Exatos nove anos depois de anunciar oficialmente a suspensão dos investimentos na duplicação dos 845 quilômetros da BR-163 em Mato Grosso do Sul, a concessionária Motiva (antiga CCR) liberou na semana passada o tráfego nos primeiros trechos de benfeitorias na principal rodovia de Mato Grosso do Sul após o novo contrato de concessão, assinado em agosto do ano passado.
Quem transitou pela rodovia durante o feriadão de Tiradentes percebeu a liberação de cerca de três quilômetros de terceira faixa entre os quilômetros 7 e 11 da rodovia, entre a cidade de Mundo Novo e o trevo de acesso ao Paraguai, no extremo sul do Estado.
Os dois trechos de terceira faixa foram instalados no sentido sul, mas não contemplam um dos principais gargalos da rodovia, que são os sete quilômetros entre a ponte sobre o Rio Paraná e o acesso à cidade paraguaia de Salto Del Guairá, onde centenas de lojas atraem diariamente milhares de turistas paranaenses.
Além dos dois primeiros trechos concluídos, dezenas de máquinas e operários trabalham na duplicação de cerca dois quilômetros próximo à praça de pedágio de Mundo Novo.
Obras de terceira faixa ou duplicação também estão em andamento próximo às cidades de Itaquiraí, Naviraí, Campo Grande, Jaraguari, Bandeirantes e Coxim. Nestes casos, porém ainda não existe previsão de conclusão e liberação para o tráfego.
O contrato original, assinado em 2013, previa a duplicação de toda a rodovia, que corta Mato Grosso do Sul de norte ao sul, passando por 21 municípios. Mas, depois que a duplitação chegou a 150 quilômetros e a CCR começou a cobrar pedágio, as benfeitorias foram suspensas e retomadas somente em julho do ano passado.
Os três quilômetros de terceira faixa liberados agora em Mundo Novo fazem parte deste novo contrato, que prevê a duplicação de 203 quilômetros, sendo a maior parte entre Nova Alvorada do Sul e Bandeirantes. Porém, se houver aumento no fluxo de veículos, novas duplicações terão de ser instaladas.
Além das duplicações, estão previstos a construção de 147 quilômetros de faixas adicionais, 29 quilômetros de contornos urbanos e 29 quilômetros de vias marginais em áreas urbanas.
Cidades como Mundo Novo, Itaquiraí e Eldorado, por exemplo, ficarão livres do tráfego de caminhões, já que está prevista a construção de contorno rodoviário. Próximo a Dourados, na Vila São Pedro e Vila Vargas, também terá de ser construído contorno, mas em pista duplicada.
HISTÓRICO
Em abril de 2017, depois de alegar que estava operando no vermelho, anunciou que estava suspendendo os investimentos e falou até em devolver a rodovia à Unão. Porém, a cobrança de pedágio continuou e após uma longa negociação, a concessão foi repactuada.
Esta negociação garante que a empresa terá aumento de 100% nos valores do pedágio assim que cumprir as principais exigências do novo contrato. Atualmente, a CCR cobra em torno de R$ 8,00 a cada cem quilômetros.
No primeiro ano do novo contrato devem ser investidos em torno de R$ 500 milhões, sendo a maior parte, R$ 150 milhões, na recuperação da pista de rolamento, que está sem investimentos significativos desde 2021.
E por conta desta falta de investimentos, nas imediações do entroncamento com a BR-487, entre as cidades de Naviraí e Itaquiraí, dezenas de buracos na pista colocam em risco a segurança dos usuáriuos da rodovia, que a poucos quilômetros daquele local são obrigados a pagar pedágio de R$ 8,90


