Mesmo em uma semana com chuvas e temperaturas baixas, Mato Grosso do Sul deve passar por um inverno com ondas de calor, influenciadas pelo super-El Niño, e chuvas um pouco acima da média, mas ainda com longos períodos de seca, o que pode prejudicar setores da agropecuária e favorecer incêndios no Pantanal.
A partir deste domingo, o inverno começa em todo o Brasil, estendendo-se até dia 22 de setembro.
De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), no Estado, a estação apresenta os menores índices pluviométricos do ano, ou seja, é o período conhecido como estiagem. Ainda por causa disso, também se observam baixos índices de umidade relativa do ar.
“A previsão de precipitação aponta um padrão de chuvas ligeiramente acima da média histórica em Mato Grosso do Sul ao longo do trimestre, porém, a distribuição da chuva ainda deve seguir um padrão irregular. Apesar dessa tendência, os volumes acumulados ainda serão baixos, já que o Estado se encontra na estação seca”, analisa o Cemtec-MS.
Sobre a temperatura esperada até setembro, mesmo que a estação seja conhecida por período mais frios, em Mato Grosso do Sul, a situação é diferente, já que a tendência climática indica temperaturas próximas ou ligeiramente acima da média histórica, que geralmente varia de 24°C a 26°C em grande parte do Estado.
Ainda de acordo com o Cemtec-MS, “esse cenário pode gerar impactos sobre os setores agropecuário, hídrico, energético e de saúde pública, reforçando a necessidade de monitoramento meteorológico contínuo”.
O centro meteorológico reforçou que o El Niño deve se intensificar no segundo semestre deste ano em Mato Grosso do Sul, contribuindo para a ocorrência de ondas de calor mais frequentes e intensas e para períodos prolongados de temperaturas acima da média.
Há cerca de duas semanas, o Correio do Estado reportou que o super-El Niño deve atingir o Estado a partir deste mês, favorecendo a ocorrência de focos de incêndio. O risco é tão alto que fez o governo do Estado decretar 180 dias de estado de emergência ambiental em todos os 79 municípios sul-mato-grossenses.
PRÓXIMOS DIAS
Especialmente desde a sexta-feira, boa parte de Mato Grosso do Sul tem lidado com grandes volumes de chuva e, consequentemente, temperaturas mais baixas, o contrário do geralmente observado durante o inverno.
Entre a manhã de sexta-feira e a manhã de ontem, seis municípios ultrapassaram a marca dos 100 milímetros acumulados: Três Lagoas, Campo Grande, Paranaíba, Bonito, Inocência e Aquidauana.
Os grandes volumes de chuva também contribuíram para a queda das temperaturas. Ontem, Amambai e Sete Quedas chegaram a registrar 9°C e Campo Grande, 15,7°C.
Conforme o Cemtec-MS, o volume de chuva já teve uma redução ontem, quando o tempo ficou mais firme, com sol e variação de nebulosidade em grande parte do Estado.
Ao longo desta semana, a passagem de uma massa de ar frio deve provocar queda acentuada das temperaturas. As mínimas deverão variar entre 7°C e 9°C, com possibilidade de registros pontuais abaixo dos 7°C, especialmente na região sul do Estado.
As menores temperaturas devem ser registradas nas regiões sul, cone sul e da grande Dourados. Na Capital, as temperaturas variam entre 16°C e 22°C, aumentando a partir desta quinta-feira, mas ainda abaixo de 30°C.
FOGO
Para o major Eduardo Rachid Teixeira, subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental (DPA) do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS), as condições observadas durante os últimos dias contribuem para a não propagação do fogo, facilitando o trabalho dos militares no controle dos focos de incêndio.
“As condições meteorológicas que a gente observa hoje no Estado são bastante favoráveis à não propagação ou surgimento de focos de calor em centros florestais”, explica.
Porém, mesmo com essas condições, o profissional prega cautela, já que a DPA precisa ficar atenta à concretização da previsão de temperaturas amenas e chuvas, principalmente no Pantanal.


