Cidades

MATO GROSSO DO SUL

Incra reconhece área quilombola em ilha no Rio Paraguai

Edital estabelece prazo de 90 dias para contestações ao Relatório Técnico de Identificação e Delimitação, no processo administrativo de regularização fundiária do território quilombola

Continue lendo...

Localizado no município de Corumbá, o Quilombo Família Ozório teve seu reconhecimento aprovado preliminarmente pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), comunidade ribeirinha essa que habita também uma região insular e vive há décadas diretamente em contato com o Rio Paraguai.

Conforme o texto publicado hoje (03) em edição do Diário Oficial Eletrônico do Mato Grosso do Sul, a identificação e delimitação desse território foi baseada em estudos, bem como demais levantamentos e documentos relacionados ao caso, que compuseram um Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) alusivo à citada comunidade que foi aprovado pelo Incra em reunião realizada em 11 de julho de 2026. 

Nessa ocasião, o Comitê de Decisão Regional do Incra-MS aprovou esse relatório e reconheceu, em caráter preliminar, um território com área medida de 138,6782 ha (cento e trinta e oito hectares, sessenta e sete ares e oitenta e dois centiares). 

Este edital do Incra, que será publicado duas vezes consecutivas nos Diários Oficiais da União e do MS, além de afixado na sede da Prefeitura Municipal de Corumbá, estabelece o prazo de 90 dias para que detentores de títulos de domínio incidentes em tal área, bem como aos demais ocupantes, confinantes e terceiros interessados, portadores de eventuais títulos de domínio incidentes na área, ou que nela exerçam atos de posse mansa e pacífica para apresentarem suas contestações ao Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID).

Nesse processo administrativo que trata da regularização fundiária do território quilombola, contestações instruídas com as devidas provas pertinentes deverão ser enviadas para o endereço de e-mail [email protected] ou encaminhadas para a Superintendência Regional do INCRA em MS, que fica na Rua Jornalista Belizário Lima, N° 263 em Campo Grande. 

Comunidade Quilombola

Ocupado à margem direita do Rio Paraguai desde 1985, Miguel Ozório e Ercília Rodrigues Ozório chegaram ao local em uma época em que essa região ribeirinha era pouco habitada, sem serviço de água ou energia, tendo trabalhado em um barco pesqueiro até residirem em uma área ribeirinha conhecida como Ilha de Chané (próxima à serra do Amolar). 

Batizada de Associação Quilombola Família Ozório (Aquirrio), em memória ao patriarca falecido em 1988, essa comunidade sobreviveu com o passar do tempo da caça, pesca feita em barco a remo e alguns trabalhos temporários, como os peões em fazendas pantaneiras. 

Plantando a própria roça e criando também porcos e galinhas, com alimentos que abasteciam a família e também eram comercializados ou produtos de escambo com mascates. Durante 15 anos na Ilha de Chané, somente em um não houve enchente, intempérie climática essa que sempre destruía a plantação. 

Após perderem a casa em 1974, mudaram-se para a fazenda Porto São Pedro. A Ilha do Pescador, à margem direita do Rio Paraguai e distante cerca de 15 quilômetros do Porto Geral de Corumbá, foi ocupada entre 1980 e 1984, até outra enchente levar a família a residir na área urbana da popular Cidade Branca. 

Somente em 2010 a Comunidade Ribeirinha Família Osório obteve a certificação expedida pela Fundação Cultural Palmares, a partir de quando o Incra deu início aos estudos que levaram à elaboração do RTID da Aquirrio. 

Com relações econômicas ligadas predominantemente à pesca e a agricultura familiar, essa comunidade possui inclusive uma política interna em que seus membros elegem a presidência da Aquirrio a cada dois anos. 

 

Assine o Correio do Estado

campo grande

Feriado de 7 de setembro vai movimentar 18 mil pessoas na rodoviária

Destinos preferidos são Corumbá (MS), Ponta Porã (MS), Três Lagoas (MS), Dourados (MS), Bonito (MS), Cuiabá (MT), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ)

03/09/2026 11h30

População cheia de malas para viajar

População cheia de malas para viajar MARCELO VICTOR

Continue Lendo...

Dia da Independência do Brasil, feriado nacional celebrado anualmente em 7 de setembro, movimenta tanto rodovias, quanto aeroportos e rodoviárias.

Quem tem condições financeiras, oportunidade e disponibilidade, não perde tempo para curtir o feriadão em outra cidade.

Com isso, o movimento promete ser intenso no Terminal Rodoviário de Campo Grande.

De acordo com a Socicam, concessionária que administra o terminal, a expectativa é que 18 mil pessoas embarquem e desembarquem, entre sexta-feira (4) e terça-feira (8), no local.

Cerca de 4 mil embarques estão previstos para sexta-feira (4) e sábado (5). O dia mais movimentado é a sexta-feira (4), com mais de 2 mil embarques.

Os destinos preferidos são Corumbá (MS), Ponta Porã (MS), Três Lagoas (MS), Dourados (MS), Bonito (MS), Cuiabá (MT), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ).

Caso necessário, ônibus extras serão disponibilizados para suprir a demanda.

ORIENTAÇÕES

A empresa que administra a Rodoviária da Capital orienta que o passageiro:

  • Apresente documento oficial com foto no momento de embarque, mesmo que seja criança;
  • Chegue com 1 hora de antecedência do horário do embarque;
  • Obedeça o limite de bagagem: 30kg por pessoa no bagageiro e 5kg de bagagem de mão;
  • Remarcação e reembolso de passagens são feitos com até 3 horas de antecedência, diretamente com a empresa de ônibus;
  • Crianças e adolescentes menores de 16 anos devem estar acompanhados dos pais ou responsáveis. Caso viajem desacompanhados ou com terceiros, precisam de autorização.

 

NEGLIGÊNCIA

Falta de energia em aldeia indígena vira alvo do MPE

Denúncia aponta que comunidade enfrenta ausência de eletricidade há mais de 10 anos

03/09/2026 11h00

Reprodução

Continue Lendo...

A Aldeia Indígena Pirakuyá, localizada no interior de Mato Grosso do Sul, está há mais de 10 anos sofrendo negligência por parte da Energisa, concessionária responsável pela distribuição de energia em quase todo Estado.

O caso chegou ao Ministério Público (MPE) por meio de uma denúncia relatando a dificuldade que a população da comunidade em Bela Vista enfrenta com a ausência de energia nas casas.

Conforme o documento de denúncia, há 16 anos, em 2010, a aldeia recebeu casas do Programa "Minha casa, Minha Vida" e para a comunidade, a previsão era de que as moradias incluíam o acesso à energia, porém nunca houve a instalação do sistema elétrico.

A situação ultrapassa o campo de direitos fundamentais à dignidade, à cidadania e à universalização dos serviços públicos previstos em lei que estão sendo violados, e afeta em especial, ressaltado na denúncia, a saúde de idosos e crianças que precisam de medicamentos que devem ser armazenados em geladeiras e que sem energia não é possível.

A fim de investigar, o MPE instaurou uma Notícia Fato, porém desde fevereiro deste ano, a distribuidora Energisa não emitiu uma resposta que clarece o que ocorre na região, ou mesmo apresentando uma alternativa para a população, ou plano de ação para sanar o problema.

Desde o início da apuração pelo órgão público, a concessionária não respondeu a tentativa de contato, o que levou a prorrogação da Notícia Fato por 90 dias, com um prazo de mais 15 dias para esclarecimentos por parte da empresa.

Contudo, em sua única resposta durante o período de feveireiro até esta quinta-feira, há pouco mais de 4 meses, em abril, a resposta da distribuidora ao ofício do MPE foi para solicitar uma nova prorrogação.

No documento, a Energisa alegou que era necessário "a realização de levantamento técnico in loco, destinado à verificação das condições existentes na localidade e à identificação de eventual necessidade de execução de obras ou adequações na rede elétrica para o atendimento à mencionada comunidade".

Com uma prorrogação de mais 30 dias, a concessionária supostamente iria averiguar qual era a viabilidade técnica para atender à comunidade, qual realização do escopo das possíveis intervenções necessárias e o prazo regulatório para a implementação da rede elétrica, porém mais uma vez não deu retorno.

Dada a situação, o MPE instaurou um procedimento preparatório para apurar a suposta deficiência no fornecimento de energia elétrica na região.

A Aldeia Pirakuyá fica localizada próxima ao Rio Apa, no município de Bela Vista e abriga cerca de 600 indígenas da etnia Guarani Kaiowá.

Negligência histórica

Apesar da instauração do procedimento preparatório do MPE para averiguar a instabilidade na energia elétrica na Aldeia Pirakuyá, outras áreas indígenas sofrem com negligência e falhas de infraestrutura nas moradias há anos.

Há quase um ano, o Correio do Estado noticiou uma situação parecida, que ocorreu em Dourados.

No município, uma aldeia indígena com mais de 20 mil moradores enfretava uma série de problemas com a estabilidade de energia elétrica e até preconceito burocrático por parte da concessionária em aceitar a autodeclaração como comprovante de residência.

Os casos de negligência e descaso com a população indígena mantém-se presente, e antes mesmo da época do caso em Dourados, ainda em 2023, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) oficiava o Ministério Público Federal com questionamentos sobre exigências de documentos e autenticação para abertura e/ou mudança de unidades consumidoras para indígenas, especificidade essas que ainda são exigidas pela Energisa em 2026.

Ainda em sua resposta ao MPE em abril deste ano, a concessionária ressaltou que o procedimento adotado em todo o Estado em relação aos pedidos de ligação de energia elétrica em comunidades indígenas consiste na aceitação da "autodeclaração de residência", que deve ser apresentada pelo interessado no momento da solicitação. 

O curioso, é que a concessionária destacou que a medida vale "especialmente nas hipóteses em que se trate de localidades já atendidas por rede de distribuição e de comunidades previamente estabelecidas", mas na denúncia realizada ao MPE, o morador da Aldeia Pirakuyá relatou que a distribuidora solicitou a limpeza da estrada para que não houvesse interferência onde supostamente foi feito a instalação da rede, porém com a afrimação de que nunca teve energia na aldeia.

O caso está em fase de procedimento preparatório e com o seguimento pode evoluir em esferas judiciais e extrajudiciais.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).