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vale da celulose

MP ignora poluição da celulose e exige multa milionária a hidrelétrica

Ação judicial exige pena de R$ 10 milhões à dona da usina do Mimoso por conta das plantas aquáticas. A promotoria não faz menção, porém, ao esgoto da celulose que dá origem às plantas

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Embora um relatório do Imasul divulgado no começo de agosto tenha deixado claro que a proliferação desenfreada de plantas aquáticas no lago da hidrelétrica do Mimoso, em Ribas do Rio Pardo, seja decorrente do despejo excessivo de poluentes pela fábrica de celulose daquela cidade, uma ação civil pública do Ministério Público de Bataguassu ignora os prováveis causadores do fenômeno e exige que a Justiça aplique multa de R$ 10 milhões e obrigue que Pantanal Energética, controladora da hidrelétrica, a retirar as plantas do rio.

Com 545 páginas, a ação civil nem mesmo cita o nome da Suzano, proprietária da fábrica de celulose que diariamente despeja 206 milhões de litros de esgoto no Rio Pardo. Na ação, o nome da empresa somente aparece em reportagens e ou documentos que a promotoria anexou à ação movida contra a Elera, controladora da usina. 

Mas, o experiente promotor Edival Goulart Quirino, que está no cargo faz 34 anos, deixa claro que sabe que os controladores da hidrelétrica são vítimas de em problema ambiental que surgiu recentemente. Mesmo assim, entende que a responsabilidade pelo controle das plantas flutuantes é exclusivamente da hidrelétrica, que durante mais de meio século funcionou sem ter qualquer problema com as plantas aquáticas. 

Prova disso aparece na página 19 da ação quando diz que “ainda que fontes poluidoras externas concorram para a eutrofização das águas, a presença física do barramento da UHE Mimoso funciona como o agente acumulador e multiplicador da biomassa vegetal, restando sobre a concessionária o dever indeclinável de gerir, recolher e destinar adequadamente a vegetação represada”, escreve o promotor.

Antigo militante da área ambiental e diretamente envolvido em ações judiciais contra a Cesp que garantiram indenizações bilionárias a municípios e ao governo estadual de Mato Grosso do Sul, o promotor fundamenta sua ação contra a usina do Mimoso com o argumento de que “a jurisprudência assentada pelo Tribunal da Cidadania (STJ) evidencia que o nexo causal atua como elemento suficiente para vincular a atividade da concessionária ao resultado gravoso, sendo descabida qualquer tentativa da ré de se esquivar de suas obrigações sob o pretexto de que o excesso de nutrientes que alimenta as macrófitas decorre de efluentes de terceiros ou de atividades agropecuárias a montante”.

E ele continua: “o precedente qualificado corrobora a premissa de que a operadora do barramento é a garantidora da higidez ambiental do reservatório sob sua custódia, sendo-lhe terminantemente vedado adotar a solução cômoda e ilícita de abrir comportas para descarregar o passivo de macrófitas sobre a calha hídrica do Município de Bataguassu/MS. A requerida possui o dever legal e operacional de promover o recolhimento físico e o manejo mecânico de todas as plantas aquáticas formadas em seu lago, respondendo objetivamente pelas medidas necessárias para impedir que a poluição acumulada em sua represa seja vertida e cause a mortandade da ictiofauna a jusante”.

A ação, protocolada na última quinta-feira (27), foi movida depois que a foz do Rio Pardo, que fica a cerca de 240 quilômetros abaixo da hidrelétrica do Mimoso, foi tomada por gigantescas manchas verdes formadas por plantas aquáticas liberadas após vertimentos extras de água pela usina.

A legislação permite que até 25% de um lago de hidrelétrica seja tomado por macrófitas. Em meados de julho, segundo a Elera Renováveis, 18% do lago de 1,5 mil hectares estavam cobertos pelas plantas flutuantes.

Após seguidas aberturas de comportas em pleno período de estiagem, este percentual havia recuado para 12,8% no dia 14 de agosto, segundo a empresa. E são estas plantas que nas últimas semanas estão gerando reclamações na região de Bataguassu, onde as águas do Rio Pardo já são represadas pelo hidrelétrica de Porto Primavera, formada no Rio Paraná por um lago de 230 mil hectares.

Estes vertimentos, porém, começaram ainda em outubro do ano passado, mas por conta do maior volume de água no Rio Pardo nos primeiros meses do ano estas plantas aquáticas causaram menor impacto quando chegaram à região de Bataguassu. E, por conta dos poluentes que seguem presentes na água, elas acabam se proliferando também no lago da hidrelétrica de Porto Primavera, assim como já acontece no lago do Mimoso.

HISTÓRICO

O lago do Mimoso existe desde 1971 e historicamente foi utilizado para atividades de pesca e lazer. Prova disso é que dezenas de ranchos, alguns de alto padrão, foram construídos às suas margens. Porém, desde o começo de 2025 as plantas flutuantes começaram a inviabilizar o uso de boa parte do lago.

Por coincidência ou não, o fenômeno do crescimento das planas começou cerca de seis meses depois da ativação da fábrica da Suzano, localizada a cerca de 40 quilômetros acima da barragem e que produz 2,55 milhões de toneladas de celulose por ano.

A empresa admite que nos primeiros três meses de operação despejou esgoto sem o devido tratamento. Depois disso, porém, garante estar seguindo a legislação ambiental.

Mas, um relatório do Imasul divulgado no começo de agosto deste ano e que foi elaborado com base em amostras coletadas em agosto de 2025 revela que acima da fábrica a quantidade de partículas de fósforo por miligrama de água é de 90. Depois, esta quantidade chega a até 3.037, o que é 30 vezes acima do tolerável. O ideal, diz o relatório, é que um rio tenha apenas 10 partículas deste nutriente.

Este mesmo relatório do Imasul revela que antes da fábrica da Suzano o rio apresenta grau três de poluição, o que é aceitável, segundo os técnicos. Depois, contudo, o Rio Pardo é considerado hipereutrofizado, que é o pior nível possível de poluição na escala que tem seis níveis.

Os técnicos do Imasul informam, ainda, que o principal responsável pelo crescimento das plantas aquáticas é o fósforo e que o responsável pelo despejo excessivo deste nutriente no Rio Pardo é a indústria de celulose.

RECOLHIMENTO

Na ação civil pública, que agora está nas mãos do juiz Daniel Scaramella Moreira, a promotoria quer que a Pantanal Energética suspenda os vertimentos extras de plantas e comece em 48 horas a retirar tudo aquilo que despejou rio abaixo.

“Torna-se imperativo determinar à ré que feche as comportas para novas liberações e proceda à urgente remoção física e mecânica das macrófitas que já invadiram as calhas do Rio Pardo que abrange Santa Rita do Pardo e Bataguassu/MS, sob rigoroso controle pericial”, diz o promotor

A Elera alega que fez a liberação após autorização do Imasul. Para o promotor, porém, essa autorização não permite que ela cometa crime ambiental. “A própria condicionante nº 2 (do Imasul) é inequívoca ao determinar que, durante o vertimento controlado, não poderia haver prejuízo à biota aquática, à qualidade da água ou às estruturas situadas a jusante, impondo à empresa o dever de corrigir imediatamente as operações diante da identificação de risco”, argumenta o representante do Ministério Público.

Ao justificar o pedido de multa de R$ 10 milhões o promotor alega que a Pantanal Energética tem faturamento milionário, estimado em até R$ 64,1 milhões anuais, e por isso tem condições de arcar com o alto valor da punição.

Além de não citar a Suzano em seu texto, o promotor também ignora o tema celulose em sua ação. O termo nem mesmo aparece na ação que ajuizou na Justiça. Mas, ele conhece de perto o tema, pois acompanha desde o começo as tratativas para instalação de uma nova fábrica de celulose em Bataguassu, um projeto de R$ 16 bilhões da Bracell.

Pela previsão, esta fábrica vai despejar diariamente 916 milhões de litros de esgoto no lago da hidrelétrica de Porto Primavera alguns quilômetros abaixo do local onde agora estão concentradas a plantas que desceram pelo Rio Pardo.A previsão é de que a construção desta fábrica comece no início de 2027 e seja concluída 38 meses depois. 

Mas o esgoto das fábricas de celulose que chega ou vai chegar ao lago de Porto Primavera vai muito além das unidades de Ribas do Rio Pardo e Bataguassu. Atualmente ele já recebe os rejeitos de duas fábricas de Três Lagoas (Eldorado e Suzano) e uma de Lençóis Paulista (Bracell, SP). A partir do próximo ano também receberá os rejeitos da maior fábrica do mundo, que está sendo erguida em Inocência (Arauco). 

PANTANAL ENERGÉTICA

Procurada pela reportagem do Correio do Estado neste sábado, assessoria da Elera Renováveis enviou nota que está publicada na íntegra: 

"A Pantanal Energética Ltda., responsável pela operação da Usina Hidrelétrica Assis Chateaubriand – UHE Mimoso, não foi formalmente citada e não tem conhecimento integral do processo judicial mencionado, de modo que se manifestará oportunamente sobre a questão.

Esclareça-se, contudo, que o assunto objeto das perguntas já vem sendo tratado juntamente com o órgão ambiental competente, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL), para o adequado entendimento e endereçamento.

A UHE Mimoso é regularmente licenciada pelo IMASUL, sendo certo que a Pantanal Energética vem operando o empreendimento de acordo com todas as exigências e condicionantes estabelecidas por tal órgão.

A Empresa realiza monitoramentos periódicos conforme os protocolos operacionais e as condicionantes previstas no Plano Básico Ambiental (PBA) e em sua Licença de Operação, aprovados pelo IMASUL."

Plantas flutuantes próximo a Batagussu foram liberada, em sua maioria, pela usina do Mimoso, 240 km rio acima (CenárioMS)

INQUÉRITO

Rumo é investigada por dano ambiental e abandono em Corumbá

Mesmo após o fim da concessão da ferrovia Malha Oeste, empresa continua sendo alvo de inquéritos do MPF

29/08/2026 09h30

A revitalização da ferrovia Malha Oeste é uma demanda antiga de MS

A revitalização da ferrovia Malha Oeste é uma demanda antiga de MS Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Rumo Malha Oeste S.A. está sendo investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) por possível dano ambiental e abandono de vagão em Corumbá. 

No dia 30 de junho, o contrato de concessão da ferrovia Malha Oeste com a Rumo terminou. E, enquanto o governo federal segue nos preparativos para lançar uma nova licitação, a linha férrea de quase 2 mil quilômetros segue gerando “dor de cabeça” para a empresa.

Conforme portaria publicada no diário eletrônico do MPF da última sexta-feira, a concessionária está sendo alvo de um inquérito civil, “com o objetivo de apurar a extensão do dano ambiental verificado no leito e margens do Córrego Piraputanga, obter a remoção integral do vagão abandonado, dos trilhos e dos dormentes de madeira dispostos irregularmente, compelir a concessionária à imediata desobstrução das manilhas de drenagem da via férrea, e promover a integral reparação ecológica da área degradada”.

Ainda de acordo com a publicação, a investigação foi originada a partir de uma fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que observou a disposição inadequada de dormentes de madeira, trilhos férreos e de um vagão abandonado na calha e margens do Córrego Piraputanga e nos arredores da Comunidade Tradicional Antônio Maria Coelho, em Corumbá.

Outra vistoria técnica, desta vez realizada pela superintendência estadual do Ibama em Mato Grosso do Sul, apontou que estavam sendo gerados diversos problemas ambientais na região devido à obstrução do sistema de drenagem da via férrea (manilhas), como assoreamento, turbidez na água, mau cheiro e inviabilização do abastecimento hídrico da referida comunidade tradicional.

Por fim, a investigação reforçou que a o local do dano ambiental está delimitado na área do empreendimento ferroviário da Rumo Malha Oeste S.A e que o Ibama teria autuado a empresa em multa-diária de R$ 10,1 mil há aproximadamente sete meses, mas que agora evolui para inquérito para apurar a responsabilidade da empresa, podendo gerar consequências maiores.

“O dano é tecnicamente passível de recuperação, mas exige a elaboração de diagnóstico ambiental específico, plano de remoção de resíduos e projeto de recuperação de área degradada”, afirma a procuradora Damaris Rossi Baggio de Alencar, que assina a instauração do procedimento.

Vale destacar que, no dia 1º de julho, um dia após o vencimento da concessão, a Rumo celebrou o quinto termo aditivo para regime excepcional e transitório de continuidade operacional mínima, com vigência de até 180 dias. Esse período não envolve pagamento de outorga, arrendamento ou qualquer contrapartida financeira, sendo necessário para que a ferrovia atue em seu escopo mínimo.

Caso parecido

Em março de 2023, o Ibama multou a Rumo em R$ 15 milhões por lançar resíduos sólidos no Córrego Piraputanga, mesmo local que volta a ser pivô de investigação contra a concessionária. Na ocasião, os resíduos lançados no curso d’água tratavam-se de trilhos de ferro e dormentes de madeira, outra semelhança com o caso apurado pelo MPF.

Outra investigação

No final de abril, o MPF instaurou outro inquérito civil para apurar a responsabilidade da Rumo no incêndio de grandes proporções no Pantanal há quase um ano e meio.

De acordo com a portaria assinada pelo procurador Alexandre Jabur, o caso aconteceu em agosto de 2024, quando um incêndio florestal desmatou 17.817 hectares de vegetação nativa no bioma sul-mato-grossense, em área de especial proteção ambiental, mais especificamente na região de Porto Esperança, em Corumbá, conforme investigação do Ibama.

Foi apurado que o incêndio foi originado durante atividades de manutenção na linha férrea, que foram executadas pela terceirizada Trill Construtora Ltda, empresa especializada em infraestrutura, com foco principal no setor ferroviário, fundada em 2011 e com sede em Hortolândia (SP).

Também foi apontado que “há indícios de que o sinistro foi provocado por faíscas oriundas de equipamento de corte metálico (policorte), potencializado pela ausência de medidas preventivas adequadas, tais como a manutenção de aceiros e a remoção de material combustível ao longo da via férrea”.

Diante da gravidade e da extensão dos danos ambientais, que atingiram diversas propriedades rurais e demandaram prolongadas ações de combate ao incêndio, além do encerramento do prazo da fase preliminar e necessidade de prosseguimento na investigação, foi resolvido instaurar o inquérito civil.

Histórico ruim

A Rumo Malha Oeste foi autuada 74 vezes em três anos, entre 2021 e 2024, por não cuidar da faixa de domínio, abandonar prédios e não trocar dormentes e trilhos nos 1.973 quilômetros da linha férrea entre Mairinque (SP) e Corumbá. Estas infrações, em sete casos, resultaram em autuações e multas que chegaram a R$ 7,5 milhões, de acordo com a ANTT.

Uma das últimas multas foi efetivada no dia 30 de setembro do ano passado, quando a agência fez a notificação final da penalidade aplicada em 23 de setembro do ano passado, no valor de R$ 2,1 milhões. 

A empresa foi punida porque fez a retirada de 4 km de trilhos do ramal de Ladário para usar em outro trecho de Corumbá. No auto de infração, consta que a Rumo foi punida por “não zelar pela integridade dos bens vinculados à concessão, conforme normas técnicas específicas, não mantendo-os em perfeitas condições de funcionamento ou conservação, até a sua transferência à concedente ou à nova concessionária”.

Em outra fiscalização, de dezembro de 2024, técnicos da ANTT constataram que 94,5% dos dormentes do trecho de 436 km entre Campo Grande e Três Lagoas estavam estragados, resultado de anos sem manutenção adequada. A penalidade, novamente, foi de R$ 2,1 milhões.

A precariedade também afeta diretamente a segurança e a operação ferroviária. Para compensar o risco de acidentes, a Rumo reduziu drasticamente as velocidades. Entre Bauru (SP) e Três Lagoas, o trem opera a apenas 20 km/h e, em quatro pontos críticos, a limitação chega a 1 km/h – praticamente em marcha lenta.

Saiba

Duante os anos à frente da ferrovia, a denominação da empresa mudou de nome diversas vezes. De 1996 a 2007, era chamada de Ferrovia Novoeste S.A. No ano seguinte, em 2008, a ANTT aprovou a alteração do Estatuto Social da empresa , que passou a ser América Latina Logística Malha Oeste S.A (ALL). A partir de 2015, após um processo de fusão com a Rumo Logística, a empresa passou a ser controlada pela Rumo, sendo chamada de Rumo Malha Oeste S.A.

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Para todo o Brasil

CNJ lança em MS medidas contra escalada dos feminicídios

Protocolos criados no Estado serão usados como modelo nacional, com foco em prevenção, integração entre instituições e proteção de mulheres mais vulneráveis

29/08/2026 07h44

Presidente do Conselho Nacional de Justiça, Edson Fachin, liderou evento em Campo Grande

Presidente do Conselho Nacional de Justiça, Edson Fachin, liderou evento em Campo Grande Foto: Paulo Ribas

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou nesta sexta-feira, em Campo Grande, um conjunto de medidas para aperfeiçoar o combate à violência contra a mulher em todo o Brasil. 

As medidas consistem em três eixos baseados em: levantamentos de dados, para fazer um diagnóstico mais preciso dos fatores que levam à escalada dos feminicídios no Brasil; integração entre instituições dos Poderes Judiciário e Executivo; e escuta ativa para ampliar a proteção de subgrupos ainda mais vulneráveis dentro do universo feminino, como mulheres negras, indígenas e moradoras de regiões de fronteira, por exemplo.

O encerramento do evento, denominado Vinte Anos da Jornada Lei Maria da Penha, foi conduzido pelo presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin.

A condução dos debates ficou sob a responsabilidade da conselheira do CNJ Jaceguara Dantas, que também é desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

Parte dos protocolos desenvolvidos em Mato Grosso do Sul, que desde o início da década aparece entre os Estados que mais matam mulheres violentamente no Brasil, será usada como modelo em outras unidades da Federação para agilizar a prevenção e o combate ao feminicídio. 

Entre as medidas está uma maior integração entre órgãos do Poder Judiciário, Ministério Público e Poder Executivo para dar mais efetividade às medidas protetivas. Em MS, elas são efetivadas em aproximadamente três horas, com o agressor devidamente intimado, graças a um protocolo que permite que policiais militares entreguem as notificações aos autores dos crimes.

O protocolo passou a ser usado no ano passado, depois do assassinato da jornalista Vanessa Ricarte, esfaqueada pelo ex-noivo Caio Nascimento logo após ter saído da Casa da Mulher Brasileira com uma medida protetiva nas mãos.

No evento, foi elaborada a Carta de Campo Grande, que vai guiar as políticas públicas de combate à violência contra a mulher. “São propostas que constituem um instrumento de direcionamento, objetivando o aperfeiçoamento da política judiciária nacional”, explica Jaceguara Dantas.

No evento, houve discussões sobre como ampliar a proteção às mulheres negras e indígenas, grupo que, no Brasil, é vítima de 70% dos feminicídios registrados.

No caso da proteção à mulher fronteiriça, a realidade vivida nos municípios de MS que fazem fronteira com o Paraguai foi levada em consideração. A medida visa proteger mulheres que transitam entre os dois países, separados apenas por uma rua.

No caso da mulher indígena, foi debatida a necessidade de os efeitos da Lei Maria da Penha serem conhecidos dentro das aldeias.

Nesse segmento da população, há grande incidência de agressões e feminicídios, muitos casos ainda invisíveis ao sistema. Até mesmo a criação da Casa da Mulher Indígena está sendo discutida.

“A realidade sul-mato-grossense, seu mosaico antropológico e sociológico relevante, é um laboratório da vida e da realidade que nos desafia”, afirmou Edson Fachin.

“É um Estado de fronteira, com grande diversidade étnica e com uma das maiores populações indígenas do País”, acrescentou, ao lembrar os motivos que fazem parte da realidade brasileira se reproduzir nos limites do território de MS.

Por fim, Fachin afirmou que problemas abrangentes, como a escalada da violência contra a mulher no Brasil, devem ser vistos com responsabilidade, e não com respostas simplistas. “É o nosso dever evitar que as mulheres morram, que as meninas sofram violência, chegar antes que o luto se instale”, afirmou.

* Saiba 

Os três eixos da política nacional de combate à violência contra as mulheres são: 

  • evidências (coleta de dados para entender o problema);
  • interseccionalidade (diálogo ampliado entre as instituições);
  • ampliar o alcance das políticas públicas de proteção. 

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