Cidades

CAMPO GRANDE

IMPCG tenta bloquear repasse de R$ 500 mil/mês ao Banco Master

Apenas referente aos aposentados, empréstimos consignados somam um repasse mensal que pode "resolver calote" em três meses

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Nesta sexta-feira (28) houve reunião entre alguns representantes do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) e parlamentares, na sala de reunião dos vereadores na Casa de Leis, onde foi apontada a próxima estratégia para se recuperar do "calote" registrado após liquidação do extrajudicial do Banco Master, com a intenção de bloquear um repasse mensal de 500 mil reais. 

O corpo da reunião foi composto por nomes ligados ao Instituto de Previdência, como as ex-gestoras do IMPCG, Camila Nascimento (atual vice-prefeita) e Elza Pereira da Silva, bem como do atual, Marcos Tabosa, além dos seguintes vereadores: Papy; Rodolfo Nogueira; Herculano Borges; Wilson Lands; Luiza Ribeiro; Beto Avelar; Marquinhos Trad; Jean Ferreira; Prof° Juari; Ronilço Guerreiro, entre outros. 

Conforme dito pelo ex-vereador e atual presidente do Instituto de Previdência de Campo Grande, Marcos Tabosa - nomeado para comandar o IMPCG em fevereiro deste ano -,o próximo passo agora é entrar na Justiça Federal "para não ficar no prejuízo". 

Tabosa explica que o Master, como todo banco, empresta dinheiro e têm consignado, sendo que os aposentados do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande teriam aderido à modalidade, o que daria uma "vantagem" ao IMPCG. 

Valores repassados pelo presidente indicam que, apenas referente aos aposentados, os empréstimos consignados somam um repasse mensal de R$500 mil. 

"O que vamos pedir para a Justiça Federal? Nós repassamos para o Banco 500 mil por mês, nós queremos reter dois, três meses, que é o valor do Banco nos deve. Investimos R$1,2 milhão, hoje está em R$1,429 mi, e vamos tomar todas as medidas judiciais cabíveis para proteger o dinheiro da população", disse Tabosa na manhã de hoje (28). 

Da dimensão do problema, estima que o investimento de 1,2 milhão de reais já esteja com o rendimento aproximado de R$3.427.697, com aproximadamente sete mil aposentados no IMPCG. 

"A gente vai entrar com ação judicial na Justiça Federal, para a gente fazer o depósito em juízo do repasse que nós fazemos para o Banco Master, dos empréstimos consignados... Nós teremos a garantia de três meses, que são pelo menos um milhão e meio", explica o atual cabeça do IMPCG.  

Justificativas

Entre as poucas justificativas apresentadas, já que não houve muito aprofundamento técnico da escolha das aplicações, o atual presidente do IMPCG limitou-se a dizer que o Banco Master estaria no rol de entidades do Ministério da Previdência e referenciado (pela Fitch Ratings) como "médio para cima" por uma por uma das três maiores empresas do mundo voltadas para a classificação de risco de instituições. 

Além disso, ele relembra que, dos 20% do total de recursos permitidos à aplicação por parte do Banco Central, o IMPCG teria investido junto ao Master apenas 3,26%. 

Além da ação judicial para bloqueio dos valores por parte do IMPCG, a Câmara Municipal se comprometeu com a criação de uma Comissão Especial para acompanhar essa e outras ações, com o Instituto definindo um prazo de 20 dias úteis para encaminhamento dos documentos necessários, o que deve acontecer antes para que as apreciações ocorram na Casa de Leis antes do recesso. 

Clima tenso

Com um assunto sério sendo tratado em mesa, os ânimos na sala de reunião dos vereadores elevavam um clima de tensão no ambiente, com alguns parlamentares "boquejando" a fala de colegas, e até mesmo a troca de "farpas" entre representantes do IMPCG e membros da Casa de Leis. 

Logo na primeira parte dos questionamentos, enquanto Elza Pereira da Silva tratava as aplicações do IMPCG, que segundo ele obedece uma série de exigências inclusive pautadas por resolução do Banco Central (BC), a servidora ex-presidente soltou uma expressão que não foi inicialmente bem recebida pelos vereadores. 

Segundo Elza, além de seguir "à risca" o que estabelece o BC e também o Ministério da Previdência, órgão responsável pela regulação e por emitir diretrizes operacionais, o servidor que compõe o comitê de investimento precisa ter as devidas certificações. 

Ou seja, antes de ser um dos quatro membros do comitê de investimentos do IMPCG, o servidor de carreira precisa passar pela prova do Ministério da Previdência Social, para a qual o interessado deve estudar e se preparar sozinho para depois buscar uma instituição certificadora credenciada. 

"O servidor tem que fazer essa certificação e ser aprovado, apresentar a certificação para compôr o comitê. Onde você precisa aceitar, no mínimo, 70% das questões. A prova é exclusivamente sobre fundos de investimento... mas embora tenha um conhecimento técnico ninguém tem bola de cristal", disse Elza Pereira que logo em seguida passou a justificar-se pela fala. 

Em resposta, o vereador responsável por presidir a reunião, Maicon Nogueira, repreendeu a fala alertando que, tratando-se de recurso público, é necessária uma maior previsibilidade nas ações. 

"Se fosse privado de qualquer um dessas pessoas, aí cada um utiliza o fundamento que lhe convém e apetece. Mas não sendo esse o caso, a bola de cristal deveria existir. Porque o risco de gastar, de se perder um dinheiro que não é nosso parece que é menor, e não é. Aí ele tem que ter uma responsabilidade muito maior do que os demais", disse.  

Para além dessa "faísca", os questionamentos de Marquinhos Trad à Marcos Tabosa também elevaram os ânimos entre as partes, com o ex-prefeito perguntando ao atual presidente do IMPCG se ele não se considerava um técnico, por ceder a fala à Elza. 

"Pra ser presidente eu tenho que ser certificado. Tenho que passar na prova do Ministério. Sou certificado e técnico, mas a Elza, pela experiência de 44 anos no IMPCG e pelo respeito que tenho por ela... não que eu não tenha a resposta, respondo qualquer coisa", disse Tabosa. 

Marquinhos ainda foi mais incisivo, perguntando se ele estaria com o certificado e quando foi sua última prova, ao que Tabosa respondeu ter executado em julho. 

 

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Poder Judiciário

Experiência de MS no combate à violência contra a mulher pode ganhar o Brasil

Jaceguara Dantas, assume vaga inédita para MS no CNJ e quer nacionalizar ações que fortalecem proteção às mulheres

31/01/2026 05h00

Nomeação de Jaceguara Dantas para o Conselho Nacional de Justiça é inédita para o Judiciário sul-mato-grossense

Nomeação de Jaceguara Dantas para o Conselho Nacional de Justiça é inédita para o Judiciário sul-mato-grossense Gerson Oliveira

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Na próxima terça-feira (2), pela primeira vez, uma sul-mato-grossense passará a ocupar uma das cadeiras do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão responsável pelo controle externo do Poder Judiciário no Brasil. Jaceguara Dantas da Silva será a representante de Mato Grosso do Sul nesta instituição de grande relevância para o Judiciário. 

Ela chega ao CNJ com um perfil que foge ao estereótipo comum da magistratura, ainda majoritariamente formada por homens brancos: é mulher, negra, e assume a função com a missão de aplicar iniciativas que têm apresentado resultados positivos em Mato Grosso do Sul no combate à violência de gênero e a crimes decorrentes dela, como o feminicídio.

Após tomar posse, no dia 2 de fevereiro, a desembargadora Jaceguara Dantas deve levar ao presidente do CNJ, ministro Edson Fachin — que também preside o Supremo Tribunal Federal —, a sugestão de nacionalização das iniciativas de combate à violência doméstica e aos feminicídios que vêm sendo bem avaliadas e gerando resultados positivos para o Poder Judiciário e os órgãos de segurança pública.

Em entrevista ao Correio do Estado, Jaceguara citou os avanços de Mato Grosso do Sul no enfrentamento da violência doméstica, ainda que muitos deles tenham surgido por vias dolorosas, como o assassinato da jornalista Vanessa Ricarte, em fevereiro de 2025. O caso expôs falhas nos protocolos de proteção às vítimas e no atendimento às mulheres nas delegacias, além de outros episódios de feminicídio — tipo penal caracterizado quando o homem mata sua companheira em razão da condição de mulher, sem que prevaleça outra motivação fútil ou torpe.

Questionada sobre a possibilidade de nacionalização de iniciativas que tem tornado o combate à violência de gênero mais eficiente, como a digitalização e integração de todo o sistema de atendimento à mulher vítima de violência, implementado no ano passado em parceria entre o Poder Judiciário, o Poder Executivo e órgãos como o Ministério Público, Jaceguara Dantas não hesitou: “Na verdade, este é o meu objetivo”.

“Acredito que o convite do ministro Fachin se deu sobretudo em virtude das experiências acumuladas nos projetos que nós desenvolvemos aqui no Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul, muitos deles em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública”, afirma.

Jaceguara lembra que, hoje, há em todo o Brasil uma grande demanda por medidas protetivas para vítimas de agressão. Há aproximadamente um ano, o tempo médio para a expedição e o cumprimento dessas medidas era de quatro a cinco dias em Mato Grosso do Sul.

Com a digitalização e integração dos processos, segundo a desembargadora, atualmente uma vítima de violência consegue uma medida protetiva no mesmo dia.

“Em alguns casos, em aproximadamente uma hora após a solicitação”, afirma. No restante do País, segundo ela, ainda é mantida a média de até cinco dias para a efetivação de uma medida protetiva, prazo que ela quer encurtar. 

Educação para mudar

Sob a coordenação da desembargadora, que está de malas prontas para Brasília (DF), também foram implantados outros mecanismos que ampliaram a eficiência no combate à violência doméstica nos últimos 12 meses.

Um deles é o convênio do Tribunal de Justiça com a Polícia Militar, que permite aos policiais intimar os homens alvos de medidas protetivas. Outro é o desenvolvimento de um sistema totalmente informatizado, que inclui um aplicativo por meio do qual o pedido de medida protetiva e a denúncia de violência doméstica podem ser feitos on-line.

Outras iniciativas que Jaceguara deve apresentar como exemplo ao ministro Fachin são a criação de um monitor de violência contra a mulher e um sistema que fortalece a rede de proteção no interior do Estado.
Segundo a desembargadora — agora conselheira do CNJ —, todas essas ações, no entanto, não atingem plenamente seu objetivo sem um trabalho contínuo de educação, que deve começar entre a população mais jovem.
“Temos uma questão cultural, de hierarquia valorativa, que integra um contexto que coloca a mulher em uma relação de desigualdade na sociedade”, afirma ao ser questionada sobre o papel — e os desafios — de instituições não governamentais, como famílias e igrejas, na promoção da igualdade entre homens e mulheres.
“Essa temática só será enfrentada, necessariamente, com a educação. É um investimento de longo prazo, voltado às futuras gerações, para que sejam formadas sob uma perspectiva de cultura de paz, tolerância, respeito e igualdade. Aliás, são valores que estão na Constituição Federal”, analisa.

Disciplina

O Conselho Nacional de Justiça também é a instituição responsável por punir magistrados acusados de violações éticas e administrativas, normalmente decorrentes de acusações criminais.
 

Jaceguara terá de julgar casos concretos em que magistrados são acusados de corrupção, entre outras práticas reprovadas pela legislação e pela sociedade.

Oriunda de uma corte que, assim como várias outras no Brasil, tem integrantes sob investigação, a desembargadora evita comentar casos específicos, mas destaca os valores defendidos pelo presidente do CNJ, ministro Edson Fachin, nos últimos meses: boa conduta, ética e transparência.

“O ministro Fachin estabeleceu uma diretriz muito forte na questão da ética e da transparência. Há uma comissão criada nesse sentido. Não há como discordar da conduta que ele busca dos magistrados, porque se trata de uma diretriz constitucional”, ressalta.

Perfil 

Jaceguara Dantas da Silva é graduada, mestre e doutora em Direito. Formada pela Fucmat/UCDB, ingressou no Ministério Público de Mato Grosso do Sul como promotora em 1992 e, em 2015, foi promovida a procuradora de Justiça, cargo que ocupou até 2022. Nesse período, foi diretora-geral da Escola Superior do Ministério Público de MS e membro do Conselho Superior do Ministério Público. Em 2022, foi nomeada desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

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PRISÃO

Influenciadora "Coach Irônica" é presa por descumprimento de medida protetiva

Daniele Santana Gomes é investigada no âmbito da Lei Maria da Penha, além de ser processada por difamação, calúnia e perseguição

30/01/2026 19h45

Daniele Santana Gomes é influenciadora e ex-professora da Rede Municipal

Daniele Santana Gomes é influenciadora e ex-professora da Rede Municipal Reprodução / Instagram

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A 4ª Vara da Violência Doméstica e Familiar de Campo Grande expediu, nesta sexta-feira (30), mandado de prisão preventiva contra Daniele Santana Gomes, conhecida nas redes sociais pela alcunha de "Coach Irônica". A decisão atende a um pedido do Ministério Público Estadual e a influencer foi presa hoje mesmo, no final da tarde.

Daniele Santana Gomes é investigada no âmbito da Lei Maria da Penha. O mandado de prisão fundamenta-se em descumprimento de decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência.

O processo tramita em segredo de justiça, o que limita o acesso a detalhes sobre as circunstâncias exatas das agressões ou ameaças. No entanto, o documento revela que a defesa da acusada tentou ocultar informações sobre testemunhas, pedido que foi prontamente indeferido pela magistrada responsável pelo caso.

A juíza Tatiana Decarli, ao proferir a decisão, destacou a necessidade da prisão para garantir a efetividade das medidas cautelares e a proteção das vítimas e testemunhas.

"Diante do exposto, DEFIRO o pedido do Ministério Público para a decretação da prisão preventiva de Daniele Santana Gomes... Peças sigilosas à defesa técnica subsistem apenas quando há medidas cautelares pendentes de cumprimento, sendo tais informações cruciais para a efetividade da medida", registrou a magistrada no documento.

A decisão reforça que, embora o sigilo seja levantado após as diligências, o acesso imediato a certos documentos foi vedado para não comprometer a prisão.

A defesa de Daniele Santana Gomes ainda não se manifestou publicamente sobre a prisão.

Polêmica

A influencer Daniele Santana Gomes já esteve envolvida em polêmicas envolvendo perseguição e frases gordofóbicas. 

Um médico denunciou a influencer por afirmar que, em seus conteúdos, Daniele “não se limita a narrar inverdades, mas deliberadamente forja acusações falsas, lançando contra os querelantes insinuações torpes e infundadas, com o claro intuito de destruir sua honra e credibilidade, tanto em âmbito pessoal quanto profissional”. 

Em outro episódio, Daniele divulgou em suas redes sociais um conteúdo, o qual afirma que foi processada por Firmino Cortada, também influenciador. Ele a acusa de perseguição após a ex-professora da Rede Municipal publicar vídeo falando sobre influenciadores que receberam dinheiro para questionar a liquidação do Banco Master. 

Firmino também processou Daniele pelo uso indevido de sua imagem e cobra na Justiça o valor de R$ 15 mil. O caso corre na 10ª Vara Cível de Campo Grande

 Em consulta ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, o nome de Daniele Santana Gomes aparece pelo menos 20 vezes em processos que envolvem perseguição, calúnia ou difamação.  

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