Cidades

Decisão Judicial

Alvo do esquema dos livros, Rossana Jafar vai para prisão domiciliar em Campo Grande

A Justiça levou em consideração o quadro de epilepsia e o histórico de crises convulsivas da investigada, que deixará o presídio, mas continuará presa em casa, sob monitoramento eletrônico, pelo prazo inicial de 180 dias.

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A Justiça de Mato Grosso do Sul determinou que Rossana Paroschi Jafar deixe o estabelecimento prisional e passe a cumprir prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico, pelo prazo inicial de 180 dias. A decisão foi proferida pela juíza Eucelia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, e liberada nos autos nesta quarta-feira (30).

A magistrada não revogou a prisão preventiva de Rossana. Na prática, houve a substituição da custódia no presídio pela prisão domiciliar diante do quadro de saúde apresentado pela defesa. A investigada deverá permanecer integralmente em casa e utilizar tornozeleira eletrônica.

A decisão também determina a expedição do alvará para a transferência à prisão domiciliar e que a Central de Monitoração Eletrônica providencie a instalação do equipamento.

Rossana está presa preventivamente desde junho deste ano. A ordem de prisão havia sido decretada em 28 de maio, no âmbito de investigação sobre suposto esquema envolvendo contratos públicos para fornecimento de livros paradidáticos a municípios de Mato Grosso do Sul.

A decisão que decretou a prisão preventiva apontou suspeitas relacionadas a organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e irregularidades em contratações públicas.

Posteriormente, Rossana foi denunciada por organização criminosa, lavagem de capitais e corrupção ativa, conforme registrado na decisão judicial.

Quadro de saúde

O fator determinante para a mudança da forma de cumprimento da prisão foi o estado de saúde de Rossana.

Segundo a documentação analisada pela Justiça, ela possui epilepsia, uma patologia neurológica crônica, e apresentou histórico de pelo menos seis crises convulsivas documentadas desde 2022.

Quatro ocorreram antes de sua entrada no estabelecimento prisional, em 8 de junho deste ano, enquanto duas crises foram registradas durante o período em que permaneceu presa. 

Um laudo médico emitido em 3 de setembro e apresentado à Justiça aponta que Rossana faz uso de diferentes medicamentos, entre eles anticonvulsivantes, e necessita de acompanhamento especializado.

Conforme reproduzido na decisão, a avaliação médica apontou que a permanência em regime fechado dificulta o acesso em tempo adequado a um especialista em neurologia, além da realização de exames e do acompanhamento de alterações nas dosagens dos medicamentos, o que aumenta o risco de agravamento e descompensação do quadro convulsivo.

Ao analisar a documentação, a magistrada considerou que manter Rossana no estabelecimento prisional poderia representar riscos à integridade física dela, uma vez que seu quadro exige supervisão médica e cuidados específicos.

A juíza ressaltou ainda que a prisão domiciliar não representa o encerramento da medida cautelar. Segundo a decisão, a mudança busca permitir tratamento médico adequado sem comprometer os objetivos do processo criminal.

Tornozeleira e restrições

Rossana ficará submetida a uma série de condições durante os 180 dias inicialmente estabelecidos pela Justiça.

Ela deverá permanecer em recolhimento domiciliar durante todo o período e não poderá sair de Campo Grande sem autorização judicial. Também deverá comparecer aos atos processuais para os quais for intimada e comunicar previamente qualquer alteração de endereço.

As únicas saídas previamente autorizadas são para tratamento médico. Mesmo nesses casos, Rossana terá de apresentar à Justiça documentação que comprove o atendimento no prazo de até cinco dias.

A decisão adverte que o descumprimento das condições poderá resultar na revogação da prisão domiciliar e no restabelecimento da prisão preventiva em estabelecimento prisional.

Preventiva foi mantida

Antes de conceder a prisão domiciliar, a magistrada rejeitou os argumentos apresentados pela defesa para conseguir a revogação da prisão preventiva.

Entre as alegações estava a discussão sobre a competência da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, que anteriormente atuou no processo.

A decisão explica que existe um conflito de competência pendente de julgamento no Tribunal de Justiça e que a 3ª Vara Criminal foi designada para analisar medidas urgentes enquanto a questão não é definitivamente resolvida.

A defesa também sustentou excesso de prazo para a revisão da prisão. O argumento não foi acolhido. Para a magistrada, não existe ausência de controle jurisdicional, uma vez que a 3ª Vara foi expressamente designada para apreciar medidas urgentes.

Rossana já havia tentado anteriormente obter a revogação da preventiva. Um pedido apresentado em agosto foi rejeitado pela 2ª Vara Criminal de Campo Grande.

Posteriormente, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça também negou habeas corpus apresentado em favor dela e manteve a prisão preventiva.

Desta vez, apesar de manter os fundamentos da preventiva, a Justiça entendeu que a situação médica justificava uma medida excepcional.

Com base no artigo 318 do Código de Processo Penal, que permite substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o preso estiver extremamente debilitado em decorrência de doença grave, a juíza acolheu parcialmente o pedido da defesa e determinou a transferência de Rossana para casa, sob monitoramento eletrônico.

Relembre a Operação Gutenberg

Deflagrada em 7 de julho, a Operação Gutenberg é uma das maiores ofensivas recentes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) contra um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos em Mato Grosso do Sul.

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), as investigações apontam a existência de uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações, direcionar contratos públicos, praticar corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a administração pública.

No centro da investigação estão contratos para o fornecimento de livros paradidáticos. Conforme o Ministério Público, o esquema teria utilizado até mesmo a oferta de vagas para consultas, exames, cirurgias e internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) como forma de favorecer municípios que contratavam a Editora Avante (Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços Editoriais Ltda.) e a Gráfica Alvorada.

As apurações apontam que o grupo teria movimentado mais de R$ 27 milhões. Na deflagração da operação, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.

Entre os presos estiveram Rossana Paroschi Jafar; a médica Olívia Paroschi Jafar; Felipe Paroschi Jafar, ex-comissionado da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul); Giovanni Paroschi Jafar; Rhayane Souza Fanaia; Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, o Junior Vasconcelos, ex-prefeito de Fátima do Sul; Ed Carlo Britto Burgatt; Francisco Anizio dos Santos; Matheus Oliveira Peixoto; Paulo Rogério de Melo; Douglas Henrique de Melo; e Gabriel Taquino de Paula.

As investigações do Gaeco indicam ainda que a atuação da Editora Avante teria alcançado pelo menos 29 prefeituras de Mato Grosso do Sul.

Miranda, Ivinhema e Ladário aparecem entre os municípios que firmaram contratos para aquisição de livros paradidáticos, enquanto outras administrações municipais são mencionadas em documentos, planilhas, movimentações financeiras e propostas comerciais analisadas durante a investigação.

A presença de um município na investigação, entretanto, não significa necessariamente que a prefeitura ou seus gestores sejam investigados por irregularidades. As referências aparecem em contextos diferentes dentro do material reunido pelo Gaeco.

Com o avanço das investigações, o caso chegou à Justiça e 17 acusados se tornaram réus. Rossana é apontada como uma das personagens centrais da suposta organização, posição que voltou a pesar no julgamento do habeas corpus.

Na nova decisão do TJMS, os desembargadores destacaram os elementos obtidos durante a investigação, a “expressiva movimentação de recursos públicos”, a extensão temporal e territorial das atividades atribuídas ao grupo, seu poder de articulação e o suposto papel de liderança exercido pela empresária.

Para a 2ª Câmara Criminal, esses fatores demonstram que a prisão preventiva continua necessária.

Por unanimidade, o colegiado rejeitou o pedido da defesa e, com isso, Rossana Paroschi Jafar permanece presa enquanto responde ao processo decorrente da Operação Gutenberg.

 

Retida

Brasileira detida pelo ICE em aeroporto dos EUA está presa há mais de um mês

Atriz Renata Alves Mietto, de 26 anos, foi abordada e presa por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos

04/10/2026 21h00

Renata Alves Mietto

Renata Alves Mietto Foto: Arquivo Pessoal

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Uma brasileira está detida no aeroporto de Los Angeles, nos Estados Unidos, há mais de um mês. A atriz Renata Alves Mietto, de 26 anos, foi abordada e presa por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) que estavam à paisana no local. As informações são da RFI, agência francesa de notícias.

Renata foi detida no dia 27 de agosto, quando se preparava para embarcar para o Havaí para comemorar o aniversário da mãe. Segundo Márcia Rilda Alves dos Reis, em entrevista à RFI, a filha passou pela segurança e pelo raio-x, entrou com o passaporte e, quando já estava no portão de embarque, foi abordada pelos agentes.

"Nós achávamos que, nessa questão de pegar voo, eles só estavam pegando quem tivesse algum tipo de crime. Mas a gente não sabia que eles estavam prendendo qualquer pessoa. Quando você passa na segurança, eles têm essa ligação direta com o ICE, essa impressão que a gente tem", explicou Márcia.

A atriz chegou aos Estados Unidos em 2016, quando tinha 16 anos. A mãe explica que a filha perdeu o status de permanência nos Estados Unidos há cerca de dois anos, após receber uma orientação jurídica equivocada.

De acordo com a reportagem, Renata fez o ensino médio no país e estudou Artes Cênicas na Utah Valley University. Há pouco mais de três anos, vive em Los Angeles, onde se tornou proprietária de uma empresa de limpeza. Como atriz, participou de produções como The Cool Kids, uma série norte-americana.

Em Los Angeles, Márcia informou que a filha foi transferida para Adelanto, onde ficou por 20 dias. Depois de uma audiência em 18 de setembro, a brasileira foi levada até El Paso, no Texas.

A defesa pediu que ela pudesse responder ao processo em liberdade, mas o pedido foi negado sob o argumento de que ela representaria um risco. Segundo a mãe, Renata nunca cometeu nenhum crime e estaria detida exclusivamente por estar sem status migratório regular.

"Eu sei que ela ficou muito tempo, ficou horas dentro de uma van sem poder fazer xixi, sem poder tomar água, algemada nos pés, na cintura, nas mãos, sentada por horas até entrar no voo. Chegando lá (El Paso), ficou das 21h até o dia seguinte às 17h sentada, quando ela foi colocada em um quarto", relata a mãe.

Segundo Márcia, a filha está seguindo o aconselhamento jurídico e solicita a saída voluntária do país. Mesmo sendo contra a vontade da filha, a mãe acredita que essa seria a solução.

A família tenta agora autorização para visitá-la, mas, até o momento, não conseguiu agendar com o centro de detenção. Do lado de fora da prisão, familiares e advogados tentam encontrar uma saída para o caso.

"Apesar de ela ter ficado esse tempo fora de status, não é ilegal, é fora de status. Ela é uma menina que entrou aqui com 16 anos, estudou aqui. Eu pagava todos os estudos dela. Paguei muito caro para ela estudar. Então, ela fez faculdade. E, infelizmente, a gente teve uma orientação errada de um advogado. Ela está emocionalmente devastada, descontrolada", disse a mãe à RFI.

Em entrevista à agência de notícias, a advogada de imigração e também advogada do Consulado de Los Angeles, Gisele Ambrósio, contou que, desde junho, aumentou muito o número de detenções nos aeroportos, inclusive em embarques nacionais, como aconteceu com Renata.

BOLETIM

Mato Grosso do Sul registrou quatro crimes eleitorais no primeiro turno das eleições

Ao todo, três pessoas foram presas e uma admitiu ter feito boca de urna depois de denúncia anônima alertar propaganda eleitoral de deputados

04/10/2026 17h53

Eleições aconteceram em todo o País neste domingo (4)

Eleições aconteceram em todo o País neste domingo (4) Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

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Mato Grosso do Sul registrou quatro crimes eleitorais neste primeiro turno das eleições, segundo último boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS).

No anterior boletim parcial divulgado, às 14h, a Pasta divulgou que haviam sido registrados três crimes eleitorais. Agora, com o fechamento das urnas e a compilação total das ocorrências neste domingo (4), a Sejusp-MS detalhou os três crimes passados e confirmou que houve mais um nos instantes finais do tempo para votação.

A primeira foi um flagrante de compra de voto em Bataguassu, do qual o autor de 42 anos foi preso. De acordo com a nota, o homem foi avistado por policiais em um veículo, supostamente comprando votos próximo a seção eleitoral da Escola Estadual Luiz Alberto Abraham e ainda teria tentado fugir, mas sem sucesso.

“Ao avistar os policiais tentou fugir mas foi alcançado e, em revista pessoal os policiais localizaram com o suspeito com R$ 92,00 em espécie, santinhos de candidatos a deputados. Ele confessou o crime e foi autuado em flagrante”, descreve o órgão.

A outra ocorrência foi de boca de urna, em Inocência, que se originou depois de uma denúncia anônima. Os policiais localizaram um homem de 46 anos, com diversos impressos de propaganda eleitoral de deputados, nas proximidades da seção eleitoral do município. Ele confessou o crime e disse ter sido contratado por Gerson Gordo e Henrique César, respectivos vereador e vice-prefeito da cidade.

As outras duas ocorrências ocorreram em Jardim. A primeira foi uma violação do sigilo do voto, além de propaganda eleitoral no dia da eleição, que resultou na prisão em flagrante de homem de 34 anos, por fotografar e divulgar nas redes sociais o próprio voto na cabine de votação e publicar nas redes sociais com a escrita “Dever de Patriota Cumprido, AGR [agora] esperar”.

A última também foi uma quebra de sigilo do voto, feito por um homem de 56 anos, que também fotografou a urna e, ao ser avisado sobre a proibição, começou a intimidar os mesários. Diante disso, foi conduzido para a delegacia, autuado em Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e liberado.

Mesmo diante dessas quatro ocorrências e prisões, Wagner Ferreira da Silva, secretário-executivo de Segurança Pública da Sejusp-MS, disse que o primeiro turno foi "muito tranquilo, de muita ordem, onde o cidadão pôde exercer com muita segurança e tranquilidade o seu direito ao voto". 

Por fim, a Sejusp-MS informou que foram 49 ocorrências de quedas de energias - sem precisar quantos e quais municípios foram atingidos - e todas foram restabelecidas.

"Nós também acompanhávamos desde a madrugada o movimento meteorológico, climático. Sabíamos que poderíamos ser impactados aqui por tempestade. Isso aconteceu ao longo do dia. Os problemas com o fornecimento de energia elétrica aconteceram e foram solucionados ao longo do tempo. Então, acreditamos que o planejamento é grande aliado nesses números que apresentamos", afirma Wagner.

Morte

Além dos crimes eleitorais, uma morte foi registrada durante estas eleições. Uma eleitora de 71 anos morreu após passar mal enquanto aguardava na fila para votar na manhã deste domingo (4), em Campo Grande. O caso ocorreu na seção 117, instalada na Escola Estadual Sebastião Santana de Oliveira, na região do José Abrão, pertencente à 35ª Zona Eleitoral.

Segundo informações oficiais do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), a mulher passou mal enquanto aguardava na fila de votação e recebeu os primeiros atendimentos ainda no local.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado pela coordenadora de acessibilidade e chegou à escola em aproximadamente 10 minutos. Apesar dos procedimentos realizados pela equipe de socorro, a eleitora não resistiu e morreu.

Informações preliminares apontam que a mulher teria sofrido um infarto. Até o momento, porém, não há confirmação oficial sobre a causa da morte nem informações sobre eventual histórico de problemas de saúde da vítima.

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