O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estará em Mato Grosso do Sul na próxima quinta-feira (25) para uma agenda que inclui a visita técnica às obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas, e anúncios ligados à reforma agrária no município de Ponta Porã. Esta será a segunda passagem do chefe do Executivo pelo Estado em 2026.
Em Três Lagoas, a visita está prevista para as 9h, na área da UFN3, localizada na BR-158, km 25, no Jardim Santa Lourdes. À tarde, às 13h, Lula segue para o Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, onde participa de cerimônia de entrega de títulos de terra e anúncios voltados ao fortalecimento da política de reforma agrária.
A ida de Lula a Três Lagoas ocorre em meio ao processo de retomada das obras da UFN3, empreendimento estratégico da Petrobras que ficou mais de 10 anos paralisado e teve a reconstrução oficialmente reativada neste ano.
A unidade é considerada uma das principais apostas do governo federal para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados, especialmente em um cenário de instabilidade global do mercado de insumos agrícolas.
Segundo o projeto, a conclusão da UFN3 demanda investimento estimado em cerca de US$ 1 bilhão, aproximadamente R$ 5 bilhões. A obra foi estruturada em 11 pacotes de contratação e deve envolver majoritariamente empresas brasileiras, com participação de consórcios internacionais em algumas etapas.
No pico das atividades, a construção deve gerar entre 7 mil e 8 mil empregos diretos, além de milhares de postos indiretos na economia regional, com impacto concentrado em Três Lagoas e municípios do entorno.
Quando entrar em operação, prevista para o primeiro semestre de 2029, a unidade terá capacidade de produção de 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia, podendo atender até 15% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados.
Histórico
Iniciada originalmente como parte da estratégia de expansão do setor de fertilizantes no país, a UFN3 teve suas obras interrompidas há mais de dez anos. Desde então, o projeto foi alvo de revisões, reavaliações técnicas e tentativas de retomada.
A Petrobras voltou a anunciar a reativação do empreendimento no início deste ano, dando início à contratação de fornecedores e à mobilização de empresas responsáveis pela execução das etapas da obra. A expectativa da estatal é de que a construção avance de forma contínua após a consolidação dos contratos, com mobilização completa do canteiro ao longo do ciclo de execução.
Mesmo após o longo período de paralisação, a avaliação técnica da companhia é de que a estrutura existente foi preservada, permitindo aproveitamento de parte das instalações já construídas, embora com necessidade de inspeções, ajustes e recalibração de equipamentos.
O projeto também depende diretamente do fornecimento de gás natural, estimado em cerca de 2,3 milhões de metros cúbicos por dia, insumo essencial para a produção de fertilizantes nitrogenados.
Reforma agrária
Após a agenda em Três Lagoas, o presidente segue para Ponta Porã, onde participa de uma série de ações voltadas à reforma agrária. Entre os destaques estão a entrega de 1.390 Títulos de Domínio para famílias assentadas em diferentes municípios sul-mato-grossenses, além da concessão de créditos do Programa Fomento Mulher e recursos habitacionais para 42 famílias.
Também estão previstas novas medidas de regularização fundiária em territórios quilombolas, a construção de moradias na Comunidade Tia Eva, em Campo Grande, e o lançamento de uma turma de Engenharia Agronômica vinculada ao Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), em parceria com a UEMS.
A comitiva presidencial ainda deve anunciar ações de aquisição de áreas para novos assentamentos em municípios como Dourados e Jaraguari, ampliando a política de distribuição de terras no Estado.



