Cidades

10° feminicídio

Filha viu mãe ser baleada e pai atirar na própria cabeça, diz delegado

Vera Lúcia da Silva, de 41 anos, foi encontrada morta próxima ao portão de sua casa, ao lado do corpo do ex-companheiro, Valdecir Caetano dos Santos

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Titular da Delegacia de Polícia de Eldorado, o delegado Robilson Junior Albertoni Fernandes esclareceu que a filha de apenas nove anos de Vera Lúcia da Silva, 10ª vítima de feminicídio do ano em Mato Grosso do Sul, viu a mãe ser baleada e em seguida o pai atirar contra a própria cabeça no crime registrado no último domingo (12) em Eldorado.

Conforme o delegado, o caso foi inicialmente comunicado à polícia como "disparo de arma de fogo", com os agentes encontrando o corpo de duas pessoas próximo ao portão da residência localizada no bairro chamado de Jardim Novo Eldorado. 

"Chegando lá foi possível perceber que haviam duas pessoas caídas ao solo, feridas por disparos de arma de fogo e as duas já estavam em óbito", afirma o delegado Robilson Albertoni. 

Em complemento o delegado indica que, as apurações preliminares identificaram que essas vítimas em questão tratava-se de um casal conhecido no município, que fica distante aproximadamente 442 quilômetros de Campo Grande.

Comerciante local, o ex-companheiro, Valdecir Caetano dos Santos, estaria separado de Vera Lúcia há cerca de oito meses, segundo o delegado. Apontado como suspeito do caso, ele teria tirado a própria vida após a morte de Vera Lúcia.

"Desse relacionamento eles tiveram uma filha, com nove anos, a qual presenciou todo esse crime bárbaro", cita o titular da delegacia de Eldorado. 

As autoridades descrevem que Vera Lúcia chegava em sua residência na data em questão, na companhia da filha, quando o responsável pelos disparos chegou ao endereço. 

"O autor não morava mais com ela, veio ao encontro e efetuou dois disparos que a atingiram e causaram sua morte. Ato contínuo, ele tirou a própria vida com um tiro na cabeça... tudo isso presenciado pela criança", cita o delegado.

Nesse caso que passa a ser investigado como o 10° feminicídio do ano em Mato Grosso do Sul, o delegado esclarece ainda que, após o término do casal, foram registrados ocorrências de violência doméstica, "sendo inclusive requisitadas e estavam em vigor algumas medidas protetivas em favor da vítima", completa Robilson.

A perícia foi acionada para atender a ocorrência, com as investigações ainda em curso para apuração das circunstâncias do crime. 

Feminicídios em MS

Se comparado com o último ano, os feminicídios em Mato Grosso do Sul ainda apresentam uma tendência desenfreada, tendo em vista que o número de 10 mulheres mortas pelas mãos dos próprios companheiros neste 2026 chegou um mês antes dessa mesma marca em 2025. 

No ano passado, Simone da Silva, de 25 anos, foi a 10ª vítima de feminicídio, morta a tiros na frente dos filhos por William Megaioli da Silva, que chegou a se entregar para a polícia com a arma do crime em mãos. 

Já neste ano, o primeiro feminicídio de 2026 em Mato Grosso do Sul ocorreu em 16 de janeiro, na aldeia Damakue, em Bela Vista. A vítima, Josefa dos Santos, de 44 anos, foi morta a tiros pelo marido, que em seguida tirou a própria vida.

Em 24 de janeiro, a aposentada Rosana Candia Ohara, de 62 anos, foi assassinada a pauladas pelo marido em Corumbá.

Em 22 de fevereiro, Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, foi morta a facadas em Coxim. O principal suspeito é o próprio filho da vítima, de 22 anos.

No dia 25 de fevereiro, Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos, foi assassinada em Três Lagoas. O autor do crime foi o namorado da jovem, Wellington Patrezi, que procurou a polícia e confessou o feminicídio.

No início da manhã do dia 7 de março, em Anastácio, a 122 quilômetros de Campo Grande, Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, foi encontrada morta em casa, na Rua Professora Cleusa Batista. O principal suspeito é o marido da vítima, Edson Campos Delgado, que acabou preso.

Inicialmente, Edson disse às autoridades que havia encontrado a esposa sem vida e levantou a hipótese de suicídio. No entanto, durante as investigações, confessou ter asfixiado a mulher.

Também no dia 6 de março morreu Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 52 anos, que estava internada após ser brutalmente agredida pelo marido em Três Lagoas.

Ela foi atacada com golpes de marreta no dia 3 de março. Após o crime, foi socorrida e transferida para o Hospital da Vida, em Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.

Em 8 de março, Ereni Benites, de 44 anos, foi o sétimo feminicídio. Morta carbonizada no dia internacional da mulher pelo ex-companheiro.

Fátima Aparecida da Silva, de 58 anos, foi o 8º caso de feminicídio do Estado, e interrompeu 15 dias sem registros do crime. Ela foi encontrada morta em Selvíria, interior do Estado, a menos de 400 quilômetros de Campo Grande. 

Maurício da Silva, sobrinho da vítima, confessou que matou a tia após uma discussão com vários golpes aplicados com instrumentos contundentes na cabeça da vítima, entre quais foram usados uma panela e uma maquita. 

Antes de Vera Lucia, a morte da subtenente Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, encontrada morta na sala de casa, ainda fardada, com marca de tiro no pescoço, morta pelo namoraDo, Gilberto Jarson, de 50 anos, aparece como o nono feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul neste 2026. 

 

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fronteira

EUA alertam para que turistas não visitem cidades de MS por risco de crimes e sequestros

Aviso publicado pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil desaconselha visitas a regiões de fronteira terrestre, entre elas com a Bolívia e Paraguai, que é o caso do Estado

31/08/2026 18h43

Orientação é que turistas evitem viajar para municípios de fronteira

Orientação é que turistas evitem viajar para municípios de fronteira Rodolfo César / Correio do Estado

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A embaixada dos Estados Unidos no Brasil emitiu, nesta segunda-feira (31), um aviso onde desaconselha que turistas americanos não viajem determinadas áreas no País, como favelas, áreas de fronteira terrestre internacionais e algumas cidades-satélites do Distrito Federal, devido ao risco de crimes e sequestros. Em Mato Grosso do Sul, a visita não é recomendada em municípios que fazem fronteira com o Paraguai e Bolívia.

A orientação vale para regiões a menos de 160 quilômetros das fronteiras terrestres internacionais do Brasil com a Bolívia, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela.

O comunicado alerta que o turista "não viaje para essas áreas por qualquer motivo".

Em Mato Grosso do Sul, as cidades que fazem fronteira com o Paraguai ou Bolívia são Ponta Porã, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas, Aral Moreira, Antônio João, Japorã, Porto Murtinho, Antônio João, Bela Vista, Caracol e Mundo Novo. 

Funcionários do governo dos Estados Unidos também só podem visitar esses locais com autorização prévia, com exceção do Pantanal.

O comunicado aconselha também aos turistas a não visitarem para áreas de desenvolvimento habitacional informal, como favelas, vilas, comunidades ou conglomerados, mesmo em excursões guiadas, devido ao risco de crimes.

De acordo com a Embaixada, mesmo em áreas consideradas seguras pela polícia ou pelos governos locais, a situação pode mudar rapidamente.

A cautela também se estende às áreas próximas às comunidades, pois segundo o órgão, "confrontos entre gangues e confrontos com a polícia às vezes se estendem para além de seus limites".

Segundo a Embaixada, também não é aconselhado a ida de turistas para as regiões administrativas, conhecidas como cidades satélites,  de Ceilândia, Santa Maria, São Sebastião e Paranoá, todas no Distrito Federal, durante a noite.

"Crimes violentos ocorrem em áreas urbanas, tanto durante o dia quanto à noite. Entre os crimes estão homicídio, roubo à mão armada e roubo de veículos (carjacking). A atuação de gangues e do crime organizado é generalizada e frequentemente está relacionada ao tráfico de drogas", diz o comunicado.

O governo americano afirma que casos de agressão contra turistas são comuns no Brasil,  inclusive com o uso de sedativos ou drogas colocadas em bebidas, especialmente no Rio de Janeiro, e que criminosos abordam estrangeiros por meio de aplicativos de relacionamento ou em bares, antes de dopar e roubar suas vítimas.

Já quanto aos crimes de sequestro, a embaixada ressalta que são raros envolvendo cidadãos dos Estados Unidos, mas que ocorrem ocasionalmente e destaca a ocorrência de sequestrps-relâmpagos em saídas de banco como principal ameaça.

Caso o turista decida viajar para o Brasil, o órgão orienta, por exemplo, a estar atento ao entorno e ter mais cuidado em áreas isoladas; não resistir a tentativas de assalto; não caminhar nas praias depois de escurecer; não exibir sinais de riqueza, como relógios ou joias caras; ser extremamente vigilante em bancos ou caixas eletrônicos; e ter cuidado no transporte público, especialmente à noite.

Saúde Pública

Unidades de saúde de Campo Grande terão novos horários a partir desta terça-feira

Mudanças atingem serviços especializados, de urgência e regulação; CEM terá atendimento até as 22h durante a semana e Cadim funcionará até meia-noite

31/08/2026 18h31

Centro Especializado Municipal (CEM) está entre as unidades de saúde que terão novos horários de funcionamento em Campo Grande.

Centro Especializado Municipal (CEM) está entre as unidades de saúde que terão novos horários de funcionamento em Campo Grande. Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A Prefeitura de Campo Grande vai alterar, a partir desta terça-feira (1º), os horários de funcionamento de diferentes serviços da Rede Municipal de Saúde (Remus). As mudanças atingem unidades de atendimento especializado, estruturas de urgência e setores responsáveis pela regulação de pacientes e passam a valer já no primeiro dia de setembro.

As novas regras foram estabelecidas pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) por meio da Resolução nº 1.025, publicada em edição extra do Diário Oficial de Campo Grande nesta segunda-feira (31).

O ato modifica os horários de unidades vinculadas à Superintendência de Atenção Especializada e Urgências à Saúde. 

Entre as principais mudanças está o funcionamento do Centro Especializado Municipal Presidente Jânio da Silva Quadros (CEM). De segunda a sexta-feira, o atendimento ambulatorial será realizado das 6h às 22h. No mesmo período, haverá plantão das 18h às 22h. Aos sábados, o plantão funcionará das 6h às 18h. 

O Centro de Apoio e Diagnóstico Municipal (Cadim) terá horário ainda mais amplo. Conforme a resolução, o atendimento ambulatorial funcionará das 6h à meia-noite de segunda a sexta-feira.

O documento também estabelece plantão das 18h às 22h durante a semana e funcionamento das 6h à meia-noite aos sábados, domingos e feriados. 

Na Unidade Especializada de Reabilitação e Diagnóstico (UERD), o ambulatório funcionará de segunda a sexta-feira, das 6h às 18h, enquanto o plantão será realizado das 18h às 22h.

Já o Centro de Referência à Saúde do Homem Dr. Etienne de Albuquerque Palhano terá atendimento das 6h às 18h durante a semana e plantão no mesmo horário aos sábados. 

O Centro de Testagem e Aconselhamento Dr. Gessírio Domingos Mendes (CTA), por sua vez, terá funcionamento de segunda a sexta-feira, das 6h às 18h. Segundo a publicação, o serviço atenderá por agenda regulada e também por demanda espontânea. 

Também haverá horários específicos no Centro Especializado de Doenças Infectoparasitárias. O Serviço Ambulatorial Especializado funcionará das 6h às 22h às segundas e terças-feiras e das 6h às 18h de quarta a sexta-feira, além de atendimento aos sábados, das 6h às 18h.

O Atendimento Domiciliar Terapêutico terá expediente das 6h às 17h, de segunda a sexta-feira, enquanto o Hospital Dia funcionará das 6h às 18h, de segunda a sábado. 

O Centro Especializado Municipal II também aparece entre as estruturas abrangidas. O atendimento ambulatorial será das 6h às 18h, de segunda a sexta-feira, e o plantão ocorrerá das 18h às 22h nos dias úteis. 

Na área de regulação, tanto a Divisão de Regulação de Leitos Eletivos quanto a Divisão de Regulação de Leitos de Urgência permanecerão em funcionamento 24 horas por dia, todos os dias da semana.

A Gerência de Regulação Ambulatorial terá expediente das 7h às 23h de segunda a sexta-feira e das 7h às 19h aos sábados e feriados. 

As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e os Centros Regionais de Saúde (CRSs) também permanecem com atendimento ininterrupto, 24 horas por dia.

Já o Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) aparece com funcionamento diário das 6h às 19h. O Cenort funcionará todos os dias das 6h à meia-noite, exclusivamente para atendimento de urgência, sem funcionamento ambulatorial. 

A resolução também mantém atendimento de 24 horas nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de funcionamento contínuo e em residências terapêuticas.

Entre as unidades listadas estão os CAPS III Vila Almeida, Aero Rancho e Infantojuvenil, além das residências terapêuticas Miguel de Cervantes, Moinhos de Vento, Dom Quixote e Dulcineia de Toboso. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) e sua Central de Regulação seguem funcionando 24 horas. 

Apesar da reorganização, a Sesau ressalta que a alteração dos horários não modifica a carga horária dos cargos nem cria uma nova modalidade de jornada para os servidores. As unidades não abrangidas pela resolução permanecem com os horários já estabelecidos anteriormente. 

As mudanças entram oficialmente em vigor nesta terça-feira (1º). A resolução é assinada pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Luiz Brandão Vilela.

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