Com volume acumulado de 122,8 milímetros desde a manhã do dia 1º, fevereiro deve ser um dos mais chuvosos dos últimos anos e superar a média histórica em Campo Grande, conforme prevê meteorologista.
Segundo dados enviados pelo Centro de Monitoramento de Tempo e Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), a Capital já atingiu 69,77% da média histórica de precipitação em fevereiro, que é de 176 mm, considerando como referência os anos de 1981 a 2010.
Para o meteorologista Vinícius Sperling, a tendência é de que este mês bata o esperado, principalmente por causa da primeira quinzena, que deve ser chuvosa.
“A gente consegue perceber que essa primeira quinzena de fevereiro tende a ser mais chuvosa mesmo, embora o pico estivesse previsto entre domingo e terça-feira até quarta-feira desta semana. Há algum apontamento que na quinta e na sexta a tendência é de diminuir um pouco essas chuvas. Mesmo assim, dá a entender que teremos uma primeira quinzena de fevereiro mais chuvosa”, explica o especialista.
Sperling também comenta que as condições climáticas com as quais os campo-grandenses estão sendo obrigados a conviver durante o início deste mês começaram no último dia de janeiro, quando foi observado o avanço de uma frente fria que resultou nas chuvas registradas até o momento.
“No dia 31 [de janeiro], começamos a perceber o avanço de uma frente fria entre sábado e domingo, o que favoreceu acumulados significativos aqui no Estado. E, entre segunda e terça, trouxe toda essa chuvarada, mas com uma outra situação meteorológica, com sistema de baixa pressão, cavados, transporte intenso de umidade em direção a Mato Grosso do Sul, que fica retroalimentando essas nuvens e a chuva fica muito contínua”, comenta.
Ao ser comparado com fevereiro de 2024 e 2025, os três primeiros dias deste mês já superaram os patamares anteriores para o mês inteiro, já que naqueles anos foram registrados 104 mm e 114,8 mm e chuva, respectivamente. Porém, é importante ressaltar que este foi o acumulado dos 28 dias do mês (ou 29, no caso de 2024).
Ontem, até o fechamento desta edição, Campo Grande havia registrado 44,8 mm de chuva, que se intensificaram no começo da tarde, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Chuvas de fevereiro têm causado transtornos em vários bairros de Campo Grande - Foto: Gerson Oliveira / Correio do EstadoEsse volume foi capaz de causar algumas consequências à cidade, como alagamentos nos Bairros Parati, Los Angeles e Noroeste, além de estrago na Avenida Ernesto Geisel, mais especificamente, uma cratera que causou a interdição da ponte da avenida com a Rua Bom Sucesso.
Tanto que somente ontem foram contabilizados 45 atendimentos em decorrência da chuva, com atuação conjunta da Defesa Civil Municipal, da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) e da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran).
Mesmo com essa chuvarada neste início de ano, Sperling destaca que ainda não é o suficiente para recuperar o deficit de chuvas que ocorreu no ano passado. “Já estamos devendo chuva em janeiro e não atingimos a média em fevereiro, embora tenhamos todo este mês ainda para chegar na média, o que é bem provável que aconteça”, analisa.
Interior
Sobre o interior do Estado, Sperling disse que é cedo para afirmar quais serão os municípios que devem ultrapassar a média histórica, mas reforçou que as chuvas estão mais concentradas no centro, centro-oeste, centro-norte e centro-leste de Mato Grosso do Sul, enquanto na região sul do Estado ainda há irregularidade.
“É um pouco cedo para afirmar essa questão de todos os municípios acima da média, mas a gente acredita nessa irregularidade que pode manter esses municípios com chuvas abaixo da média”, prevê o meteorologista.
Corguinho, São Gabriel do Oeste e Porto Murtinho foram os municípios com os maiores volumes de chuva registrados no Estado neste mês, até o momento. Enquanto isso, Corumbá, Bonito e Nioaque estão do outro lado da balança e são os mais secos, com menos de 20 mm nos primeiros três dias deste mês.
Previsão
Até sábado, a previsão é de que chova todos os dias em Campo Grande. De acordo com o Inmet, hoje o tempo deve ser de muitas nuvens, com pancadas de chuva e possível queda de granizo, além de trovoadas isoladas, e a temperatura deve variar entre 20ºC e 28°C.
Amanhã, sexta-feira e sábado, a tendência permanece: muitas nuvens, com pancadas de chuva e trovoadas isoladas. Contudo, a temperatura deve sofrer um leve aumento, com máximas até 32°C. Corumbá, Três Lagoas, Dourados e Ponta Porã também devem seguir com a semana chuvosa.
Ainda, todos os 79 municípios sul-mato-grossenses estão inclusos no aviso de tempestade do Inmet, o que indica alta chance de chuvas “entre 30 mm/h e 60 mm/h ou 50 mm/dia e 100 mm/dia, com ventos intensos de 60km/h a 100 km/h e queda de granizo”. O alerta começou na madrugada de domingo e segue até as 22h59min desta quinta-feira.
Janeiro
Em janeiro, apenas quatro municípios superaram a média histórica de chuvas do mês: Corumbá, Ribas do Rio Pardo, Sete Quedas e Nova Andradina. Na cidade pantaneira, com maior destaque, choveu 212 mm, cerca de 37% acima da média histórica, que é de 155,3 mm, segundo tabela enviada à reportagem.
A Capital foi o sexto município do Estado com maior volume de chuva durante o período, com 194 mm. Mesmo assim, não foi o suficiente para superar a média histórica de 225,4 mm, ficando 14% abaixo da meta.
Em comparação com os dois anos anteriores, este ano foi o que teve o janeiro mais chuvoso, porém, o meteorologista Vinícius Sperling afirma que comparar com 2024 e 2025 não vale a pena, já que foram anos com menos chuvas e, consequentemente, mais secas, situação atípica para esta época do ano em Mato Grosso do Sul.


Reprodução/DOE-MS

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