,16

"A quitação desses valores atrasados viabilizará o pagamento das dívidas das empresas, mas ainda restará necessária a realização das revisões econômicas previstas no contrato para 2019 e 2026, que nunca foram feitas. Isso é fundamental para a obtenção do reequilíbrio econômico-financeiro do contrato, o que permitirá a modernização da frota de ônibus", diz o consórcio em nota. 

A interpelação pede que sejam esclarecidos os motivos pelos quais os interventores do transporte público tenham deixado de divulgar os débitos e solicita que sejam informadas as medidas adotadas para a instauração do processo administrativo de intervenção. 

Intervenção

A intervenção na concessão do transporte coletivo de Campo Grande foi decretada pela prefeita Adriane Lopes (PP) no dia 16 de junho.

Com isso, os interventores assumiram o seu papel dentro da empresa, como se fossem “novos diretores”, para uma avaliação financeira e orçamentária e para entender se houve e quais os problemas surgiram no decorrer dos anos de concessão, além de apresentar um relatório no fim de seis meses recomendando ou não a caducidade do contrato.

Essa equipe tem acesso a documentos e poderá avaliar todos os dados, sem restrições. 

Além de Aléxandro, que já ocupou o cargo de diretor de regulação e fiscalização da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Cuiabá (MT), também fazem parte da equipe de intervenção o economista e consultor empresarial Rodolfo Bahiense Fernandes, como interventor administrativo-financeiro; Alexandre Souza Moreira será o interventor jurídico, ele ocupa cargo de confiança na Agetran e é chefe da Junta Administrativa de Recursos de Infrações e Transportes; e Robson Tadeu Pereira, como interventor operacional.

Oliveira explicou que a intervenção é um procedimento legal, previsto para contratos de concessão de serviços públicos em crise e que, no caso do Consórcio Guaicurus, foi feito um levantamento que concluiu que havia a necessidade de entrar com a intervenção para buscar informações dentro de dentro da empresa.

No período, toda a gestão ficará a cargo dos interventores, que também serão responsáveis pela folha de pagamento, manutenção do sistema, diesel, dentre outros.

A intervenção não terá aporte de recursos, além dos que já são repassados mensalmente ao consórcio. Caso seja dianosticado que há necessidade de um repasse maior, a situação também será apresentado ao fim da intervenção para que o Executivo decida a esse respeito.

Ao término da intervenção, a prefeita, em vista do relatório final dos interventores e do resultado do procedimento administrativo, decidirá sobre: o encerramento da intervenção e a devolução do serviço à atual gestão do Consórcio, com ou sem condicionantes; a aplicação de sanções contratuais cabíveis; a decretação da caducidade da concessão, mediante processo administrativo específico; e a adoção de outras medidas administrativas e judiciais pertinentes.

 

Colaborou Glaucea Vaccari


 

SELVÍRIA (MS)

A pedido de ex-governador, MP investiga danos ambientais em plantio de eucalipto

Plantação de eucalipto, destinada à produção de celulose, estaria provocando possíveis impactos ambientais negativos à fauna, flora e recursos hídricos

08/07/2026 17h00

Plantação de eucalipto

Plantação de eucalipto Paulo Ribas

Continue Lendo...

Plantação de eucalipto entrou na mira do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

O MPMS, por meio da comarca de Três Lagoas (MS), instaurou Inquérito Civil para investigar a monocultura de eucalipto em Selvíria, município localizado no leste de Mato Grosso do Sul, a 400 quilômetros de Campo Grande.

De acordo com o documento, a plantação de eucalipto, destinada à produção de celulose, estaria provocando possíveis impactos ambientais negativos à fauna, flora e recursos hídricos na região, compreendida por Selvíria, Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Mutum e Pontal do Fala.

O parecer também traz potenciais impactos decorrentes da fragmentação da paisagem, da ausência de corredores ecológicos e da necessidade de verificação da regularidade ambiental dos empreendimentos.

A investigação foi solicitada pelo ex-governador e deputado estadual, José Orcírio Miranda, mais conhecido como Zeca do PT, em 12 de dezembro de 2025.

Plantação de eucalipto

Consultorias ambientais pedem a apuração dos supostos impactos ambientais e recuperação da área, com ações de mediação, fiscalização, preservação, compensação ambiental e implementação de políticas públicas voltadas à sustentabilidade e proteção dos recursos naturais.

Com isso, o Ministério Público transformou a notícia de fato em inquérito civil, com objetivo de apurar possível dano ambiental decorrente de plantação de eucalipto destinada à produção de celulose, no leste de Mato Grosso do Sul.

Confira o trecho redigido publicado no Diário Oficial do MPMS:

Plantação de eucaliptoEscreva a legenda aqui

Dados do MapBiomas apontam que, em 2024, na região Centro-Leste de MS, a silvicultura equivalia a 893.320 hectares, a pastagem 4.961.905 hectares e a vegetação nativa 1.468.165 hectares.

@@NOTICIAS_RELACIONADAS@

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).