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disputa acirrada

Justiça suspende licitação de R$ 450 milhões para limpeza de postos

Pregão da prefeitura de Campo Grande está na fase final e faltava somente a homologação do resultado para declarar como vencedora uma empresa carioca

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Publicação do Diogrande, o diário oficial da prefeitura de Campo Grande, desta quinta-feira (03) informa que a Justiça mandou suspender a licitação para contratação de empresa que fará a limpeza das unidades de saúde da Capital, um contrato que previa desembolso de até R$ 36.652.707,37 por ano e que pode se estender por até R$ 15 anos.

O pregão eletrônico estava na fase final, faltando apenas a publicação da homologação da empresa vencedora, a carioca Integral Construtora e Empreendimentos, que estava disposta a prestar os serviços por R$ 29.889.000,00 por ano, ou R$ 2,490 milhões mensais.

O resultado, que com deságio de 18,4% sobre o valor máximo, foi anunciado no dia 12 de agosto, faltando somente o anúncio oficial do vencedor. Quando for assinado, o contrato terá validade inicial de cinco anos, podendo ser renovado por mais dez. Ou seja, se a Integral for declarada vencedora, vai faturar quase R$ 450 milhões em uma década e meia.

Porém, a empresa Produserv, que atualmente presta o serviço, tenta se manter. Ela participou da licitação e chegou a apresentar a melhor proposta financeira. Ela estava disposta a fazer a limpeza por R$ 26.874.402,94 ao ano, o que representava deságio superior a 26,6% sobre o valor inicial, ou R$ 2,239 milhões mensais.

Na fase da apresentação dos documentos, contudo, acabou sendo desclassificada e os pregoeiros chamaram a segunda colocada, a Uniserve. Esta, por sua vez, acabou desistindo do serviço por entender que não conseguiria prestar os serviços por aquele valor, embora tivesse feito a proposta no dia do leilão, em 10 de março.

Por conta desta desistência, o terceiro colocado (Construtora Integral) foi chamado e acabou sendo declarado vencedor do certame no dia 12 de agosto. A Produserv chegou a recorrer administrativamente, mas seu recurso foi indeferido e por isso recorreu à Justiça para tentar se manter na atividade.

O contrato da Produserv acabou em abril, mas ela segue prestando o serviço e em maio recebeu R$ 2,828 milhões. Esse valor está R$ 440 mil acima daquilo que está previsto na proposta que até então era a vencedora da licitação.

Diferentemente da última licitação para a limpeza das unidades de saúde, que teve prazo máximo de até cinco anos, este contrato terá validade inicial de cinco anos e poderá ser renovado por dois períodos iguais, chegando a 15 anos de vigência, o que explica a grande disputa pelo contrato.

A disputa teve cinco empresas interessadas e na fase de apresentação de preços, realizada em 10 de março, o pregão se estendeu por 9 horas e 23 minutos, intervalo no qual foram apresentadas um total de 814 lances, sempre para desbancar a proposta dos concorrentes. 

No termo de referência da licitação, publicado em fevereiro, a prefeitura deixou claro que havia urgência para conclusão do certame. "Ressalta-se que o atual Contrato nº 83/2020 terá sua vigência máxima encerrada em 01/04/2026. Diante do imperativo temporal e da natureza ininterrupta dos serviços de saúde, torna-se urgente a conclusão do novo processo licitatório para evitar lacunas contratuais que gerariam riscos imediatos à operação de toda a Rede Municipal de Saúde", diz trecho do documento oficial. 

Além disso, alegou que precisa terceirizar o serviço por conta da falta de servidores próprios. "A necessidade da contratação decorre, adicionalmente, da inexistência de servidores efetivos em quantidade e especialidade técnica suficientes na estrutura administrativa para a execução direta dessas atividades operacionais. A terceirização, neste caso, apresenta-se como a solução que garante a eficiência e a especialização exigida pelo ambiente hospitalar, conforme as diretrizes da Lei nº 14.133/2021". justifica a administração.

 

campo grande

Feriado de 7 de setembro vai movimentar 18 mil pessoas na rodoviária

Destinos preferidos são Corumbá (MS), Ponta Porã (MS), Três Lagoas (MS), Dourados (MS), Bonito (MS), Cuiabá (MT), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ)

03/09/2026 11h30

População cheia de malas para viajar

População cheia de malas para viajar MARCELO VICTOR

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Dia da Independência do Brasil, feriado nacional celebrado anualmente em 7 de setembro, movimenta tanto rodovias, quanto aeroportos e rodoviárias.

Quem tem condições financeiras, oportunidade e disponibilidade, não perde tempo para curtir o feriadão em outra cidade.

Com isso, o movimento promete ser intenso no Terminal Rodoviário de Campo Grande.

De acordo com a Socicam, concessionária que administra o terminal, a expectativa é que 18 mil pessoas embarquem e desembarquem, entre sexta-feira (4) e terça-feira (8), no local.

Cerca de 4 mil embarques estão previstos para sexta-feira (4) e sábado (5). O dia mais movimentado é a sexta-feira (4), com mais de 2 mil embarques.

Os destinos preferidos são Corumbá (MS), Ponta Porã (MS), Três Lagoas (MS), Dourados (MS), Bonito (MS), Cuiabá (MT), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ).

Caso necessário, ônibus extras serão disponibilizados para suprir a demanda.

ORIENTAÇÕES

A empresa que administra a Rodoviária da Capital orienta que o passageiro:

  • Apresente documento oficial com foto no momento de embarque, mesmo que seja criança;
  • Chegue com 1 hora de antecedência do horário do embarque;
  • Obedeça o limite de bagagem: 30kg por pessoa no bagageiro e 5kg de bagagem de mão;
  • Remarcação e reembolso de passagens são feitos com até 3 horas de antecedência, diretamente com a empresa de ônibus;
  • Crianças e adolescentes menores de 16 anos devem estar acompanhados dos pais ou responsáveis. Caso viajem desacompanhados ou com terceiros, precisam de autorização.

 

NEGLIGÊNCIA

Falta de energia em aldeia indígena vira alvo do MPE

Denúncia aponta que comunidade enfrenta ausência de eletricidade há mais de 10 anos

03/09/2026 11h00

Reprodução

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A Aldeia Indígena Pirakuyá, localizada no interior de Mato Grosso do Sul, está há mais de 10 anos sofrendo negligência por parte da Energisa, concessionária responsável pela distribuição de energia em quase todo Estado.

O caso chegou ao Ministério Público (MPE) por meio de uma denúncia relatando a dificuldade que a população da comunidade em Bela Vista enfrenta com a ausência de energia nas casas.

Conforme o documento de denúncia, há 16 anos, em 2010, a aldeia recebeu casas do Programa "Minha casa, Minha Vida" e para a comunidade, a previsão era de que as moradias incluíam o acesso à energia, porém nunca houve a instalação do sistema elétrico.

A situação ultrapassa o campo de direitos fundamentais à dignidade, à cidadania e à universalização dos serviços públicos previstos em lei que estão sendo violados, e afeta em especial, ressaltado na denúncia, a saúde de idosos e crianças que precisam de medicamentos que devem ser armazenados em geladeiras e que sem energia não é possível.

A fim de investigar, o MPE instaurou uma Notícia Fato, porém desde fevereiro deste ano, a distribuidora Energisa não emitiu uma resposta que clarece o que ocorre na região, ou mesmo apresentando uma alternativa para a população, ou plano de ação para sanar o problema.

Desde o início da apuração pelo órgão público, a concessionária não respondeu a tentativa de contato, o que levou a prorrogação da Notícia Fato por 90 dias, com um prazo de mais 15 dias para esclarecimentos por parte da empresa.

Contudo, em sua única resposta durante o período de feveireiro até esta quinta-feira, há pouco mais de 4 meses, em abril, a resposta da distribuidora ao ofício do MPE foi para solicitar uma nova prorrogação.

No documento, a Energisa alegou que era necessário "a realização de levantamento técnico in loco, destinado à verificação das condições existentes na localidade e à identificação de eventual necessidade de execução de obras ou adequações na rede elétrica para o atendimento à mencionada comunidade".

Com uma prorrogação de mais 30 dias, a concessionária supostamente iria averiguar qual era a viabilidade técnica para atender à comunidade, qual realização do escopo das possíveis intervenções necessárias e o prazo regulatório para a implementação da rede elétrica, porém mais uma vez não deu retorno.

Dada a situação, o MPE instaurou um procedimento preparatório para apurar a suposta deficiência no fornecimento de energia elétrica na região.

A Aldeia Pirakuyá fica localizada próxima ao Rio Apa, no município de Bela Vista e abriga cerca de 600 indígenas da etnia Guarani Kaiowá.

Negligência histórica

Apesar da instauração do procedimento preparatório do MPE para averiguar a instabilidade na energia elétrica na Aldeia Pirakuyá, outras áreas indígenas sofrem com negligência e falhas de infraestrutura nas moradias há anos.

Há quase um ano, o Correio do Estado noticiou uma situação parecida, que ocorreu em Dourados.

No município, uma aldeia indígena com mais de 20 mil moradores enfretava uma série de problemas com a estabilidade de energia elétrica e até preconceito burocrático por parte da concessionária em aceitar a autodeclaração como comprovante de residência.

Os casos de negligência e descaso com a população indígena mantém-se presente, e antes mesmo da época do caso em Dourados, ainda em 2023, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) oficiava o Ministério Público Federal com questionamentos sobre exigências de documentos e autenticação para abertura e/ou mudança de unidades consumidoras para indígenas, especificidade essas que ainda são exigidas pela Energisa em 2026.

Ainda em sua resposta ao MPE em abril deste ano, a concessionária ressaltou que o procedimento adotado em todo o Estado em relação aos pedidos de ligação de energia elétrica em comunidades indígenas consiste na aceitação da "autodeclaração de residência", que deve ser apresentada pelo interessado no momento da solicitação. 

O curioso, é que a concessionária destacou que a medida vale "especialmente nas hipóteses em que se trate de localidades já atendidas por rede de distribuição e de comunidades previamente estabelecidas", mas na denúncia realizada ao MPE, o morador da Aldeia Pirakuyá relatou que a distribuidora solicitou a limpeza da estrada para que não houvesse interferência onde supostamente foi feito a instalação da rede, porém com a afrimação de que nunca teve energia na aldeia.

O caso está em fase de procedimento preparatório e com o seguimento pode evoluir em esferas judiciais e extrajudiciais.

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