Cidades

Sentença

Justiça condena ex-servidores e empresário por improbidade em obra investigada na Lama Asfástica

Parte significativa dos serviços previstos não foi realizada, embora, à época, os condenados tenham reconhecido o cumprimento integral da obra

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Beto Mariano de Oliveira, Maxwell Thomé Gomez e Fernando Cremonesi Ferreira, ex-servidores e um empresário ligado à Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) foram responsabilizados pela Justiça de Mato Grosso do Sul por fraudes em medições na rodovia MS-184, obra licitada em 2014 e investigada na Operação Lama Asfáltica.

A decisão da 1ª Vara de Direitos Difusos, proferida pelo juíz Ariovaldo Nantes Corrêa partiu de uma ação civil pública após apurar irregularidades na execução do contrato firmado para reestruturação de 50 km da rodovia estadual, com valor inicial de R$ 8,3 milhões.

Segundo a investigação, parte significativa dos serviços previstos não foi realizada, embora, à época, os condenados tenham reconhecido o cumprimento integral da obra.

De acordo com a sentença, houve conluio entre servidores da Agesul e representantes da empresa contratada para forjar medições e liberar pagamentos indevidos. 

O laudo pericial apontou diferença superior a R$ 940 mil entre os serviços executados e os valores pagos, além de indícios de favorecimento político e tráfico de influência, revelados por interceptações telefônicas da operação. 

Constatações 

Conforme a sentença, a gestão posterior da secretaria de Infraestrutura do estado de Mato Grosso do Sul, ao receber reclamações de que o serviço não havia sido realizado corretamente, determinou a realização de vistoria na MS-184, ocasião em que foram constatada várias irregularidades, posteriormente confirmadas pelos depoimentos de servidores públicos que assumiram a gestão da pasta.

Conforme a Justiça, os quais informaram que, apesar da obra estar com saldo igual a zero e atestada a sua conclusão, vários serviços contratados não foram efetivamente executados. 

Tanto Maxwel Thomé Gomes, engenheiro da Agesul e fiscal da obra, quanto Fernando Cremonesi, engenheiro técnico responsável pela obra e proprietário da Provias Engenharia Ltda, admitiram, ainda que com justificativas, que a estrada não foi toda cascalhada, ou seja, que o contrato não foi integralmente cumprido.

"Fernando Cremonesi Ferreira, não realizou o serviço para o qual foi contratado e, segundo informações da secretaria de Infraestrutura de Mato Grosso do Sul, acabou por obter vantagem indevida de R$ 6.307.974,39", diz parte da sentença. 

Conforme a decisão, na condição de representante da Provias Engenharia Ltda e responsável técnico da obra, declarou ter conhecimento do projeto básico e executivo, inclusive informando que havia vistoriado minuciosamente o local da obra e que tinha ciência das peculiaridades inerentes ao objeto da licitação. 

Do mesmo modo, Maxwell Thome Gomez e Beto Mariano de Oliveira, engenheiros e servidores da Agesul na época dos fatos, atestaram a execução integral dos serviços na rodovia MS-184, embora isso não tenha ocorrido, e medições falsas tenham sido realizadas para dar legalidade ao processo.  

Segundo a sentença, os então servidores públicos agiram com o propósito de proporcionar vantagem indevida a Fernando Cremonesi Ferreira e Provias Engenharia Ltda "as medições falsas foram todas assinadas também pelo requerido Fernando Cremonesi, proprietário da Provias e engenheiro técnico
responsável pela obra, maior beneficiário do esquema criminoso."

Cabia a Beto Mariano fazer a interlocução entre os fiscais e a diretoria da Agesul, bem como com o próprio secretário de Obras na época, Edson Giroto. 

Foi ele quem assinou todos os documentos necessários para a licitação e foi responsável técnico da obra por parte do Governo do Estado. Beto Mariano foi apontado como um dos principais responsáveis por supostas fraudes em licitações em contratos milionários para construção de rodovias. Antes de ser deputado, foi prefeito de Paranaíba, município na região nordeste do Estado, na divisa com Minas Gerais.

Inocentado 

A decisão do magistrado destaca que, neste caso, apesar de envolvido diretamente no caso enquanto secretário de obras, Edson Giroto não foi condenado, uma vez que não ficou comprovado a "existência de ação, omissão, participação, concorrência ou indução consciente e voluntária" dele. Do mesmo modo, o empresário Luiz Mário Anache e a ex-servidora Maria Wilma Casanova Rosa também foram absolvidos.

"Embora esteja suficientemente demonstrado que o requerido Edson Giroto era peça chave no esquema envolvendo as licitações das obras públicas do estado de Mato Grosso do Sul, principalmente quanto ao compartilhamento de informações privilegiadas em razão do cargo de secretário de Obras que ocupava na época e da garantia de quem seriam as empresas vencedoras das respectivas licitações, no caso em exame não há prova suficiente de seu envolvimento direto com a empresa Provias Engenharia Ltda. ou com seu sócio, Fernando Cremonesi Ferreira, sendo que a negociação quanto à licitação e medições relacionadas a tal empresa junto aos agentes públicos e/ou políticos se deu por meio de terceiros que não fazem parte desta ação", destacou o juíz. 

Lama asfáltica

Segundo as investigações conduzidas nos inúmeros processos, entre 2009 e 2015 houve evolução patrimonial incompatível com as rendas declaradas por ex-servidores da Agesul e da Secretaria de Obras, incluindo a aquisição de imóveis e fazendas que ultrapassaram R$ 3 milhões, além de vultosos depósitos bancários sem origem lícita. A decisão transitou em julgado no fim de setembro deste ano.

A operação deflagrada em 2015 foi responsável por revelar um amplo esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo fraudes em licitações, superfaturamento de obras públicas e desvio de recursos federais e estaduais.

O prejuízo estimado ultrapassa R$ 500 milhões, e as apurações apontaram o uso de empresas de fachada, aquisição de fazendas e aeronaves com dinheiro público desviado e pagamento de propinas a agentes públicos.

Saiba*

Grande parte das condenações relacionadas à Lama Asfáltica acabou sendo anulada após o reconhecimento da parcialidade do então juiz federal Bruno Cezar da Cunha Teixeira, responsável pelo caso. Em junho de 2022, parte das denúncias voltou a tramitar.

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Saúde

Chikungunya avança e falta de agentes de saúde vira alvo da Justiça em MS

Promotoria instaura procedimento para apurar cargos vagos, falta de convocações de concursados e estrutura das equipes responsáveis pelo combate às endemias

02/06/2026 19h32

Foto: Divulgação / Prefeitura de Dourados

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A estrutura dos serviços de atenção básica e combate às endemias em Dourados passou a ser alvo de acompanhamento do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) em meio ao avanço dos casos de chikungunya no município.

A 10ª Promotoria de Justiça instaurou procedimento administrativo para apurar a existência de déficit de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE), além de verificar a falta de convocação de candidatos aprovados em concurso público realizado em 2024.

A medida foi adotada após investigações conduzidas em uma notícia de fato apontarem possível insuficiência de profissionais na rede municipal de saúde. Durante a apuração, o MPMS identificou cargos vagos nas duas categorias e constatou que ainda existem aprovados no concurso aguardando convocação.

Segundo o promotor de Justiça em substituição Amílcar Araújo Carneiro Júnior, o cenário exige atenção diante da situação epidemiológica enfrentada por Dourados. O município decretou estado de emergência em saúde pública após o aumento expressivo dos casos de chikungunya, doença que já resultou em mortes e centenas de confirmações.

Para o representante do Ministério Público, o fortalecimento das equipes é considerado estratégico para ampliar ações preventivas, educativas e de promoção da saúde, especialmente em períodos de alta circulação de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

Informações encaminhadas pela Secretaria Municipal de Saúde indicam que a rede conta atualmente com 311 Agentes Comunitários de Saúde e 102 Agentes de Combate às Endemias, dos quais 18 são cedidos pela União.

Apesar disso, o MPMS avaliou que os dados apresentados ainda são insuficientes para uma análise completa da situação.

O órgão ministerial aponta que não foram detalhadas informações importantes, como a divisão territorial de atuação das equipes e o número de famílias acompanhadas por cada profissional.

Esses dados são considerados fundamentais para avaliar se a cobertura dos serviços atende adequadamente à população.

Levantamento realizado pelo Ministério Público no Portal da Transparência também identificou a existência de vagas não preenchidas.

Já a administração municipal informou que estudos técnicos sobre a reorganização da força de trabalho ainda estão em elaboração e argumentou que restrições orçamentárias decorrentes de medidas de contenção de despesas têm dificultado novas contratações.

Diante desse cenário, o MPMS notificou a Prefeitura de Dourados e requisitou, no prazo de 20 dias úteis, uma série de informações detalhadas.

Entre elas estão o número atual de profissionais em atividade, a quantidade de cargos vagos, o cronograma para convocação dos aprovados no concurso público, os estudos técnicos em andamento, a distribuição territorial das equipes e o quantitativo de famílias atendidas por cada agente.

Com a instauração do procedimento administrativo, o Ministério Público passará a acompanhar de forma permanente as medidas adotadas pelo município para reforçar a atenção básica e a vigilância em saúde.

Caso considere necessário, o órgão poderá adotar medidas extrajudiciais ou judiciais para garantir a adequada prestação dos serviços à população.

O MPMS quer saber

Entre os dados solicitados estão o número de agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias em atividade, a quantidade de cargos vagos, o cronograma de convocação dos aprovados em concurso público e a distribuição territorial das equipes.

O Ministério Público também requisitou informações sobre o número de famílias atendidas por cada profissional, os estudos técnicos em andamento e as medidas adotadas pelo município para reforçar o enfrentamento às doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

 

 

Juventude

Secretário denunciado por assédio sexual é exonerado em Campo Grande

Paulo Lands estava afastado desde março e pediu exoneração da Secretaria Executiva da Juventude

02/06/2026 18h28

Paulo Lands foi exonerado a pedido da Secretaria Executiva da Juventude

Paulo Lands foi exonerado a pedido da Secretaria Executiva da Juventude Foto: Arquivo / Câmara Municipal

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O ex-vereador Paulo César Lands Filho foi exonerado do cargo de secretário executivo da Juventude, em Campo Grande (Sejuv). Ele estava afastado das funções desde março, após ser denunciado por assédio sexual.

A exoneração foi publicada nesta terça-feira (2) em Diário Oficial extra do Município. Conforme a publicação, a exoneração foi a pedido de Lands.

Até a publicação desta reportagem, não houve nomeação para o cargo agora vago.

Denúncia de assédio

Em 27 de fevereiro deste ano, um ex-servidor municipal, que trabalhava no setor de Infraestrutura e Inovação, registrou boletim de ocorrência contra o então secretário na 3ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, o denunciando por assédio sexual e estupro de vulnerável.

Conforme a denúncia, a vítima sofria abusos desde julho de 2025, quando o secretário começou a oferecer caronas após o expediente. 

Em um dos trajetos, o chefe teria tocado as partes íntimas da vítima, que não reagiu por medo, já que havia relação de subordinação no trabalho. 

Após uma confraternização no fim do ano, houve consumo de álcool, deixando a vítima em estado de fragilidade.

Segundo o relato, Lands ofereceu carona novamente, mas seguiu em direção à própria casa com a vítima, onde houve ato sexual não consentido. Dias após o ocorrido, o servidor foi demitido. 

No dia 3 de março, Paulo Lands foi ele foi afastado do cargo, a pedido, para prestar esclarecimentos.

Pouco tempo depois, em 11 de março, a prefeita Adriane Lopes (PP) convocou reunião, onde anunciou que decidiu adotar tolerância zero para acusações envolvendo integrantes dos primeiros escalações da administração municipal, principalmente envolvendo violência contra as mulheres.

Antes de assumir a Sejuv, Paulo Lands foi empossado vereador de Campo Grande em 2022, em cerimônia realizada no plenário da Câmara Municipal.

Ele assumiu a cadeira deixada por Sandro Benites em dezembro daquele ano, que na época passou a comandar a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

Neste ano, Sandro Benites, que ocupava o cargo de diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes (Funesp), também foi exonerado após denúncia de uma mulher de 43 anos que afirmava ser companheira dele há seis anos e que a relação foi marcada por humilhações, ameaças, repressões e controle emocional. 

O caso veio a tona após Benites viajar com a esposa para Dubai, enquanto disse para a suposta amante que iria com amigos para um encontro do grupo Legendários. Na volta, ele teria ido até a casa da mulher e feito ameaças.

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