Cidades

DIA DO TRABALHADOR

Fiscalização contribui para alta de registros de acidentes de trabalho nesta década

De 2003 a 2012 foram notificados 88.143 acidentes de trabalho, enquanto nesta década o número de casos foi de 96.887

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De acordo com o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, o número de registros de acidentes no ambiente profissional aumentou 9,7% nesta década, em comparação com a década passada. A Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT) registrou, de 2003 a 2012, 88.143 incidentes, enquanto, nesta década, o número de casos foi de 96.887.

A procuradora do trabalho Claudia Noriler informa que o aumento do número de CATs aponta que as campanhas de combate à subnotificação está funcionando.

"Ainda que haja incremento da atividade econômica nos últimos anos, observa-se que as campanhas, principalmente as fiscalizações e as autuações dos empregadores que não emitem CATs na ocorrência de acidentes, acabam por promover a maior emissão das CATs em casos de acidentes e doenças", disse a procuradora.

Só em 2022, foram 10.012 CATs registradas em Mato Grosso do Sul. No entanto, do total de CATs, apenas 2.064 concessões de benefícios foram dadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o que corresponde a 29,6% dos registros de acidente.

Segundo a assessoria de comunicação do Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul (MPT-MS), essa diferença se deve ao fato de nem todo acidente de trabalho implicar em afastamento por longo período.

Geralmente, apenas os casos mais graves acabam sendo encaminhados para o INSS, órgão responsável por conceder os benefícios de seguro.

Do total de acidentes de trabalho relatados em CATs, o sistema informa que 58 resultaram em óbito. Entretanto, apenas sete pensões por morte foram concedidas pelo INSS no ano passado. As pensões foram concedidas nos municípios de Aquidauana, Bonito, Campo Grande, Caarapó, Chapadão do Sul, Dourados e Pedro Gomes.

A assessoria do MPT-MS comenta que um dos fatores para a diferença entre as mortes e as pensões por óbito é que as famílias das vítimas que têm de entrar com o pedido do benefício. Após a solicitação, o INSS avalia se concede a pensão, e este processo, em alguns casos, demora anos para ser finalizado.

O observatório tem dados desde os anos 2000, e a série histórica aponta uma queda nas pensões concedidas por mortes no trabalho.

No primeiro ano dos registros, foram outorgadas 67 pensões, o maior número desde o início das notificações. Desde então, as pensões registram quedas e oscilações e, de 2014 até o momento, ficaram abaixo de 10 concessões por ano.

O observatório também traz dados de aposentadorias por invalidez concedidas pelo INSS. Nesta década, 2.496 aposentadorias por invalidez foram concedidas, enquanto de 2003 a 2012 foram 1.442 aposentadorias outorgadas, um aumento de 73%.

Em relação ao auxílio-acidente, 2022 registrou recorde em concessões do benefício, com 502 auxílios aprovados. O número de auxílios concedidos nessa década foi 106,92% maior que o da década anterior.

De 2003 a 2012 foram 1.285 auxílios-acidente, enquanto de 2013 a 2022 foram 2.659 benefícios.

CASOS 

De acordo com o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, o setor econômico com mais notificações de acidentes de trabalho no último ano foi o atendimento hospitalar, com 9% dos registros. Logo em seguida estão o abate de gado, com 7%, o abate de suínos, aves e outros animais pequenos, com 4%, e a criação de bovinos, também com 4%. 

O levantamento aponta que as lesões mais frequentes em notificações de acidentes são: fratura, com 22%; corte, laceração, ferida contusa e punctura, com 18%; contusão, esmagamento (superfície cutânea I), 12%; e lesão imediata, distensão e torção, 9%. 

A maioria desses acidentes ocorreram nos dedos, 21% dos casos; nos pés, 8%; e nos joelhos e nas mãos, com 6% cada. 

Já no índice de principais agentes causadores de acidentes, os agentes biológicos são os mais citados, sendo responsáveis por 15% dos casos. Máquinas e equipamentos causaram 14% dos acidentes, veículos de transporte, 12%, e quedas do mesmo nível, 11%. 

A procuradora do trabalho Claudia Noriler destaca que a importância do registro de acidentes de trabalho é criar dados para orientar o Estado para atuar nas ações de prevenção.

"Ou seja, quais são os setores econômicos, as atividades que mais têm acidentes e em quais o Estado deve focar e ter mais atenção, assim como a emissão dos documentos correlatos, no caso de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, acaba por facilitar a vida do trabalhador, quando o mesmo será afastado e receberá os benefícios", comenta a procuradora. 

Documentação

Mutirão para emitir novo RG sem agendamento terá dois dias em Campo Grande

Ação será realizada nos dias 11 e 12 de setembro, no Pátio Central, com atendimento para emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN).

08/09/2026 19h33

Atendimento para emissão da nova Carteira de Identidade Nacional será realizado durante dois dias em Campo Grande.

Atendimento para emissão da nova Carteira de Identidade Nacional será realizado durante dois dias em Campo Grande. Foto: Divulgação.

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Quem precisa emitir a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), documento que substitui gradualmente o antigo RG, terá uma nova oportunidade de buscar atendimento em Campo Grande. O Pátio Central recebe, nos dias 11 e 12 de setembro, a segunda edição do Mutirão de Emissão de RG.

A ação será realizada no Posto de Identificação localizado no 2º piso do Pátio Central, no Centro da Capital. Na sexta-feira (11), o atendimento ocorrerá das 8h às 17h30. Já no sábado (12), o serviço estará disponível das 8h às 16h30.

A primeira emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN) é gratuita. Já para a segunda via pode haver cobrança de taxa, conforme o motivo da solicitação e as regras vigentes em Mato Grosso do Sul. Em situações específicas, o cidadão também pode ter direito à isenção do pagamento.

A iniciativa chega à segunda edição com a proposta de ampliar o acesso da população ao serviço de identificação e oferecer uma alternativa para quem precisa solicitar o documento, concentrando os atendimentos durante dois dias.

O mutirão é realizado pelo Pátio Central em parceria com órgãos estaduais, entre eles a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, responsável pelos serviços de identificação no Estado.

Novo RG

Apesar de a divulgação da ação utilizar a expressão “emissão de RG”, o documento atualmente expedido segue o padrão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), criada para unificar a identificação dos brasileiros.

Uma das principais mudanças é a adoção do CPF como número único de identificação, evitando que uma mesma pessoa tenha números de RG diferentes em cada unidade da Federação.

A CIN também conta com elementos destinados a aumentar a segurança e facilitar a verificação da autenticidade do documento.

A implantação do novo modelo ocorre de forma gradual em todo o País. Por isso, quem ainda possui a carteira de identidade no modelo antigo não precisa necessariamente substituí-la de imediato apenas por causa da mudança de padrão, desde que o documento continue dentro das regras de validade aplicáveis.

Para quem precisa emitir a primeira via da CIN ou atualizar a documentação, o mutirão concentra o serviço em um ponto de fácil acesso na região central de Campo Grande.

Confira os horários

O 2º Mutirão de Emissão de RG será realizado no Posto de Identificação do Pátio Central, no 2º piso. Na sexta-feira, 11 de setembro, o atendimento será das 8h às 17h30. No sábado, 12 de setembro, será das 8h às 16h30.

Estatística

Taxa média de recusa de doação de órgãos pelos familiares é 45%

Comunicação adequada e humanizada pode mudar essa realidade

08/09/2026 19h00

Divulgação/Ministério da Saúde

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O momento da perda de um ente querido é uma das situações mais dolorosas para uma família, que se vê diante da difícil decisão de autorizar ou não a doação de órgãos após a constatação de morte cerebral para salvar vidas de pessoas desconhecidas na fila de espera. No Brasil, a taxa média de recusa familiar para a doação de órgãos gira em torno de 45%, índice que varia entre estados e até mesmo entre hospitais de uma mesma cidade, evidenciando que a recusa não depende apenas da população, mas também de fatores institucionais. 

Segundo o presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Cristiano Franke, muitos pacientes deixam seus familiares orientados sobre sua vontade de doar órgãos e muitas famílias também gostariam de fazer isso, atendendo a esse desejo. Entretanto, ele reforça, que, em muitos casos, a falha no acolhimento aos familiares e na comunicação dentro dos hospitais — tanto públicos quanto privados — é um dos principais obstáculos para a efetivação das doações.  

“Muitas vezes as famílias não recebem todas as informações adequadamente, no momento e com um protocolo adequados para tomarem a melhor decisão. E muitas vezes também, as equipes médicas não estão preparadas para lidar com conversas difíceis, utilizando termos excessivamente técnicos e inacessíveis, ou realizando abordagens consideradas frias e comerciais em locais inadequados”, disse Franke. 

Por conta disso, a AMIB, em parceria com o Ministério da Saúde, capacitou, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, 2.534 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes de órgãos. Até o momento, o resultado, que já superou em 25% a meta inicial desse projeto de 2 mil participantes capacitados.  

O objetivo dos cursos elaborados e oferecidos pela AMBI é o ampliar o número de profissionais preparados para conduzir esse processo, incluindo a melhoria na comunicação para reduzir a resistência das famílias em autorizarem a retirada de órgãos de parentes com diagnóstico de morte encefálica. 

De acordo com Franke, a formação também busca qualificar as diferentes etapas que antecedem uma doação, abrangendo a identificação de potenciais doadores, a determinação da morte encefálica e a manutenção clínica do potencial doador, tornando o processo mais seguro.  

“Atingir mais de 2,5 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. Um diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família”, afirmou. 

Entre as dificuldades para os familiares aceitarem autorizar os transplantes estão a compreensão ou aceitação do diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, receio de alteração da integridade do corpo, desconfiança em relação ao processo e desconhecimento sobre a vontade manifestada em vida pelo familiar, ou até mesmo a percepção de que os profissionais estavam mais interessados nos órgãos do que no paciente ou em seus familiares.  

“As famílias têm receio de deformação do corpo e nós explicamos adequadamente como é feito o procedimento e a reconstituição do corpo, que não deixarão deformidades visíveis nos ritos funerais como o velório. Elas trazem isso com muita clareza e nós precisamos explicar isso com tempo e clareza”, explicou. 

De acordo com a AMIB, entre os participantes capacitados até agosto, estão 933 médicos, dos quais 473 receberam treinamento voltado à determinação de morte encefálica. O restante dos participantes, que são médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas,  administradores, farmacêuticos, odontólogos, biólogos, e um nutricionista e um pedagogo, tiveram instruções sobre o Gerenciamento no processo de Doação e Transplante (GPDT) e uso da Comunicação em Situações Críticas (CSC).  

Até agosto, já haviam sido realizados 73 cursos, distribuídos em 23 módulos e com atividades em 25 estados brasileiros. Ainda estão previstos mais oito treinamentos até o encerramento do projeto. Neste mês, eles ocorrerão em Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC). 

Transplantes no Brasil  

De acordo com dados do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em 2025, foram registrados 15.940 potenciais doadores no país. Desse total, 4.335 tornaram-se doadores efetivos. Entre as famílias entrevistadas, 4.200 não autorizaram a doação, o equivalente a 45% das entrevistas realizadas. No mesmo ano, o Brasil alcançou 20,3 doadores efetivos por milhão de habitantes, contra 19,2 em 2024.  

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