Cidades

Mato Grosso do Sul

Maioria dos residentes em favelas são mulheres, negras e mães solo

Dados são de pesquisa realizada pela Central Única de Favelas em todo o Estado

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De 2020 para 2021 foi registrado um aumento de mulheres vivendo em favelas em Mato Grosso do Sul e, de acordo com dados da Central Única das Favelas (Cufa), 70% dos moradores das 38 favelas existentes na Capital, são mulheres. 

Dentro dessas mulheres vivendo em favelas, 70% são mulheres negras, 58,9% são solteiras, viúvas ou divorciadas, 46,6% têm até dois filhos, e 34,6% tem até quarto filhos.

Segundo explicou a coordenadora da  Cufa de Mato Grosso do Sul, Lívia Lopes, o levantamento foi feito a partir de um cadastro, além do contato com essas mulheres quando as mesmas buscam doações. 

“Chegamos nessa porcentagem a partir de um levantamento que fizemos com o preenchimento de um cadastro que temos em nosso sistema, esse contato acontece quando essas mulheres vêm buscar doações”, disse.  

Conforme a coordenadora da Cufa Campo Grande, Leticia Polidorio, inúmeros fatores propiciam o número majoritário do sexo feminino em comunidades carentes, como o desemprego, falta de documentação e, nos últimos dois anos, a pandemia.

“Essas mulheres enfrentam a informalidade do emprego, que é muito grande por conta da falta de documentação e por conta do desemprego, a falta de oportunidade." 

"E aí temos como agravante nos últimos anos, a pandemia, que ocasionou o fechamento das escolas, a paralisação dos serviços informais que essas mulheres conseguiam fazer, com faxina, sendo babá ou vendendo produtos na rua." 

"Tudo isso fortalece a permanência delas nas favelas, além da chegada de outras mulheres”, explicou.

Moradora da comunidade do Mandela, a jovem atualmente desempregada e mãe solo de duas crianças, uma menina de três anos e um menino de sete meses, Lauana Taina Nunes da Silva, 24 anos, faz parte dessa estatística de mulheres vivendo em favelas em Campo Grande.  

Lauana, mora na comunidade há cinco anos, ela relata que enfrenta alguns problemas com a residência, principalmente quando chove e partes do local precisam ser trocadas, além da falta de energia em alguns dias.  

“Aqui não pagamos aluguel ou água e luz, mas temos gastos com a nossa casa, por exemplo, quando chove  molham as coisas e quebram, e precisamos trocar, porque não é uma casa nova, algo seguro, mas vivo bem aqui, não estou reclamando." 

"Temos também falta de energia, às vezes passamos um dia todo sem luz, mas damos o nosso jeito”, conta Lauana.  

Para a jovem, o problema com a estrutura de sua residência e a falta de energia é o de menos, perto do preconceito e julgamento das pessoas sobre quem vive em favelas. 

“Tenho problemas, muitos, mas nada se compara ao julgamento das pessoas sobre nós, eu vejo isso principalmente quando sai matérias sobre as favelas de Campo Grande nos jornais."

"As pessoas nos xingam, falam que somos largados, folgados, que não queremos trabalhar ou estudar e eu sei que isso não é verdade, eu me formei em psicologia no final de 2020."

"Estudei muito e me esforcei, ainda não trabalho na área porque não tive oportunidade, as outras mulheres aqui também são muito guerreiras, todas batalham muito”, relatou.

Também vice-líder da comunidade, Lauana explica que não voltou a trabalhar após sua licença maternidade acabar pois não tinha com quem deixar seus filhos.  

“Não voltei para o trabalho porque não tinha com quem deixar meus filhos, então pedi para sair." 

"Mas vou dar meu jeito e vou voltar a trabalhar no ano que vem, no momento, minha família me ajuda com alguns gastos, comprando um remédio, algo que eu preciso muito as vezes ganho em doações também, minhas vizinhas ajudam e assim tem sido”, relata a jovem.

Atualmente com 175 famílias, a comunidade do Mandela, na Capital, é liderada por sete mulheres.

CRIANÇAS

Leticia Polidorio explica que a Cufa de Campo Grande visa atender as mães solo, para que essas tenham algum suporte para dar o que comer aos seus filhos.

“Atendemos todos que precisam, mas principalmente as mães, imagina a angústia dessas mulheres quando as crianças vão para casa e não tem alimentos para eles comerem, por isso focamos muito nesse público”, disse.  

Na última atualização realizada pela Cufa aponta que 5 mil crianças estão vivendo em favelas em Campo Grande, dessas, 200 são da comunidade do Mandela, dos quais dois são filhos de Lauana.

A líder do Mandela, Greiciele Naiara Ferreira, 26 anos, explica que o ano foi difícil para todos, principalmente para as crianças, também mãe solo, de três pequenos. 

Greiciele relatou à reportagem que nenhuma criança da comunidade recebeu brinquedo no dia das crianças deste ano.  

“Tudo está muito difícil para todos, esse ano recebemos menos doações, e eu entendo, todos estamos tentando sobreviver como podemos, mas no dia das crianças foi um momento bem delicado."

"A gente mãe, nos esforçamos ao máximo para que não falte nada para eles, sabemos que em vista de outras crianças eles têm pouco, mas nos esforçamos para suprir as necessidades, só que no dia das crianças não pudemos fazer nada, a não ser confortá-los quando vimos o dia passar e eles não receberem nenhum brinquedo”, diz.

DOAÇÕES

De janeiro a novembro de 2021, as comunidades do Estado receberam 46 toneladas de doações de alimentos durante 2021.

Conforme divulgado em coletiva de imprensa da Cufa, a Central atua em cinco cidades de Mato Grosso do Sul, sendo Campo Grande, Três Lagoas, Ivinhema, Corumbá e Amambai. 

Ainda durante o ano, foram distribuídos 1.320 cartões de alimentação para as famílias e, no ano passado, 400 cestas básicas foram entregues.

Outro dado importante foi a entrega de 5 mil kits de higiene para as mulheres, contendo absorvente, desodorante, shampoo e condicionador. Em Campo Grande, 33 favelas foram atendidas.

Segundo Letícia Polidorio, os alimentos mais doados neste ano foram arroz e feijão e os menos doados são, leite, ovos e carne. 

“Por incrível que pareça, mesmo com o preço muito elevado, recebemos muitas doações de arroz e feijão, mas em contrapartida, quase não recebemos de carne, ovos e leite, seria muito bom poder fornecer esses alimentos para essas pessoas, mas estamos trabalhando para conseguir parcerias”.  

Para o Natal, a Cufa está se mobilizando para arrecadar frango para distribuir para as famílias. 

“A Cufa está em contato com alguns parceiros e tentando fazer novos, para podermos fazer o Natal dessas pessoas um pouquinho melhor, esse ano vamos arrecadas frangos para eles ceiar, e aceitamos doações”, contou Letícia. 

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falsificação documental

Esquema de diplomas falsos é alvo da Polícia Civil em interior de MS

Suspeitos ofereciam 'serviço' de falsificação dos documentos e diziam a estudantes de escolas estaduais que não era necessário ir a aulas e provas

27/05/2026 11h30

Divulgação

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga um esquema de falsificação de diplomas do ensino médio em duas cidades do interior do estado, Bataguassu e Santa Rita do Rio Pardo, a 310 e 242 quilômetros da Capital, respectivamente. Os investigados de comprar os documentos falsos são menores de idade.

A investigação iniciou após uma escola estadual identificar irregularidades em documentos apresentados por alguns estudantes. De acordo com as informações policiais os certificados de conclusão do ensino médio eram pagos por pix.

Para conseguir o serviço, os alunos contatavam um dos suspeitos, que prometia emitir os documentos sem necessidade dos alunos frequentarem a escola ou realizarem as provas.

Até o momento, a investigação apreendeu históricos escolares e certificados suspeitos, além dos comprovantes de pagamento feito nas negociações. A polícia aponta o envolvimento de mais de uma pessoa, mas não divulgou identificação e quantos são os envolvidos.

Porém, entre os envolvidos, há indivíduos de fora do ambiente escolar que também adquiriram outros documentos falsos, além de suspeitos maiores de idade, que agiam no contato e abordagem dos 'clientes' e em movimentações financeiras.

As duas cidades que ocorrem a investigação são vizinhas e apresentam distância de aproximadamente 68 quilômetros.

O caso segue em andamento para identificação completa dos envolvidos no esquema, assim como a organização e modus operandi da produção e comercialização da falsificação.

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Em MS

Mulher é condenada por ofensas racistas contra a ex-cunhada em Terenos

O caso aconteceu em 2023 e os insultos e ameaças foram feitos partir de áudios enviados via Whatsapp

27/05/2026 10h30

A ré foi condenada à dois anos de prisão por injúria racial e um mês pelas ameaças

A ré foi condenada à dois anos de prisão por injúria racial e um mês pelas ameaças Foto: Divulgação

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Após atuação do Ministério Público de Mato Grosso Sul (MPMS), uma mulher foi condenada em Terenos pelos crimes de ameaça e racismo (injúria racial equiparada), por ofensas direcionadas à ex-cunhada. A atuação aconteceu por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Terenos. 

O caso ocorreu em junho de 2023 e completará três anos no próximo mês, na época do acontecimento a ré encaminhou áudios por meio do Whatsapp para familiares da vítima e proferindo inúmeras ofensas verbais de cunho racista, ainda nos áudios foram feitas ameaças de violência física e morte. 

Entre os conteúdo dos áudios encaminhados à vítima constava ameaças como “não sairia viva” e ainda declarou que “cortaria o pescoço” dela e de seus filhos. Em depoimento a vítima confirmou os fatos e alegou ter sentido medo real das ameaças. 

A irmã da vítima confirmou o acontecido e afirmou ter recebido os áudios contendo insultos de cunho racial e ameaças à ofendida.

Já a defesa da ré negou parte dos fatos, sustentando o argumento que estava fazendo apenas um mero desabafo em um contexto de abalo emocional. Ela ainda alegou que não se recorda de ter feito as ameaças mencionadas na denúncia. 

Porém o Juízo recusou a alegação da defesa e acolheu a denúncia do MPMS, reconhecendo que as provas se mostraram coerentes e suficientes para a condenação. 

Por fim, a ré foi condenada a 2 anos de prisão, pelo crime de injúria racial equiparada e um mês de detenção pelo crime de ameaça, inicialmente ela irá cumprir em regime aberto. 

Ainda foi fixado pelo Juízo um pagamento de dez dias-multa, quando o condenado é obrigado a pagar uma quantia ao Fundo Penitenciário Nacional (FUMPEN), tendo em vista a gravidade das ameaças. 
 

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