Cidades

LONGA ESPERA

Fracassa licitação da obra que tiraria caminhões do centro de Bonito

Projeto prevê investimento de R$ 51,2 milhões em contorno rodoviário de 7,6 quilômetros na principal cidade turística de MS

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Reivindicada há pelo menos uma década, a retirada do tráfego pesado da região central da cidade turística de Bonito terá de esperar mais um pouco. Isso porque fracassou a licitação para construção do anel viário de 7,6 quilômetros realizada pelo Governo do Estado, que agora terá de recomeçar os trâmites. 

A divulgação do vencedor da disputa estava prevista para esta segunda-feira, conforme cronograma da Agesul. Porém, nesta terça-feira a agência divulgou no diário oficial que a disputa fracassou. 

Seis empresas, sendo uma de Mato Grosso, duas de Goiás e três de Minas Gerais, chegaram a manifestar interesse em executar a obra, que teve o valor máximo estipulado em R$ 52.185.390,58. Mas uma delas, Cimcop Engenharia e Construções, não chegou a ser habilitada. 

Entre as que apresentaram interesse estava a Construtora Caiapó, uma das maiores empreiteiras de Goiás e que está à frente de grandes obras em Mato Grosso do Sul, como a pavimentação da BR-419 e da construção da alça de acesso à ponte do Rio Paraguai, em Porto Murtinho, entre outros projetos no Estado. A obra de acesso à ponte foi licitada por R$ 472 milhões. 

A empreiteira também integra o consórcio liderado pela XP Investimentos e segue na disputa pela concessão dos 870 quilômetros da chamada Rota da Celulose. No leilão do dia 8 de maio, o consórcio ficou em segundo lugar, mas entrou com recurso administrativo para desbancar o vencedor. O Governo do Estado ainda não definiu se acata ou não este recurso. 

Além da Caiapó, também seguiam na disputaas construtoras Agrimat Engenharia (MT)), São Cristóvão (GO), Mobicon (GO) e Pavotec Pavimentação (MG).

Nesta terça-feira, porém, a Agesul informou que "a licitação foi considerada fracassada, pois nenhuma das empresas participantes atendeu aos critérios de habilitação exigidos no edital. O processo está, neste momento, sob análise do setor técnico, que realiza os ajustes necessários. A obra será relicitada assim que as revisões forem concluídas, seguindo os trâmites legais e administrativos previstos".  

Diariamente passam pela região central de Bonito em torno de 500 caminhões procedentes da região de Jardim e com destino a cidades como Bodoquena e Miranda. E por conta disso a construção do anel viário de Bonito está sendo reivindicada pela prefeitura de Bonito desde 2015. 

Projeto do contorno rodoviário está concluído há mais de três anos, mas segue somente no papel

Em 2022 foi aprovado o novo traçado da rodovia, contornando a cidade pela região sul e passando por uma área ocupada irregularmente por cerca de 60 famílias, que terão de ser realocadas. 

Conforme o projeto original, obra prevê ampliação e implantação de rotatórias, pista dupla com redutores de velocidade, passarelas de pedestre, ciclovia e passagem de fauna e gado (em trechos que passam por propriedades rurais). Também será construído um túnel sobre a Estrada Boiadeira, antigo corredor de boiada e considerada patrimônio cultural municipal. 

Em 2022, durante audiência do Governo Presente em Bonito, o então governador, Reinaldo Azambuja, prometeu que a licitação para a construção seria feita ainda no primeiro semestre daquele ano e que seriam destinados R$ 27 milhões no projeto, que agora, três anos depois, vai consumir quase o dobro. 

Naquela época, o Governo do Estado divulgou que as 60 famílias beneficiadas seriam transferidas para uma área nobre, ao lado do Bairro Rio Branco, dotada de asfalto, energia elétrica e água encanada. Informou, ainda que as obras seria executadas pelo município, que também doou a área, com investimento total de R$ 4,9 milhões. 

TURISMO EM ALTA

Conforme o Observatório do Turismo e Eventos de Bonito (OTEB),  município recebeu 142.854 turistas no primeiro semestre de 2025. Foi o melhor desempenho em dez anos e 7,43% acima do mesmo período de 2024.

Estima-se que, do total de visitantes que estiveram em Bonito e região em junho de 2025, 15,3 mil  desembarcaram no aeroporto local..

Números indicam que os atrativos turísticos do município receberam 437.447 visitas no primeiro semestre deste ano, crescimento de 4,9% em comparação ao mesmo período de 2024, que teve 417.065 visitações. A taxa de ocupação dos hotéis ficou em 33% no mês de junho.

 

Campo Grande

UFMS vai ganhar posto de saúde para atendimento ao público externo

USF será instalada em Campo Grande, em parceria com a prefeitura

15/09/2026 11h45

Assinatura do acordo de lançamento da Escola de Saúde Pública de Campo Grande

Assinatura do acordo de lançamento da Escola de Saúde Pública de Campo Grande Foto: Ana Carolina Vasques/Rúbia Pedra

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Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) vai ganhar uma Unidade de Saúde da Família (USF), para atendimento ao público externo, no câmpus Cidade Universitária, em Campo Grande.

A realização é uma parceria com a Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG), por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

O objetivo é auxiliar a formação de estudantes, desafogar atendimentos em outras USFs e proporcionar atendimento público de qualidade à população campo-grandense.

A reitora Camila Ítavo e a prefeita Adriane Lopes assinaram o acordo para instalação na terça-feira (8), durante o lançamento da Escola de Saúde Pública de Campo Grande, no auditório do Complexo Multiuso 1, no câmpus Cidade Universitária.

Na cerimônia, foi assinado o Contrato Organizativo de Ação Pública Ensino-Saúde, que autoriza o funcionamento da Escola de Saúde Pública e a utilização das características de saúde de Campo Grande para a formação dos estudantes. O documento tem vigência de cinco anos.

Na USF, estudantes dos cursos da área da saúde poderão atuar, mediante supervisão de um profissional, em atendimentos, consultas e orientações à pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Portanto, agora os acadêmicos tem mais uma opção para colocar em prática seus conhecimentos: além de atenderem no Hospital Universitário (HUMAP-UFMS), também poderão atuar na USF.

A reitora destacou a parceria entre as instituições para proporcionar atendimento de qualidade à população e promover a formação de estudantes.

“É um dia de muita alegria receber a prefeita e todo o seu time da saúde na UFMS. Quando pensamos em saúde, percebemos a força que existe quando somamos esforços para chegar mais longe, ter efetividade nas políticas públicas e, principalmente, cumprir a nossa missão, que é oferecer uma formação de excelência”, pontuou.

A prefeita ressaltou que a nova USF é estratégica para contribuir em dois lados: estudantes e população.

“A saúde é o maior desafio de um gestor público e, de todas as áreas da gestão, tem suas peculiaridades. A Escola de Saúde Pública Dr. Eugênio de Oliveira Martins de Barros inicia esse projeto trazendo para os nossos profissionais um novo caminho, porque o aprendizado é constante e, todos os dias, temos algo novo para aprender ou para ensinar. É uma escola de educação permanente, integrada às universidades, que representa um novo tempo para a saúde de Campo Grande. Tivemos o desafio de iniciar esse trabalho e queremos que a Escola se torne referência não apenas para Mato Grosso do Sul”, destacou a chefe do executivo municipal.

A data de inauguração e a capacidade de atendimento da nova USF não foi divulgada.

tac

MP arquiva ação contra sócio do Itaú por megaincêndio no Pantanal

Família Bracher firmou um acordo com a promotoria para recuperar a área de 13,2 mil hectares de sua fazenda destruídos pelo fogo em julho de 2024

15/09/2026 11h40

Investigação apontou que o fogo começou em um caminhão superaquecido, saiu do controle e destruiu 53 mil hectares

Investigação apontou que o fogo começou em um caminhão superaquecido, saiu do controle e destruiu 53 mil hectares

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Um ano e quatro meses depois de virarem alvo de um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul por conta de um megaincêndio florestal no Pantanal de Mato Grosso do Sul. O banqueiro Cândido Botelho Bracher e sua esposa, a ambientalista Teresa Bracher, firmaram um acordo com a promotoria e a investigação está sendo arquivada. 

A investigação envolvendo o ex-presidente do banco Itaú/Unibanco, a maior instituição financeira da América Lativa, foi aberta em maio do ano passado por conta de uma queimada que começou na Fazenda Tupanceretã, em julho de 2024, no Pantanal da Nhecolândia, no município de Aquidauana.

A fazenda, comprada da família Rondon, tem 25,6 mil hectares em torno de 13,2 mil hectares foram destruídos pelo incêndio entre os dias 23 e 31 de julho daquele ano, período de forte estiagem em toda a região pantaneira. 

O fogo, segundo a investigação, se espalhou a partir de um incêndio em um caminhão, atingiu propriedades vizinhas, queimando a vegetação em 52.940 hectares. Mas, o foco da investigação foi uma área de 267,7 hectares, na região onde o fogo teria começado. 

Conforme a Polícia Militar Ambiental, em relatório concluído em 12 de agosto de 2024, o incidente começou a partir de um caminhão que ficou atolado na areia e por conta da insistência do motorista em sair do atoleiro o veículo superaqueceu e pegou fogo.

Agora, conforme publicação do diário oficial do Ministério Público de Mato Grosso do Sul desta terça-feira (15), o casal de banqueiros firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a promotoria de Aquidauana no qual está a informação de que 15.135 hectares da fazenda de 25,6 mil hectares foram afetados pelo incêndio, dos quais 860 hectares correspondem à Área de Preservação Permanente (APP), 4.956 hectares da Reserva Legal e 1.005 hectares da Área de Vegetação Remanescente. 

Por meio deste TAC, os sócios do Itaú se comprometem a apresentar, no prazo de 90 (noventa) dias, contados da assinatura do acordo, um Plano de Recuperação de Área Degradada ou Alterada, devidamente protocolado no IMASUL. E, caso descumpram os termos, serão multados em R$ 8.320,50 (150 UFERMS). Inicialmente o MP havia proposto multa no valor de R$ 44,376 mil, mas atendeu a um pedido dos fazendeiros e reduziu o tamanho da possível punição.

Em vez de firmar acordo e arquivar a investigação, a promotoria também poderia ter aberto uma ação civil pública para exigir punição aos proprietários da fazenda. Mas, como o incêndio ocorreu em meio a uma forte estiagem em em meio a uma onda de queimadas em boa parte do Pantala, o caso está sendo engavetada, faltando somente o aval do conselho superior do Ministério Público. 

Na época, os policiais ambientais que foram ao local onde começou o incêndio destacaram que “salvo melhor juízo, não foram constatados indícios de práticas de queima com intenção que configure crime ambiental ou por omissão ao fato ocorrido na propriedade”. O caminhão havia acabado de descarregar material de construção na sede da fazenda e estava retornando para a cidade.

LAUDO PERICIAL

Porém, um laudo pericial concluído em 19 de outubro de 2024 também anexado ao inquérito diz que no local onde supostamente começou o fogo não foi encontrado qualquer indício daquilo que pode ter desencadeado o incêndio. Ou seja, o perito diz não ter encontrado nenhum resquício do caminhão. 

Essa laudo descarta ainda a possibilidade de ter iniciado a partir de um raio ou a partir de rede de energia elétrica, que não existe no local. E, diz que “este relator descarta a gênese acidental, restando, todavia, a gênese culposa e proposital como hipótese mais provável para o surgimento do fogo”. 

Na sequência, o perito destacou que o megaincêndio “destruiu espécimes vegetais, não se descartando ainda que tenha causado a mortandade de parte da fauna local e colocado em risco a vida daqueles que participaram das equipes de combate”. 

Ao fundamentar a abertura do inquérito, a promotora Angélica de Andrade Arruda deixou claro que não existia comprovação de que o incêndio tenha tido origem criminosa.  Mas, disso que era necessário “mesmo não tendo sido possível constatar, nesse momento, que houve ato intencional ou culposo na ignição do incêndio, o que a princípio inviabiliza a responsabilidade administrativa e penal, ainda subsiste a responsabilidade civil que é “objetiva e por risco integral", especialmente voltada à busca de prevenção de novos incêndios e de eventual reparação do dano”. 

GRANDES FAZENDAS

A fazenda Tupanceretã não é a única propriedade dos sócios do Itaú no Pantanal de Mato Grosso do sul. Na região da Serra do Amolar, no município de Corumbá, o banqueiro e a mulher aparecem como proprietários de mais de 64 mil hectares. 

Tanto em 2020 quanto no ano seguinte estas terras apareceram no noticiário mundial por conta das intensas queimadas.  Foi nas terras do banqueiro que foi feita a foto de um macaco bugio carbonizado que se destacou em uma série de fotos mostrando a devastação das queimadas no Pantanal em 2020. 

Investigação apontou que o fogo começou em um caminhão superaquecido, saiu do controle e destruiu 53 mil hectaresImagem feita na fazenda da família Bracher rodou o mundo após a onda de queimadas em 2020

A imagem ganhou a categoria Meio Ambiente do World Press Photo, a mais importante premiação de fotojornalismo do mundo. Em 2020, o fogo teve início em uma das propriedades da família. No ano seguinte, a fazenda dos Bracher foi atingida por um foco que começou em área vizinha. 

Em meio às polêmicas, a família Bracher mantém uma atuação filantrópica na área ambiental e no combate aos incêndios no Pantanal.  Teresa é fundadora do Documenta Pantanal e do Instituto Taquari Vivo, além de integrar o conselho do Instituto Acaia, SOS Pantanal e Associação Onçafari. 

Em artigo publicado em abril de 2021, ela disse estar em “choque” com a cena do bugio carbonizado. “O que aconteceu é disruptivo e perturbador. De um bioma extremamente delicado, o Pantanal se converteu em um enigma da era da mudança climática”, escreveu.  

BANQUEIRO

Com patrimônio estimado na casa dos R$ 15 bilhões, Cândido Bracher foi CEO do Itaú Unibanco, do qual é um dos importantes acionistas, entre abril de 2017 e janeiro de 2021. Atualmente,  é Integrante do Conselho de Administração da instituição financeira, que fechou o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido de R$ 24,6 bilhões. 

 

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