Cidades

EDUCAÇÃO

Lei permite que pais opinem sobre livros e inclui estudo sobre civismo

Temas literários também devem estimular o aprendizado econômico e a valorização da cultura do Estado a partir de agora

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As escolas estaduais de Mato Grosso do Sul agora terão que ouvir as opiniões de pais e responsáveis sobre os livros literários que os alunos terão contato durante o ano letivo, além de ter como prioridade obras que estimulem temas que vão de aprendizado econômico até civismo, chamados de transversais pelo Estado.

Na edição do Diário Oficial do Estado (DOE) desta sexta-feira, foi publicada a sanção da Lei nº 6.610, que acrescenta novas especificações à Lei nº 3.954, conhecida por ser a legislação que criou a Política de Promoção da Leitura Literária nas Escolas Públicas do estado de Mato Grosso do Sul.

A primeira novidade que chama a atenção é que, a partir de agora, os pais ou responsáveis serão ouvidos acerca das obras e dos materiais os quais os alunos terão contato durante a etapa escolar.

Porém, o secretário estadual de Educação, Hélio Daher, garante que isso não quer dizer que a visão dos parentes vai decidir se um livro será recolhido ou não pelo governo do Estado.

“Não é porque o pai não concordou com o livro que esse livro vai ser retirado da escola. Ele pode fazer algum apontamento, pode inferir de repente a religião, pode entender que a linguagem é muito forte para determinada idade, isso faz parte do entendimento da sociedade, e a escola vai entender e vai absorver a informação e analisar junto com a secretaria se cabe ou não essa suspensão”, explica.

“Essa lei está dando o direito aos pais a terem acesso para saber quais são esses livros que são aplicados nas escolas. Existem os portais do FNDE [Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação], só que o acesso à informação é sempre mais complicado via FNDE. Então, isso facilita, porque os pais vão saber pela própria escola, quais são os livros. Não é a família que decide, a família passa a ter acesso e ela pode fazer algum tipo de observação para a escola”, completa Daher.

Vale lembrar que, em março de 2024, o livro “O Avesso da Pele”, do escritor Jeferson Tenório, foi recolhido pela Secretaria de Estado de Educação (SED) após deputados estaduais repudiarem a linguagem da obra, considerada chula e inadequada para adolescentes.

Na época, o livro havia sido distribuído por meio do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) para 75 das 349 unidades escolares da Rede Estadual de Ensino (REE).

Antes do recolhimento realizado em Mato Grosso do Sul, “O Avesso da Pele” já havia sido retirado em escolas do Paraná e de Goiás, também sob a mesma problemática de linguagem imprópria.

Mesmo dividindo opiniões, a obra foi traduzida para 16 idiomas e ganhou o Prêmio Jabuti, principal prêmio literário brasileiro, na categoria Romance Literário, em 2021.

O livro trata das relações raciais, sobre violência e negritude e identidade na história fictícia de Pedro, que, após a morte do pai, assassinado em uma desastrosa abordagem policial, sai em busca de resgatar o passado da família e refazer os caminhos paternos.

“Como secretário, eu espero que essa lei promova a transparência, que os pais tenham acesso aos títulos que são oferecidos aos filhos, que são sempre escolhidos pelas próprias escolas, e eu realmente acredito que isso possa incentivar a leitura, que é um problema que a gente tem hoje, que é a falta de incentivo à leitura, e naturalmente gera uma articulação entre pais e escola”, conta.

Outra determinação que chamou a atenção nesta nova lei é de que as escolas estimulem “obras literárias e conteúdos formativos que tratem de temas contemporâneos e transversais”, especialmente sobre responsabilidade individual, civismo, liberdade econômica, consciência fiscal, empreendedorismo, inovação, qualificação profissional e valorização da cultura sul-mato-grossense.

Mesmo com essas especificidades, os livros e materiais escolhidos ainda não foram divulgados pelas escolas, o que deverá ser feito apenas em janeiro de 2027.

Ainda segundo o secretário estadual, o processo seguirá o mesmo rito de todos os anos anteriores e será responsabilidade de um coletivo de professores, onde cada escola terá sua autonomia na decisão literária.

O Correio do Estado entrou em contato com a Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems) para saber a visão da instituição diante das novas normas educacionais. Contudo, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

Livros literários que serão trabalhados e expostos nas bibliotecas das escolas estaduais poderão ser avaliados pelos pais dos alunosLivros literários que serão trabalhados e expostos nas bibliotecas das escolas estaduais poderão ser avaliados pelos pais dos alunos - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

OUTRAS NORMAS

Ainda na mesma lei sancionada, o Estado impõe que as escolas terão que “organizar a disposição dos materiais, dos livros e dos audiobooks nas prateleiras ou nas plataformas digitais, que estejam disponibilizados na educação básica, de acordo com a etapa escolar de ensino ou com a faixa etária dos estudantes”.

Por último, as instituições públicas de ensino deverão promover a acessibilidade, “por meio da aquisição de livros escritos em braille, assim como de audiobooks e materiais transformados em libras, com garantia de que existam recursos, espaços e plataformas adequados e regulares para transmissão do conhecimento”.

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VISITA

Presidente da CBF chega a Capital para inaugurar centro de futebol

Durante dois dias, Samir Xaud receberá homenagem no Bioparque Pantanal e visitará o estádio Morenão

02/09/2026 08h45

Samir Xaud, presidente da CBF

Samir Xaud, presidente da CBF Foto: Divulgação CBF

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O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud cumpre agenda institucional em Campo Grande, nesta quarta (2) e quinta-feira (3). A programação terá como principal compromisso a inauguração do Centro de Desenvolvimento do Futebol, estrutura que integra o legado da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014.

O primeiro compromisso de Samir Xaud em Mato Grosso do Sul será visita ao Estádio Universitário Pedro Pedrossian, o Morenão, marcada para às 10h.

Pela tarde, às 15h, o presidente fará uma visita ao Bioparque Pantanal, a qual trata-se de uma agenda restrita à comitiva da CBF. Às 17h, haverá uma cerimônia de homenagens no auditório do aquário. Durante a solenidade, Samir Xaud receberá o título de Visitante Ilustre de Campo Grande, concedido pela Câmara Municipal.

Na ocasião, personalidades de Mato Grosso do Sul também serão homenageadas pela CBF em reconhecimento às suas trajetórias e contribuições para o desenvolvimento do futebol no Estado.

Na quinta-feira (3), acontecerá a inauguração do Centro de Desenvolvimento do Futebol, marcada para às 8h30. A cerimônia marca a entrega oficial da estrutura da CBF em Mato Grosso do Sul, integrante do legado da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014. O espaço está localizado na Avenida Tamandaré, 11.297, no bairro Vila Nasser. 

Centro de Desenvolvimento do Futebol

O Fundo de Legado da Copa do Mundo da FIFA tem como objetivo fomentar o futebol nos países que sediam a principal competição da modalidade. No Brasil, que recebeu o Mundial em 2014, os recursos do fundo têm sido aplicados em cinco diferentes áreas: Infraestrutura, Categorias de Base, Futebol Feminino, Social e Médica. 

Em Campo Grande, a estrutura terá um campo de grama sintética nas medidas oficiais da Fifa, de 105 x 68 metros, além de arquibancadas, vestiários e estacionamento.

Os Centros de Desenvolvimento são destinados aos 15 estados que não foram sedes da edição no país, como forma de desenvolvimento esportivo e social de cada localidade e herança pelo Brasil ter sediado o Mundial.

A última estrutura inaugurada pela CBF foi o Centro de Desenvolvimento do Futebol do Estado do Piauí, no dia 6 de agosto, em Teresina. Ao todo, sete unidades já foram inauguradas. 

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CELEBRAÇÃO

Hospital São Julião assina termo de cooperação com fundação italiana

Evento ocorreu no auditório do hospital e a assinatura formalizou a contribuição conjunta que acontece há mais de 50 anos

02/09/2026 08h15

Evento também teve o lançamento do álbum

Evento também teve o lançamento do álbum "São Julião 85 anos" Divulgação

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Na noite desta terça-feira (1º), o Hospital São Julião recebeu o prefeito de Turim, Stefano Lo Russo, o embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, e uma delegação de dez integrantes da Fundação OASI/OMG para assinar o Termo de Cooperação Internacional entre a Associação Beneficente de Auxílio e Recuperação dos Hansenianos e a Fundação OASI/OMG. 

A assinatura do Termo de Cooperação Internacional representa o reconhecimento formal de 56 anos de trabalho conjunto entre a Associação Beneficente de Auxílio e Recuperação dos Hansenianos e a OASI/OMG. O evento ocorreu no auditório Ney Latorraca, no Centro de Convenções do hospital.

Para o presidente do Hospital São Julião, Carlos Melke, a assinatura simboliza muito mais do que um documento.

“Este é um momento de reconhecimento, mas também de gratidão. O São Julião não seria o que é hoje sem as pessoas que acreditaram que era possível transformar uma realidade marcada pelo preconceito em uma história de cuidado, dignidade e esperança. A parceria com a Itália nasceu do coração, do voluntariado e da disposição de servir, e atravessou mais de cinco décadas. Receber o prefeito Stefano Lo Russo, o embaixador Alessandro Cortese e a delegação da OASI/OMG justamente no ano em que celebramos os 85 anos do hospital e os 95 anos da Irmã Silvia torna tudo ainda mais especial. É como se passado, presente e futuro se encontrassem neste momento”, destaca.

Cidades irmãs

A relação construída entre o São Julião e voluntários italianos também ajudou a fortalecer os laços entre Campo Grande e Turim.

As duas cidades detêm o título de ‘irmãs’ há quase 25 anos. O acordo foi assinado em 29 de maio de 2002 e prevê intercâmbios culturais, comerciais, esportivos e universitários, além da troca de experiências entre os municípios, seguindo diretrizes da Organização das Nações Unidas relacionadas à paz e aos direitos humanos.

Desde a década de 1970, a presença de voluntários e entidades italianas em Campo Grande contribuiu para a transformação do Hospital São Julião.

Nesta quarta-feira (2), ocorrerá a assinatura do Convênio Cidades Irmãs, no Gabinete da Prefeitura de Campo Grande.

Álbum

 A programação também contou com o lançamento do álbum “São Julião 85 anos”, uma publicação que reúne cerca de 500 fotografias e registra diferentes momentos da trajetória da instituição.

Escrito pela jornalista Lenilde Ramos, o álbum traduz, por meio de imagens e memórias, a dimensão de uma história construída por muitas mãos.

O material percorre a atuação do São Julião em diferentes áreas, como medicina, assistência hospitalar, ciência, tecnologia, educação, cultura e meio ambiente, mostrando como a instituição se transformou ao longo de 85 anos sem perder sua essência de acolhimento e compromisso com a comunidade.

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