Cidades

duas fazendas

Juiz dá 15 dias para índios apresentarem recurso contra reintegração de fazendas

Índios reclamam da demora na comunicação oficial da decisão

RAFAEL RIBEIRO

21/02/2018 - 15h47
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O juiz Pedro Pereira dos Santos, da 4ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande, concedeu na tarde desta quarta-feira (21) 15 dias para os indígenas da Aldeia Ipeg ou entrarem com recurso ou acatarem pedido aceito no dia 2 de fevereiro de reintegração de posse de duas fazendas em Aquiduana ocupadas pelos tribos.

A decisão saiu em audiência conciliatória, marcada previamente há meses, mas que ganhou notoriedade após a Fundação Nacional do Índio (Funai) de Mato Grosso do Sul só ter sido comunicada da reintegração de posse pela Justiça na última quinta-feira (15).

Revoltados com o que consideraram um descaso pela demora maior que um mês entre a decisão e a comunicação, lideranças das oito tribos que compõem a aldeia Ipeg foram durante a manhã na sede da Funai na Capital, na região central, cobrar explicações. Sem tempo hábil para a comunicação imediata, a Funai justificou-se ao informar aos representantes que fora enviado quatro funcionários para avisar todos os indígenas na segunda (19).

Como forma de auxiliar as aldeias, a Funai colocou auxílio jurídico do governo federal à disposição dos indígenas, mas iniciará o processo de cadastramento das quase 6 mil pessoas que ocupam os 7 mil hectares das fazendas Capão de Areia e Água Branca, caso seja irremediável a remoção.

De acordo com os líderes, a decisão da reintegração de posse veio em cima de um processo aberto em 2016. Mas na verdade, desde 1988 que fazendeiros e indígenas brigam pelas terras, ano em que foi homologada a nova Constituição Federal e que formulou novos processos para que se decrete terras como sendo de posse dos índios.

POR POUCO

Caso da Luigi Salgados quase faz terceira vítima em Campo Grande

Ex-companheira de funcionário morto na quarta-feira foi socorrida após ingerir medicamentos e Corpo de Bombeiros suspeita de tentativa de suicídio

24/01/2026 18h30

O Corpo de Bombeiros atendeu a ocorrência na casa de Juliana

O Corpo de Bombeiros atendeu a ocorrência na casa de Juliana Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros

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Três dias depois das mortes no estabelecimento Luigi Salgados que chocou Campo Grande esta semana, o caso quase fez sua terceira vítima neste sábado (24).

Na tarde de hoje, o Corpo de Bombeiros atendeu uma ocorrência em que uma mulher estaria passando mal após ingerir diversos medicamentos. Trata-se de Juliana Carolina Albuquerque, ex-companheira de Eduardo Araújo, que matou o empresário e dono da salgadaria André Luis Mitidiero e depois se matou, na última quarta-feira (21).

De acordo com informações, a mulher foi socorrida em sua casa, no Bairro Vila Nova Campo Grande. Os bombeiros suspeitam que Juliana tentou se suicidar.

Vale destacar que ela tem três filhos, frutos do relacionamento com Eduardo, que terminou no final do ano passado e teria sido um dos principais motivos para o ocorrido na salgadaria nesta semana.

Relembre

Esse crime ocorreu em Campo Grande no início da tarde de quarta-feira (21), por volta de 13h30, com André Luis Mitidiero morto aos 46 anos pelo próprio funcionário, Eduardo Araújo, de 32, que tirou a própria vida em seguida em uma ação tida até o momento como "premeditada". 

In loco, a equipe do Correio do Estado apurou com o delegado da Polícia Civil, Camilo Kettenhuber Cavalheiro, que André levou ao menos dez golpes de faca, que atingiram a região do tórax, pescoço e antebraço. 

Gerente da parte alimentícia da Luigi Salgados, filial que fica na avenida Júlio de Castilho, local onde ocorreu o crime e de propriedade de Mitidiero, Eduardo Araújo chegou a dispensar os funcionários antes de matar o patrão. Em seguida, ele teria usado a mesma arma, apoiado contra uma pilastra e forçado o próprio corpo. 

Segundo o tenente Dermival Caldeira, André, que foi até o local junto do filho de apenas três anos para retirar uma entrega, já estava sem vida quando o socorro chegou. 

Eduardo chegou a receber manobras de reanimação, porém não resistiu aos ferimentos, em uma cena descrita como impactante pelos socorristas que atenderam a ocorrência e populares que rapidamente cercaram a loja. 

Sobre a motivação, segundo relatos recolhidos pela Polícia, é apontado que Eduardo não aceitava o fim do relacionamento com a ex-mulher, Juliana Carolina Albuquerque, com quem teve três filhos, e que também seria funcionária da salgaderia, trabalhando como controladora de caixa.

Sendo que a faca teria sido comprada especificamente para essa finalidade, a linha de investigação apura ainda a tese de premeditação do crime, já que Eduardo chegou a fazer postagens em redes sociais que reforçam o possível planejamento.

No dia seguinte ao crime, na quinta-feira (22), o corpo de André Luis Mitidiero foi velado e sepultado no cemitério Jardim das Palmeiras, localizado na Av. Tamandaré, 6856, e contou com a presença de  amigos e familiares para um último adeus ao empresário.

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DADOS

MS atinge cinco anos sem registrar policiais mortos em serviço

De 2015 a 2025, apenas dois profissionais de segurança morreram trabalhando no Estado, o que coloca Mato Grosso do Sul com o menor índice entre as unidades federativas

24/01/2026 18h00

Delegacia Geral da Polícia Civil

Delegacia Geral da Polícia Civil FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Em 2025, Mato Grosso do Sul foi um dos poucos estados que não registraram mortes de policiais ou profissionais de segurança em serviço, fato que não é novidade, já que há cinco anos o Estado não apresenta ocorrência do tipo.

Segundo o Painel de Indicadores Estatísticos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Mato Grosso do Sul se juntou a outras cinco unidades federativas que não tiveram policiais mortos em confronto no ano passado, são eles: Acre, Paraná, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.

Porém, o Estado se destaca também por outro, este mais longevo, que é que foram registradas somente duas mortes em serviço nos últimos 10 anos, colocando-o como a unidade federativa com a menor quantidade de ocorrências do tipo no período analisado.

De 2015 a 2025, o Brasil registrou 2.753 policiais mortos em serviço, com o Rio de Janeiro liderando a estatística, com 692, seguido por São Paulo (490) e Pará (325). Somente no ano passado, foram 180 profissionais que vieram a óbito, o que assegura uma média de uma morte a cada dois dias.

Por instituição, os policiais militares foram os maiores alvos, com 2.127 mortos nos últimos 10 anos. Em seguida, aparecem policiais civis, com 338, e policial penal, com 120. Por sexo, os profissionais masculinos são responsáveis por 96,95% das ocorrências, enquanto as profissionais femininas apresentaram 3,27%.

Em julho do ano passado, a Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado Federal aprovou o Projeto de Lei que determinou que famílias e herdeiros de policiais mortos em serviço sejam indenizadas em R$ 100 mil.

Caso o profissional não morra em serviço, mas se tornou incapacitado permanentemente para exercer a atividade própria da carreira, ele será indenizado em R$ 50 mil. Os valores serão pagos pelos governos federais, estaduais e municipais, conforme consta no relatório.

Mais números

No painel também é possível visualizar os dados de suícidio de profissionais de segurança. Neste quesito, entre 2015 e 2025, Mato Grosso do Sul registrou 14 casos de um total de 1,3 mil no Brasil inteiro.

Destes 14, quatro foram em 2025, mesmo número do que o apresentado no ano anterior, média elevada em comparação com os outros períodos. Por incorporação, metade dos casos são de policiais civis, enquanto cinco ocorrências foram de policiais militares e os outros dois de policiais penais.

Em 2024, a professora Marina Rezende Bazon, do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP), falou sobre o aumento do número de suicídios de policiais no País.

“Os policiais estão em constante contato com vários fatores de estresse, como mazelas e contradições sociais, extrema violência, sobrecarga e condições precárias de trabalho, que criam um cenário difícil para esse profissional”, disse ao jornal da USP.

Além disso, a especialista também destacou a sobrecarga de trabalho, o que é outro fator de estresse.

“Os modelos de trabalho, com várias horas de atuação e com horários de folga reduzidos, além de salários, em sua maioria, baixos, obrigam os policiais a fazer horas extras ou bicos. Esse problema afeta principalmente os policiais de menor patente”, afirmou.

Outro lado

Ainda de acordo com o painel do Ministério, outro dado que chama atenção são as mortes por intervenção policial: os casos caíram de 86 para 59 no ano passado, uma redução de 31,40%. Nos últimos 10 anos, foram 730 ocorrências, com o recorde em 2020, quando foram catalogadas 134 casos.

No Brasil, já são 59 mil mortes por intervenção policial de 2015 a 2025, com uma média de 6,3 mil por ano de 2020 até agora. Rio de Janeiro, com 12.348, e São Paulo, com 8.162, lideram a lista do período.

Saiba

Vale destacar que todos os dados sul-mato-grossenses enviados ao Painel de Indicadores Estatísticos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) são de responsabilidade da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS).

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