Cidades

Operação Gutenberg

Três investigados da Operação Gutenberg deixam a prisão por decisão judicial

Após parecer favorável do Ministério Público, Núcleo de Garantias conclui que não havia mais requisitos para manter a prisão preventiva; investigação sobre suposto esquema de R$ 27 milhões continua.

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A Justiça de Mato Grosso do Sul revogou a prisão preventiva do advogado e servidor público municipal Geancarlo Leal de Freitas, que deixou a prisão nesta sexta-feira (17), após decisão judicial.

Ele é um dos investigados na Operação Gutenberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) para apurar um suposto esquema de fraudes em contratos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro.

Segundo o Ministério Público Estadual, a organização criminosa investigada teria movimentado mais de R$ 27 milhões por meio de contratos suspeitos com o poder público.

A decisão representa uma das primeiras mudanças relevantes nas medidas cautelares impostas desde a deflagração da operação, no último dia 7.

Deflagrada em 7 de julho pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a Operação Gutenberg investiga um suposto esquema de corrupção que, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, utilizava a estrutura da saúde pública para favorecer empresas privadas.

Conforme as investigações, vagas para consultas, exames, cirurgias e internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) eram direcionadas a municípios em troca da contratação da Editora Avante (Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços Editoriais Ltda.) e da Gráfica Alvorada para o fornecimento de livros paradidáticos, em contratos suspeitos de fraude.

O esquema teria sido articulado por empresários, agentes públicos e intermediários, com movimentação financeira superior a R$ 27 milhões, levando ao cumprimento de 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.

A revogação foi determinada pelo Núcleo de Garantias após manifestação favorável do próprio Ministério Público Estadual. Conforme a decisão, deixaram de existir os requisitos que justificavam a manutenção da prisão preventiva.

Também foram levados em consideração documentos apresentados pela defesa demonstrando que o investigado é primário, possui residência fixa, bons antecedentes e exerce atividade profissional lícita. 

Com isso, a Justiça determinou a expedição do alvará de soltura, desde que Geancarlo não estivesse preso por outro motivo.

A defesa de Tiago Bunning, responsável pela defesa, afirmou que os esclarecimentos apresentados durante a investigação levaram o próprio Ministério Público a concordar com o pedido de liberdade.

Segundo a defesa, Geancarlo não teria praticado qualquer crime e sua prisão ocorreu exclusivamente pelo fato de ser servidor público municipal em Dourados. 

Operação investiga suposto esquema milionário

A Operação Gutenberg foi deflagrada na manhã de 7 de julho pelo Gaeco para desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar em fraudes a licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a administração pública.

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a investigação aponta que empresários, servidores públicos e intermediários teriam estruturado um esquema destinado a direcionar contratos públicos e favorecer empresas em processos licitatórios.

As apurações também indicam suspeitas de irregularidades relacionadas ao acesso a procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), além da movimentação financeira superior a R$ 27 milhões. 

Ao todo, a operação cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em municípios de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.

Entre os alvos estão empresários, servidores públicos, advogados e o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Junior Vasconcelos.

Outros investigados também obtiveram benefícios

A decisão envolvendo Geancarlo não foi a única mudança nas medidas cautelares da operação. Outros investigados também conseguiram substituir a prisão preventiva por prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.

Entre eles está Joatan Gomes Peixoto, ex-sócio-administrador da Editora Avante, preso no último dia 16 de julho durante o desdobramento das investigações. A Justiça revogou sua prisão preventiva, substituindo a medida por prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.

Já Jessyca Duarte Burgatt, presa em 11 de julho na mesma operação, foi autorizada a deixar o presídio para cumprir prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, em razão de ser mãe de uma criança de um ano.

Apesar das mudanças nas medidas cautelares de parte dos investigados, a investigação permanece em andamento.

O Ministério Público e o Gaeco continuam analisando documentos, movimentações financeiras e contratos públicos para apurar a eventual responsabilidade criminal de todos os envolvidos.

A revogação da prisão preventiva não representa absolvição nem encerramento das investigações. O processo segue em tramitação e os investigados continuam submetidos às medidas determinadas pela Justiça enquanto o inquérito avança para as próximas fases. 

Relembre a Operação Gutenberg

Deflagrada no último dia 7 de julho, a Operação Gutenberg é considerada uma das maiores ofensivas recentes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) contra um suposto esquema de corrupção em Mato Grosso do Sul.

Segundo o Ministério Público Estadual, as investigações apontam a existência de uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações, direcionar contratos públicos, praticar corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a administração pública.

Conforme o Ministério Público, o esquema utilizava a oferta de vagas para consultas, exames, cirurgias e internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) como forma de favorecer municípios que contratavam a Editora Avante (Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços Editoriais Ltda.) e a Gráfica Alvorada para o fornecimento de livros paradidáticos, em contratos suspeitos de fraude.

As apurações indicam que o grupo teria movimentado mais de R$ 27 milhões, envolvendo empresários, servidores públicos, advogados e agentes políticos. Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.

Entre os alvos da operação está o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, o Junior Vasconcelos, além de empresários e outros investigados apontados como integrantes do suposto esquema.

As investigações do Gaeco também apontam que a atuação da Editora Avante se estendeu a pelo menos 29 prefeituras de Mato Grosso do Sul.

Segundo o procedimento investigatório criminal, municípios como Miranda, Ivinhema e Ladário firmaram contratos para aquisição de livros paradidáticos, enquanto outras administrações aparecem em documentos, planilhas, movimentações financeiras e propostas comerciais analisadas durante a apuração.

O Ministério Público ressalta, no entanto, que a simples menção das prefeituras no inquérito não significa que todas sejam investigadas ou que seus gestores tenham participado de irregularidades, já que as referências possuem contextos distintos.

Os alvos da Operação Gutenberg

Entre os presos na operação estão a empresária Rossana Paroschi Jafar; a médica Olívia Paroschi Jafar; o ex-comissionado da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), Felipe Paroschi Jafar; Giovanni Paroschi Jafar; Rhayane Souza Fanaia; o ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, o Junior Vasconcelos; e o coordenador estadual de Regulação Assistencial, Ed Carlo Britto Burgatt.

Também foram presos Francisco Anizio dos Santos; Matheus Oliveira Peixoto; os empresários Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo, pai e filho; e Gabriel Taquino de Paula, apontados pelo Ministério Público como integrantes do suposto esquema criminoso investigado pelo Gaeco.

Crime

Dupla de tornozeleira assalta mulheres em ponto de ônibus à luz do dia

O crime foi flagrado pela câmera de segurança de um dos comércios

17/07/2026 16h45

Crime aconteceu na manhã desta sexta-feira (17)

Crime aconteceu na manhã desta sexta-feira (17) Reprodução

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Duas mulheres foram assaltadas em um ponto de ônibus no bairro Amambaí enquanto aguardavam o transporte coletivo. 

O crime aconteceu por volta das 9h47 desta sexta-feira (17) na rua Paissandu. 

De acordo com uma das vítimas, eram dois assaltantes e estavam de moto. A dupla invadiu a pista destinada aos ônibus e abordou as vítimas que aguardavam no ponto. 

"Os meliantes usavam tornozeleira eletrônica, bermuda jeans e camiseta preta. Eles tinham vários celulares guardados na cintura", afirmou a mulher, que não será identificada. 

No vídeo, é possível ver que um dos homens desce da moto e aponta uma arma para as mulheres, que entregam os celulares. Toda a ação dura vinte segundos. 

Veja o vídeo:

Segurança pública

Os índices de criminalidade em diferentes modalidades como homicídio, roubo, furto e latrocínio apresentaram redução na comparação nos meses de janeiro a abril dos últimos quatro meses em Mato Grosso do Sul mesmo com uma evolução na segurança pública estagnada neste período. 

De acordo com a Sejusp, houve uma queda de 57,54% nos roubos em vias públicas entre os quatro primeiros meses de 2023 a 2026. Isto é, foram 1.230 casos registrados em 2023 contra apenas 554 neste ano do assalto com violência. 

No caso de roubos no comércio, a redução foi de 68,17%, sendo 77 casos registrados em 2023 e 26 no mesmo período de 2026. 

Roubos em residência caíram 31,66% e de veículos reduziram 43,40%. 

Com relação aos furtos, quando não há violência ou ameaça direta, houve uma queda de 23,90%, com 12.873 casos de janeiro a abril de 2023 e 10.392 em 2026. 

Nos crimes de latrocínio, quando o roubo resulta em morte, foram quatro casos em 2023 e nenhum neste ano. Homicídios dolosos, quando há intenção de matar, tiveram redução de 8,98% com 145 casos em 2023 contra 140 em 2026. 

Segundo a Sejusp, foram investidos R$ 232,9 milhões para a aquisição de mais de 25 mil equipamentos e veículos desde o ano de 2023. Entre eles, foram 2.383 aparelhos de comunicação, 1.198 equipamentos de áudio e vídeo, 467 veículos de tração mecânica, 806 equipamentos de proteção de segurança e socorro, 110 aeronaves e 165 máquinas e equipamentos rodoviários. 

Também foram adquiridos 7.838 armamentos, 19 veículos diversos, 13 embarcações, 225 equipamentos de mergulho e salvamento, 7.744 mobiliários e mais 525 novas viaturas devem chegar ainda neste ano, frutos de mais de R$ 170 milhões de investimentos. 

Estagnação

Mesmo com os avanços apontados pela Sejusp, Mato Grosso do Sul apresenta uma das piores evoluções quando comparado com outros estados no Ranking de Competitividade dos Estados realizado pelo Centro de Liderança Pública. 

Durante os anos de 2023 a 2025, o Estado ficou estagnado na evolução da Segurança Pública, mantendo uma posição intermediária ao longo do período. 

Em 2023, Mato Grosso do Sul ficou na 15ª posição, com 57,84 pontos, à frente de Goiás (17º) e do Rio de Janeiro (18º). No ano seguinte, em 2024, o Estado subiu uma posição, mas marcou menos pontos, com 55,71. Em 2025, MS voltou a figurar na 15ª colocação, desta vez com 55,64 pontos.

A pontuação nos indicadores de segurança pública analisa 10 tópicos: Atuação do Sistema de Justiça Criminal; Deficit de Vagas; Morbidade Hospitalar por Acidente de Trânsito; Mortalidade no Trânsito; Mortes a Esclarecer; Presos sem Condenação; Qualidade da Informação de Criminalidade; Segurança Patrimonial; Segurança Pessoal; e Violência Sexual.

Com isso, o Estado foi a sétima unidade federativa que menos apresentou evolução positiva nestes três anos, com nota média de variação de 58,01.

 

inquérito Civil

MPMS investiga Hapvida por suposto descaso com crianças autistas em Campo Grande

Inquérito Civil apura denúncias de falhas no atendimento de fonoaudiologia e terapia ocupacional prestado pela operadora a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em Campo Grande.

17/07/2026 16h19

MPMS investiga denúncias sobre atendimento a crianças com TEA prestado pela Hapvida em Campo Grande.

MPMS investiga denúncias sobre atendimento a crianças com TEA prestado pela Hapvida em Campo Grande. Foto: Divulgação

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um Inquérito Civil para investigar denúncias de supostas falhas no atendimento terapêutico oferecido pela operadora Hapvida a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em Campo Grande.

A investigação busca esclarecer se houve descaso na prestação de serviços essenciais, especialmente nas áreas de fonoaudiologia e terapia ocupacional, consideradas fundamentais para o desenvolvimento e a qualidade de vida dos pacientes. 

A medida foi adotada pela 25ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, que converteu um Procedimento Preparatório em Inquérito Civil após considerar necessária uma apuração mais aprofundada das denúncias recebidas.

A investigação tem como alvo a Hapvida Assistência Médica S.A. e busca esclarecer possíveis falhas na prestação dos serviços terapêuticos destinados a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

De acordo com o edital publicado no Diário Oficial do MPMS desta sexta-feira (17), o objeto da investigação é apurar possíveis irregularidades no atendimento multidisciplinar destinado a crianças com TEA.

Entre os serviços citados estão a fonoaudiologia e a terapia ocupacional, especialidades consideradas indispensáveis para estimular habilidades de comunicação, desenvolvimento motor, autonomia e interação social de crianças diagnosticadas com o transtorno. 

Atendimento é considerado essencial

Especialistas apontam que o tratamento do Transtorno do Espectro Autista depende da continuidade das terapias e do acompanhamento por equipes multiprofissionais.

A interrupção ou a demora no acesso a esses atendimentos pode comprometer significativamente a evolução clínica dos pacientes, especialmente na primeira infância, período considerado decisivo para o desenvolvimento cognitivo e social.

Nos últimos anos, a judicialização envolvendo planos de saúde e tratamentos para pessoas com TEA tem crescido em todo o país. Entre as principais reclamações apresentadas por familiares estão a dificuldade para agendamento de consultas, redução da carga horária das terapias, falta de profissionais credenciados e demora na autorização de procedimentos.

Investigação busca esclarecer denúncias

Com a instauração do Inquérito Civil, o Ministério Público poderá requisitar documentos, solicitar informações à operadora, ouvir envolvidos e reunir elementos que permitam verificar se houve eventual violação aos direitos dos consumidores e das crianças atendidas.

Caso sejam constatadas irregularidades, o procedimento poderá resultar na celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ou até no ajuizamento de uma ação civil pública para obrigar a empresa a corrigir as falhas identificadas e garantir a adequada prestação dos serviços.

O edital divulgado pelo MPMS não detalha quais situações específicas motivaram as denúncias nem informa o número de crianças supostamente afetadas. A investigação, neste momento, tem caráter apuratório e busca reunir provas para verificar a procedência das reclamações apresentadas. 

O que diz o MPMS

Segundo a publicação oficial, o objetivo do Inquérito Civil é "apurar denúncias de descaso no atendimento terapêutico multidisciplinar (fonoaudiologia e terapia ocupacional) destinado a crianças com TEA por parte da operadora Hapvida". 

A reportagem do Correio do Estado entrou em contato com a Hapvida e encaminhou questionamentos sobre a instauração do Inquérito Civil e as denúncias apuradas pelo Ministério Público. Até a publicação desta matéria, a empresa não havia se manifestado. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.

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