Cidades

Rio de janeiro

Mães de desaparecidos esperam por DNA de 213 ossadas

Mães de desaparecidos esperam por DNA de 213 ossadas

G1

21/09/2014 - 11h16
Continue lendo...

Entre 2000 e 2009, 213 ossadas foram encontradas no Rio de Janeiro. Os dados da CPI de Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes da Câmara dos Deputados, concluída em junho de 2014, deixam mães e parentes de crianças desaparecidas à espera de novas informações. Em meio ao clamor por notícias, a Polícia Civil inaugura nesta segunda-feira (22) a Delegacia de Paradeiro de Desaparecidos, ampliando a seção de Desaparecidos, que já funcionava na Delegacia de Homicídios da capital. Entre as primeiras ações, está prevista a realização de exames para comparar ossos achados com material genético de familiares.

Quatro mães conversaram com o G1 sobre suas histórias. Com casos de filhas desaparecidas entre 2001 e 2010, elas receberam a confirmação da titular da nova delegacia, Elen Souto, de que serão chamadas ainda nesta semana para testes de DNA. O objetivo é descobrir se a busca pelo paradeiro das filhas terá um final. Entre os locais onde ossadas foram encontradas, segundo a CPI, estão um terreno da Aeronáutica na Avenida Brasil e um cemitério clandestino em Manguinhos, na Zona Norte da Cidade.

Raquel Gonçalves Cordeiro da Silva, de 43 anos, mãe de Larissa Gonçalves Santos, sequestrada no dia 31 de janeiro de 2008 aos 11 anos de idade, espera que a nova delegacia consiga trazer uma solução para o caso. A filha foi sequestrada dentro de casa na Barreira do Vasco, em São Cristóvão. O sequestrador de Larissa, o oficial da Marinha Fernando Marinho de Melo, de 57 anos, foi preso em janeiro de 2014, condenado a sete anos de prisão, que está cumprindo em Bangu 8. Ele é apontado como o responsável pelo desaparecimento de várias crianças nos últimos anos para exploração sexual.

Mesmo com o sequestrador preso, Raquel se angustia em pensar o que pode ter acontecido com a filha. “Uma coisa é você saber que morreu, não tem volta. Outra é não ter certeza de nada. Você cria seus filhos, faz planos para eles, e de repente para para pensar que ela virou um monte de ossos enterrados na lama. E como o sequestrador não diz onde o corpo está?”, questiona.

Raquel espera que os exames de DNA comprovem que uma das ossadas analisadas pela nova delegacia seja de Larissa. “Se for isso mesmo, ele também será julgado por homicídio”, explica. “Tenho 43 anos, mas me sinto como se tivesse com 100 anos de idade quando penso nisso. Tenho que tomar remédios há 3 anos, meu filho não faz nada sozinho, minha família ficou destruída. É assim que eu posso resumir minha vida desde então”, conta, abatida.

Há a suspeita de que Fernando Marinho de Melo também seja o responsável pelo desaparecimento de Thaís de Lima Barros, que tinha 9 anos quando foi raptada da porta da casa de um parente, onde estava com um primo, em 22 de dezembro de 2002, na Vila Kennedy, em Campo Grande, na Zona Oeste. Segundo testemunhas, um homem foi visto atrás de uma árvore próxima ao local, pouco antes de Thaís desaparecer. Quando a menina e o primo entraram em casa, o homem fez o mesmo e a raptou.

“Quando eu cheguei, ela já tinha sido levada. Muita gente que eu nunca tinha visto estava andando pelo bairro com uma foto da minha filha, e aí eu comecei a ficar preocupada. Eu e meu marido começamos a procurar, fizemos um registro na 34ª DP, mas pouco foi feito depois disso”, relata a mãe, que desde 2005 espera para fazer um exame de DNA. “Preciso saber o que houve com a minha filha, de qualquer forma.”

Traumas
A busca por notícias de um filho desaparecido pode causar sérios danos psicológicos a quem passa por isso. Ingrid Vanessa Cunha Pitanga, de 10 anos, estava levando o primo para a escola localizada na Rua Nilópolis, em Realengo, na Zona Norte do Rio, na manhã do dia 6 de setembro de 2001. A mãe, Elisangela Cunha Germano, contou que estava fazendo serviços de manicure para uma cliente idosa e que encontraria a filha perto do colégio. Quando não a viu, a primeira coisa que pensou foi que ela teria se acidentado e sido encaminhada para o Hospital Albert Schweitzer, no mesmo bairro.

“Ela não era de sumir, não era de fazer isso. Fui até o hospital, mas lá ela não estava. A ficha só caiu mesmo à noite, e a família inteira chorou. O pior é que ninguém viu nada”, conta a mãe, que não teve outros filhos depois dessa situação.

Após um surto, em 2008, seu psiquiatra pediu sua aposentadoria em 2009. Ela se mantém sã atualmente à base de calmantes e antidepressivos. O pior medo é que o fato se repita com outras crianças. “São 13 anos que espero por um novo exame, por notícias. E soube no último ano de pelo menos três casos. Não quero nunca que outras pessoas passem pelo que eu passei.”

Ainda na Zona Norte, em 2010, foi a vez de Lenivanda Souza ser surpreendida pelo desaparecimento da filha Gisela Andrade de Jesus, que tinha 8 anos. Estudante da Escola Municipal Bahia, na Avenida Brasil, Gisele estava saindo do colégio no início da tarde do dia 25 de fevereiro. Parou em um posto de gasolina para beber água, como sempre fazia após as aulas. Pouco depois das 13h, no entanto, desapareceu.

Cemitérios clandestinos
Lenivanda voltava do hospital, onde esperava grávida por um exame. Quando chegou em casa e soube do que acontecera, passou mal. Mesmo procurando exaustivamente nas favelas do da Maré, onde morava, nunca se viu rastros de Gisele. Uma denúncia em novembro de 2013, no entanto, chamou a atenção dela e de outras mães de desaparecidos.

“Soubemos que havia uma denúncia de cemitério clandestino no Fundão, com várias ossadas. Já sabíamos que haviam recolhido ossadas em um terreno na Avenida Brasil, mas essa denúncia nova fez com que pedíssemos mais uma vez por DNA. Vamos ver se agora sai. Eu creio que minha filha possa estar viva, mas não custa tentar fazer o exame”, diz, entre a angústia e a esperança.

A Polícia Civil afirma que foi até o Fundão para verificar a denúncia de um cemitério clandestino, mas que nada encontrou.

Apesar da síndrome do pânico adquirida após o sequestro e os três anos tomando remédios controlados, Lenivanda segue a vida. O que lhe dá forças é o filho Gabriel, de 4 anos, gerado em meio ao drama do desaparecimento. “Ele que leva luz para a minha vida. Deus tirou ela da minha vida, mas me deu ele”, conta ela.

Pedidos da comissão
O texto da CPI, presidida pela deputada Erica Kokay (PT) e com a deputada Liliam Sá (PR) como relatora, pede melhorias para o assunto no Rio de Janeiro. Segundo o relatório final, o Rio possui um déficit de 48 conselhos tutelares. De acordo com o Conselho Nacional de Direitos da Criança e Adolescente (Conanda), a recomendação é de um Conselho Tutelar para cada 100 mil habitantes. A decisão de fazer exames de DNA em ossadas encontradas entre 2000 e 2009 foi feita após sugestão da CPI.

O relatório afirma ainda que é necessário criar Varas da Infância e Juventude especializadas em crimes contra crianças e adolescentes, “visto que as existentes não estão dando conta de todos os processos, o que causa lentidão na tramitação e em consequência a impunidade”.

OBRAS

Licitação de R$ 96 mi será lançada para asfaltar rodovia que liga MS a MT

A Agesul comunicou que o processo licitatório será aberto no dia 15 de setembro e prevê a pavimentação de 30 km da MS-215

21/08/2026 10h45

Continue Lendo...

A Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) realizará a licitação para obra de implantação e pavimentação da rodovia MS-215. O trecho liga o final do município de Pedro Gomes ao início da região da Serra do Amasílio.

O aviso de lançamento de licitação foi comunicado no Diário Oficial do Estado, na edição desta sexta-feira (21). O valor total da licitação está estimado em R$ R$ 96.495.685,96 para pavimentar 30,15 km da rodovia.

Mães de desaparecidos esperam por DNA de mais de 200 ossadas
Rodovia MS-215 liga o Estado a Mato Grosso

A MS-215 é a rodovia que liga o município de Pedro Gomes ao estado de Mato Grosso. A cidade mato-grossense que faz divisa com Pedro Gomes é Alto do Araguai, tendo o Rio do Peixe como limite natural entre os dois estados.

A rodovia possui cerca de 120 quilômetros de extensão e tem uma importância grande na região, já que os proprietários rurais a usam para escoar suas produções e também receber insumos.

O critério para escolha da empresa será o menor preço. A abertura do processo para escolher a empresa que será responsável pelas obras do trecho está marcado para o dia 15 de setembro, às 10h30 (local).

Assine o Correio do Estado

TRAGÉDIA

Arquiteta de MS morre após carro capotar e cair em canal no Paraná

Veículo saiu da pista durante a madrugada, mas acidente só foi descoberto quase cinco horas depois

21/08/2026 10h30

Larissa do Nascimento Viana, de 24 anos, era natural de Angélica (MS), formada em Arquitetura e Urbanismo pela UFMS e cursava mestrado na UEM, no Paraná

Larissa do Nascimento Viana, de 24 anos, era natural de Angélica (MS), formada em Arquitetura e Urbanismo pela UFMS e cursava mestrado na UEM, no Paraná Divulgação

Continue Lendo...

Uma arquiteta sul-mato-grossense e duas jovens paranaenses morreram após o carro em que viajavam sair da pista, atingir um guard-rail, capotar e cair em uma valeta alagada às margens da BR-376, em Mandaguaçu, no Paraná. O acidente ocorreu na madrugada de quinta-feira (20), mas o veículo só foi localizado horas depois.

Entre as vítimas está Larissa do Nascimento Viana, de 24 anos, natural de Angélica, em Mato Grosso do Sul. As outras duas ocupantes foram identificadas como Maria Clara de Almeida, de 26 anos, natural de Colorado (PR), e Maria Eduarda da Silva Vanderlei, de 21 anos, de Quinta do Sol (PR).

Conforme as informações do portal Dourados Agora, o acidente teria ocorrido por volta das 3h40. No entanto, o veículo permaneceu fora da pista e parcialmente encoberto pela área alagada até aproximadamente 8h30, quando foi avistado por um pedestre que caminhava às margens da rodovia.

O homem percebeu as rodas do automóvel para fora da água e acionou o socorro. Equipes do Corpo de Bombeiros, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da concessionária EPR Paraná foram mobilizadas para atender a ocorrência. 

Quando as equipes chegaram ao local, as três ocupantes já estavam sem vida. Devido à posição em que o automóvel ficou após o acidente, foi necessário içá-lo para a retirada das vítimas.

Larissa era natural de Angélica, município localizado a cerca de 260 quilômetros de Campo Grande, e filha de um policial militar da cidade. Ela deixa um filho.

A jovem era formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), no câmpus de Naviraí. Atualmente, morava no Paraná, onde cursava mestrado na área de Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Maria Eduarda da Silva Vanderlei também tinha vínculo com a UEM, onde era acadêmica do curso de Biotecnologia. Maria Clara de Almeida era natural do município paranaense de Colorado.

Após o trabalho das equipes de resgate, os corpos foram retirados do local e encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML) de Maringá.

A Perícia Técnica e a Polícia Civil do Paraná devem apurar as circunstâncias do acidente, incluindo o que teria provocado a saída do veículo da pista.

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).