Cidades

MS-040

Buraqueira toma conta de rodovia privatizada pelo governo de MS

Cobrança de pedágio na MS-040 começa só em feveriro do próximo ano, mas a concessionária Caminhos da Celulose já assumiu a rodovia

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Sob responsabilidade do consórcio Caminhos da Celulose desde o dia 6 de fevereiro deste ano, a MS-040, que liga Campo Grande a Santa Rita do Pardo, se transformou em uma verdadeira armadilha para os usuário por conta da buraqueira que tomou conta de cerca de 100 dos 230 quilômetros da rodovia. 

O trecho mais crítico, que se esfarela desde que a rodovia foi liberada, em 2015, está entre os quilômetros 100 e 200, principalmente entre o Rio Pardo e o Ribeirão do Lontra. Na sexta-feira à tarde, centenas de buracos tomavam conta do trecho. A reportagem do Correio do Estado flagrou dois veículos com pneus estourados no percurso. 

No dia seguinte começou um serviço emergencial de tapa-buracos. Uma equipe a serviço do consórcio começou a jogar massa asfáltica na buraqueira, mas sem fazer qualquer tipo de recorte na pista ou sem compactação do material. Mesmo assim, a equipe de reportagem voltou a flagrar um veículo com pneu estourado na altura do quilômetro 199 na tarde de domingo.

A rodovia foi construída sem acostamento e na maior parte dela a pista é margeada por meio-fio ou por defensas metálicas. Por conta disso, motoristas que estouram pneus são obrigados a continuar rodando por quilômetros até encontrarem um local seguro para saírem da faixa de rolamento e fazerem os reparos.

Na quinta-feira da semana passada (25), o governador Eduardo Riedel passou por Santa Rita do Pardo, onde participou do lançamento das obras de pavimentação de um novo trecho da MS-040. Boa parte de sua equipe enfrentou o trecho tomado pela buraqueira.

Por coincidência ou não, no sábado foi instensificado o serviço de tapa-buracos e até durante o dia de domingo havia uma equipe fazendo o serviço emergencial no trecho mais crítico. 

PEDÁGIO

A concessionáira Caminhos da Celulose começa a cobrar pedágio somente a partir de fevereiro do próximo ano. Até lá, porém, precisa não só manter as condições de tráfego, mas recuperar a estrada. 

No dia da assinatura do contrato, o Governo do Estado informou que "as obras iniciais que precisam ser atendidas são para conservação rodoviária do pavimento, como flechas, trincas; sinalização horizontal e vertical para proteção e segurança, recuperação de pontes e viadutos, drenagem, pleno funcionamento de bueiros, valetas, meio-fio, estruturas de contenção, substituição de postes, luminárias, limpeza e retirada de entulhos de canteiros centrais e de toda faixa de domínio e conservação das edificações existentes". 

A empresa assumiu o compromisso, segundo o Governo do Estado, de que "as obras dos próximos 100 dias compreendem principalmente os dispositivos de segurança viária. Recuperação de 1.680 metros de proteção contínua (defensa metálica), 22,5 km de revitalização da sinalização, 5 mil tachas refletiva e reposição de 490 placas".

Placa  instalada na saída de Santa Rita do Pardo para Campo Grande informa que o consórcio já assumiu a rodovia

Na MS-040, porém, os únicos indícios de que a rodovia está sob os cuidados da concessioária são placas próximo ao perímetro urbano de Santa Rita do Pardo e Bataguassu informando início ou fim do trecho sob concessão do consórcio.

Além disso, na sexta-feira à tarde havia um ponto de pare-siga por conta de serviços de roçada da vegetação às margens da rodovia. E era justamente esta o principal promessa da concessionária logo que assumiu os 870 quilômetros no Estado. 

Até agora, porém, boa parte da MS-040 segue com o acostamento tomado por vegetação que supera os dois metros de altura. Em trechos com plantação de eucaliptos é possível perceber que a os responsáveis pela manutenção das florestas fizeram os aceiros para evitar possíveis incêndios florestais. 

E esta vegetação alta dificulta a visualização de animais que frequentemente atravessam a rodovia. Na tarde deste domingo foi possível ver duas antas atropeladas e mortas algumas horas antes. Uma delas estava parcialmente na pista, colocando em risco a segurança dos usuários, já que rodovia não tem acostamento. A outra estava fora da faixa de rolamento. 

A MS-040 faz parte do pacote de 870 quilômetros concedidos à iniciativa privada em leilão realizado no ano passado. Inicialmente o certame foi vencido pelo consórcio Rotas da Celulose. Porém, o segundo colocado recorreu eo o Governo do Estado acabou assinando contrato com o Caminhos da Celulose. A disputa entre os dois grupos ainda está na Justiça. 

O consórcio Caminhos da Celulose é liderado pela XP Investimentos, mas tem como sócios uma série de empreiteiras. Entre elas está a Caiapó, que acabou de vencer uma licitação de R$ 96,3 milhões para asfaltar a 23 quilômetros da MS-134. Em tese, então, a empreiteira já está com o canteiro de obras na região da MS-040.A MS-134 liga a MS-040 aos distrito de Casa Verde, localizado às margens da BR-267.

ROTA DA CELULOSE

E esta rodovia federal, por sua vez, também foi concedida ao consórcio Caminhos da Celulose. E, assim como a MS-040, no últimos meses foi tomada por uma série de buracos entre Nova Alvorada do Sul e a ponte sobre o Rio Paraná, em Bataguassu. O problema chegou à Assembleia Legislativa e o deputado Renato Câmara (MDB) cobrou o DNIT para que recupere a rodovia. 

Além da MS-040 e da BR-267, o consórcio Caminhos da Celulose também assumiu a manutenção da BR-262, entre Campo Grande e Três Lagoas, pelos próximos 30 anos. 

Caminhoneiro trafega pela contramão para desviar de buraco na MS-040

O contrato prevê, entre outras obras, 115 quilômetros de duplicações, 457 quilômetros de acostamentos, 245 quilômetros de terceiras faixas, 12 quilômetros de marginais e 38 quilômetros de contornos urbanos nas cidades de Ribas do Rio Pardo, Água Clara e Bataguassu. 

A previsão é de que a cobrança de pedágio, a partir de fevereiro do próximo ano, seja automático (Free-Flow), sem cabines de cobrança. Ao passar pelo pórtico de pedágio a cobrança será realizada conforme a escolha do motorista.

As opções são por TAG eletrônica afixada no parabrisa do veículo, site ou aplicativo da concessionária ou mesmo por pontos físicos ao longo da rodovia (postos de atendimento, SAU, postos de combustíveis ou restaurantes credenciados).

 

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CAMPO GRANDE

Justiça nega liberdade a médica veterinária que ateou fogo no marido

Defesa pleiteava a revogação da prisão ou substituição por domiciliar, mas juiz considerou gravidade do crime e indeferiu o pedido

29/06/2026 18h30

Revogação da prisão foi indeferida pelo juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande

Revogação da prisão foi indeferida pelo juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 1ª Vara do Tribunal de Júri de Campo Grande, negou o pedido de liberdade provisória e manteve a prisão preventiva de uma médica veterinária, de 42 anos, acusada de atear fogo no marido, um servidor público federal de 41 anos.

O crime aconteceu no dia 22 de junho e a vítima teve cerca de 80% do corpo queimado, estando internado em estado considerável grave. A mulher foi presa em flagrante, sendo a prisão convertida em preventiva no dia seguinte, em audiência de custódia.

A defesa entrou com pedido de revogação de prisão preventiva e, subsidiariamente, a sua substituição por domiciliar cumulada com outras medidas alternativas, alegando que ela teria residência fixa, trabalho lícito e um filho menor sob sua guarda.

Ao analisar o caso, o juiz afirmou que a fundamentação utilizada na audiência de custódia permanece inalterada, utilizando trechos onde o magistrado que converteu a prisão em preventiva ressalta a gravidade do estado de saúde da vítima, que permanece internada, e afirma que "a gravidade concreta do delito, somada às severas consequências produzidas à vítima, evidencia risco à ordem pública, especialmente diante da expressiva repercussão social de crimes praticados nestas circunstâncias".

Aluizio Pereira dos Santos ressalta ainda que apenas a residência fixa e a ocupação lícita não são suficientes para a concessão da liberdade, assim como ter filho menor de idade, já que ela tem outra filha, de 22 anos, que está responsável pela criança, não sendo comprovada a imprescindibilidade da mãe nos cuidados.

"Assim, sopesadas as demais circunstâncias que determinaram a preventiva, reputo não ser cabível a substituição pretendida. Ressalto, ainda, que em razão da gravidade concreta do delito, aliás crime com violência extremada, tem previsão da impossibilidade da pretensão nesses casos, razão pela qual a aplicação de outras cautelares neste momento não se mostram suficientes e, sobretudo, não sendo medida socialmente recomendada; prudência que sempre deve atinar o julgador. Desse modo, mantenho a prisão", disse o juiz, na decisão

Relembre o caso

Conforme reportagem do Correio do Estado, o servidor público federal deu entrada no Hospital Proncor com queimaduras em praticamente 80% do corpo na última quarta-feira (22). 

No momento em que chegou ao hospital, ele estava consciente e informou a equipe de atendimento que sua esposa teria ateado fogo nele.

Pouco depois, a veterinária chegou ao local pedindo para vê-lo, mas não foi autorizada por funcionários da unidade, que a informaram que não estava em horário de visita. Temendo que a mulher retornasse, eles acionaram a Polícia Militar (PM).

Quando os policias chegaram ao  local, foram informados pelo médico responsável pelo atendimento que a vítima apresentava queimaduras extensas e estado saúde grave. Ainda segundo o médico, em razão da gravidade das lesões, o diretor administrativo se encontra internado, em coma e sob cuidados intensivos.

Os policiais apuraram junto ao médico, com base em informações repassadas pela vítima antes de entrar em coma, que o casal teria iniciado uma discussão e a esposa teria atirado álcool 70% nele, ateando fogo em seguida. Não há informações sobre o motivo da discussão inicial.

A mulher ainda estava no local e foi presa em flagrante, tendo a prisão convertida para preventiva em audiência de custódia, realizada no dia 23 de junho.

O caso foi registrado como lesão corporal dolosa e está sob investigação da Polícia Civil.

  

1° de julho

TJMS implanta sistema 'eproc' e reforça modernização do Judiciário

'eproc' é um sistema de processo judicial eletrônico que permite a tramitação, movimentação e controle de processos de primeiro e segundo grau

29/06/2026 18h10

Fachada do TJMS, em Campo Grande

Fachada do TJMS, em Campo Grande GERSON OLIVEIRA

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Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) vai implantar o sistema ‘eproc’, a partir de quarta-feira (1°), nas Varas de Execução Fiscal (estadual, municipal e do interior), Vara de Falências e Recuperações e 1ª e 2ª Varas de Execução de Título Extrajudicial da comarca de Campo Grande. Remessas e ações originárias no 2º Grau também passarão pelo ‘eproc’.

O sistema já está em funcionamento nos processos cíveis dos Juizados Especiais de MS e nas ações referentes à competência delegada previdenciária em 39 comarcas.

O ‘eproc’ é um sistema de processo judicial eletrônico que permite a tramitação, movimentação e controle de processos de primeiro e segundo grau.

A plataforma foi desenvolvida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e cedida ao TJMS.

A ferramenta marca mais um avanço na modernização tecnológica do TJMS. O objetivo é garantir eficiência, segurança, transparência e tecnologia no Judiciário.

“O eproc é, por sua essência, um sistema colaborativo, que se origina e se desenvolve por meio de uma rede de cooperação entre tribunais, respeitando a autonomia institucional. Com uma arquitetura aberta e flexível, o sistema permite adaptações à realidade local de cada tribunal e a criação de modelos próprios de gestão processual”, informou o TJMS por meio de nota enviada à imprensa.

Veja aqui a resolução que regulamenta a tramitação dos processos judiciais eletrônicos e a portaria que regulamenta o cadastro de usuários externos e internos no sistema ‘eproc’.

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