Cidades

ASSÉDIO SEXUAL

Marquinhos tem vitória parcial, mas polícia ainda investiga 3 casos

Ex-prefeito conseguiu trancar investigação policial com relação a supostas vítimas; inquérito pode ser prorrogado

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O ex-prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PSD) conseguiu uma vitória parcial na Justiça de Mato Grosso do Sul. Na terça-feira (4), a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) concedeu o habeas corpus que pediu o trancamento do inquérito policial em relação a três vítimas.

No entanto, o político ainda é investigado por outros três casos, segundo a própria defesa de Trad.

Marquinhos Trad foi denunciado por 16 mulheres por assédio sexual, tentativa de estupro e favorecimento à prostituição, entretanto, no mês passado, a defesa do ex-prefeito já havia conseguido desqualificar como vítima 10 mulheres no caso, restando ainda seis em investigação.

Os primeiros seis casos a serem trancados teriam ocorrido há mais tempo, quando Marquinhos Trad era deputado estadual, por isso, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) entendeu que eles já estavam prescritos.

O entendimento foi acompanhado pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, substituta na 3ª Vara Criminal.
Ainda em setembro, a juíza Eucelia Moreira Cassal se manifestou pelo arquivamento de outros quatro casos investigados.

Já nesta terça-feira, a defesa conseguiu sua terceira “vitória”. Segundo o relator do habeas corpus, desembargador Luiz Claudio Bonassini da Silva, da 3ª Câmara Criminal do TJMS, o relato de três mulheres que se disseram vítimas do ex-prefeito não configurou crime.

Sobre a primeira delas, que disse ter recebido mensagem do ex-prefeito dizendo “Quer ser minha?”, após ter ido ao seu gabinete pedir emprego, o desembargador afirma que apenas a tentativa de relação sexual não configurou assédio porque, ao receber resposta negativa, Marquinhos não teria tentado novamente.

“Resta cristalino que, inobstante na percepção de [o nome da vítima será preservado] o paciente tenha expressado uma intenção libidinosa, o que não se discute, o fato é que nenhuma conduta que possa configurar qualquer ato libidinoso, mesmo na forma tentada, foi posta em prática. Mesmo no que toca às mensagens posteriormente remetidas via aplicativo de celular, pelas quais resta clara a efetiva intenção libidinosa, ao receber a resposta firme em sentido contrário, o paciente recuou, sem qualquer insistência. Diante de tais fundamentos, conclui-se que a conduta do paciente em relação a [vítima], conforme as declarações por ela prestadas, e acima transcritas, é penalmente atípica”, afirma o desembargador. 

Em relação a outras duas denunciantes, o desembargador alega que não houve coação para a prática sexual em troca de cargos, uma vez que as mulheres afirmaram ter mantido relações sexuais consensuais com o ex-prefeito.

Outro ponto que o relator também ponderá é a denúncia de favorecimento à prostituição. Bonassini frisa que a prostituição em si não é considerada um crime, e que neste ano o ex-prefeito não estaria na posição de exploração da prática de prostituição, e sim utilizando o serviço das jovens.

“O primeiro ponto a ser destacado na análise da tipificação do delito de favorecimento à prostituição ou outra forma de exploração sexual, previsto pelo artigo 228 do Código Penal, é o de que a prostituição, em si, não é prevista como crime. É, sim, uma atividade lícita, desde que praticada voluntariamente por pessoas maiores e capazes. O que a lei pune é a exploração da pessoa que pratica atos de prostituição, de qualquer forma”, diz o desembargador em sua decisão. 

“Outro ponto de fundamental importância reside no fato de a doutrina pátria definir que referido delito destina-se, precipuamente, à punição das pessoas que exploram a prostituição de terceiros, e não daquelas que se prostituem ou de quem se utiliza dos préstimos sexuais destas para a satisfação da própria lascívia”, completou Bonassini. 

Após todo este exposto, o desembargador votou pelo trancamento destas três investigações que ainda estavam com a Polícia Civil. O voto foi acompanhado por unanimidade pela 3ª Câmara Criminal do TJMS.

“O prosseguimento das investigações nessa esfera contra o mesmo, exclusivamente, não a outras pessoas eventualmente envolvidas, e apenas em relação aos fatos extraídos das declarações constantes dos termos acima analisados, constitui constrangimento ilegal, sanável via habeas corpus, de maneira que, acatando o pedido formulado pela inicial, e em atenção ao Princípio da Legalidade, insculpido no inciso XXXIX do art. 5º da Constituição Federal, voto pela concessão da presente ordem, determinando o trancamento do Inquérito Policial nº 3007/2022, que tramita na 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Campo Grande, em relação a tais fatos”, concluiu.
O MPMS pode recorrer da decisão, mas o órgão ainda não se manifestou sobre a questão. 

NÃO ACABOU

Apesar dessa vitória, pelo menos mais três casos ainda seguem em análise na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), com a delegada Maíra Pacheco.

O número foi confirmado pela advogada de Marquinhos Trad, Andréa Flores, ao Correio do Estado. Ainda segundo ela, para esses outros casos em que o ex-prefeito ainda é apontado como possível agressor sexual, um novo habeas corpus foi ingressado, mas ainda não houve resultado.

A Polícia Civil tem até o dia 18 deste mês para concluir o inquérito contra o ex-prefeito, no entanto, como há um feriado na semana que vem e há esse HC para ser julgado, a Deam já trabalha com a possibilidade de um novo pedido de dilatação do prazo.

O caso segue sendo investigado em segredo de Justiça.

OITIVA

O ex-prefeito ainda não foi ouvido pela Deam no bojo das investigações, isso porque, na data em que a delegacia havia programado para Marquinhos Trad ser ouvido, ele não compareceu, alegando não ter sido intimado. 

Como foi candidato ao governo do Estado, Marquinhos Trad solicitou que o depoimento ocorresse após o pleito eleitoral. Apesar de estar fora do segundo turno, ainda não há nova data da oitiva.

SAIBA

O ex-prefeito Marquinhos Trad alega ser inocente das acusações de assédio sexual, tentativa de estupro e favorecimento à prostituição. Ele, no entanto, confessou ter mantido relações sexuais consentidas com duas das supostas vítimas.

Campo Grande

Conversão proibida à esquerda na Avenida Afonso Pena gera multa a partir de segunda-feira

O valor da multa para conversão proibida é de R$ 195,23 e o condutor perde 5 pontos na carteira de motorista

24/04/2026 14h15

Conversão à esquerda já é proibida no cruzamento da Afonso Pena com a Rua Bahia e passa a valer em outros trechos

Conversão à esquerda já é proibida no cruzamento da Afonso Pena com a Rua Bahia e passa a valer em outros trechos FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Termina na próxima segunda-feira (27) o período educativo para as rotas de conversão à esquerda na Avenida Afonso Pena que passaram a ser proibidas na última semana pela Agência de Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) em Campo Grande. 

Isso significa que a partir da próxima semana, os motoristas que vierem pela Avenida Afonso Pena e entraram à esquerda nas ruas Treze de Maio, 25 de Dezembro, Pedro Celestino e Padre João Crippa, receberão multa. 

O reordamento viários já está em funcionamento nestes trechos, seguindo o modelo adotado na Rua Bahia, onde a proibição da conversão já está valendo. 

O acesso às vias, agora, deve ser feito utilizando o "laço de quadra", que é o contorno do quarteirão para acessar a via. Essa medida ajuda a distribuir o fluxo do trânsito, evitando congestionamentos em pontos estratégicos. 

De acordo com o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), o valor da multa para conversão proibida à esquerda é de R$ 195,23, além de resultar em 5 pontos na CNH. 

Até o fim do período educativo, ou seja, até este domingo (26), equipes da Agetran permanecem nos locais orientando motoristas e reforçando as mudanças na circulação. 

Mudanças nas vias

A reordenação dos pontos de conversão à esquerda na região central é uma uma forma que a prefeitura encontrou de reduzir a concentração de veículos em alguns locais e de dar maior fluidez ao trânsito na avenida.

“Percebemos que as caixas [faixas de vias que cruzam a avenida] não suportam o volume de tráfico, então, fizemos vários estudos, contamos o número de carros para encontrar uma solução. Essas conversões travam uma das faixas, então, as mudanças são para evitar que isso aconteça”, explicou Ciro Vieira Ferreira, atual diretor-presidente da Agetran e que foi superintendente no Estado da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

As mudanças, porém, não ficarão apenas no Centro. Segundo o novo diretor-presidente, vários estudos estão em andamento para os bairros, e o primeiro a receber as mudanças será o São Francisco.

“Vamos colocar mão única em todas as ruas, da Amazonas até a Rachid Neder, para dar mais fluidez e segurança no trânsito. Isso deve reduzir os conflitos que haviam em alguns pontos de mão dupla, principalmente próximo à Rachid. Isso vai otimizar o trânsito, principalmente na região norte, e reduzir sinistros”, afirmou Ferreira ao Correio do Estado.

No São Francisco, as Ruas Pedro Celestino, Padre João Crippa, José Antônio e 13 de Junho, no trecho entre a Avenida Rachid Neder e a Rua Amazonas, passam a ter mão única, assim como a Rua Alegrete, entre a Rua Brasil e a Rua José Antônio. 

Segundo a prefeitura, também serão implantados semáforos nos cruzamentos das Ruas Arthur Jorge e José Antônio com a Avenida Rachid Neder.

Assim como na Afonso Pena, as mudanças serão feitas de forma gradual. Outros bairros, segundo o diretor-presidente da Agetran, também estão sendo estudados.

pacote do bndes

Gigante da construção vence 'no tapetão' outra licitação milionária em MS

Empreiteira capixaba foi desclassificada porque ofereceu desconto muito alto para asfaltar 23 km da MS-134. A empresa Caiapó, do consórcio Caminhos da Celulose, fará a obra

24/04/2026 13h45

A empreiteira Caiapó havia ficado em segundo lugar na licitação para pavimetar estrada que liga Casa Verde à MS-040

A empreiteira Caiapó havia ficado em segundo lugar na licitação para pavimetar estrada que liga Casa Verde à MS-040

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Depois de oferecer a melhor proposta, com desconto de 5,8% sobre o valor máximo estipulado no edital da licitação, a empreiteira capixaba Contek Engenharia foi desclassificada e a Agesul convocou a segunda colocada, a gigante goiana Construtora Caiapó para asfaltar 23 quilômetros da MS-134.

Esta mesma empreiteira, Caiapó, já havia vencido no tapetão outra disputa bilionária em Mato Grosso do Sul,  que é a concessão dos 870 quilômetros da chamada Rota da Celulose, um negócio da ordem de R$ 10,1 bilhões.

O valor máximo para asfaltamento de 23 quilômetros da MS-134, rodovia que liga o distrito de Casa Verde (município de Nova Andradina) à MS-040 (rodovia que liga Campo Grande a Santa Rita do Pardo), foi estipulado em R$ 101,97 milhões. Mas, a Contek acabou desbancando a Caiapó e se ofereceu para fazer a obra por R$ 96,062 milhões.

A segunda colocada, após uma série de 20 lances apresentados em 16 de dezembro do ano passado, saiu da disputa após apresentar a proposta de R$ 96,317 milhões, uma diferença a maior de R$ 255 mil. 

Depois daquela data, a Contek fez os ajustes oficiais exigidos pela Agesul e somente faltava a declaração oficial de que havia vencido. Porém, em 25 de março ela acabou sendo oficialmente desclassificada porque os técnicos da Agesul entenderam que ela não atendeu aos "requisitos do Edital, conforme detalhado no parecer técnico".

Entre estes requisitos, conforme parecer técnico de engenheiros da Agesul, está o fato de a Contek ter informado que utilizaria areia, pedrisco e brita, entre outros produtos, com valores até 38% abaixo do  máximo estipulado no edital. Este edital, por sua vez, prevê que nenhum item poderia ter redução superior a 25%, sob pena de prejudicar os concorrentes. Ou seja, a primeira colocada foi desclassificada porque ofereceu desconto muito alto. 

E, depois da desclassificação, a Construtora Caiapó foi chamada e já apresentou sua proposta formal, conforme a ata do certame atualizada no último dia 14. Agora falta somente a homologação oficial do vencedor. 

Mas, apesar da desclassificação da primeira colocada, ainda assim a licitação para asfaltar os 23 quilômetros da MS-134 terá deságio bem superior à média das obras de pavimentação lançadas pela Agesul nos dois últimos anos. 

Em média, o desconto nestas licitação tem sido da ordem de 1% sobre o valor máximo estipulado para as pavimentações bancadas pelos R$ 2,3 bilhões liberados pelo BNDES em setembro de 2024 para Mato Grosso do Sul. 

A maior delas, a pavimentação de 63 quilômetros da MS-320, entre Inocência e Três Lagoas, foi contratada com deságio zero, por  R$ 276.169.461,16. 

Em setembro do ano passado, na denúncia contra o prefeito de Terenos, Henrique Wancura Budke (PSDB), e outros 25 supostos integrantes de um esquema de fraudes em licitações, o procurador-chefe do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Romão Ávila Milhan Junior, cita que o normal em licitações públicas seria um deságio entre 15% e 37%. Ele se baseou em levantamentos do Tribunal e Contas da União (TCU).

GIGANTE

Ao contrário da Contek, que supostamente havia vencido sua primeira licitação em Mato Grosso do Sul, a Construtora Caiapó, que  foi derrotada em campo e venceu no tapetão, é velha conhecida nos projetos de engenharia em Mato Grosso do Sul. 

Ela particiou em cerca de 15 licitações do pacote de obras do BNDES, mas não havia vencido nenhuma, pois nem chegava a entrar na disputa de preços. Mas, neste período foi declarada vencedora da licitação que concedeu à iniciativa privada a concessão de 870 quilômetros de rodovias pelos próximo 30 anos na chamada Rota da Celulose em Mato Grosso do Sul (BR-262, BR-267 e MS-040).

A Caiapó é acionista minoritária do consórcio Caminhos da Celulose, que desde fevereiro é responsável pela manutenção das rodovias e que no começo do próximo ano deve começar a cobrar pedágio. 

Inicialmente, conforme leilão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) em 8 de maio do ano passado, o consórcio liderado pela XP Investimentos e integrado per uma série de construtoras, havia ficado em segundo lugar, pois ofereceu deságio de 8% sobre o valor máximo da tarifa de pedágio. O vencedor ofereceu desconto de 9%. 

Porém, depois que a empresa K-Infra, uma das integrantes do primeiro colocado, perdeu a concessão de BR-393, no Rio de Janeiro, o Governo do Estado atendeu a pedido  do segundo colocado, em em agosto dpo ano passado desclassificou o consórcio e acabou assinando contrato com a Caiapó e demais empresas.

Conforme o edital, a empresa vencedora tetá de fazer 115 km em duplicações, 245 km em terceiras faixas, 12 km de marginais, implantação de 38 km em contornos em três cidades. A malha passará ainda a ter 100% de acostamento, o que representa mais de 450 quilômetros. 

OBRAS GIGANTESCAS

Além de vencer o leilão da privatização das rodovias, um negócio superior a R$ 10 bilhões, a Caiapó é responsável pela pavimentação da BR-419, entre Rio Verde de Mato Grosso e Aquidauana, e integra o consórcio que está implantando os 13 quilômetros da alça de acesso da BR-267 à ponte sobre o Rio Paraguai, em Porto Murtinho. Somente por esta obra da rota bioceânica vai faturar R$ 472 milhões, sem contabilizar os tradicionais aditivos, que normalmente acrescentam 25% ao preço original.  

 

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