Quinze meses depois de uma primeira devassa para combater um suposto esquema de fraudes em licitações na prefeitura de Coronel Sapucaia, na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) voltaram às ruas nesta terça-feira (31) para cumprir 23 mandados de busca e apreensão, 13 mandados de medidas cautelares diversas , dois mandados de busca pessoal e dois mandados de suspensão do exercício de função pública.
Embora não tenha divulgado detalhes, imagens publicadas pelo Ministério Público revelam que durante a operação foi apreendida uma pistola e significativo volume em cédulas R$ 20, R$ 50, R$ 100 e R$ 200.
Além de Coronel Sapucaia, os mandados foram cumpridos nas cidades de Amambai, Ponta Porã e Caarapó, todos na região sul do Estado. E, segundo informações do Ministério Público, a operação, batizada de "Mão Dupla", é a segunda etapa da Operação Pretense (falsa aparência), deflagrada em 18 de dezembro de 2024.
Naquela data, o MP apontou suspeita de fraudes nos processos licitatórios para construção do hospital municipal de Coronel Sapucaia, orçado em R$ 9.181.402,38, que estava em fase final de construção. Os recursos foram repassados pelo Governo do Estado.
A empresa contratada pela prefeitura em meados de 2022 para construção do hospital foi a A. D. M. Construtora, pertencente a Alan Douglas Maciel, que assinou o contrato com o prefeito Rudi Paetzold.
Quando da assinatura do contrato foi estipulado prazo de dois anos para conclusão dos trabalhos e, conforme o anúncio, o novo hospital teria área construída de 2.299 metros quadrados, centro cirúrgico, parto humanizado, e internação com dezessete leitos adulto, oito leitos de pediatria e oito leitos de pós-parto, totalizando 33 leitos.
Em 2024, o MP apontou que uma das empresas da família de Alan, apesar de ter assinado contratos milionários não tinha sede patrimônio ou funcionários, e mesmo assim foi contratada para construção do hospital municipal.
Além do hospital, a empresa de Alan Douglas Maciel assinou uma série de outros contratos com a prefeitura de Coronel Sapucaia. Dois deles foram assinados em junho de 2024, prevendo a reforma de dois postos de saúde. Cada um garantiu faturamento de R$ 683 mil à família do empresário, que foi o principal alvo da investigação em dezembro de 2024.
Pistola e dezenas de cédulas foram apreendidos pelo GaecoAgora, na segunda fase da operação, o foco principal do Ministério Público foi a "prática de crimes de fraude a processos licitatórios e contratos deles decorrentes, peculato-desvio, corrupção passiva e pagamento irregular em contratos públicos, envolvendo agentes políticos, secretários, servidores e empresários"
O nome dado à operação desta vez, Mão Dupla, foi escolhido por conta de uma frase costumeiramente utilizada por um dos envolvidos: “Você me ajuda que eu te ajudo”. O nome do autor deste bordão, contudo, não foi divulgado.
A prefeitura de Coronel Sapucaia divulgou nota informando que, a princípio, toda a investigação era relativa a contratos firmados durante a gestão enterior, que acabou no final de 2024.


