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QUEIMADAS

Intensidade do fogo no Pantanal exige medidas de controle prévio para evitar queimadas

Em 2020, o Pantanal registrou recorde no número de incêndios, com 4,2 milhões de hectares destruídos pelas chamas
05/01/2021 10:00 - Silvio Andrade


Tal qual a cheia de 1974, que pegou os pantaneiros de surpresa após mais de uma década de seca, matando milhares de bovinos e animais silvestres, a falta de chuvas em 2020 foi precedida de um volume de incêndios florestais nunca registrado no Pantanal.

Segundo cálculos de várias instituições, mais de 4,2 milhões de hectares foram destruídos pelo fogo, representando 30% dos pantanais de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

A seca intensa no ano passado, que deve refletir nas condições climáticas neste ano, acendeu o alerta: é preciso estar preparado para combater os milhares de focos de calor em uma região extensa e de difícil acesso.

Os esforços dos governos estadual e federal, criando uma força-tarefa com centenas de bombeiros, brigadistas e voluntários, foram fundamentais para controlar as chamas. Porém, as ações devem ser permanentes – e com infraestrutura.

A proporção do fogo e a devastação que deixou criaram também um cenário de indignação mundial e prognósticos nada animadores para a fauna, que sofreu o grande impacto ambiental.  

O fogo gerou polêmicas, como a tese do “boi bombeiro”, defendida pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Na teoria, o boi, ao pastar, reduziria a quantidade de matéria orgânica que favorece a propagação do fogo em campos inundáveis.

Chuvas insuficientes

Além da pandemia de coronavírus, 2020 ficará marcado como ano sem precedentes em termos de destruição do bioma pantaneiro pelo fogo. Ocorreu o maior registro de focos de calor (mais de 21 mil, o dobro em relação a 2019) desde a década de 1990, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a monitorar a região.  

Estudos indicam que as chuvas ajudaram a extinguir o fogo, mas novos focos ressurgiram em dezembro.

Após o rastro de destruição, ficou clara a necessidade de se criar brigadas permanentes e fixas para combate prévio – medida tomada pelo Estado, que decretou situação de emergência e teve o apoio do governo federal, da Marinha e dos estados do Paraná e Santa Catarina e do Distrito Federal na Operação Pantanal. Também foi ampliada a moratória do fogo, proibindo queimadas controladas.  

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Por último, articulações do governo estadual garantiram aos pantaneiros uma linha de financiamento no Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) de R$ 180,5 milhões, para auxiliar na recomposição das atividades econômicas da região prejudicadas pela estiagem severa e queimadas. 

O recurso será utilizado por 5,8 mil produtores, responsáveis pela criação de 3,2 milhões de cabeças de gado, em nove municípios.

Incêndios florestais  

Os incêndios florestais ocorrem anualmente no ecossistema, contudo, em uma escala controlável, ao contrário das proporções a que chegaram em 2020. 

A seca do ano passado, a maior dos últimos 50 anos, provocou um estopim. Investigações responsabilizaram alguns fazendeiros, enquanto reservas particulares se eximem do fogo que destruiu parte dos seus territórios intocáveis. Suspeitas também recaem sobre as comunidades ribeirinhas.

O fogo destruiu 98 mil dos 108 mil hectares da RPPN do Sesc, em Mato Grosso, no entanto, a instituição afirmou em nota no mês de novembro que os incêndios não se iniciaram dentro da reserva.