O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para cobrar da Prefeitura de Campo Grande medidas definitivas contra os constantes alagamentos registrados no cruzamento das avenidas Rachid Neder e Ernesto Geisel, uma das regiões mais críticas da Capital durante períodos de chuva intensa.
A investigação é conduzida pela 26ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente e foi aberta após denúncias encaminhadas à Ouvidoria do órgão sobre os transtornos recorrentes enfrentados por motoristas e moradores da região. Segundo o MPMS, os episódios têm provocado prejuízos materiais, riscos à segurança e impactos diretos na mobilidade urbana.
Conforme o procedimento, o Município terá prazo de 15 dias para apresentar esclarecimentos atualizados, relatórios de vistoria e, principalmente, um cronograma concreto para execução de obras estruturais capazes de reduzir os alagamentos.
Dados técnicos apontam que o problema está ligado à insuficiência do atual sistema de drenagem diante da expansão urbana da bacia do Córrego Segredo. O MPMS destaca que medidas adotadas atualmente, como limpeza de bocas de lobo e manutenções periódicas, são consideradas paliativas e insuficientes para resolver o problema de forma definitiva.
Somente entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, ao menos três dezenas de intervenções operacionais precisaram ser realizadas no trecho para conter riscos e interditar o tráfego durante temporais.
O ponto voltou a chamar atenção no início deste ano, após uma forte chuva atingir Campo Grande no dia 6 de janeiro. Na ocasião, quase 30 milímetros de chuva foram registrados em apenas uma hora, provocando enxurradas, abertura de crateras e destruição parcial do asfalto na Avenida Rachid Neder, entre as ruas Pedro Celestino e Padre João Crippa.
A força da água arrancou placas de asfalto e obrigou a interdição do trecho, que permaneceu fechado por vários dias para reparos emergenciais. Motoristas enfrentaram congestionamentos e desvios improvisados em uma das principais ligações da região central da cidade.
Apesar da recorrência dos episódios, a solução definitiva segue sem previsão de execução. Conforme já divulgado pelo Correio do Estado, o projeto de macrodrenagem para conter os alagamentos na região da rotatória da Rachid Neder com a Ernesto Geisel existe desde 2018 e prevê a implantação de galerias pluviais, bacias de amortecimento e estruturas de contenção nas margens do Córrego Segredo.
Inicialmente estimada em R$ 120 milhões, a obra hoje tem custo calculado em aproximadamente R$ 200 milhões e ainda depende de viabilização financeira para sair do papel.
No inquérito, o MPMS ressalta que a gestão adequada do sistema de drenagem urbana é obrigação constitucional do Município e afirma que poderá adotar medidas judiciais caso as omissões persistam.



