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Lava Jato prende ex-secretário do PT e empresário ligado ao partido

Ao todo, a PF cumpre 12 ordens judiciais

FOLHAPRESS

01/04/2016 - 08h20
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A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (1º) mais uma etapa da Operação Lava Jato. A 27ª fase, denominada de "Carbono 14", investiga crimes de extorsão, falsidade ideológica, fraude, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Ao todo, a PF cumpre 12 ordens judiciais, sendo oito mandados de busca e apreensão, dois de prisão temporária e dois de condução coercitiva. As prisões temporárias são do empresário e dono do "Diário do Grande ABC", Ronan Maria Pinto, e do ex-secretário-nacional do PT Silvio Pereira. As conduções coercitivas são do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e do jornalista e diretor editorial do site "Opera Mundi" Breno Altman.

As medidas estão sendo cumpridas na Grande São Paulo. Além da capital paulista, policiais estão em Carapicuíba, Osasco e Santo André. Segundo o Ministério Público Federal, a operação investiga um suposto esquema de lavagem de capitais de cerca de R$ 6 milhões provenientes de gestão fraudulenta no Banco Schahin, cujo rombo foi coberto depois pela Petrobras.

"Constatou-se que José Carlos Bumlai [empresário amigo do ex-presidente Lula] contraiu um empréstimo fraudulento junto ao Banco Schahin em outubro de 2004 no montante de R$ 12 milhões. O mútuo, na realidade, tinha por finalidade a 'quitação' de dívidas do Partido dos Trabalhadores (PT) e foi pago por intermédio da contratação fraudulenta da Schahin como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, pela Petrobras, em 2009, ao custo de US$ 1,6 bilhão", informou a Procuradoria.

Em depoimento à Lava Jato, Bumlai relatou que metade desse valor foi destinado ao PT de Santo André, onde o partido teria sido chantageado por Ronan Maria Pinto, empresário da cidade, que teria pedido R$ 6 milhões para não contar o que sabia sobre o caixa dois do diretório local e a relação desses recursos com o assassinato do então prefeito Celso Daniel (PT), ocorrida em 2002.

Ronan é um dos alvos da operação deflagrada nesta sexta. Ele é dono do "Diário do Grande ABC" -onde a PF cumpre mandado de busca e apreensão- e de empresas de ônibus, e foi implicado no escândalo de desvio de recursos da Prefeitura de Santo André (SP) que veio à tona logo após o assassinato de Celso Daniel.

"Para fazer os recursos chegarem ao destinatário final, foi arquitetado um esquema de lavagem de capitais, envolvendo Ronan, pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores e terceiros envolvidos na operacionalização da lavagem do dinheiro proveniente do crime contra o sistema financeiro nacional", diz a nota do Ministério Público.

A Procuradoria aponta que há evidências de que o PT atuou junto ao Schahin pela liberação do empréstimo.

"Em suma, há provas que apontam para o fato de que a operacionalização do esquema se deu, inicialmente, por intermédio da transferência dos valores de Bumlai para o Frigorifico Bertin, que, por sua vez, repassou a quantia de aproximadamente R$ 6 milhões a um empresário do Rio de Janeiro envolvido no esquema."

O empresário do Rio, ainda segundo a Procuradoria, fez transferências diretas para a Expresso Nova Santo André, empresa de ônibus controlada por Ronan, além de outras pessoas físicas e jurídicas indicadas pelo empresário -entre eles, o então dono do "Diário do Grande ABC", de quem Ronan compraria o periódico.
Os investigadores suspeitam que uma parte das ações do jornal foi comprada com dinheiro proveniente do Schahin, por meio de contratos simulados.

MARCOS VALÉRIO

De acordo com as investigações da PF, uma das empresas de ônibus de Ronan recebeu R$ 2,9 milhões de uma firma de "agenciamento", a Remar.

A operação guarda relação com um depoimento prestado em 2012 pelo pivô do escândalo do mensalão, o publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza, segundo o qual houve uma operação política em 2002 com o objetivo de comprar o silêncio de Ronan Pinto sobre denúncias de irregularidades na Prefeitura de Santo André.

Na época do seu assassinato, em janeiro de 2002, Celso Daniel era coordenador da pré-campanha de Lula à Presidência e revelações sobre irregularidades na prefeitura poderiam impactar a campanha do petista.

OUTRO LADO

Procurada, a assessoria do empresário Ronan Pinto ainda não se manifestou.

RECOMENDAÇÃO

Entidade esportiva é alvo de investigação do MPE por irregularidade administrativa

Escolinha de futebol utiliza sede como depósito de materiais esportivos e tem a ausência de alvarás necessários para o seu funcionamento

27/06/2026 13h00

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPE) recomendou à uma entidade esportiva que realiza projetos com crianças e adolescentes no município de Ladário a suspender as atividades por apresentar irregularidades administrativas, legais e ainda estruturais.

Divulgado no Diário Oficial (DOMPMS), o Conselho Tutelar do município, a cerca de 420 quilômetros de Campo Grande, registrou uma ata que aponta erros sobre o funcionamento da Escolinha de Futebol Atlético Clube São José enquanto organização social esportiva.

Segundo o Conselho Tutelar a escolinha não possui uma série de documentos que regularizam sua atuação, bem como não exerce plenamente suas atividades.

Conforme os documentos, o órgão tutelar foi até a sede da entidade para realizar a visita de rotina de fiscalização, em outubro de 2025, mas encontrou uma série de falhas estruturais.

Entre os registros está a inexistência de espaço adequado para práticas esportivas e a ocupação do local como depósito de materias esportivos.

Ainda foi registrada a falta de estrutura física, ausência de energia elétrica e ventilação adequada. Quanto as documentações do local, o Conselho Tutelar registrou a ausência de:

  • Alvará do Corpo de Bombeiro
  • Licença da Vigilância Sanitária
  • Alvará de Funcioanmento atualizado;
  • Regularização da inscrição da entidade junto ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA); 

Além dos apontamentos feitos, o Conselho Tutelar recomendou a suspensão de novas inscrições na escolinha, e enviou o relatório da fiscalização ao CMDCA de Ladários, que por sua vez encaminhou o caso para fiscalização do MPE.  

Então, por meio da 7ª Promotoria de Corumbá, o órgão decidiu por recomendar a suspensão das atividades até que o clube apresente condições e estruturas para realizar atividades com as crianças e adolescentes, além de uma nova visita de fiscalização.

O CMDCA então realizou uma nova fiscalização em março deste ano, e constatou a situação ainda parecida, mas o clube apontou que o local de treinamento passa por reforma e por isso as atividades estão suspensas, justificando a ausência dos alvarás, bem como testes de aptidão física dos atletas.

Na fiscalização, o CMDCA apontou que a sede é composta por uma sala com geladeira e os materias esportivos que estão sendo armazenados no local. As respotas ainda apontou a presença de uma psicológa e um prepador físico na equipe da escolinha.

Dado as observações realizadas por ambos os órgãos, o MPE recomendou ao clube que:

1. abstenha-se de retomar suas atividades até que haja a integral regularização de suas condições de funcionamento, especialmente, mas não se limitando, às seguintes providências:

a) obtenção do Alvará do Corpo de Bombeiros, da Licença da Vigilância Sanitária, do Alvará de Funcionamento atualizado, bem como à regularização de sua inscrição junto ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA);

b) adequação da estrutura física do local, de modo a assegurar a segurança das instalações e a disponibilização de espaço compatível com as atividades desenvolvidas;

c) estruturação adequada da gestão administrativa, incluindo a formalização das inscrições de todos os participantes, com o registro de dados completos e a implementação de controle efetivo da participação de crianças e adolescentes;

d) exigência de apresentação de atestado médico de aptidão física de todos os adolescentes atendidos, como condição indispensável para participação nas atividades.

O órgão deu então o prazo de 20 dias para novas respotas do Clube, a partir da data de publicação da recomendação.

RECAPTURADO

Bombeiro acusado de matar esposa com marreta é recapturado após fuga

Elianderson Duarte havia fugido do Presídio Militar Estadual utilizando uma escada artesanal feita com lençóis; ele responde por feminicídio, tentativa de homicídio e tentativa de feminicídio

27/06/2026 12h30

Subtenente do Corpo de Bombeiros foi localizado pela Polícia Militar em uma residência na Vila Almeida, em Campo Grande, após duas semanas foragido

Subtenente do Corpo de Bombeiros foi localizado pela Polícia Militar em uma residência na Vila Almeida, em Campo Grande, após duas semanas foragido Reprodução: Dourados Agora

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O subtenente do Corpo de Bombeiros Militar, Elianderson Duarte, de 45 anos, acusado de matar a esposa, a enfermeira Liliane de Souza Bonfim Duarte, foi recapturado na noite desta sexta-feira (26), em Campo Grande, após permanecer 15 dias foragido do Presídio Militar Estadual.

De acordo com o portal Dourados Agora, o militar foi localizado em uma residência na Vila Almeida, depois que uma denúncia anônima informou à polícia que um homem procurado pela Justiça estaria escondido em um imóvel na Rua Presidente Rodrigues Alves.

Equipes da Força Tática da 5ª Companhia Independente da Polícia Militar (5ª CIPM) foram até o endereço e encontraram Elianderson na companhia do irmão e do proprietário da residência.

Segundo a Polícia Militar, o dono do imóvel afirmou que recebeu o subtenente de boa-fé e desconhecia que ele havia fugido do sistema prisional.

Após a abordagem, Elianderson foi encaminhado à delegacia e, posteriormente, reconduzido ao Presídio Militar Estadual, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Elianderson estava foragido desde o dia 12 de junho, quando escapou do Presídio Militar Estadual utilizando cordas improvisadas feitas com lençóis.

Conforme as investigações, ele escalou o telhado de um dos pavilhões, alcançou uma torre de vigilância e conseguiu transpor o muro da unidade prisional. Apesar de o alarme ter sido acionado durante a fuga, a ausência do preso só foi percebida na conferência realizada pelos militares.

Após a evasão, a Corregedoria-Geral da Polícia Militar instaurou procedimento administrativo para apurar as circunstâncias da fuga. Na ocasião, a corporação informou que reforçou a segurança do presídio e mobilizou equipes para localizar o militar.

Crime

Elianderson foi preso em março deste ano, poucas horas depois de atacar a esposa dentro da residência da família, em Ponta Porã.

Durante as agressões, os dois filhos adolescentes do casal, de 17 e 15 anos, ficaram feridos ao tentar defender a mãe. O filho caçula, de 13 anos, precisou receber atendimento devido ao abalo emocional provocado pela violência.

Liliane de Souza Bonfim Duarte foi socorrida em estado grave e permaneceu internada por três dias, mas morreu em 6 de março em decorrência dos ferimentos. Com a confirmação da morte, o caso passou a ser investigado como feminicídio consumado.

Além de responder pelo assassinato da esposa, o subtenente também é réu por tentativa de feminicídio contra a filha e por tentativa de homicídio qualificado contra o filho.

Logo após o crime, Elianderson tentou fugir a pé, mas foi localizado por policiais civis com auxílio de moradores, que indicaram o trajeto percorrido pelo suspeito. Ele chegou a ser contido por populares até a chegada da polícia e, na ocasião, alegou ter agido em legítima defesa.

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