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Idosa com infecção no pé tem dentes arrancados e morre na Santa Casa

Família alega não ter sido informada do motivo e acionou a Defensoria Pública, que enviou ofício à instituição

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Marli da Silva Andrade, de 66 anos, morreu após uma infecção no dedo do pé se espalhar para o restante do corpo. A idosa estava internada na Santa Casa e a família alega que enfermeiros retiraram todos os dentes da paciente sem autorização prévia e sem esclarecer justificativa para o procedimento dentário.

Por lutar contra a diabetes e ter uma idade avançada, Marli chegou a uma condição em que precisava passar por duas cirurgias em março deste ano. 

Primeiro, o cateterismo, intervenção médica minimamente invasiva utilizada para diagnosticar ou tratar problemas cardiovasculares. Segundo, retirar o dedão do pé direito, que estava infeccionado e precisava ser amputado para que o problema não se espalhasse para a perna.

Depois de três dias aguardando sem que os procedimentos fossem realizados, Marieide da Silva Andrade, filha de Marli, acionou o Núcleo de Atenção à Saúde (NAS), da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul. 

As cirurgias foram feitas e foi dada alta para a paciente, mas Marieide diz que sua mãe foi para casa sem avaliação médica de como estava o ferimento. Por isso, a filha afirma que a infecção voltou pouco tempo depois, sendo necessária uma nova intervenção.

“Minha mãe ficou três dias em casa e, então, o pé dela começou a necrosar. Voltamos para Campo Grande e na Santa Casa deixaram a infecção tomar conta do corpo dela e a entubaram. Ela ficou mais de cinco dias com infecção no corpo para depois eles fazerem a retirada da perna dela”, relata a filha à reportagem.

Porém, o caso de Marli ganharia um novo episódio polêmico. Durante os dias internada depois da nova cirurgia, os dentes da idosa foram extraídos sem explicação à família.

“Tiraram os dentes dela sem autorização ou comunicação com alguém da família. Eu fiquei sabendo quando fui visitá-la na UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e vi ela com a boca suja de sangue. Perguntei para o enfermeiro e ele não justificou o procedimento, fiquei revoltada. Estamos revoltados com a Santa Casa porque foi uma negligência médica”, comenta.

Após quase 30 dias internada na Santa Casa de Campo Grande, Marli foi transferida para a cidade de Paranaíba, em 21 de abril, onde morreu oito dias depois. 

Agora, a intenção da família é ir atrás da Justiça e processar a instituição hospitalar e os dentistas que realizaram o procedimento dentário sem permissão de parentes.

RESPOSTAS

Para que o caso fosse esclarecido, a Defensoria Pública requisitou à Santa Casa o prontuário médico de Marli. Nele, constava apenas a expressão “extração dentária”, mas não constava o motivo e nem outras informações do procedimento. Por isso, o órgão enviou um novo ofício requisitando esses detalhes e a instituição tem até sexta-feira para responder.

“Foi expedido novo ofício requisitando informações sobre o motivo da extração dentária feita na paciente, pois de início não teria relação com a enfermidade dela, bem como a quantidade de dentes extraídos e qual o destino dado aos dentes. Este último, ainda estamos aguardando resposta, com prazo que vencerá daqui a quatro dias”, disse a defensora Eni Diniz, que coordena o NAS.

Ainda segundo ela, dependendo da resposta da Santa Casa, o caso pode ser encaminhado para autoridades para que seja investigado a fundo. 

“Talvez com a divulgação desse caso, apareçam novos casos similares que podem contribuir para uma apuração. A partir da resposta faremos os encaminhamentos necessários”, conclui.

Em resposta ao Correio do Estado, o hospital afirmou que o procedimento foi realizado pois a paciente apresentava “uma condição bucal bastante comprometida”, além de garantir que manteve contato com a família de Marli durante todo o tempo de internação no hospital.

‘‘A equipe médica manteve diálogo constante com a família, que estava plenamente ciente da situação clínica e relatou inclusive que a paciente já havia buscado atendimento em unidades básicas de saúde, sem conseguir realizar as extrações necessárias. Todas as condutas adotadas seguiram protocolos médicos e foram discutidas com os familiares, assegurando transparência e responsabilidade no atendimento prestado”, pontua a Santa Casa. 

OUTRO CASO

O caso da Marli se assemelha ao de Jussara Marisa Aparecida Pereira Delmondes, de 49 anos, a família dela também pretende ir atrás da Justiça após entender que teria havido negligência por parte da Santa Casa no tratamento da mulher.

Ela morreu em outubro do ano passado por causa de uma infecção bacteriana, após o hospital não retirar uma haste intramedular de sua perna no tempo estipulado clinicamente, como mostrou matéria do Correio do Estado.

No fim de 2024, Jussara teve o fêmur quebrado após sua mãe tentar colocar a fralda nela. Ela foi levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, posteriormente, encaminhada para a Santa Casa.

Após analisar a situação, o médico responsável pelo caso decidiu que a melhor opção era colocar a haste intramedular, implante ortopédico de titânio ou aço que atua como uma tala interna, que tem a função de estabilizar a fratura, manter o alinhamento e distribuir a carga. Essa cirurgia foi realizada em janeiro de 2025.

Porém, depois de diversas tentativas de retorno, sem sucesso, e 16 dias depois de a família conseguir judicializar o caso na Defensoria Pública, Jussara morreu no dia 23 de outubro, quase 10 meses depois da cirurgia.

Na certidão de óbito, a causa da morte aparece como “insuficiência respiratória aguda, choque séptico, foco cutâneo de joelho direito, haste intramedular extrema infectada (outras condições significativas que contribuíram para a morte), fratura de fêmur direito em 2024”.

* Saiba 

Na semana passada, a Defensoria Pública ingressou com três ações civis públicas contra a Santa Casa de Campo Grande, após a visita no local apontar irregularidades assistenciais que estariam prejudicando pacientes do hospital.

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Violência

Operação impede tribunal do crime e termina com suspeito morto em MS

Ação conjunta das polícias Civil e Militar frustra suposta execução de duas vítimas, apreende mais de 28 quilos de drogas e mantém buscas por integrantes de facção criminosa

29/06/2026 18h37

Foto: Portal Alerta Água Clara

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A atuação integrada das polícias Civil e Militar impediu, na madrugada desta segunda-feira (29), a suposta execução de duas pessoas por integrantes de uma facção criminosa em Água Clara.

A operação terminou com um sargento da Polícia Militar baleado durante um confronto, um suspeito morto, a apreensão de mais de 28 quilos de drogas e um jovem preso em flagrante

A mobilização das forças de segurança começou depois que uma das vítimas procurou a polícia e relatou ter escapado de um sequestro. Conforme o depoimento, homens armados invadiram a residência onde ela estava com um amigo e afirmaram que um dos presentes seria integrante de uma organização criminosa rival.

Os criminosos disseram que ambos estavam "decretados" e seriam levados para o chamado "tribunal do crime", onde seriam executados.

Segundo a investigação, aproveitando um momento de distração dos sequestradores, as vítimas conseguiram fugir e acionaram as autoridades.

Ainda de acordo com o relato, os criminosos pretendiam retornar ao imóvel para levá-las até uma área conhecida como "cantoneira", apontada pela polícia como um possível local utilizado por faccionados para torturas e homicídios.

Com as informações recebidas, equipes das polícias Civil e Militar iniciaram diligências para localizar os suspeitos. O veículo utilizado pelo grupo, um Fiat Uno azul, foi encontrado no cruzamento das ruas Leôncio Ayres de Freitas e João Faustino Ribeiro, no bairro Santos Dumont.

De acordo com a Polícia Civil, os ocupantes do automóvel reagiram à abordagem efetuando disparos contra as equipes, dando início a uma intensa troca de tiros.

Durante o confronto, um sargento da Polícia Militar foi atingido no pescoço e no ombro. Ele recebeu os primeiros atendimentos no Hospital Municipal de Água Clara e, posteriormente, foi transferido para a Santa Casa de Campo Grande por meio do sistema Vaga Zero.

Apesar da gravidade dos ferimentos, o policial permanece consciente, orientado, em estado estável e sem risco de morte.

Após abandonarem o carro, os suspeitos fugiram em direções diferentes. Nas buscas realizadas na região, os policiais localizaram uma das vítimas escondida em uma residência.

Ferido no braço, o homem contou que conseguiu se lançar do veículo em movimento durante o sequestro e acabou baleado enquanto tentava escapar dos criminosos.

As diligências levaram as equipes até a casa de um dos investigados. Conforme a polícia, Klesley Santos Coelho, de 22 anos, conhecido como "Cabuloso", tentou fugir pelos fundos do imóvel armado com um revólver calibre .38 e apontou a arma na direção dos policiais.

Diante da ameaça, os agentes reagiram com disparos. O suspeito foi socorrido, encaminhado inicialmente ao Hospital Municipal de Água Clara e transferido para Campo Grande, mas morreu durante o deslocamento.

Na residência, os policiais apreenderam 31 tabletes de maconha, que totalizaram aproximadamente 26,5 quilos, além de cerca de 2,2 quilos de skunk e 75 gramas de haxixe.

Um jovem de 18 anos que estava no imóvel foi preso em flagrante por associação para o tráfico de drogas.

A área passou por perícia e o caso segue sendo investigado pela Polícia Civil. As forças de segurança continuam as buscas para identificar e localizar os demais integrantes da organização criminosa que conseguiram fugir.

Segundo a investigação, a operação evitou que as duas vítimas fossem levadas ao chamado "tribunal do crime", prática utilizada por facções para promover julgamentos clandestinos, frequentemente seguidos de tortura e execução.

CAMPO GRANDE

Justiça nega liberdade a médica veterinária que ateou fogo no marido

Defesa pleiteava a revogação da prisão ou substituição por domiciliar, mas juiz considerou gravidade do crime e indeferiu o pedido

29/06/2026 18h30

Revogação da prisão foi indeferida pelo juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande

Revogação da prisão foi indeferida pelo juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 1ª Vara do Tribunal de Júri de Campo Grande, negou o pedido de liberdade provisória e manteve a prisão preventiva de uma médica veterinária, de 42 anos, acusada de atear fogo no marido, um servidor público federal de 41 anos.

O crime aconteceu no dia 22 de junho e a vítima teve cerca de 80% do corpo queimado, estando internado em estado considerável grave. A mulher foi presa em flagrante, sendo a prisão convertida em preventiva no dia seguinte, em audiência de custódia.

A defesa entrou com pedido de revogação de prisão preventiva e, subsidiariamente, a sua substituição por domiciliar cumulada com outras medidas alternativas, alegando que ela teria residência fixa, trabalho lícito e um filho menor sob sua guarda.

Ao analisar o caso, o juiz afirmou que a fundamentação utilizada na audiência de custódia permanece inalterada, utilizando trechos onde o magistrado que converteu a prisão em preventiva ressalta a gravidade do estado de saúde da vítima, que permanece internada, e afirma que "a gravidade concreta do delito, somada às severas consequências produzidas à vítima, evidencia risco à ordem pública, especialmente diante da expressiva repercussão social de crimes praticados nestas circunstâncias".

Aluizio Pereira dos Santos ressalta ainda que apenas a residência fixa e a ocupação lícita não são suficientes para a concessão da liberdade, assim como ter filho menor de idade, já que ela tem outra filha, de 22 anos, que está responsável pela criança, não sendo comprovada a imprescindibilidade da mãe nos cuidados.

"Assim, sopesadas as demais circunstâncias que determinaram a preventiva, reputo não ser cabível a substituição pretendida. Ressalto, ainda, que em razão da gravidade concreta do delito, aliás crime com violência extremada, tem previsão da impossibilidade da pretensão nesses casos, razão pela qual a aplicação de outras cautelares neste momento não se mostram suficientes e, sobretudo, não sendo medida socialmente recomendada; prudência que sempre deve atinar o julgador. Desse modo, mantenho a prisão", disse o juiz, na decisão

Relembre o caso

Conforme reportagem do Correio do Estado, o servidor público federal deu entrada no Hospital Proncor com queimaduras em praticamente 80% do corpo na última quarta-feira (22). 

No momento em que chegou ao hospital, ele estava consciente e informou a equipe de atendimento que sua esposa teria ateado fogo nele.

Pouco depois, a veterinária chegou ao local pedindo para vê-lo, mas não foi autorizada por funcionários da unidade, que a informaram que não estava em horário de visita. Temendo que a mulher retornasse, eles acionaram a Polícia Militar (PM).

Quando os policias chegaram ao  local, foram informados pelo médico responsável pelo atendimento que a vítima apresentava queimaduras extensas e estado saúde grave. Ainda segundo o médico, em razão da gravidade das lesões, o diretor administrativo se encontra internado, em coma e sob cuidados intensivos.

Os policiais apuraram junto ao médico, com base em informações repassadas pela vítima antes de entrar em coma, que o casal teria iniciado uma discussão e a esposa teria atirado álcool 70% nele, ateando fogo em seguida. Não há informações sobre o motivo da discussão inicial.

A mulher ainda estava no local e foi presa em flagrante, tendo a prisão convertida para preventiva em audiência de custódia, realizada no dia 23 de junho.

O caso foi registrado como lesão corporal dolosa e está sob investigação da Polícia Civil.

  

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