Cidades

Pedro Juan Caballero

Grupo de extermínio já matou 20 na fronteira com o Paraguai desde 2014

Autoproclamados Justiceiros da Fronteira, quadrilha age contra supostos criminosos que praticaram roubos na região

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O grupo de extermínio autoproclamado Justiceiros da Fronteira voltou a ganhar notoriedade depois de matarem duas vítimas nas últimas duas semanas, se juntando aos cerca de 20 casos que seguem a organização nestes últimos 12 anos de atuação contra supostos criminosos que praticaram roubos na região de Pedro Juan Caballero, cidade gêmea de Ponta Porã.

Na segunda-feira, mais um corpo foi encontrado no município paraguaio, mais especificamente no Bairro General Genes. A vítima foi achada com uma série de ferimentos, além de estar com os pés e mãos amarrados, segundo a delegacia paraguaia. Junto ao corpo, estava um bilhete com um recado “não roubar”, marca registrada do grupo Justiceiros da Fronteira.

Em conversa com o jornalista paraguaio Rubén Valdez, o Correio do Estado apurou que o primeiro caso ligado à organização criminosa aconteceu em 2014 e, embora não haja um número oficial consolidado em razão da natureza clandestina do grupo e à falta de confirmação em vários casos, eles somam aproximadamente 20 ações nestes últimos 12 anos.

“Uma característica recorrente nesses crimes era a presença de panfletos deixados ao lado das vítimas, com mensagens como ‘não roubar’, geralmente assinadas como ‘justiceiros da fronteira’, sugerindo uma espécie de punição extrajudicial contra supostos criminosos. Outro ponto em comum entre as vítimas é que todas possuem antecedentes criminais, principalmente por furtos ou roubos”, explica.

Inclusive, o jornalista destaca que o grupo praticou crimes extremamente brutais em episódios anteriores, como desmembramento de jovens e vítimas que tiveram as mãos decepadas.

Algumas dessas vítimas morreram, enquanto outras sobreviveram.

Porém, Valdez destaca que, mesmo com a assinatura nos crimes e o modus operandi conhecido, não há confirmação de que se trate de um único grupo organizado, apenas suspeitas que apontam para a existência de vários grupos que atuam sob essa mesma denominação, com ligação a facções que buscam controlar territórios.

“Uma das principais linhas de investigação sugere que, nos casos mais recentes, os crimes possam estar ligados a facções de microtraficantes que buscam controlar territórios com maior concentração de usuários de drogas. Esses grupos recrutariam jovens com histórico criminal para atuar como distribuidores e, em situações de traição, falha ou disputa por controle total das áreas, acabam executando essas pessoas de forma violenta”, comenta o jornalista.

Além de crimes em Pedro Juan Caballero, casos ligados ao grupo já foram encontrados em Zanja Pytá, também localizado no departamento de Amambay, e Ponta Porã.

CASOS

No dia 7, um corpo foi achado na região do distrito de Cerro Cora’i, próximo a Pedro Juan Caballero. Esse indivíduo, como aponta o portal da região de fronteira Ponta Porã News, foi deixado em meio à vegetação, às margens de um caminho de terra. 

Nas palavras do comissário Sérgio Sosa, as forças de segurança foram acionadas por volta de 22h, encontrando o corpo já sem vida, deixado de bruços no local, apresentando um corte no pescoço e várias marcas de tiro, o que levantou a suspeita de execução. 

Esse caso começou a ganhar contornos mais claros, que foram para além de uma briga de facções, graças a um bilhete encontrado na cena do crime.

Quase que como em menção ao sétimo mandamento bíblico, o bilhete deixado na cena do achado de corpo era breve e objetivo: “Justiciero esta de vuelta. No robar”, que pode ser traduzido como “o justiceiro está de volta. Não roubar”.

O indivíduo executado trata-se de um homem de 38 anos, que apresenta uma série de passagens criminais. 

Identificado como Marcelino Villalba Barreto, ele acumulou crimes de furto e roubo agravado, além de mandados de prisão em aberto e recorrentes problemas por conta do uso abusivo de substâncias.

Na segunda-feira, segundo informações do jornal ABC Color, mais um corpo foi encontrado com evidentes sinais de tortura ao lado de outro bilhete de “não roubar”, o que levanta suspeita de ter sido vítima dos chamados “Justiceiros da Fronteira” que voltaram a agir na linha entre Pedro Juan Caballero e Ponta Porã.

Esse corpo foi identificado por meio do Sistema Automatizado de Identificação de Impressões Digitais (Afis), como Christian Rodrigo Toledo, de 35 anos, que tinha antecedentes criminais que passam entre outros delitos por furto qualificado.

O caso foi registrado na 6ª Delegacia de Polícia de Pedro Juan Caballero.

No Brasil, as autoridades também estão atentas para crimes semelhantes a esses.

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coxim

Foragido por descumprir medidas protetivas é encontrado morto no Rio Taquari

Homem fugiu de policiais que cumpriam mandado na terça-feira e corpo foi encontrado boiando nesta quinta

18/06/2026 18h29

Corpo foi encontrado em rio na zona rural de Coxim

Corpo foi encontrado em rio na zona rural de Coxim Foto: Divulgação / Polícia Civil

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Maycon Douglas Gama de Freitas, de 32 anos de idade, foi encontrado morto no rio, na zona rural de Coxim, nesta quinta-feira (18). Ele era considerado foragido desde o dia 3 de junho, por descumprimento de medidas protetivas de urgência no contexto de violência doméstica.

De acordo com a Polícia Civil, contra Freitas havia dois mandados de prisão preventiva, em razão da reiteração criminosa e do descumprimento das medidas protetivas.

Na última segunda-feira (15) os policiais receberam informações de que ele estaria escondido em uma chácara localizada nas proximidades da região conhecida como "Tapete Verde", a cerca de 40 quilômetros da área urbana de Coxim.

Equipes realizaram diligências no local, porém o suspeito não foi localizado.

Nova tentativa de captura foi realizada na terça-feira (16), quando policiais voltaram ao local após novas informações indicarem que o foragido permanecia na propriedade.

Por volta das 6h30, o homem foi visualizado, mas fugiu em direção à mata, às margens do rio, ao avistar os policiais. Após alguns minutos de perseguição, ele conseguiu escapar.

Outras equipes foram mobilizadas para reforçar as buscas, com a utilização também de um drone, mas o foragido não foi encontrado.

Nesta quinta-feira , a Polícia Civil foi novamente acionada, desta vez por pessoas que avistaram um corpo boiando no rio, em região que fica a aproximadamente 10 quilômetros do último local onde o foragido havia sido visto.

Policiais, acompanhados por equipe da Perícia Criminal, estiveram no local e realizaram os primeiros levantamentos.

Familiares compareceram ao local e reconheceram o corpo como sendo do homem que era procurado pela Justiça.

O corpo foi encaminhado para exame necroscópico, que irá determinar a causa da morte.

CONE SUL

Tensão entre fazendeiros e indígenas reforça efetivo da Força Nacional em MS

MPI solicitou a ampliação do efetivo da FN e o MJSP autorizou a medida

18/06/2026 18h10

Força Nacional em MS

Força Nacional em MS Arquivo - Correio do Estado

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Há anos em conflito agrário, Mato Grosso do Sul vive mais um episódio de tensão no campo entre fazendeiros x indígenas.

Em cinco dias, duas fazendas foram invadidas por indígenas no Estado:

  • São Sebastião, no dia 13 de junho, em Sidrolândia
  • Limão Verde, na data de 17 de junho em Amambai

Com isso, a Força Nacional reforçou seu efetivo no Cone Sul de MS, abrangido pelos municípios de Eldorado, Iguatemi, Itaquiraí, Japorã, Juti, Mundo Novo e Naviraí.

O agravamento da situação no campo levou o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) a realizar uma reunião de emergência, nesta quinta-feira (18), em Brasília, com representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República, do Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para acalmar a situação na área rural.

Após a reunião, o MPI solicitou a ampliação do efetivo e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) autorizou a medida.

O comando da Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) confirmou o deslocamento de uma equipe adicional. Equipes da Funai também foram designadas para acompanhar o caso in loco, prestando assistência direta aos indígenas detidos.

FAZENDA SÃO SEBASTIÃO

Fazenda São Sebastião/Terra Indígena Buriti (17,2 mil hectares) foi invadida por indígenas da Aldeia Buriti, em 13 de junho de 2026, na área rural de Sidrolândia, a 90 quilômetros de Campo Grande.

O grupo ateou fogo, derrubou árvores, instalou barricadas – para atrapalhar a chegada da polícia –, roubou maquinários, insumos agrícolas, cavalos e gado, fez ameaças de morte, rendeu com arma de fogo e manteve em cárcere os proprietários/funcionários da fazenda.

A sede foi destruída e a atividade rural foi comprometida. Com isso, o proprietário arca com prejuízos incalculáveis e a propriedade terá que ser reconstruída do zero, afirmou o presidente da FAMASUL, Marcelo Bertoni, sem falar os valores do prejuízo.

FAZENDA LIMOEIRO

Fazenda Limoeiro foi invadida por indígenas Guarani-Kaiowá, nesta quarta-feira (17), em Amambai, município localizado a 354 quilômetros de Campo Grande.

O território foi incendiado e teve objetos depredados. Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram mobilizados para a ocorrência.

A área é reivindicada pelos indígenas como parte do território tradicional Tekoha Kaa’Jari.

De acordo com o Ministério dos Povos Indígenas, nesta quinta-feira (18), a 2ª Vara Federal de Ponta Porã determinou a expedição de Mandato Probatório em favor dos ocupantes da Fazendo Limoeiro, mas esclareceu que a "decisão possui natureza exclusivamente preventiva, destinada à preservação da posse atualmente exercida pelo autor e à prevenção de novos atos de turbação ou esbulho, não constituindo autorização para remoção compulsória de pessoas eventualmente presentes na área, providência que dependerá de específica apreciação judicial".

O órgão também frisou que “nenhuma ação policial deverá ser adotada na propriedade sem decisão judicial prévia que a fundamente e sem que a operação seja acompanhada da Funai, Ministério Público Federal e da Polícia Federal, sob pena de responsabilização funcional dos agentes envolvidos”.

O MPI mantém o monitoramento contínuo da área por meio de seus órgãos competentes e está realizando articulações para consolidar Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) para a atuação das forças de segurança em territórios e com povos indígenas.

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