Sem prazo de entrega, a ponte de guerra ainda não foi instalada, mas travessia de pedestres não é mais por barco
Pouco de completar um mês após a 'Ponte do Rio do Peixe' não resistir ao peso de um caminhão, devido às condições de infraestrutura enfraquecida pela chuva durante fevereiro, o Exército Brasileiro instalou, na última terça-feira (17), uma passarela acima do córrego para retornar o acesso dos pedestres à região.
Anteriormente, como acompanhou e noticiou o Correio do Estado, a ponte caiu na manhã do dia 22 de fevereiro, enquanto a carreta realizava a travessia na MS-080. A ponte de concreto sofreu degradação ao longo daquele mês devido ao alto volume de chuvas acumulados na região e, no dia em que cedeu, levou parte da carreta para o rio. Por sorte, não houve feridos.

Carreta chegou a ficar pendurada entre o asfalto e a água. Foto: Idest
Então, após o ocorrido, a via ficou interditada, e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) do Governo Federal reconheceu como situação de emergência no município de Rio Negro.
Naquele momento, a travessia de pedestres estava sendo feita por barcos no rio, com apoio do Exército na cidade. A Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) foi até a cidade, no dia 26 de fevereiro, junto com o Exército, e avaliou a situação, com planejamento de instalação da chamada "ponte de guerra".
Sem prazo de entrega, a ponte provisória ainda não foi instalada, mas, durante essa semana, o Comando Militar do Oeste (CMO) foi à região e instalou a passarela que 'resolve' provisoriamente a travessia de pedestres que precisam realizar a passagem por aquele local.
Na instalação foram enviados 20 militares para realizar o serviço e a previsão é que a passarela permaneça disponível no local por oito meses e possa ser utilizada pelos pedestres das 6h às 18h. Confira o vídeo enviado à reportagem, gravado durante o processo de instalação da passarela:
Como apurado pelo Correio do Estado ainda no início deste mês, o Exército aguardava o aval do governo para começar a construção da ponte de guerra, que retornaria com o tráfego de veículos na região.
Conforme resposta do Comando Militar do Oeste (CMO), a situação exigiria um relatório prévio da situação da ponte e uma nova conversa aconteceria com a Prefeitura. “É algo muito técnico. Não temos um prazo porque depende de outros envolvidos. O exército faz a avaliação, mas precisamos da informação de outros órgãos para finalizar o relatório”.
Para os moradores e aqueles que utilizavam a ponte, a rota desde fevereiro tem sido as demais alternativas por outras rodovias, como a BR-163 (indo por São Gabriel do Oeste) e BR-419 (indo para Corumbá).
Nas redes sociais, a Prefeitura de Rio Negro registrou a instalação da passarela emergencial, mas não definiu o prazo de entrega da ponte para veículos (ponte de guerra), e na legenda ressaltou que está dependendo do Governo do Estado.
"Em breve, será realizada a instalação de uma ponte provisória do tipo LSB, que permanecerá em operação até que o Governo do Estado providencie a construção de uma ponte definitiva"
Ponte de Guerra
O modelo de ponte LSB tem capacidade para suportar até 80 toneladas com extensão de 60 metros - Foto: DivulgaçãoO modelo de ponte LSB (Ponte de Acesso Logístico) é uma estrutura desenvolvida durante a Segunda Guerra Mundial e, por isso, leva o nome de 'ponte de guerra'. Ela é usada essencialmente em rotas de abastecimento, modernizada para tráfegos pesados, substituição de pontes civis estragadas e pontes provisórias.
Além do Brasil, seu projeto tem sido utilizado em diversos países do mundo, como Alemanha, África do Sul, Irlanda, Filipinas, Camarões, Paquistão, Escócia, Reino Unido, Nova Guiné, Madagascar, País de Gales, Trinidad e Tobago e República do Congo.
Por ser feita com materiais leves e modernos, sua montagem pode ser feita à mão ou com o uso de equipamentos leves, podendo ser desmontada e guardada. Ela tem suporte para aguentar a passagem de tanques de guerra e é facilmente transportada.
A estrutura tem capacidade para suportar até 80 toneladas e sua montagem é rápida, podendo ser instalada em vãos fixos ou sobre flutuadores, alcançando extensões de até 60 metros.
*Saiba
No município de Rio Negro, localizado a 155 quilômetros de Campo Grande, foram 250 milímetros de chuvas intensas acumuladas até o dia 4 de fevereiro, e interditou temporariamente a MS-080 por alagamentos na rodovia.
Além disso, a chuvarada abriu inúmeros buracos na MS-080, principalmente entre Campo Grande e Corguinho, fato que gerou reclamações de motoristas que trafegam semanalmente pela via.
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