Cidades

REIVINDICANDO A TERRA

Magno de Souza e mais nove ainda aguardam julgamento e advogado teme novas prisões

Apenas indígena de 77 anos, detido após conflito, foi liberado; advogado do Conselho Indigenista considera prisões arbitrárias

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Mais de uma semana após serem presos, o ex-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul pelo Partido da Causa Operária (PCO) e mais nove, aguardam julgamento em cárcere e, como o acampamento indígena segue - na região de plano do condomínio de luxo em Dourados -, advogado do Conselho Indigenísta teme novas prisões. 

Conforme Anderson Santos, advogado do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Magno de Souza aguarda julgamento de habeas corpus, no Tribunal Regional Federal, situação semelhante de outros nove indígenas conduzidos no mesmo dia após o conflito. 

Segundo o advogado, é difícil prever quanto tempo mais os indígenas podem passar presos, mas ele acredita que "já na semana que vem o desembargador deve dar decisão". 

Ele frisa que, no contexto do conflito, apenas o indígena de 77 anos foi liberado, após intermediação da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul. 

Ainda, inclusive por ser a reserva indígena mais populosa do País, Anderson comenta que esse é um problema sério na região do entorno de Dourados. 

"A estimativa agora é de que tenha mais de dois mil indígenas ali. E uma parte da área da reserva foi subtraída, por aquela rodovia que liga Dourados a Itaporã, então, de 3600 ha, que estaria no decreto quando foi criada, reduziu para 2.400, então está transbordando de gente, que não cabe mais ali", diz ele. 

Também, Anderson faz questão de ressaltar que, como os indígenas montaram acampamento após a primeira ocupação de 7 de abril - no terreno em que a Corpal Incorporadora toca uma obra para construção de um condomínio de luxo -, o temor da vez é que novas prisões aconteçam. 

Desdobramentos

Sendo uma empreiteira multimilionária, a Corpal só repassou no dia 10, após as prisões dos indígenas, informações solicitadas (ainda em 15 e 29 de maço) pelo Ministério Público Federal, que pedia a paralisação das obras até que as autorizações e licenças fossem comprovadas.

Segundo o site da Incorporadora, o empreendimento de luxo que está sendo erguido próximo ao Anel Viário é o "Portofino", um condomínio Spa Resort com terrenos a partir de 300 m². 

Com salão de festas; espaço para boliche; playground e piscinas, além de quadras poliesportivas e pomar, a obra do empreendimento só deu início à duas (serviços preliminares e fechamento perimetral) das onze etapas de implantação, que sequer foram finalizadas. 

Após a prisão houve ainda incêndios, ateados por civis, às casas dos indígenas, na madrugada do dia 10 que, conforme a Assembleia Geral do povo Kaiowá e Guarani, Aty Guasu, pertenciam aos mesmos 10 membros presos no domingo. 

“Famílias, mulheres, crianças ocas/casas dos presos indígenas Guarani Kaiowá foram atacadas e incendiadas pelos pistoleiros da empresa”, apontou a organização nas redes sociais. 

Vale ressaltar que estudos estão sendo feitos no entorno da reserva, porém, como bem destaca Anderson, nada foi concluído ainda. 

"Nesses últimos quatro anos não teve nenhum passo dado em relação às demarcações. E aí surgem esses conflitos, porque a cidade está avançando até a área que os indígenas reivindicam. Cidade de Dourados também já está ultrapassando o anel viário, e tem gerados esses conflitos. Uma situação complicadíssima de resolver", diz


Para o advogado, as prisões até então foram arbitrárias e, a esperança é que, agora, a Funai consiga gerir melhor os processos de demarcação.

"[As prisões, foram] somente para conter a retomada. Que consiga de fato, logo, estabelecer qual reivindicação que existe no entorno da reserva Jaguapiru e Bororó, que não é uma terra demarcada e trabalhada em relação à constituição de hoje, foi criada apenas para confinar os indígenas lá", conclui.

 

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Execução

Jovem de 19 anos é executado a tiros em garagem de veículos do pai em MS

Vitor Orsini foi atingido por pelo menos três disparos na cabeça; dupla chegou de motocicleta, fugiu após o crime e segue sendo procurada pela polícia.

07/08/2026 19h47

Perícia realiza levantamentos no local onde Vitor Orsini, de 19 anos, foi baleado em Dourados.

Perícia realiza levantamentos no local onde Vitor Orsini, de 19 anos, foi baleado em Dourados. Foto: Divulgação

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Um jovem de 19 anos, identificado como Vitor Orsini, morreu após ser alvo de vários disparos de arma de fogo na tarde desta sexta-feira (7), em uma garagem de veículos localizada na Avenida Hayel Bon Faker, no Jardim Água Boa, em Dourados. Dois homens em uma motocicleta são apontados como autores do ataque e continuam sendo procurados.

O crime ocorreu em frente à Gauchinho Veículos, estabelecimento de compra e venda de veículos seminovos pertencente ao pai de Vitor, situado em uma das principais vias da cidade. Vitor estava na área externa da loja, entre os automóveis expostos, quando a dupla se aproximou.

Conforme as informações apuradas inicialmente pelas forças de segurança, os suspeitos chegaram em uma motocicleta e um deles efetuou diversos disparos contra o jovem. Pelo menos três tiros atingiram a região da cabeça da vítima.

As primeiras informações levantadas durante a ocorrência indicam que uma pistola calibre 9 milímetros teria sido utilizada no homicídio. A confirmação do armamento, no entanto, dependerá dos exames periciais e balísticos realizados durante a investigação.

Após o ataque, os dois homens deixaram rapidamente o local na motocicleta. Até o momento, não há informação sobre a identificação ou prisão dos envolvidos.

Equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram mobilizadas e realizaram os primeiros procedimentos de emergência. Os socorristas chegaram a fazer manobras de reanimação e colocaram Vitor em uma ambulância para encaminhá-lo ao Hospital da Vida.

Apesar dos esforços das equipes de resgate, o jovem não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu antes de dar entrada na unidade hospitalar.

O pai de Vitor estava nas proximidades e entrou em desespero ao encontrar o filho baleado. A movimentação das equipes policiais e de socorro chamou a atenção de pessoas que estavam na região.

Câmeras podem ajudar a identificar dupla

Após o homicídio, policiais militares isolaram a área para preservar possíveis vestígios deixados pelos autores. A Polícia Científica realizou os levantamentos periciais que deverão auxiliar na reconstrução da dinâmica do ataque.

Investigadores da Polícia Civil também estiveram no endereço e começaram a reunir informações sobre os responsáveis pelo crime.

Imagens das câmeras de segurança da garagem e de outros estabelecimentos próximos deverão ser analisadas na tentativa de identificar a motocicleta utilizada e os dois suspeitos.

A motivação do homicídio ainda é desconhecida e será apurada pela Polícia Civil. Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão a trajetória dos autores antes e depois do ataque e se Vitor já vinha sendo acompanhado pelos criminosos.

Por causa da ocorrência, parte do trânsito na Avenida Hayel Bon Faker precisou ser interrompida temporariamente durante o trabalho das equipes de segurança e perícia, provocando congestionamento na região.

A avenida onde ocorreu o assassinato é uma das principais ligações viárias de Dourados, atravessando diferentes regiões da cidade e servindo como acesso entre a área central e as rodovias BR-163 e BR-463.

Moto usada no crime é encontrada abandonada

No inicio da noite desta sexta-feira, a investigação ganhou um novo elemento após a Guarda Municipal localizar a motocicleta que teria sido utilizada pelos suspeitos durante o ataque.

A Honda Biz vermelha foi encontrada abandonada no fim da Rua Rui Barbosa, na Vila Cachoeirinha, nas proximidades da Estação de Tratamento de Esgoto da Sanesul, após uma denúncia.

O veículo havia sido furtado durante a madrugada, por volta das 1h40, na Avenida Marcelino Pires, e pertencia a uma jovem de 22 anos.

A suspeita é de que a moto tenha sido usada pela dupla para chegar ao estabelecimento e fugir após os disparos. O veículo deverá passar por perícia e pode fornecer novos elementos para auxiliar na identificação dos autores, que permanecem foragidos.

As forças de segurança realizam buscas para localizar os dois homens. O caso será investigado como homicídio pela Polícia Civil.

 

Levantamento

Pais estão menos presentes na criação de filhos, aponta estudo

Brasileiro consolidou ideia de que o bom pai é o presente no dia a dia

07/08/2026 19h00

Agência Brasil

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Metade dos brasileiros acredita que os pais da atualidade estão menos presentes na criação dos filhos do que os das gerações anteriores. Em contrapartida, oito em cada dez brasileiros consideram alta ou muito alta a importância dos pais na vida dos filhos. 

A constatação é de estudo do Instituto Nexus. Foram entrevistados 2.013 pessoas de diferentes regiões do país. Um fator que ficou evidente na pesquisa foi a divergência de percepções sobre o papel do pai entre os homens e as mulheres consultadas.

Entre as mulheres, 56% acreditam que os pais participam menos do que antes, enquanto 31% acreditam que estão mais presentes. Entre os homens, a percepção é equivalente, com 44% achando que a participação é maior hoje, enquanto outros 44% afirmam que diminuiu.

Quanto à importância na paternidade, 81% dos homens a classificam como alta ou muito alta no desenvolvimento dos filhos, em comparação com 73% das mulheres. 

Ao analisar as faixas etárias, observa-se que 82% dos jovens de 16 a 24 anos de idade a consideram importante. Por outro lado, esse reconhecimento reduz-se para 62% entre as pessoas com 60 anos ou mais.

O estudo também avaliou a definição prática do que é ser um “bom pai” e aponta que 49% da população considera “ser presente no dia a dia” como a principal característica. Em seguida surge educar/orientar com limites (19%), demonstrar carinho e afeto (8%), dar exemplo (7%) e oferecer segurança financeira (3%). 

A presença diária é apontada por 53% das mulheres como o mais relevante para definir um bom pai, superando os 45% registrados entre os homens. 

A imposição de limites na educação e orientação é tida como o principal atributo por 21% do público masculino e 17% do feminino.

O convívio paterno no dia a dia é visto como mais importante entre a população de 25 a 40 anos (56%) e a de 16 a 24 anos (55%). Os mais velhos consideram a educação a caraterística mais importante. O índice é superior entre a faixa de 41 a 49 anos (24%) e de 60 anos ou mais (26%).

"O brasileiro já consolidou a ideia de que o bom pai é aquele presente no dia a dia, deixando para trás a figura do mero provedor financeiro. O desafio agora está na prática", avalia Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. 

"O fato de metade da população enxergar os pais de hoje como menos participativos do que os do passado mostra que o discurso avançou mais rápido do que a mudança real de comportamento dentro de casa”, acrescenta.

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