Cidades

PROCURADO PELA INTERPOL

Ministério Público se manifesta contra libertação de traficante foragido

Dias depois de colocar os pés fora da prisão, Gerson Palermo rompeu tornozeleira e fugiu

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O Ministério Público Estadual (MPE) se manifestou contra a libertação do traficante Gerson Palermo, que conseguiu liminar para cumprir pena em casa por ser do grupo de risco para Covid-19. O problema é que dias depois de colocar os pés fora da prisão, o condenado rompeu a tornozeleira, fugiu e seu paradeiro é incerto.

A decisão foi tomada pelo desembargador Divoncir Schreiner Maran, atendendo ao pedido feito pela defesa. Como o habeas corpus foi concedido em caráter provisório, aguarda-se uma sentença definitiva e, no desenrolar desse tipo de processo, faz parte dos ritos escutar a Procuradoria.

No parecer, o MPE sustenta primeiramente que o magistrado “pulou” etapas do processo, já que ele pertence à segunda instância, e um pedido semelhante dos advogados de Palermo tramita em primeiro grau na Vara de Execuções Penais, e ainda não foi julgado.

A procuradora Luciana Lucienne Reis D’ávila, que assinou a manifestação, recorda que o preso era líder de uma quadrilha que praticava tráfico internacional de drogas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

“Essa vinculação com o grupo criminoso demonstra a periculosidade do recorrente, evidenciando a probabilidade concreta de continuidade no cometimento dos delitos”, afirmou Luciana. Ela recorda ainda que há indícios da participação de servidores públicos ainda não identificados nos esquemas de Palermo, de modo que a prisão dele é fundamental para garantir a ordem.

A procuradora diz ainda que o traficante tem “profundos vínculos” com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), mais um motivo para mantê-lo atrás das grades.

Ele acrescenta ainda que a própria fuga do detento é motivo para não mandá-lo cumprir a pena em casa.

Ainda que a liminar seja revogada em decisão definitiva, agora será preciso encontrar Palermo novamente. A procuradora cita que tão grande é a periculosidade dele que entrou para a categoria de foragido da Polícia Criminal Internacional (Interpol).

Com relação à pandemia da Covid-19, a procuradora sustenta que a doença “não tem, por si só, o condão de impor medidas cautelares diversas da prisão”, já que exceto os três brasileiros que estão hoje na estação espacial internacional, todo o resto do mundo está sujeito à contaminação. Soltar Palermo faria ainda com que “a sociedade não acredite mais na eficácia judiciária”.

FUGA

Palermo carregava mais de 100 anos de condenação pelos crimes que cometeu. Ele estava no Presídio Estadual de Segurança Máxima, em Campo Grande, desde 2017.

Além dos crimes já citados acima na reportagem, ele também foi responsabilizado pelo sequestro de uma aeronave Boeing 737-200 da Vasp, em agosto de 2000. A suspeita é que tenha fugido para o Paraguai.

Expansão

Amazonas ganha quatro reservas de desenvolvimento sustentável

Áreas somam cerca de 669 mil hectares de unidades de conservação

08/09/2026 23h00

Foto: Fabíola Sinimbú / Agência Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto criando quatro reservas de desenvolvimento sustentável no Amazonas. A medida protege a biodiversidade e os modos de vida agroextrativistas das populações locais, em categoria de unidade de conservação que admite o uso sustentável dos recursos pelos moradores.

As reservas são Tupana Igapó-Açu I, no município de Borba; Tupana Igapó-Açu II, em Beruri e Tapauá; Canaã, em Careiro e Arautazes; e Mirari, em Humaitá. Somadas, as reservas chegam a cerca de 669 mil hectares.

Lula também assinou decreto que amplia em 7.192 hectares o Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí,  totalizando a área em 13.502 hectares. Em discurso, o presidente disse que a proteção total do meio ambiente só ocorrerá quando a sociedade perceber o quão lucrativo é o turismo em áreas preservadas para “descansar e conhecer a nossa riqueza”.

“[A sociedade] vai ter o dinheiro suficiente para justificar que a floresta em pé é mais rentável que uma floresta derrubada ou queimada”. A assinatura dos decretos ocorreu em alusão ao Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro.

Na ocasião, o Serviço Florestal Brasileiro assinou os contratos de concessão das Unidades de Manejo Florestal II e III da Floresta Nacional (Flona) de Humaitá, no Amazonas, com prazo de 40 anos. Os contratos abrangem 162,7 mil hectares e concluem a concessão das três unidades da Flona de Humaitá, que totalizam 200,9 mil hectares sob manejo sustentável.

Quilombolas

O evento também marcou a destinação de R$ 50,5 milhões do Fundo Amazônia, em recursos não reembolsáveis, ao projeto Naturezas Quilombolas. A verba deverá apoiar a gestão territorial e ambiental de comunidades quilombolas na Amazônia Legal, com previsão de elaboração e implementação de planos de gestão em mais de 16 territórios. O projeto, com prazo de 60 meses, será executado pela Fundação Guamá.

Justiça

Diretores da PF apoiam Andrei Rodrigues e colocam cargos à disposição

Diretor-geral foi afastado preventivamente por André Mendonça

08/09/2026 22h00

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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Onze diretores da Polícia Federal divulgaram nesta terça-feira (8) uma carta manifestando “total apoio” ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, que foi afastado preventivamente do cargo pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Na carta, os diretores expressam apoio também ao diretor de inteligência da PF, Leandro Almada, que também foi afastado. Eles colocaram o cargo à disposição do diretor interino da PF, William Marcel Murad. 

“Da mesma forma como a Instituição Polícia Federal tem, em sua história e feitos, a razão de sólida admiração dos brasileiros, o Dr. Andrei também conta com um percurso profissional dedicado à defesa da PF, com atuação técnica, isenta e responsável”, diz o texto. 

Andrei foi afastado por Mendonça na manhã desta terça. Segundo a decisão, o diretor-geral da PF teve participação no monitoramento ilegal do ministro durante o mês de agosto, quando ao menos seis relatórios internos foram produzidos. 

O texto assinado pelos diretores da PF continua afirmando que “narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a reputação e a trajetória profissional de quem quer que seja”. 

A nota fala ainda de “ataques” à PF e “usurpação de funções”, completando ser do interesse público que os diretores defendam uma instituição capaz de assegurar o Estado Democrático de Direito.

“Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas. Neste ato, colocamos nossos cargos à disposição do Diretor-Geral substituto”, conclui o texto. 

A decisão monocrática que afastou Andrei chegou a ser colocada em julgamento na Segunda Turma do STF, que formou maioria de três entre cinco ministros para confirmar a medida. O desfecho da análise foi adiado por um pedido de vista (mais tempo de análise) feito pelo ministro Gilmar Mendes. 

Além de Mendes e Mendonça, compõem a turma os ministros Luiz Fux e Nunes Marques, que votaram a favor do afastamento, e Dias Toffoli, que ainda não se posicionou.

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