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reforma agrária

Lula deve visitar pela 3ª vez assentamento de MS que virou símbolo nacional

Palco da visita será o assentamento Itamarati, onde ele passou em 2003 e em 2016. O mesmo assentamento também já recebeu o ex-presidente Jair Bolsonaro

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Enquanto o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) faz uma espécie de peregrinação em feiras agropecuárias pelo Brasil, o presidente Lula, seu principal oponente na disputa pela presidência na eleição de outubro, deve visitar, pela terceira vez, o assentamento Itamarati, em Ponta Porã, no sul de Mato Grosso do Sul. O assentamento é uma espécie de símbolo daquilo que os petistas consideram sucesso dos programas de reforma agrária brasileira.

O mesmo assentamento, criado ainda durante o mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, também já recebeu o ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período de pré-campanha eleitoral de 2022. 

De acordo com o deputado federal e pré-candidato ao Senado Vander Loubet (PT), a visita de Lula está confirmada e possivelmente no começo da próxima semana serão definidos os detalhes. "Confirmou que vem e ainda está definindo a data. Muito provável que definam esta data na segunda-feira (8) e o tamanho da agenda", afirmou o deputado na noite desta sexta-feira.

A visita mais recente do presidente Lula a Mato Grosso do Sul ocorreu em 22 de março de 2026, quando participou da abertura da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, a COP15. Antes disso, participou, em dezembro de 2024, de um evento simbólico de inauguração da fábrica de celulose da Suzano em Ribas do Rio Pardo. Meses antes, em 31 de julho de 2024, esteve em Corumbá.

Bem antes disso, porém, o presidente já visitou o assentamento Itamarati em duas épocas distintas. A primeira vez foi em 18 de março de 2003, logo depois da criação do assentamente e menos de três meses depois de sua posse para o primeiro mandato. 

Na época, ele chegou a pilotar uma colheitadeira de milho e recebeu a doação de 15 toneladas do grão, produzidas por pequenos agricultores, para o programa Fome Zero, que acabara de ser lançado e fora transformado em uma das principais marcas de seu primeiro mandato. 

Ele voltou a Ponta Porã em 24 de agosto de 2016, uma semana antes de o Senado confirmar a cassação do mandato da ex-presidente Dilma Roussef.  O encontro serviu como um palanque para Lula criticar o processo de impeachment que estava em andamento na época e mobilizar a base do Partido dos Trabalhadores e do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) em defesa do mandato da ex-presidente. No dia 31 de agosto ela acabou sendo afastada em definitovo.

Com cerca de 50 mil hectares, a fazenta Itamaraty, que pertencia ao chamado rei da soja, o empresário Olacir de Morais, chegou a ser a maior fazenda produtora de soja do país. Porém, o produtor entrou em decadência e as terras foram tomadas por uma série de movimentos de sem-terra, entre eles o MST. 

Em meio às invasões, em 2002, durante o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, as terras começaram a ser divididas e quase três mil famílias acabaram sendo beneficiadas ao longo dos anos seguintes.

E, por conta do seu simbolismo nacional, em 29 de março de 2022, durante a pré-campanha para a reeleição, o assentamento também recebeu a visita do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tentava se aproximar de um eleitorado que normalmente ele fazia questão de se mostrar distante.

Na data, foram entregues 2.667 títulos de propriedade rural aos antigos beneficiários da reforma agrária que moram no assentamento. Na ocasião, também foi anunciada a concessão de 8.330 documentos de titulação - entre provisórios e definitivos - em 164 áreas de reforma agrária de 51 municípios do Estado, num claro aceno para um público que antes recebia pouca atenção do então presidente, que meses depois acabaria perdendo a disputa justamento para Lula.

Conforme o depuado federal Vander Loubet, esta terceira visita do presidente Lula ao assentamente servirá para que seus aliados em Mato Grosso do Sul, principalmente o candidato a governador, Fábio Trad, consigam mais visibilidade e possam apresentar suas propostas de campanha. 

OPONENTE

O cenário escolhido pelo presidente em Mato Grosso do Sul é bem diferente ao de seu principal oponente. No último dia 9 de abril o senador Flávio Bolsonaro (PL) participou da abertura da 86ª Expogrande, uma feira promovida pelos representantes dos grandes produtores da pecuária e da agricultura.  

Um dos momentos altos do evento ocorreu quando fez um passeio a cavalo em meio a centenas de seguidores. Pouco mais de um mês depois, em 13 de maio, viria a público o escândalo sobre a liberação de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse (cavalo azarão), que conta a tragetório política do pai de Flávio. 

Além desta feira, o pré-candidato do PL já participou de eventos do mesmo gênero em Sinop (MT), Brasília, São Paulo, Minas Gerais e na próxima terça-feira (9) deve passar pela feira de Luiz Eduardo Magalhães, um grande polo do agronegócio no oeste da Bahia. 

 

ENDIVIDADA

Com usina em MS, Raízen pede recuperação extrajudicial por dívida de R$ 64 bi

A usina, controlada pelo empresário Rubens Ometto, funciona em Caarapó. No ano passado o grupo vendeu duas outras usinas que tinha no Estado

06/06/2026 07h11

Duas unidades das Raízen em Mato Grosso do Sul foram vendidas em agosto do ano passado para grupo paulista

Duas unidades das Raízen em Mato Grosso do Sul foram vendidas em agosto do ano passado para grupo paulista

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A Raízen submeteu, nesta sexta-feira, 5, à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo, o Plano de Recuperação Extrajudicial para reestruturar a dívida de R$ 64,7 bilhões da companhia. Em Mato Grosso do Sul a Raízen controla somente uma usina, em Caarapó. As outras duas ela vendeu em 2025 por cerca de 1,5 bilhão.

Através da publicação de Fato Relevante, a empresa anunciou a adesão de 75,45% dos credores ao plano, como já havia adiantado a apuração do Estadão/Broadcast. Todos os grupos de credores, isto é, detentores de títulos internacionais, títulos locais e bancos, apoiaram a proposta.

A expectativa era de que o documento fosse protocolado na Justiça entre esta sexta-feira, 5, e a segunda-feira, 8.

Entre as principais medidas do plano está a injeção de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell, além da possibilidade de aporte adicional de R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações, ligada à família do empresário Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan S.A..

O plano também prevê a conversão de 45% da dívida reestruturada em participação acionária e a substituição, refinanciamento ou aditamento dos 55% restantes por meio de novos títulos de dívida

A empresa informou ainda que pretende avançar com desinvestimentos e reorganizações societárias para fortalecer a estrutura financeira da companhia.

EMPRESA BRASILEIRA

Uma empresa genuinamente brasileira, a Cocal Agroindústria, pertencente à família paulista Garms, com longo histórico no setor de usinas de cana, deixou para trás outra interessada e comprou duas das três usinas da Raízen em Mato do Grosso do Sul em agosto do ano passado.

A Cocal, que tem duas usinas no estado de São Paulo, desembolsou R$ 1,543 bilhão pelas usinas Passa Tempo e Rio Brilhante, ambas no município sul-mato-grossense de Rio Brilhante. As duas unidades, com capacidade anual para processamentos seis milhões de toneladas de cana, estavam na mira da Atvos, que já tem três outras usinas em Mato Grosso do Sul. 

Desde 2021 as duas usinas vendidas em agosto pertenciam à Raízen, do Grupo Cosan, controlado pelo bilionário Rubens Ometto. Desde o começo de 2025 ele tentava se desfazer das unidades e em junho de 2025 chegou a ser anunciado que elas estavam prestes a ser vendidas a Atvos.

Na unidade de Caarapó, que tem capacidade para moagem de 4,1 milhões de toneladas por ano, A Raízen investiu em torno de R$ 1,3 bilhão desde 2023 para a produção de etanol de segunda geração. 

Com o investimento, além da produção de etanol ‘normal’, a usina passou a produzir etanol de segunda geração, que é produzido a partir dos resíduos restantes do processo de fabricação do etanol comum e do açúcar.

(Com informações da Agência Estado)

Nova Vítima

Chikungunya avança em Mato Grosso do Sul e registra 22ª morte em 2026

Idoso de 78 anos morreu após complicações da doença; caso ainda não consta no boletim estadual mais recente

05/06/2026 18h00

Reprodução/SES/Bruno Rezende

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Dourados confirmou nesta sexta-feira (5) mais uma morte causada pela chikungunya. A vítima foi um idoso de 78 anos, elevando o número de óbitos registrados pela doença em Mato Grosso do Sul.

Com o novo registro, o município chega a 14 óbitos confirmados e o Estado soma 22 mortes associadas à chikungunya em 2026. O caso foi divulgado no Relatório Epidemiológico Diário de Monitoramento da Febre Chikungunya de Dourados.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o paciente apresentou os primeiros sintomas em 14 de maio e foi internado no dia seguinte no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD). Ele morreu na quarta-feira (3).

Morador da área urbana de Dourados, o idoso possuía doença respiratória crônica e diabetes, condições consideradas fatores de risco para o agravamento do quadro clínico da chikungunya.

Apesar da confirmação do novo óbito, a morte ainda não consta no boletim epidemiológico mais recente da Secretaria de Estado de Saúde (SES), divulgado na segunda-feira (1º) e referente à 21ª semana epidemiológica.

Na ocasião, Mato Grosso do Sul contabilizava 21 mortes confirmadas pela doença e outros dois óbitos em investigação.

Perfil das vítimas

Dos 14 óbitos registrados em Dourados desde o início da epidemia, dez ocorreram entre indígenas e quatro entre moradores da área urbana do município.

Os dados mostram que boa parte das vítimas estava na faixa etária entre 69 e 82 anos. Também foram registradas mortes de bebês de um e três meses, uma criança de 12 anos e adultos com idades entre 29 e 55 anos.

A Secretaria Municipal de Saúde informou ainda que subiu para quatro o número de mortes sob investigação por suspeita de chikungunya.

Na área urbana, os casos analisados envolvem:

  • Uma mulher de 74 anos, com doença renal crônica e hipertensão arterial;
  • Um homem de 71 anos, com diabetes;
  • Um homem de 43 anos, sem comorbidades relatadas.

Já na Reserva Indígena, aguarda-se o resultado dos exames de um jovem de 19 anos que apresentou os primeiros sintomas em 14 de março e morreu em 29 de maio no Hospital da Missão.

A confirmação dos casos é realizada pelo Laboratório Central de Mato Grosso do Sul (Lacen), em Campo Grande, responsável pela análise das amostras encaminhadas pelos municípios.

Itaporã também registrou morte

Na semana passada, Itaporã confirmou o primeiro óbito por chikungunya registrado no município em 2026. A vítima foi um homem de 50 anos que apresentou coinfecção por influenza e chikungunya, situação em que o paciente é infectado simultaneamente pelos dois vírus.

Segundo as autoridades de saúde, ele também possuía comorbidades, entre elas doença cardiovascular crônica, imunodeficiência ou imunossupressão e histórico de tabagismo.

Mais de 12 mil casos prováveis no Estado

Conforme o último boletim epidemiológico da SES, divulgado na segunda-feira (1º), Mato Grosso do Sul acumula 12.811 casos prováveis de chikungunya em 2026. Desse total, 6.360 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

As mortes confirmadas até o boletim anterior ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna e Itaporã. Entre as vítimas fatais, 12 apresentavam algum tipo de comorbidade, fator que pode contribuir para a evolução mais grave da doença.

O avanço dos casos mantém o alerta das autoridades sanitárias, especialmente nos municípios que registram elevada circulação do vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.

Dourados concentra quase metade dos casos

Dourados segue como o principal epicentro da chikungunya em Mato Grosso do Sul. O município soma 3.112 casos confirmados, o equivalente a praticamente metade de todos os registros do Estado.

Os municípios com maior número de casos confirmados são:

  • Dourados: 3.112;
  • Fátima do Sul: 588;
  • Jardim: 345;
  • Sete Quedas: 278;
  • Corumbá: 222;
  • Batayporã: 197;
  • Bonito: 183;
  • Aquidauana: 163;
  • Paraíso das Águas: 156;
  • Amambai: 155.

Ranking de incidência preocupa

Quando analisada a proporção de casos em relação ao tamanho da população, alguns municípios apresentam situação ainda mais preocupante que Dourados.

O ranking estadual de incidência de casos prováveis por 100 mil habitantes é liderado por Douradina:

  • Douradina: 4.464 casos por 100 mil habitantes;
  • Paraíso das Águas: 3.103,4;
  • Fátima do Sul: 3.047,2;
  • Batayporã: 2.875,3;
  • Sete Quedas: 2.737,9;
  • Dourados: 2.379,1.

Os índices são considerados elevados pelas autoridades de saúde e refletem a intensidade da transmissão da doença em diversas regiões de Mato Grosso do Sul.

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