O juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, recebeu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra Alcides Bernal, pelos crimes de homicídio qualificado por meio cruel, motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima, porte ilegal de arma de fogo e violação de domicílio. O ex-prefeito passa a ser réu pelo assassinato do auditor fiscal Roberto Carlos Mazzini, no dia 24 de março.
Contudo, o magistrado negou os pedidos do MPE em relação a ouvir as testemunhas Moacir Cardoso Santos Júnior, Eliane Silvério Nogueira e Gabriel de Araujo Mazzini.
De acordo com a justificativa apresentada pelo juiz para indeferir a solicitação é que a coleta de prova testemunhal deve ser providenciada antes do oferecimento da denúncia. "Tal permissividade violaria diretamente os princípios da ampla defesa e contraditório, visto que referidos depoimentos seriam carreados aos autos com a instrução em andamento, o que causaria tumulto processual, e já depois de ultrapassada a fase de resposta à acusação (art. 396, CPP), momento em que a defesa técnica deve arrolar testemunhas e apresentar as alegações pertinentes à sua tese".
O crime
O caso ocorreu no dia 24 de março. Imagens de câmera de segurança da casa mostram que o chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, chegou de picape ao local, por volta das 13h, enquanto o auditor fiscal Roberto Mazzini o esperava dentro de sua caminhonete na frente do imóvel que adquiriu em um leilão da Caixa Econômica. A mansão está localizada na rua Antônio Maria Coelho, no bairro Jardim dos Estados.
Logo após a chegada do chaveiro, o fiscal passa a instrução para Maurílio tentar abrir a porta principal da casa. As imagens mostram que, enquanto o chaveiro realizava o trabalho, Roberto apenas observava e esperava a conclusão da abertura.
Exatos 35 minutos depois de começar os trabalhos, Maurílio conseguiu abrir o portão e avisou Roberto, que imediatamente acessou a região interna da casa. Durante os próximos cinco minutos, ambos ficaram dentro do imóvel e não há informação do que eles estariam fazendo durante este período.
Às 13h44min20s daquele dia o vídeo mostra que Alcides Bernal chegou à frente da casa, após ser avisado pela equipe de monitoramento da empresa New Line de que teriam invadido a residência.
Cerca de 17 segundos depois, Bernal entrou no imóvel e, depois de cinco passos, efetuou o primeiro disparo contra Roberto.
No momento em que Bernal vai em direção ao corpo da vítima, ele entra no ponto cego da câmera, momento em que teria dado o segundo tiro no auditor fiscal, de acordo com o laudo pericial.
Após isso, é possível ver o chaveiro fugindo do local.
O ex-prefeito voltou a aparecer na filmagem, quando guarda a arma na cintura e se dirige para fora da casa, momento em que aproveitou para chamar a equipe da New Line, que tem sua sede exatamente na frente do local do assassinato.
Depois de mexer no celular, Bernal foi embora da cena do crime.
Aeronave AirTractor do Governo de MS. Foto: Cabo Lima/CBM-MS

