Cidades

Parecer

MP critica multa e diz que tarifa de R$ 7,79 pode beneficiar Consórcio Guaicurus

No parecer, procurador afirma que a discussão ultrapassa uma simples divergência contratual

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul se posicionou favoravelmente ao pedido da Prefeitura de Campo Grande para suspender a decisão que obrigou o município a aplicar a tarifa técnica de R$ 7,79 no transporte público da Capital. Em parecer enviado ao Tribunal de Justiça, o procurador de Justiça Aroldo José de Lima afirmou que a medida pode gerar “enriquecimento sem causa” ao Consórcio Guaicurus e causar impactos financeiros relevantes ao poder público e à população. 

A manifestação foi apresentada dentro do agravo de instrumento protocolado pela Prefeitura contra decisão da 4ª Vara de Fazenda Pública, que determinou a implantação imediata da tarifa técnica sob pena de multa diária de R$ 80 mil. 

No parecer, o representante do Ministério Público afirma que a discussão ultrapassa uma simples divergência contratual e envolve diretamente a política pública de transporte coletivo. 

Segundo Aroldo José de Lima, o processo possui controvérsias técnicas relevantes e perícias divergentes sobre o equilíbrio econômico-financeiro do contrato do transporte da Capital. 

Enquanto o Consórcio Guaicurus defende a aplicação da tarifa técnica de R$ 7,79, uma das perícias judiciais mencionadas pela Prefeitura aponta valor próximo de R$ 6,09. 

O procurador também destaca que o cenário econômico do sistema mudou após a concessão de benefícios públicos à concessionária, incluindo subvenções financeiras, isenção milionária de ISSQN e mecanismos de compensação econômica adotados pelo município. 

Na avaliação do Ministério Público, desconsiderar esses fatores e impor imediatamente os R$ 7,79 pode resultar em vantagem excessiva ao consórcio.

O parecer afirma que a aplicação integral da tarifa, sem análise aprofundada das compensações já concedidas ao sistema, pode violar a vedação ao enriquecimento sem causa. 

Outro ponto criticado pelo procurador é a multa diária de R$ 80 mil imposta à Prefeitura e à Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg).

O parecer cita precedentes judiciais que autorizam a revisão de multas consideradas desproporcionais, especialmente quando há risco de dano ao erário público. 

Ao analisar o recurso da Prefeitura, o juiz convocado Vitor Luis de Oliveira Guibo concedeu efeito suspensivo e travou temporariamente a aplicação da tarifa técnica de R$ 7,79.

Na decisão, o magistrado afirmou que a elevação “de aproximadamente R$ 6,57 para R$ 7,79” produziria impacto econômico imediato e significativo sobre os usuários do transporte coletivo. 

A divergência técnica sobre os números se tornou um dos principais pontos da disputa judicial. Ao longo do processo aparecem diferentes valores relacionados à tarifa do sistema:

  • R$ 6,09, apontado em perícia judicial;
  • R$ 6,17, mencionado em atos administrativos;
  • R$ 6,53, defendido pelo consórcio em reajustes contratuais;
  • R$ 6,57, citado pelo relator do agravo;
  • R$ 7,79, reivindicado pelo Guaicurus como tarifa técnica necessária para reequilibrar o contrato.  

No parecerer, Aroldo José de Lima alerta que a disputa financeira do sistema acabará recaindo sobre a população.

“É a população quem, em última análise, arcará com os efeitos econômicos desse jogo de valor e poder”, escreveu o procurador. 

O Consórcio Guaicurus, por sua vez, sustenta que a Prefeitura tenta reabrir uma discussão já apreciada anteriormente pelo Tribunal de Justiça e afirma que o Município vem adiando sucessivamente a recomposição financeira prevista no contrato de concessão. 

O mérito do agravo ainda será julgado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que decidirá se mantém ou derruba definitivamente a suspensão da tarifa técnica de R$ 7,79.

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Qualidade de vida

Índice de Desenvolvimento Humano de MS é o 11º do Brasil e fica abaixo do nacional

Novo levantamento da ONU mostra que o Brasil entrou na faixa de desenvolvimento humano "muito alto"; Mato Grosso do Sul segue abaixo desta faixa e tem uma das menores expectativas do país

26/05/2026 16h44

Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul

Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul Paulo Ribas

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O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) da Organização das Nações Unidas (ONU) atualizou o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil e dos Estados nesta terça-feira (26). A novidade é que o Brasil, pela primeira vez, tem um IDHM considerado muito alto pelos padrões das Nações Unidas. Mato Grosso do Sul, por sua vez, não conseguiu ultrapassar a barreira do 0,8, e ainda tem um índice considerado “alto”, como tinha antes. 

O Brasil, que tinha um IDHM de 0,744 há 12 anos, quando a ONU divulgou o índice pela última vez. A escala para classificar o desenvolvimento humano varia de 0 a 1, sendo muito alto: acima de 0,800. Atualmente, o do Brasil é de 0,805. 

Em Mato Grosso do Sul, o IDHM era muito semelhante ao brasileiro em 2012: o Estado tinha um IDHM de 0,742. Agora, o Índice de Desenvolvimento Humano de Mato Grosso do Sul foi para 0,797: o 11º mais alto do Brasil. 

Os dez primeiros estados da lista têm um índice muito alto, assim como o Brasil, acima de 0,8. O Distrito Federal tem o melhor IDHM do Brasil (0,866). E é seguido por São Paulo (0,838), Santa Catarina (0,833), Paraná (0,822) e Rio de Janeiro (0,819). 

Na região Centro-Oeste, apenas Mato Grosso do Sul não teve um índice superior a 0,8: O Distrito Federal, com o maior índice do Brasil, lidera, seguido por Goiás (0,815), Mato Grosso (0,812) e Mato Grosso do Sul (0,797). 

Os cinco menores IDHMs do Brasil são: Maranhão (0,745), Alagoas (0,746), Acre (0,754), Pará (0,758) e Bahia (0,759).

Veja a lista completa

Muito alto

  • 1º Distrito Federal: 0,866
  • 2º São Paulo: 0,838
  • 3º Santa Catarina: 0,833 
  • 4º Paraná: 0,822
  • 5 º Rio de Janeiro: 0,819
  • 6 º Rio Grande do Sul: 0,818
  • 7 º Goiás: 0,815
  • 8º Mato Grosso: 0,812
  • 9º Minas Gerais: 0,809 
  • 10º Espírito Santo: 0,804

Alto

  • 11º Mato Grosso do Sul: 0,798
  • 12º Tocantins: 0,797
  • 13º Rondônia: 0,786 
  • 14º Roraima: 0,780
  • 15º Rio Grande do Norte: 0,778
  • 16º Ceará: 0,773
  • 17º Pernambuco: 0,767
  • 18º Amazonas: 0,767
  • 19º Piauí: 0,764
  • 20º Sergipe: 0,761
  • 21º Paraíba: 0,760
  • 22º Bahia: 0,759
  • 23º Amapá: 0,759
  • 24º Pará: 0,758
  • 25º Acre: 0,754
  • 26º Alagoas: 0,746
  • 27º Maranhão: 0,745

O IDHM varia de 0 a 1 e, quanto mais próximo de 1, mais desenvolvido é o local. Dessa forma, a leitura se dá desta forma:

  • De 0 a 0,499: muito baixo
  • De 0,5 a 0,599: baixo
  • De 0,6 a 0,699: médio
  • De 0,7 a 0,799: alto
  • 0,8 a 1: muito alto

A formação do IDHM depende de três índices de desenvolvimento humano. Um deles avalia a longevidade, o outro a educação e, por último, a renda. 

Mato Grosso do Sul teve um bom desempenho quando se trata de renda, tendo o oitavo melhor índice do Brasil: 0,766. 

Entretanto, nos quesitos longevidade e educação, ficou aquém de outras unidades da federação. Em longevidade, por exemplo, teve o quarto pior desempenho entre as unidades da federação: 0,840. Em se tratando de educação, teve o 13º melhor desempenho: 0,786. 

No caso específico da longevidade, Mato Grosso do Sul tem a terceira menor expectativa de vida do Brasil: 75,39 anos. Só fica a frente do Amapá (74,3 anos) e Roraima (74,35 anos). 

A maior expectativa de vida do Brasil é no Distrito Federal: 79.75 anos, seguido por Santa Catarina, 78,25 anos; e Rio Grande do Norte, 77,83 anos. A expectativa brasileira (média nacional) é de 76,61 anos, superior à expectativa de vida de quem nasce especificamente no território sul-mato-grossense. 

Uma curiosidade é que Mato Grosso do Sul tem a menor expectativa de vida do Brasil no segmento da população branca: 76,55 anos. Neste segmento, a expectativa de vida nacional é de 79,8 anos. 

Entre a população negra, a expectativa de vida ao nascer do sul-mato-grossense é de 74,96 anos. A nacional é de 75,73 anos. 

Brasil 

O Brasil, que marcou um IDHM de 0,805, teve os seguintes depenhos nos segmentos: longevidade, 0,860; educação, 0,798; renda, 0,760. 

No Brasil, relação à renda da população, o Brasil teve uma trajetória de altos e baixos desde 2012 e a média anual de crescimento calculada ficou em 0,31%. Já a taxa de escolaridade foi o índice que mais evoluiu no período de 2012 a 2024, registrando um crescimento médio anual de 1,35%, apesar dos retrocessos causados pela pandemia. A longevidade, assim como as demais dimensões que compõem o IDHM, também foi impactada pela pandemia de covid-19, mas ainda assim cresceu a uma média de 0,31% ao ano.

Epidemia

Mato Grosso do Sul confirma 18ª morte por Chikungunya

Estado já soma mais de 11,5 mil casos prováveis da doença; nova vítima era uma idosa de 82 anos internada no Hospital da Vida

26/05/2026 16h12

Foto: A. Frota

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Mato Grosso do Sul confirmou a 18ª morte por complicações causadas pela Chikungunya em 2026, em meio ao avanço da epidemia que já ultrapassa 11,5 mil casos prováveis em todo o Estado.

A nova vítima era uma mulher de 82 anos, moradora do Jardim Joquei Clube, em Dourados, que apresentava comorbidades como hipertensão arterial e diabetes.

A confirmação foi divulgada pelo Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), estrutura criada pela Prefeitura de Dourados para coordenar o enfrentamento da doença tanto no perímetro urbano quanto na Reserva Indígena.

A idosa começou a apresentar sintomas da Chikungunya no dia 8 de maio, foi internada no Hospital da Vida no dia 15 e morreu no último dia 24.

Com o novo registro, Dourados chega a 13 mortes confirmadas pela doença, sendo dez vítimas residentes nas aldeias Bororó e Jaguapiru e outras três no perímetro urbano do município. O Estado, por sua vez, alcança a marca de 18 óbitos confirmados em decorrência da arbovirose.

Além das mortes confirmadas, Dourados ainda investiga outros quatro óbitos suspeitos relacionados à doença.

Entre eles estão uma mulher de 74 anos, um homem de 71 anos, ambos com histórico de doença renal crônica e diabetes, além de um idoso de 84 anos portador de doença arterial coronariana e um homem de 50 anos que, segundo o relatório preliminar, não apresentava doenças crônicas informadas no momento da classificação de risco.

O cenário epidemiológico divulgado pelo COE mostra que Dourados segue concentrando a maior parte dos casos da doença em Mato Grosso do Sul. O município já contabiliza 8.904 notificações, com 4.879 casos prováveis, 4.306 confirmações laboratoriais, 4.025 descartes e 573 investigações em andamento.

Na Reserva Indígena de Dourados, os números também preocupam as autoridades sanitárias. O boletim aponta 3.209 notificações da doença, sendo 2.139 casos confirmados, 787 descartados e 263 ainda sob investigação.

Apesar do elevado número de casos e mortes, os dados mais recentes indicam desaceleração da epidemia nas últimas semanas.

Conforme o COE, houve redução significativa tanto nas notificações quanto na ocupação de leitos hospitalares destinados aos pacientes com complicações causadas pela Chikungunya.

Durante o período mais crítico da epidemia, o número de internações variava entre 52 e 58 pacientes simultaneamente. Atualmente, 28 pessoas seguem hospitalizadas: 23 no Hospital Universitário da UFGD, uma no Hospital Regional, uma no Hospital da Vida e três no Hospital Evangélico Mackenzie.

O secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE, Márcio Figueiredo, alertou que a diminuição dos casos não elimina a necessidade de prevenção. Segundo ele, o combate aos criadouros do mosquito continua sendo fundamental para evitar novos surtos da doença.

“O número de focos encontrados pelos agentes de combate às endemias vem recuando nas últimas semanas, mas a população precisa manter a vigilância e continuar eliminando recipientes com água parada dentro dos quintais e residências”, afirmou.

Último boletim epidemiológico da Semana 18/2026, publicado em 15 de maio 2026

Mato Grosso do Sul já soma 11.521 casos prováveis e 17 mortes confirmadas por Chikungunya

Os dados mais recentes divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) apontam que Mato Grosso do Sul já registra 11.521 casos prováveis de Chikungunya em 2026. O boletim epidemiológico também confirma 4.834 casos confirmados da doença em todo o Estado.

O levantamento estadual contabiliza ainda 17 mortes confirmadas em decorrência da Chikungunya e 1 óbito em investigação até a Semana Epidemiológica 18. Além disso, o Estado já registrou 65 gestantes com diagnóstico confirmado da doença neste ano.

A taxa de incidência estadual chegou a 417,9 casos para cada 100 mil habitantes, cenário que mantém o alerta das autoridades sanitárias diante do avanço da arbovirose em diversas regiões sul-mato-grossenses.

Entre os municípios com maior incidência proporcional de casos aparecem:

  • Douradina - 211 casos prováveis e incidência de 3.782,7;
  • Sete Quedas - 365 casos prováveis e incidência de 3.320,0;
  • Fátima do Sul - 613 casos prováveis e incidência de 2.974,4;
  • Paraíso das Águas - 138 casos prováveis e incidência de 2.504,5;
  • Batayporã - 235 casos prováveis e incidência de 2.193,8;
  • Angélica - 223 casos prováveis e incidência de 2.078,5;
  • Dourados - 4.801 casos prováveis e incidência de 1.972,7;
  • Jardim -426 casos prováveis e incidência de 1.776,4.

Dourados segue como o município com maior número absoluto de registros da doença em Mato Grosso do Sul, concentrando grande parte dos casos e mortes confirmadas pela epidemia neste ano.

RECÚO DA EPIDEMIA

Os números divulgados pelo COE mostram que o pico da epidemia ocorreu entre as Semanas Epidemiológicas 11 e 15, quando Dourados chegou a registrar mais de mil notificações semanais da doença.

O auge foi alcançado na Semana 12, com 1.207 notificações. Depois disso, os casos começaram a apresentar queda gradual: 897 notificações na Semana 13, 1.151 na Semana 14, 1.068 na Semana 15 e 852 na Semana 16.

Nas semanas seguintes, os números continuaram em retração, passando para 621 notificações na Semana 17, 681 na Semana 18, 399 na Semana 19 e 240 registros na Semana Epidemiológica 20.

Mesmo com o recuo, autoridades de saúde reforçam que o período ainda exige atenção máxima da população, especialmente com a chegada das temperaturas mais baixas, quando muitos criadouros do mosquito Aedes aegypti permanecem ativos em áreas urbanas e comunidades indígenas.

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