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Seis anos depois, CNJ pune desembargador que libertou megatraficante

Divoncir Maran foi punido com a pena máxima, de aposentadoria compulsória. Porém, ele já está aposentado desde abril de 2024

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Quase seis anos depois de denúncia feita por um juiz de Três Lagoas, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu de forma unânime, durante a 1ª Sessão Ordinária de 2026, realizada nesta terça-feira (10), impor a pena de aposentadoria compulsória ao desembargador Divoncir Schreiner Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

A punição decorre da decisão que autorizou a prisão domiciliar do traficante Gerson Palermo, condenado a 126 anos de prisão por tráfico de drogas, no feriado de Tiradentes em abril 2020. Porém, a punição terá pouco efeito prático, pois o desembargador já está aposentado desde abril de 2024, quando completou 75 anos.

O benefício de soltura foi concedido durante a pandemia de Covid-19, com base na alegação de um quadro de saúde supostamente debilitado, mesmo sem laudo médico comprovando o alegado. O magistrado determinou o uso de tornozeleira eletrônica e o condenado acabou fugindo e passou à condição de foragido do sistema prisional. Até hoje ele não foi recapturado.

Segundo o relator do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) 0005965-80.2023.2.00.0000, conselheiro João Paulo Schoucair, o caso extrapola os limites da independência judicial e revela grave desvirtuamento da função jurisdicional.

“Não se trata de punir juiz ou desembargador por decidir, mas sim de um caso absolutamente singular, que envolve a concessão de prisão domiciliar a um criminoso notório, integrante de organização criminosa, condenado a mais de 120 anos de prisão”, afirmou.

O relator destacou que o beneficiado possuía extensa trajetória criminal, com condenações por tráfico internacional de drogas, além de ser conhecido na região por sua elevada periculosidade. Ainda assim, a prisão domiciliar foi concedida sem laudo médico que comprovasse o estado de saúde debilitado. “A decisão reconhece a enfermidade sem qualquer prova nos autos que sustentasse esse movimento”, ressaltou.

João Paulo Schoucair também apontou irregularidades graves na tramitação do Habeas Corpus, como o conhecimento prévio do conteúdo do pedido antes mesmo de sua distribuição formal e a alteração do fluxo procedimental do gabinete.

Segundo ele, a decisão já estaria orientada antes mesmo de o processo ser designado ao magistrado. “Houve determinação antecipada quanto ao provimento, comprometendo a imparcialidade e a normalidade do procedimento”, disse.

Outro ponto destacado foi o tempo incomum de análise do caso. De acordo com o relator, o Habeas Corpus, com cerca de 208 páginas, foi decidido em aproximadamente 40 minutos. Para ele, o fato evidencia a ausência da cautela e da prudência exigidas. “Trata-se de decisão flagrantemente inadequada, configurando grave violação aos deveres funcionais inerentes ao exercício da atividade jurisdicional”, afirmou.

O conselheiro afirmou haver indícios de terceirização indevida da atividade jurisdicional, ao relatar que servidores teriam assinado decisões em nome do desembargador, além de citar elementos colhidos em investigação da Polícia Federal que apontam movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada.

Ao concluir o voto, João Paulo Schoucair afirmou que os fatos apurados demonstram ofensa à imparcialidade, à prudência, à honra e ao decoro da função judicante. “Diante desse cenário, não há outra pena possível que não seja a aposentadoria compulsória”, declarou.

Além do escândalo relativo à soltura do megatraficante, o desembargador aposentado também foi alvo da operação Ultima Ratio, da Polícia Federal, em outubro de 2024. Segundo as suspeitas da PF, ele fazia parte de um esquema de venda de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Na ocasião, cinco desembargadores foram afastados. Um conseguiu retomar o cargo, um se aposentou e três seguem afastados. 

 

 

Aos 96 anos

Morre Tarsila Barros de Souza, artista que participou da criação dos símbolos de MS

Artista plástica e professora dedicou mais de três décadas ao ensino e teve obras marcantes na história cultural do Estado

13/04/2026 19h15

Foto: Arquivo Pessoal

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Figura importante na construção do Estado, morreu nesta segunda-feira (13), aos 96 anos, a artista plástica Tarsila Barros de Souza, única mulher entre as mentes que pensaram a criação dos símbolos oficiais de Mato Grosso do Sul.

Com Alzheimer há 16 anos, ela estava há seis meses no Hospital São Julião, na Capital e morreu em razão de uma infecção generalizada. Ela deixa um legado na formação de artistas e na produção cultural do Estado.

Tarsila integrou o processo de escolha dos símbolos oficiais (brasão, bandeira e hino) sul-mato-grossense durante a divisão do Estado, oficializada pela Lei Complementar nº 31/1977, separação oficializada em 1º de janeiro de 1979.

Natural de Campo Grande, a artista (também conhecida como Sila Passarelli), iniciou seu interesse pela pintura aos 15 anos. Com o apoio da mãe, teve aulas com Elga Barone e, posteriormente, com Ignês Corrêa da Costa. Um dos marcos de sua carreira foi a pintura de uma criança de mãos juntas, exibida na loja Casa Moderna, em 1950.

Ao longo de 35 anos, a artista se dedicou ao ensino de artes plásticas. Durante esse período, incentivou a formação de novos talentos e fazia questão de incluir obras de suas alunas em exposições, como destacou ao Correio do Estado sua filha Deborah Passarelli.

"Minha mãe foi uma figura muito importante na construção do Estado, se tem uma coisa que eu sou grata é sobre a maneira como Mato Grosso do Sul reconhece e homenageia o trabalho dos meus familiares", disse Déborah, filha do poeta e escritor Germano de Barros Souza, membro fundador da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.

As obras de Tarsila foram exibidas em diversos espaços da Capital, além de cidades como Cuiabá, São Paulo, Rio de Janeiro e Ponta Porã. Um de seus trabalhos integra o acervo do Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul (Marco).

Além da pintura em tela, ela também se destacou na pintura em porcelana. Foi responsável por pintar os ladrilhos da Igreja São João Bosco.

Integra, entre tantos nomes, o livro “Mato Grosso do Sul – Criação e Instalação 30 anos”, publicado em 2010, documento histórico sobre a história do Estado com base no acervo fotográfico do jornalista Roberto Higa.

Saiba*

O velório da artista plástica acontece das 8h às 14h no cemitério Jardim das Palmeiras, em Campo Grande.

 

tempo

Temporal causa alagamentos e previsão indica mais chuvas durante a semana

Chuvas rápidas e fortes devem ocorrer pelo menos até quinta-feira em Mato Grosso do Sul

13/04/2026 18h30

Água invadiu a calçada em vários pontos da região central

Água invadiu a calçada em vários pontos da região central Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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As chuvas que caíram em Campo Grande na tarde desta segunda-feira (13) causaram alagamentos em alguns pontos da cidade. Durante o temporal, os ventos chegaram a quase 50 km/h e mais de 650 raios caíram sobre a Capital.

De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, o maior acumulado de chuva foi na região central, com 47,3 mm, seguido pelas regiões do Shopping Campo Grande e Carandá, onde choveu 47,3 mm.

Ainda segundo o meteorologista, choveu 5,8 mm na região sul da cidade, e 3,8 mm na região do Jardim Panamá.

Na Avenida Fernando Correa da Costa, esquina com a Avenida Calógeras, a água tomou conta da rua e também invadiu a calçada em alguns pontos. 

A mesma situação ocorreu em outros pontos do centro, onde ruas viraram rios, com água da chuva quase entrando em comércios.

Conforme vídeos publicados nas redes sociais, houve alagamento em trechos da Rua Rui Barbosa e da Avenida Salgado Filho. Na região sul, há relatos de transtornos do tipo na Rua da Divisão.

As chuvas fortes já estavam previstas para esta segunda-feira, conforme alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que segue vigente também para a terça-feira (14) e quarta-feira (15).

Mais chuva

O alerta vigente do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de perigo potencial de tempestades para diversos municípios, incluindo Campo Grande.

Conforme o alerta, a previsão é de chuva entre 20 e 30 mm/h ou 50 mm/dia, ventos intensos entre 40 e 60 km/h, e queda de granizo. Devido à estas condições, há risco de queda de galhos de árvores e alagamentos.

Previsão do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), na terça-feira (14) deve haver sol e variação de nebulosidade em todo o Estado.

As temperaturas seguem em elevação, com máximas previstas entre 32°C e 35°C.

Entre quarta (15) e quinta-feira (16), há possibilidade de aumento de nuvens, com ocorrência de chuva e tempestades que podem ser acompanhadas de raios e rajadas de vento.

Essa condição meteorológica é favorecida pela atuação de um centro de baixa pressão atmosférica que terá origem no nordeste da Argentina. Além disso, o intenso transporte de calor e umidade, aliado ao deslocamento de cavados, contribui para a formação de instabilidades em Mato Grosso do Sul.

Para o período, são previstos acumulados significativos de chuva, acima de 30 mm/24h, especialmente nas regiões oeste, sudoeste, sul e sudeste do estado.

Por outro lado, na região nordeste do estado o tempo deverá ficar mais firme, com
temperaturas que podem atingir os 36°C.

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