Lottopro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas LTDA, que havia ganhado o leilão da Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul (Lotesul) com maior lance e repasse de 43,36% ao governo do Estado, foi reprovada na prova de conceito da segunda etapa do processo licitatório.
Com isso, por ora, está fora do certame. O Correio do Estado entrou em contato com a empresa para saber se irá recorrer, mas, até o fechamento desta reportagem, não foi respondido.
A reprovação foi publicada na manhã desta quarta-feira (11), na página 177 do Diário Oficial Eletrônico (DOE-MS).
De acordo com a Secretaria de Fazenda (Sefaz-MS), o motivo é de que a Lottopro não dispõe de cofre de regulação (eletrônico), o que é uma exigência do Governo de MS para a Lotesul.
Após a reprovação da empresa, o Governo do Estado convocou as outras três empresas licitantes para prosseguimento do certame, na sexta-feira, às 9h30min.
Confira o trecho redigido em Diário Oficial:

LEILÃO
O governo de MS está em busca de uma empresa especializada para implantação e operação de solução tecnológica (plataforma) que controle as atividades lotéricas, integrada com meios de pagamentos, para gerenciar e controlar as atividades e fluxo financeiro dos operadores lotéricos da loteria de MS, incluindo manutenção, customização e atualizações que se fizerem necessárias durante a vigência contratual, com entrega total do código-fonte e banco de dados ao final do contrato.
A disputa pela Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul (Lotesul) ocorreu em 23 de janeiro de 2026 no formato leilão.
Em 35 minutos de lance com quatro empresas diferentes, a Lottopro saiu na frente, quando ofereceu um repasse de 43,36% da receita ao governo estadual. Ou seja, a cada R$ 100 milhões arrecadados, o Estado deve receber R$ 43,36 milhões.
O percentual, considerado elevado para o setor, chama atenção por ser muito superior aos valores praticados pela própria empresa nas outras oito cidades brasileiras onde atua.
O Correio do Estado apurou a porcentagem do repasse firmado em contrato com a empresa nos demais municípios. Veja a lista abaixo:
- Lotto Assunção, em Assunção do Piauí (PI) - 10%
- Lotto Patos, em Patos do Piauí (PI) - 25%
- Lotto Tatuí, em Tatuí (SP) - 10%
- Lotto Marcolândia, em Marcolândia do Piauí (PI) - 5%
- Lotto Muquém, em Muquém de São Francisco (BA) - 7,5%
- Sorte Teresópolis, em Teresópolis (RJ) - 16,8%
- Loto Quijingue, em Quijingue (BA) - 2%
- Tutoria da Sorte, em Tutóia (MA) - não foi divulgado
Com isso, é possível observar que o repasse proposto para Mato Grosso do Sul é mais que o dobro da maioria dos contratos mantidos pela empresa e supera até mesmo o maior percentual praticado pela Lottopro em outras cidades.
A estimativa é que o serviço deva render um faturamento anual de até R$ 1,4 milhão, apenas da estimativa da receita média anual constatada no edital ser de R$ 51,4 milhões.
Atualmente, a Lotesul é administrada pelo próprio Governo de Mato Grosso do Sul, através da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MS).
LOTTOPRO
A Lottopro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas LTDA é uma empresa criada em 2024, com sede em São Paulo (SP). É classificada como uma empresa de pequeno porte, com investimento inicial de R$ 20 milhões.
Conforme apurado pelo Correio do Estado, seu faturamento anual chega a R$ 4,8 milhões.
Atualmente, a Lottopro tem como sócios os empresários Adriano Aristóteles Vieira de Mendonça, Alex Forte da Silva, Hiago Bezerra de Sousa Lima Piau, Reno Ramalho de Vasconcelos e Thyago Correa Marques dos Santos.
Dos mesmos sócios, a empresa responsável pelos pagamentos dos sorteios e loterias é a gateway Lottopay, criada em setembro do ano passado.
Reprodução/Secom/CGNotícias

