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Igreja Católica se posiciona em nota sobre movimento Legendários

Arcebispo de Campo Grande, Dom Dimas, emitiu nota ressaltando que o movimento não está ligado à instituição e "não é recomendado a nenhum dos nossos fieis"

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O arcebispo de Campo Grande, Dom Dimas Laras Barbosa, emitiu uma nota alegando que a Igreja Católica não está relacionada ao Movimento Legendários, que tem crescido em Mato Grosso do Sul e no Brasil. 

De acordo com Dom Dimas, “ainda que o movimento aborde temas sensíveis e de relevância humana, sua abordagem teológica e prática merece prudente discernimento, especialmente quando se pretende associá-la à espiritualidade cristã professada pela Igreja Católica”. 

“Com o objetivo de oferecer uma orientação segura à comunidade católica da Arquidiocese de Campo Grande a respeito deste movimento, esclarecemos que o Movimento Legendários não pertence à Igreja Católica Apostólica Romana. Ademais, sua proposta espiritual não está em comunhão com os meios católicos ordinários de santificação e formação cristã, como os sacramentos, o magistério da Igreja e a vida comunitária paroquial, de modo que não se configura como expressão autêntica da espiritualidade católica”, afirma a nota e ressalta que o movimento não é promovido pelas paróquias e lideranças católicas e “não é recomendado a nenhum dos nossos fiéis”. 

O documento relembra de casos com acidentes nos acampamentos, como o que aconteceu em Rio Negro, em Mato Grosso do Sul, onde o administrador Fábio Adriano Machado Cherini, de 45 anos, morreu enquanto participava da trilha organizada pelo grupo. 

De acordo com o sub coordenador do evento, Huesley Paulo da Silva, Fabio começou a passar mal durante a caminhada no segundo dia do evento e foi socorrido por outros participantes, médicos e militares. 

Ainda no local, Fabio sofreu uma parada cardíaca, precisando ser reanimado. Foi encaminhado de ambulância ao hospital, mas sofreu mais duas paradas e morreu. 

Outro caso parecido aconteceu em Rondonópolis, no estado de Mato Grosso, onde um segurança do trabalho, Rodrigo Nunes, de 40 anos, morreu após sofrer uma crise convulsiva durante uma das atividades. 

“Embora esses casos não sejam, por si sós, conclusivos quanto aos riscos estruturais do programa, eles evidenciam a necessidade de cautela na participação em atividades de alta exigência física e emocional, mesmo quando eventualmente supervisionadas por profissionais qualificados”, afirma Dom Dimas. 

Polêmicas

Em maio deste ano, Renan Silva Nascimento, de 34 anos, foi preso em uma operação da Polícia Civil de Dourados, que descobriu um esquema de tráfico interestadual de drogas. 

De acordo com as investigações, Renan era dono de uma hamburgueria da cidade que estava sendo investigada há algumas semanas como ponto de produção e distribuição.

Na manhã do dia 6 de maio, os investigadores flagraram uma van descarregando caixas no local que seriam, supostamente, de alimentos usados para a produção dos hambúrgueres.

Ao revistarem o conteúdo, a polícia encontrou 150 tabletes prensados de cor esverdeada contendo pasta base de cocaína, totalizando 150 quilos da droga. 

Renan e outros dois companheiros, Anderson Moreira da Rosa, de 37 anos e Maurício Martins da Paixão, de 47 anos, foram presos e afirmaram que trouxeram a droga da fronteira. 

A estimativa é que o prejuízo ao crime tenha superado os R$6 milhões. 

Nas redes sociais, Renan se denominava Legendário 49075, fazendo alusão à sua recente participação no movimento, que tem como objetivo fazer os homens desenvolverem sua melhor versão, desenvolver seu potencial e se reconectar com seus propósitos. 

O caso repercutiu nas redes sociais, o que levou outros “legendários” a se manifestarem. Em um dos comentários, um participante afirma  que não se pode generalizar os casos. 

 “É lamentável o que o Renan fez e ele precisa pagar pelo que fez, e é assim que conversamos na montanha, mas generalizar ou tentar manchar a imagem de um movimento inteiro por causa de um erro individual é um erro”. 

Legendários

O movimento Legendários surgiu na Guatemala no ano de 2015 e trata-se de um retiro espiritual ao ar livre para homens que buscam a transformação individual, familiar e comunitária através de experiências de imersão na natureza, com atividades que desafiam física, mental e espiritualmente. 

As atividades incluem trilhas, caminhadas, tempos de reflexão e oração, além de mensagens e pregações. Os participantes são desafiados a superar seus limites e a romper com o que os impede de alcançar o seu potencial.

Além disso, o movimento busca a transformação interior, com foco em valores como liderança masculina, identidade e propósito. A busca pela transformação individual tem como consequência um impacto positivo nas relações familiares e comunitárias e não está ligado a nenhuma denominação cristã. 

Os eventos promovidos pelo Legendários são direcionados a homens, sejam eles casados ou solteiros. As experiências oferecidas variam em preço, com desafios que podem custar de R$1.200 até mais de R$18 mil. 

No Brasil, o Legendários chegou em 2017 e, embora ainda não seja amplamente conhecido, tem atraído um número crescente de participantes. O país já se tornou o segundo maior público do movimento. Entre os participantes notáveis estão figuras públicas como Eliezer, Thiago Nigro, Neymar pai e o empresário Kaká Diniz. 

Em Mato Grosso do Sul, o Legendários possui representação em Campo Grande, em Dourados e Nova Andradina e já conta com mais de 100 mil homens participantes. 

Dia do Legendário

No último dia 25 de junho, foi publicado no Diário Oficial do Estado de Mato Grosso do Sul, a Lei Estadual n° 6.434 de 2025, que institui o Dia dos Legendários, em Mato Grosso do Sul.

Proposta pelo deputado estadual Rinaldo Modesto, a data passa a ser  comemorada todo o dia 20 de julho e a inclui no anexo do Calendário Oficial de Eventos do Estado.

Em sua justificativa, Rinaldo argumentou na apresentação do projeto que o intuito é reconhecer o segmento de Homens Legendários.

"Esses homens desenvolvem o espírito de fé e solidariedade humana no Estado de Mato Grosso do Sul, participando de desafios perante a natureza, passando por trilhas que visam restaurar a sua configuração original”, disse.

OPERAÇÃO JANUS

PMs ligados ao narcotráfico são transferidos para presídio em Campo Grande

O 2º sargento Marcos Augusto Barbosa e os cabos Thiego Rodrigues Vianna e Hudson Luiz Garajo Ferreira são acusados de prestarem serviços de agiotagem e proteção a traficantes

29/05/2026 10h50

Operação do Gaeco cumpriu 4  mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão domiciliar

Operação do Gaeco cumpriu 4  mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão domiciliar

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Os policiais militares de Ribas do Rio Pardo presos na Operação Janus, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), foram transferidos para o Presídio Militar Estadual (PME), em Campo Grande. A transferência foi publicada na edição do Diário Oficial do Estado (DOE) desta sexta-feira 929). Eles são acusados de prestarem serviço a narcotraficantes e também atuarem na agiotagem. 

Três dos quatro presos na operação de ontem (28) tiveram seus nomes divulgados na publicação. São eles: o 2º sargento Marcos Augusto Barbosa e os cabos Thiego Rodrigues Vianna e Hudson Luiz Garajo Ferreira.

Na publicação, consta que a transferência foi "por inconveniência da permanência na OPM (Organização Policial Militar)". Eles pertenciam a 13ª Companhia Independente da PM (CIPM), de Ribas do Rio Pardo.

Operação

A Operação Janus, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), tem o objetivo de desmantelar crimes praticados por policiais militares em atuação perante a 13ª Companhia Independente da Polícia Militar, que atua na cidade que desde 2021 e recebeu milhares de novos moradores em decorrência da instalação da fábrica de celulose da Suzano, ativada em julho de 2024. 

Segundo o MPMS, a investigação começou nos primeiros meses de 2025, a partir de denúncias apresentadas à promotoria revelando que policiais militares, então lotados na referida cidade, associaram-se a traficantes locais para o fim de praticar o comércio ilícito de entorpecentes.

O trabalho investigativo, que se estendeu por 14 meses, demonstrou que os agentes públicos protegiam os criminosos com os quais firmavam parceria, permitindo que comercializassem drogas livremente e até chegavam a usar violência contra inimigos desses traficantes parceiros.

Além disso, forneciam drogas para que esses comparsas revendessem, com posterior repasse de lucros, sendo que algumas dessas substâncias eram desviadas de apreensões realizadas em flagrante, inclusive após informações repassadas pelos próprios “sócios” deste comércio ilegal. 

Também restou apurado que alguns dos policiais militares investigados atuavam na prática ilícita da agiotagem e na cobrança de dívidas entre terceiros, quando eram contratados para empregar ameaças contra os devedores, valendo-se, evidentemente, da condição de servidores da segurança pública.

A operação cumpriu 4  mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão domiciliar, nas cidades de Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. Todos os mandados foram cumpridos com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Estado.

O nome da operação faz referência ao deus romano de duas faces – Janus – e simboliza a inversão de papéis verificada na investigação, em que policiais ostentam a importante representação estatal pela frente, mas agem de forma criminosa nos bastidores.

AGORA É LEI

MS cria celebração do dia do 'campista católico' em pleno carnaval

Data é voltada para vivência comunitária, formação espiritual e aprofundamento da fé através da oração e celebração sacramental, para partilha fraterna e convivência com a natureza

29/05/2026 10h10

Com versões como o FAC para Adolescente e Joam para jovens, acampamentos católicos são baseados em três pilares: o serviço, a humildade e a obediência

Com versões como o FAC para Adolescente e Joam para jovens, acampamentos católicos são baseados em três pilares: o serviço, a humildade e a obediência Arquivo/Correio do Estado/Paulo Ribas

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Autoria do deputado Marcio Fernandes, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), o Governo do Estado Mato Grosso do Sul institui agora o "Dia do Campista Católico", lei que propõe a celebração da data durante o feriado de Carnaval. 

Diferente do Projeto de Lei que "caducou" no Senado Federal em 2018, de autoria do parlamentar mato-grossense do Partido Liberal (PL-MT), "Cidinho" Santos, o texto de Marcio Fernandes conseguiu elevar o costume católico ao "status" de lei, ao menos no âmbito do Estado de Mato Grosso do Sul.

Enquanto o projeto de lei federal buscava mais uma ligação histórica, buscando instituir a celebração da data no primeiro domingo do mês de setembro - em menção ao Primeiro Encontro Nacional, realizado na cidade de Cachoeira Paulista em 2016 -, o texto sul-mato-grossense ainda em fase de proposta já buscou a ligação para ser realizado de forma conjunta ao feriado de Carnaval. 

E se o Dia do Campista Católico por iniciativa do Senado Federal correu quatro anos na casa sem nunca sair do papel, em Mato Grosso do Sul avançou para a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Assembleia Legislativa ainda em fevereiro e já neste 29 de maio passa a vigorar por assinatura do governador do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o "tucano" Eduardo Riedel. 

Campista católico

Parte agora do calendário oficial de eventos do Estado do Mato Grosso do Sul, o "campista católico" fica definido como aquele  fiel que participa de acampamentos ou retiros promovidos por organizações, comunidades ou autoridades da Igreja Católica Apostólica Romana.

Como bem esclarece o texto, à luz dos ensinamentos evangélicos, o objetivo do Dia do Campista seria voltado para:

  • Vivência comunitária, 
  • Formação espiritual,
  • Aprofundamento da fé, 
  • Oração, 
  • Celebração sacramental, 
  • Partilha fraterna e 
  • Convivência com a natureza

Mais recente, esse mote de "desenvolvimento espiritual pela fé" ganhou evidência principalmente graças ao movimento Legendários, que de forma semelhante teve seu dia próprio aprovado na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul. 

Importante, inclusive, diferenciar o "Dia do Campista Católigoco" desse outro fenômeno moderno muito comumente ligado à cultura "Red Pill": o movimento Legendários, que têm seu nascimento no Brasil apontado para o ano de 2017 com um "boom" do discurso de "transformação interior, com foco em valores como liderança masculina, identidade e propósito" que está ligado à crisa da masculinidade. 

Ainda que o Dia dos Legendários já tenha sido incluído no calendário de datas comemorativas do MS, dois meses após passar na Assembleia Legislativa, vale lembrar que a Igreja Católica em outros momentos buscou se desvencilhar desse movimento que têm crescido em Mato Grosso do Sul e no Brasil. 

Como bem abordado pelo Correio do Estado em julho do ano passado, de acordo com o próprio Dom Dimas, “ainda que o movimento aborda temas sensíveis e de relevância humana, sua abordagem teológica e prática merece prudente discernimento, especialmente quando se pretende associá-la à espiritualidade cristã professada pela Igreja Católica”. 

“Com o objetivo de oferecer uma orientação segura à comunidade católica da Arquidiocese de Campo Grande a respeito deste movimento, esclarecemos que o Movimento Legendários não pertence à Igreja Católica Apostólica Romana.

Ademais, sua proposta espiritual não está em comunhão com os meios católicos ordinários de santificação e formação cristã, como os sacramentos, o magistério da Igreja e a vida comunitária paroquial, de modo que não se configura como expressão autêntica da espiritualidade católica”, afirma a nota ressaltando que o movimento "Legendários" não é promovido pelas paróquias e lideranças católicas e “não é recomendado a nenhum dos nossos fiéis”. 

Entenda

Metodologia que nasceu no movimento católico da década de 80 chamado de "Evangelização 2000", os acampamentos surgiram em meio a uma onda que tinha como proposta ser uma nova forma de evangelizar. 

Segundo a história, em 1983 o Papa João Paulo II pede uma nova evangelização aos bispos no Haiti durante a IV Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, em Santo Domingo,  que fosse "nova" em seu ardor, métodos e expressão. 

Pelas mãos do Padre Tom Forrest e do Monsenhor Luigi Giussani chega ao Papa, em 29 de junho de 1984, a sugestão de que fosse feita uma década de evangelização antes do ano 2000: "dez anos dedicados a proclamar através de cada católico que Jesus Cristo é o único Salvador da humanidade".

Quase dois anos depois, em 28 de maio de 1986, a Sua Santidade, Papa João Paulo II, solicita mais informações e aprova o projeto que ganha o posterior nome de "Evangelização 2000" em 03 de junho de 1987.

Coordenado na América Latina pelo leigo mexicano José Prado Flores, essa modalidade, que já havia sido implantada no Canadá, Europa e Estados Unidos, chega ao Brasil através do primeiro curso de Formação de Formadores de Evangelizadores, em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1989, que têm coordenação de Clara Macias.

O chamado documento de Santo Domingo (SD) aparece subdividida em três capítulos, com o primeiro sendo “A Nova Evangelização” proposta pelo Papa que, resumidamente, têm: um sujeito, uma finalidade, uma tarefa e um conteúdo:

Sujeitos seriam todos os que têm a missão de evangelizar, desde os bispos em comunhão com o Papa até todos os religiosos e religiosas, homens e mulheres que compõem o povo de Deus. Já a finalidade seria formar essas pessoas e comunidades maduras na fé. 

A tarefa, nesse sentido, seria trazer homens e mulheres que vivem sem energia o cristianismo para aderirem à Igreja, tendo, segundo o documento de Santo Documento, como conteúdo: 

  1. Jesus Cristo;
  2. Evangelho do Pai;
  3. morto e ressuscitado;
  4. "no qual tudo adquire sentido";
  5. Seu nome;
  6. Sua doutrina;
  7. Sua vida;
  8. Suas promessas;
  9. Seu Reino e
  10. Seu mistério.

Ou seja, para chegar aos homens e mulheres dessa geração, a Igreja precisaria "pescar" essas pessoas através de movimentos, manifestações e projetos que atendam aos seus apelos da melhor forma possível. 

Método dos acampamentos

Para os curiosos que nunca participaram de um desses eventos católicos, que por sua vez também se difere dos retiros de oração da igreja evangélica protestante, o "acampamento" consiste em promover uma uma reflexão construtiva sobre o comportamento em relação não só ao indivíduo. 

Esses acampamentos católicos são baseados em três pilares: 

  1. o serviço,
  2. a humildade
  3. e a obediência

Ali são feitas dinâmicas vivenciais, técnicas de análises geral e de atuação, cabendo citar: o sócio-drama, jogos, dramatização, exercícios de síntese e comunicação; técnicas de organização, etc. 

Também cabe pontuar que existem vários tipos de acampamentos, cada um com suas determinadas faixas etárias e objetivos: 

  • FAC – Formando Adolescentes Cristãos;
  • JOAM – Jovens e Adolescentes em Missão;
  • Acampamento Juvenil;
  • Mirim (preparatório para a 1ª. Eucaristia);
  • Acampamento Sênior;
  • Acampamento Master (para a melhor idade);
  • De Casais;
  • Noivos;
  • Da Família (para pais e filhos);
  • Acampamento II (para campistas que já fizeram outras edições);
  • Acampamento PHN (para dependentes químicos);

Basicamente, esses acampamentos são compostos por equipes de trabalho com campistas, que são coordenados por duas ou três outras pessoas que também estarão sob as ordens de outros dois ou três diretores, com o pároco da paróquia normalmente sendo o diretor espiritual de cada edição. 
 

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