A ave conhecida como juruva (Baryphthengus ruficapillus) foi oficialmente instituída como símbolo dos domínios da Mata Atlântica em Mato Grosso do Sul. A medida foi sancionada pelo governador Eduardo Riedel e publicada no Diário Oficial do Estado nesta segunda-feira (30).
De acordo com o texto, o reconhecimento da espécie tem como principal objetivo valorizar a biodiversidade sul-mato-grossense, além de fortalecer ações voltadas à preservação ambiental. A juruva é uma ave típica de regiões de mata fechada e tem papel importante no equilíbrio ecológico, especialmente na dispersão de sementes.
A legislação também prevê o incentivo à educação ambiental, com foco na conscientização da população sobre a importância da conservação da Mata Atlântica e de suas espécies nativas. Entre os pontos destacados estão o estímulo a pesquisas científicas e culturais relacionadas à fauna regional.
Outro aspecto previsto é a possibilidade do Poder Executivo adotar medidas para ampliar a divulgação do novo símbolo ambiental. Isso inclui campanhas educativas, utilização em materiais oficiais e participação em eventos ligados ao meio ambiente.
Juruva
De nome científico Baryphthengus ruficapillus, a juruva tem uma denominação que já revela uma de suas marcas mais curiosas: o canto. O termo vem do grego baruphthongos (voz grave, sonora) e do latim rufus (vermelho) e capillus (boné), em referência à coloração avermelhada na cabeça ou seja, uma ave de “voz grave com boné vermelho”.
Com cerca de 42 centímetros, chama atenção pela plumagem marcante e colorida. Apresenta máscara negra, bico forte e preto, além de tons que vão do laranja ao verde e azul ao longo do corpo e da cauda. Apesar do visual exuberante, costuma permanecer no interior das matas, onde passa boa parte do tempo no solo, em busca de alimento.
A espécie se alimenta principalmente de grandes insetos, mas também pode consumir moluscos, pequenos répteis, mamíferos e alguns frutos. Para se reproduzir, escava ninhos em locais incomuns, como formigueiros de saúva, barrancos ou até buracos abandonados por tatus.
Sem subespécies reconhecidas, a juruva ocorre sobretudo nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, mas também pode ser encontrada em áreas de Mato Grosso do Sul, Bahia e Goiás. Está associada principalmente à Mata Atlântica, habitando desde baixadas até regiões montanhosas de até 1.200 metros de altitude.
Ave madrugadora, é conhecida por vocalizar ainda antes do amanhecer, um canto que, para os desavisados, pode lembrar o de uma coruja.


