Cidades

CARGA PESADA

ICMS do diesel rende R$ 6,5 milhões por dia ao Governo de MS

Imposto é de R$ 1,17 por litro e diariamente são consumidos em torno de 5,5 milhões de litros. Governo federal quer que estados abram mão do imposto

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Em Mato Grosso do Sul são comercializados, em média, 5,5 milhões de litros de diesel por dia, ou pouco mais de 2 bilhões de litros por ano. E, sobre cada litro o Governo do Estado cobra R$ 1,17 a título de ICMS. Isso garante, em média, uma arrecadação diária da ordem de R$ 6,5 milhões, ou R$ 2,4 bilhões por ano. 

Levando em consideração que o orçamento estadual para 2026 é de R$ 27,1 bilhões, o faturamento somente sobre o diesel equivale a quase 9% de tudo aquilo que o Estado espera arrecadar ao longo deste ano. 

E é exatamente por conta disso que o governador Eduardo Riedel, assim como os demais governadores, está se recusando atender ao apelo do governo federal de isentar o imposto até o fim de maio. A expectativa é de que depois disso os preços do petróleo, que dispararam após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, voltem aos patamares do início do ano. 

Em anúncio feito no último dia 12, o Governo Federal zerou as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o diesel, o que deve causar um impacto da ordem de R$ 30 bilhões nos cofres federais. Na prática, isso elimina os únicos dois impostos federais atualmente cobrados sobre o combustível e representa uma redução de R$ 0,32 por litro.

Além disso, uma Medida Provisória prevê o pagamento de subvenção a produtores e importadores de diesel, no valor de R$ 0,32 por litro, que deverá ser repassada aos consumidores. Somadas, as duas medidas tiveram o objetivo de gerar um alívio de R$ 0,64 por litro nas bombas, para conter a pressão de custos ao longo da cadeia e criar condições para que esse efeito chegue à população nas bombas dos postos. 

Ao mesmo tempo, porém, a Petrobras elevou em R$ 38 centavos o preço do diesel nas refinarias. Com isso, acabou com o problema da falta de combustível, já que 30% daquilo que é consumido é importado e já estava com os preços mais altos.

E, por conta da diferença de valores praticados entre importadores e a Petrobras, os distribuidores estavam se recusando a comprar o produto importado, fazendo com que houvesse falta de diesel entre os grandes consumidores.

Mas, apesar da redução do imposto federal, o preço do diesel sofreu alta significativa. Conforme pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP), no último sábado (15) o valor médio do diesel comum nos postos de Mato Grosso do sul estava em R$ 6,38. O valor era 41 centavos acima daquilo que a mesma pesquisa mostrou em 28 de fevereiro, dia em que começaram os ataques ao Irã.

A pesquisa, porém, não aponta os preços que estão sendo pagos pelos produtores rurais e outros grandes consumidores, que compram diretamente das distribuidoras. Para estes, o aumento foi da ordem de R$ 2 por litro.

E é para tentar reverter estes aumentos que o Governo Federal está sugerindo que governadores abram mão do ICMS, de R$ 1,17 por litro. Conforme a proposta, metade das perdas seriam repostas pela União. Então, caso isso fosse aceito, os cofres estaduais perderiam em torno de R$ 3,25 milhões por dia. 

Mas, na última terça-feira o  Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), presidido pelo secretário de Fazenda de Mato Grosso do Sul, Flávio César Mendes de Oliveira, já deixou claro que não pretende acatar a proposta.

Em nota, o Comitê afirmou que “não é razoável agravar, mais uma vez, com perdas de receita pública relativas ao ICMS estadual, o ônus principal de uma política de contenção de preços cujo resultado final depende de múltiplas variáveis alheias à atuação dos estados”, justificou uma nota divulgada pelos secretários de Fazenda.

“Em vez de produzir alívio real nas bombas, uma nova redução do ICMS pode, na prática, enfraquecer a capacidade do poder público de atender justamente a população que se pretende proteger”, argumentou a nota do Comsefaz.

Em 2022, em decorrência da guerra n Urcânia, o Govendo de Jair Bolsonaro zerou os impostos federais  (PIS/Cofins) sobre os combustíveis e restringiu a cobrança de ICMS. Por conta disso, nos anos seguintes a União repassou em torno de R$ 27 bilhões a estados e municípios, que perderam receita. 

POSSIBILIDADE

Na manhã desta quinta-feira (19), o governador Eduardo Riedel  afirmou que uma possível redução ou isenção do ICMS só pode ser adotada se houver consenso entre todos os estados. 

E este consenso, de acordo com o governador, pode ser alcançado na próxima quinta-feira (26), quando todos os secretários estaduais de fazenda devem se reunir com representantes do Governo Federal para entenderem a proposta de ressarcimento feita pela União. 

(Reportagem editada às 12:20 horas para acréscimo de informações)

Investigação

Com irregularidades, resultado de concurso em MS pode ser barrado

Provas, segurança da aplicação e critérios para avaliação de títulos estão entre os pontos questionados pelo Ministério Público

12/08/2026 14h45

Divulgação/ MPMS

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) recomendou a suspensão da homologação do concurso público da Câmara Municipal de Ivinhema após identificar possíveis irregularidades em diferentes etapas do certame. A orientação é que o resultado do Concurso Público nº 01/2026 não seja homologado até que os questionamentos sejam investigados e esclarecidos.

A apuração começou após candidatos apresentarem representações ao MPMS. Entre os problemas identificados está a prova para o cargo de Analista de Recursos Humanos, na qual foram encontrados indícios de diferenciação gráfica nas alternativas que correspondiam às respostas corretas da prova de Língua Portuguesa, na versão A.

Segundo o Ministério Público, a diferença foi observada tanto em um caderno original entregue por uma candidata quanto no arquivo oficial encaminhado pela própria banca organizadora.

Também foram levantados questionamentos sobre a segurança durante a aplicação das provas. Os relatos citam possíveis falhas na entrega dos materiais, incluindo ausência de lacre adequado, além de dúvidas sobre os procedimentos utilizados para conferência da identidade dos candidatos.

Outro ponto sob análise é a prova de títulos. O MPMS identificou situações em que cursos de pós-graduação teriam sido considerados incompatíveis com determinados cargos, enquanto títulos de outras áreas foram aceitos em casos semelhantes. Para o órgão, a falta de critérios uniformes pode comprometer a igualdade entre os concorrentes.

A convocação para apresentação dos títulos também foi questionada. Segundo a apuração, apenas os candidatos mais bem colocados na prova objetiva foram chamados para essa etapa, embora outros permanecessem classificados no cadastro de reserva.

Diante dos apontamentos, o MPMS recomendou que a Câmara instaure procedimento administrativo para apurar as possíveis irregularidades, faça uma auditoria na prova objetiva, revise a avaliação de títulos e analise a necessidade de reabrir essa etapa para garantir igualdade de condições aos candidatos.

A recomendação tem caráter preventivo. Caso as medidas não sejam adotadas ou os problemas não sejam esclarecidos, o Ministério Público informou que poderá tomar medidas judiciais para proteger os interesses dos candidatos e o patrimônio público.

Projeto de lei

MS pode ter cadastro estadual de condenados por maus-tratos a animais

Iniciativa pretende reunir e dar publicidade a informações sobre pessoas e empresas definitivamente responsabilizadas

12/08/2026 14h15

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Tramita na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) um projeto de lei  que propõe a criação de um cadastro estadual de pessoas e empresas punidas por maus tratos a animais. 

A iniciativa pretende reunir e dar publicidade a informações sobre pessoas e empresas definitivamente responsabilizadas, nas esferas administrativa ou judicial, por práticas de maus-tratos.

Entre as situações previstas estão agressões físicas, manutenção de animais em condições inadequadas, privação de água e alimento, abandono, exposição a situações de risco, realização de lutas envolvendo animais e utilização de métodos inadequados para o sacrifício. 

Segundo a proposta de autoria da deputada Gleice Jane (PT), o cadastro será utilizado como instrumento de apoio à formulação e execução de políticas públicas de proteção e bem-estar animal, além de contribuir para a prevenção de novos casos e da reincidência. 

Entre as medidas previstas está o impedimento, durante o período de inscrição, de obter a guarda ou tutela de animais. Pessoas físicas e jurídicas cadastradas também ficariam impedidas de participar de licitações ou celebrar contratos com a Administração Pública Estadual relacionados ao fornecimento de produtos ou serviços destinados a animais. 

O projeto prevê restrições ao recebimento de determinados incentivos, benefícios ou créditos estaduais vinculados a atividades agropecuárias ou ambientais.

A permanência no cadastro seguiria o período estabelecido na decisão ou ato sancionador. A exclusão poderia ocorrer após o cumprimento integral da penalidade e a reparação de eventual dano causado, conforme as condições previstas na legislação.

As informações deverão ser disponibilizadas para consulta eletrônica no portal oficial do órgão responsável pela gestão do cadastro. A divulgação, porém, deverá respeitar os dados protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O objetivo é estabelecer um mecanismo administrativo para organizar informações sobre pessoas e empresas já responsabilizadas definitivamente por maus-tratos e permitir que esses dados sejam considerados na elaboração de políticas públicas.

Dados da Superintendência de Políticas Integradas de Proteção da Vida Animal (Suprova) apontam que 18.268 denúncias de maus-tratos contra animais domésticos foram registradas ano passado em Mato Grosso do Sul, média foi de 1.660 denúncias por dia.

Onde denunciar?

É possível denunciar maus-tratos contra animais domésticos nos seguintes números:

  • Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) - (67) 3313-5000 / (67) 3313-5001
  • Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista (DECAT) - (67) 3325-2567 / 3382-9271
  • Delegacia Virtual (Devir) através do site

"O canal de denúncias é uma ferramenta essencial para combater os maus-tratos. Ele facilita o acesso da população e fortalece a rede de proteção animal em todo o estado", destacou o superintendente estadual de Proteção da Vida Animal, Carlos Eduardo Rodrigues.

CRIME

Maus-tratos contra animais é crime no Brasil, de acordo com a Lei nº  9.605/1998. As penas variam de três meses a um ano de reclusão e multa.

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