Cidades

Na Bélgica

Justiça adia resultado e julgamento de "Pablo Escobar brasileiro" vai durar 1 ano

Tribunal aceitou pedido da defesa para ajustar as medidas de segurança do julgamento, o que deve ser concluído em 100 dias

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A Justiça da Bélgica suspendeu o julgamento do megatraficante Sérgio Roberto de Carvalho, o Major Carvalho, ex-policial militar de Mato Grosso do Sul, conhecido como “Pablo Escobar brasileiro”, com previsão de retomada para o início de setembro, quando a apreciação completará um ano em andamento, com inúmeras paralisações durante este período.

Em 2023, o ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul foi detido pelas forças europeias na Hungria e, desde então, está no complexo prisional da Bélgica.

No ano anterior, o belga Flor Bressers, parceiro de Carvalho na organização criminosa e um dos maiores chefões do tráfico internacional de cocaína na Europa, também foi preso, em Zurique, na Suíça.

Nas mãos do Tribunal de Primeira Instância de Flandres Ocidental, o caso estava sendo julgado nos últimos dias, tendo sido paralisado nesta sexta-feira.

De acordo com o jornal Provinciale Zeeuwse Courant (PZC), o julgamento foi suspenso após ser acatado um pedido da defesa para que as medidas de segurança fossem ajustadas. Agora, a previsão é de que o julgamento seja retomado apenas no dia 7 de setembro.

“É essencial haver um equilíbrio entre o direito a um julgamento justo e a necessidade de garantir a segurança do processo. O tribunal, portanto, solicita ao Ministério Público e aos serviços de segurança competentes que, ao elaborarem as medidas de segurança, garantam que haja distância suficiente entre os réus e os policiais responsáveis por sua proteção, de modo que seja possível, principalmente para os réus, consultar seus advogados sem que terceiros possam observar a situação”, explicou a Corte após a decisão.

Antes de ter este pedido acatado, a defesa apresentou uma contestação quanto ao julgamento estar sendo realizado em Bruxelas, em vez de Bruges, afirmando que o Tribunal não teria jurisdição na capital belga, apenas na região de Flandres Ocidental, província da Bélgica onde a cidade de Bruges está localizada. Porém, não foi aceito.

“Este tribunal, com composição diferente, proferiu decisões interlocutórias. Nessas decisões interlocutórias, o tribunal decidiu, implícita mas seguramente, que tem jurisdição. Além disso, o tribunal decide, mesmo com essa composição, que tem jurisdição sobre o distrito de Flandres Ocidental. Isso não significa que só tenha jurisdição quando estiver fisicamente presente no distrito”, decidiu.

Além de Major Carvalho e seu sócio, outros 30 acusados de participarem do esquema criminoso estão sendo julgados pela Justiça belga. A rede operada por Bressers e o “Pablo Escobar brasileiro” é suspeita de ter importado toneladas de cocaína entre 2019 e 2020 para a Europa.

HISTÓRICO

O julgamento começou no dia 15 de setembro do ano passado, mas foi interrompido após o advogado que representa Flor Bressers não concordar com uma das provas apresentadas contra o cliente e conseguir a suspensão da audiência. Três dias depois, o julgamento foi retomado, mas novas divergências aconteceram.

Logo pela manhã, todos os advogados se retiraram quando o juiz se recusou a dar a palavra para um deles. A audiência foi suspensa quando o presidente da Ordem dos Advogados foi chamado para intervir.

Na parte da tarde daquele dia, o advogado de defesa criminal Louis De Groote tentou novamente usar a palavra, mas foi impedido e, mesmo assim, insistiu, até que o juiz Frederik Gheeraert ordenou que a polícia o retirasse da sala.

Conforme a imprensa da Bélgica, o juiz Frederik Gheeraert ordenou que o advogado de defesa criminal Louis De Groote fosse retirado do Tribunal à força. O jurista teria sido retirado arrastado da Corte “com força considerável”. 

Durante a condução do advogado para fora, outro advogado tentou impedir e também foi retirado à força. A partir daí, sete pedidos de impedimentos foram apresentados pela defesa dos acusados, contra três juízes que participaram do julgamento. O primeiro pedido teria partido da defesa do Major Carvalho, para retirar o Gheeraert do caso.

Um dos advogados retirados à força da audiência também apresentou o pedido, afirmando que o curso de eventos violou o direito a um julgamento justo, tendo em vista que sua defesa não foi autorizada a falar durante a audiência.

Ainda segundo um jornal local, a juíza de imprensa do Tribunal de Flandres, Amélie Van Belleghem, disse que o pedido de impedimento é um direito fundamental, mas acarreta custo social.

Depois desses acontecimentos iniciais, o julgamento enfrentou diversas paralisações nos meses seguintes, mais especificamente em novembro, janeiro, março e abril. Agora, mais uma vez, sofre outra suspensão em função das incongruências no processo.

O CASO

Segundo a investigação, o grupo tinha dois grandes chefes, o núcleo europeu era comandado por Flor Bressers e o sul-americano, por Major Carvalho. Era do ex-PM a função de fazer a droga cruzar a fronteira do Brasil com o Paraguai para ser destinada à Europa, onde Bressers cuidava da distribuição. 

A investigação apurou que Bressers teria ganhado 230 milhões de euros (R$ 1,437 bilhão na cotação atual) com 10 carregamentos de cocaína, enquanto Sérgio Roberto de Carvalho teria arrecadado cerca de 200 milhões de euros (R$ 1,250 bilhão na atual cotação).

A investigação teve início em 2020, após a polícia apreender 3,2 toneladas de cocaína no porto holandês de Roterdã, escondidas em um carregamento de minério de manganês proveniente do Brasil. 

O carregamento tinha como destino uma empresa de tratamento de água no porto belga de Antuérpia, suspeita de estar sendo usada como fachada pelos traficantes.

* Saiba 

Em março, o juiz da 4ª Vara de Fazenda Pública e Registros Públicos Marcelo Andrade Campos Silva decidiu que Major Carvalho deverá receber mais de R$ 1,3 milhão referentes à reserva remunerada que não foi paga.

De acordo com a decisão, trata-se do cumprimento de sentença de um mandado de segurança já transitado em julgado.

Corrupção no Judiciário

Operação Ultima Ratio continua mesmo após "relatório final" da PF

Esquema de venda de sentenças em MS segue sob investigação em novo inquérito

23/05/2026 05h00

Operação Ultima Ratio foi desencadeada em outubro de 2024

Operação Ultima Ratio foi desencadeada em outubro de 2024 Marcelo Victor/Arquivo

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As investigações da Polícia Federal (PF) sobre o maior esquema de venda de decisões judiciais já descoberto em Mato Grosso do Sul continuam. O relatório final assinado pelo delegado Marcos André Araújo Damato, em 20 de março deste ano, diz respeito a apenas um dos inquéritos que envolvem a Operação Ultima Ratio: o de número 1.483.

Um outro inquérito, que apura desdobramentos do esquema de venda de sentenças envolvendo desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), o de número 1.595, continua em andamento.

O indicativo de que as investigações prosseguem foi dado pelo próprio responsável pelo caso, o delegado Damato, que atua na Delegacia Especializada de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros (Deccor) da Superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul (PFMS).

“Considerando que os INQs [inquéritos] 1.483 e 1.595 possuem compartilhamento mútuo, procedemos à elaboração deste relatório final no primeiro, com a conclusão das investigações quanto aos crimes tratados em ambos os inquéritos com materialidade e autoria provada, em nosso entender, permitindo a propositura de ação penal pelo Ministério Público Federal [MPF], prosseguindo-se com as investigações pendentes no INQ 1.595”, explica o delegado, já no início do relatório final do inquérito 1.483.

O inquérito 1.595, conforme apurou o Correio do Estado, tem como alvo alguns dos desembargadores do esquema, mas não apenas isso: advogados e outros envolvidos que atuavam para facilitar a corrupção.

Alguns que são alvo da Operação Ultima Ratio chegaram a comemorar o fato de terem ficado de fora dos indiciamentos do inquérito 1.483. A hipótese é de que desconheciam que a investigação continua. É o caso da advogada Camila Cavalcanti Bastos, filha do desembargador Alexandre Aguiar Bastos.

“Virou a minha vida de cabeça para baixo. Meu nome e minha reputação foram manchados durante cerca de 18 meses. Eu falo que cumpri uma pena de 18 meses”, afirmou ao portal Top Mídia News, no mês passado.

O pai dela, Alexandre Aguiar Bastos, foi indiciado no relatório final do inquérito 1.483 por corrupção passiva. Ele é suspeito de se corromper em julgamentos que envolviam posse e propriedade de duas fazendas, Paulicéia e Vai Quem Quer.

Uso de dinheiro em espécie de origem ilícita: embora não seja um indiciamento formal por um artigo específico do Código Penal neste contexto, o relatório indica que o uso de grande volume de dinheiro em espécie por Alexandre Bastos, com origem desconhecida, é considerado produto da venda de decisões judiciais.

Neste relatório do inquérito, algumas das pessoas que foram alvo da primeira fase da Ultima Ratio não foram indiciadas, como o caso de Camila Bastos.

Além dela, também não foram indiciados no inquérito 1.483 os advogados filhos de Vladimir Abreu (outro desembargador indiciado), Marcos Vinícius Machado Abreu da Silva e Ana Carolina Machado Abreu da Silva; Mauro Boer; Divoncir Schreiner Maran Junior (filho de outro desembargador indiciado no mesmo inquérito); Diego Ferreira Rodrigues; Flavio Alves de Morais; e o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, que é o alvo principal de outro inquérito, que apura venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Os indiciados

O relatório final do inquérito 1.483 da Operação Ultima Ratio resultou no indiciamento de oito magistrados, sete deles desembargadores do Tribunal de Justiça.

Os desembargadores indiciados são Alexandre Bastos, Júlio Roberto Siqueira Cardoso, Vladimir Abreu da Silva, Sideni Soncini Pimentel, Sérgio Martins, Divoncir Schreiner Maran e Marcos José de Brito Rodrigues, todos pelo crime de corrupção passiva. Júlio Siqueira também foi indiciado por lavagem de dinheiro. O juiz de 1ª instância Paulo Afonso de Oliveira também foi enquadrado pela PF no crime de corrupção passiva.

Também foram indiciados os advogados Renata Gonçalves Pimentel, Rodrigo Gonçalves Pimentel, Emmanuelle Alves Ferreira da Silva, Fábio Castro Leandro, Julio Sergio Greguer Fernandes, Bruno Terence Romero, Fábio Pinto de Figueiredo e Gabriel Affonso de Barros Marinho.

Ainda foram indiciados Danillo Moya Jeronymo (ex-servidor comissionado do TJMS), Diego Moya Jeronymo (empresário), Everton Barcellos de Souza (empresário), Cláudio Bergmann (empresário), Darci Guilherme Bazanella Filho (herdeiro), Tatiele Toro Correia (herdeira), Nathalia Poloni Ney (interessada em fazendas), Paulo Ricardo Fenner (interessado em fazendas), Lydio de Souza Rodrigues (beneficiado por decisão), Percival Henrique de Souza Fernandes (empresário), Maycon Nogueira (tabelião), Leandro Batista dos Santos e Volmar Dalpasquale (empresário).

 

Futebol

City fará estátua de Guardiola e 'batizar' arquibancada com seu nome

Maior treinador da história do Manchester City, Pep Guardiola está encerrando o ciclo à frente do time principal

22/05/2026 23h00

Reprodução/AP

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Maior treinador da história do Manchester City, Pep Guardiola está encerrando o ciclo à frente do time principal em alta.

Nesta sexta-feira, o clube inglês anunciou em seu site uma dupla homenagem ao profissional que colocou a agremiação entre os grandes clubes da Inglaterra e da Europa.

Além de ganhar uma estátua, ele ainda vai dar seu nome a um setor das arquibancadas do estádio.

"O Manchester City tem o prazer de anunciar que a recém-desenvolvida e ampliada arquibancada norte do Etihad Stadium será batizada de "Arquibancada Pep Guardiola", diz parte do texto no canal oficial da agremiação.

A nota informa ainda que "a arquibancada está totalmente aberta pela primeira vez para o último jogo do treinador no comando do clube".

Neste domingo, o City encerra a sua participação na edição atual da Premier League enfrentando o Aston Villa".

O clube informou sobre a construção de uma estátua, que vai ficar localizada na entrada da arquibancada. O setor está sendo ampliado desde 2023 com mais sete mil lugares que vão ficar à disposição dos torcedores no Etihad Stadium.

"Eu disse há muito tempo que o Manchester City deveria ter à sua disposição as melhores pessoas, tando dentro como fora de campo. Durante dez anos, Pep Guardiola foi a personificação dessa ambição", afirmou o xeique Mansour bin Zayed al-Nahyan, proprietário do clube.

Guardiola desembarcou em Manchester em 2016 e, desde então, mudou o status do clube.

Neste período, conquistou 20 títulos e fez do City uma potência mundial ao ganhar uma Champions League e seis troféus da Premier League. Ele tinha vínculo até junho do ano que vem, mas decidiu antecipar a sua saída.

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