Cidades

DEMARCAÇÃO

MPF denuncia União e fazendeiros por "comprar" área que já era terra indígena

Na ação é pedido que os compradores sejam condenados a indenizar comunidade indígena em R$ 3,2 milhões

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Após um acordo feito em 2002 em que fazendeiros venderam uma área de 1.937 hectares, em Brasilândia, para indígenas Ofaié-Xavante, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública contra a União e os 10 produtores rurais, já que a área vendida era demarcada como território originário, ou seja, não poderia ser vendida, ainda mais para seus próprios donos. 

De acordo com o alegado pelo Ministério Público, o acordo foi feito à margem da lei e deve ser anulado, já que os indígenas pagaram por terras que já eram demarcadas como dos povos originários. 

Na época, os nativos pagaram R$ 1,6 milhões para terem direito à posse das terras, valor que foi repassado para para os 10 fazendeiros que possuíam cinco fazendas em cima da terra ancestral. Dessa forma, o MPF pede que a União e os proprietários sejam condenados a pagar R$ 3,2 milhões por danos morais e materiais. 

Ainda conforme o órgão ministerial, a transação entre os fazendeiros e os indígenas prejudicou a comunidade  porque os indivíduos tiveram que pagar por terras já demarcadas e, de acordo com a Constituição Federal, os territórios marcados como indígenas não podem ser vendidos ou cedidos para terceiros. 

O processo ainda aponta que a necessidade de adquirir as terras se deu porque as pessoas da etnia Ofaié-Xavante ficaram sem seu território, demarcado em 1924, e ocupava as terras que foram parcialmente inundadas pela construção da Usina Hidrelétrica Porto Primavera, atual Sérgio Motta. A inundação aconteceu em 1994, dois anos depois do Ministério da Justiça declarar as terras como pertencentes aos povos originários. 

O valor usado para a compra das terras foi dado à comunidade indígena pela Central Elétrica do Sul e São Paulo (Cesp), responsável pela usina, como forma de compensação para a Associação dos Índios Ofaié-Xavante. A ideia inicial era que os recursos fossem usados para a aquisição de uma área rural em que fosse possível o grupo elaborar projetos agropecuários e de subsistência. 

Além disso, a responsável pelo empreendimento hidrelétrico também comprou uma área de 484 hectares ao lado da área declarada como indígenam e a doou, posteriormente, à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) como forma de reserva. 

O que também contribuiu para a decisão de adquirir as terras dos 10 fazendeiros foi o fato de que o território onde foram colocados após o alagamento da hidrelétrica não atendia as necessidades e modo de vida da comunidade. Um dos principais problemas era a falta de um curso d' água natural

A procuradora da República Luísa Astarita Sangoi, aponta que a situação, “além de ser uma violência cultural praticada, torna a vida dessa comunidade insustentável, vez que a falta d'água a impede de beneficiar-se de projetos imprescindíveis à sua sobrevivência física e cultural. A piscicultura, pecuária e agricultura, por exemplo, são atividades produtivas que requerem disponibilidade mínima de água”.

Como os indivíduos já estiveram em muitos lugares e viviam na incerteza, como vivem até hoje, a Associação foi orientada a realizar o tal acordo e transferiu o valor para os fazendeiros. O acordo chegou a ter homologação judicial, e a posse do terreno foi passada para eles no mesmo ano. Contudo, essa posse nunca foi efetiva já que o território era demarcado. 

Diante de tudo isso, a Procuradoria aponta que é impossível uma área considerada como indígena ser vendida aos próprios donos. Além disso, o processo de compra e venda não chegou a ser formal, já que o acordo apenas cedia a posse à comunidade.

“Trata-se de verdadeiro negócio jurídico nulo, para dizer o mínimo. Como é possível que um povo indígena compre a propriedade/posse de terra que já lhe é reconhecida como de posse permanente?”, questiona a representante do MPF.

Assim, a comunidade não tem o título da terra que ocupa, o que é um ponto muito importante para que o gado criado pelos indígenas nesta terra seja regularizado junto à Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal do MS, já que é preciso ter o registro do imóvel em nome da comunidade.

“Não se trata de mero dissabor, mas sim de verdadeiro estado de incerteza e medo constantes. Um povo que já foi expulso do local em que vivia inúmeras vezes, já teve que habitar terras incompatíveis com seu modo de vida. Já teve que, por necessidade, subsistir por anos em função de cestas básicas entregues pelo Poder Público do estado”, ressalta a procuradora.

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Cidades

ONS suspende geração excedente de energia pela segunda vez no ano

Em junho, plano emergencial para impedir sobrecarga foi acionado

23/08/2026 18h00

A medida ocorre das 11h às 13h30 deste domingo (23), sem impacto para o consumidor, afetando apenas as distribuidoras

A medida ocorre das 11h às 13h30 deste domingo (23), sem impacto para o consumidor, afetando apenas as distribuidoras Marcello Casal jr/Agência Brasil

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Pela segunda vez no ano, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou o plano emergencial para reduzir a geração de energia diante do excesso de oferta no Sistema Interligado Nacional (SIN).

A medida ocorre das 11h às 13h30 deste domingo (23), sem impacto para o consumidor, afetando apenas as distribuidoras. O objetivo é preservar a segurança do sistema diante da expectativa de menor consumo no fim de semana.

O plano prevê a restrição da geração de usinas Tipo 3, conectadas às redes de distribuição. O grupo inclui pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa e empreendimentos eólicos e solares de menor porte.

O ONS também adotou medidas complementares para reduzir a geração de usinas sob seu controle direto.

Medida ocorreu em junho

O primeiro acionamento de 2026 ocorreu em 7 de junho, no feriado prolongado de Corpus Christi. Na ocasião, o ONS solicitou o gerenciamento de 1 mil megawatts (MW) das 10h às 14h.

O plano emergencial foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2025, diante do avanço da geração distribuída, principalmente da energia solar.

Em agosto de 2025, no dia dos pais, o excesso de energia quase provocou uma sobrecarga no sistema. Naquela data, a geração distribuída chegou a representar 37,6% da demanda nacional.

Para equilibrar o sistema e evitar um blecaute que poderia atingir vários estados, o ONS reduziu a produção de hidrelétricas e termelétricas. O operador cortou 98,5% da geração eólica e solar centralizada.

ONS prepara corte automático

Diante do crescimento da geração solar, o ONS anunciou, na última quinta-feira (20) que está preparando um sistema para desligar automaticamente parte da geração distribuída em situações críticas.

Chamado de Esquema

Regional de Alívio de Geração (Erag), o sistema automático prevê até 3 gigawatts (GW) de corte, divididos em três estágios de 1 GW. O mecanismo seria acionado somente depois de esgotadas as demais alternativas de controle.

Segundo a ONS, um projeto-piloto deverá ser realizado até o fim de 2026 em uma distribuidora. Se os testes forem bem-sucedidos, a implementação poderá avançar em 2027.

A geração distribuída, que reúne micro e minigeração, soma cerca de 50 GW de capacidade instalada no país. Para o ONS, o crescimento dessas fontes aumenta a complexidade da operação porque parte da energia produzida não pode ser observada ou controlada diretamente pelo operador.

Distribuidoras executam cortes

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) informou que as distribuidoras seguirão as orientações do ONS para executar o plano anunciado para este domingo.

Em nota, a entidade pediu procedimentos mais detalhados para definir os cortes. Segundo a Abradee, critérios claros são necessários para dar segurança operacional e jurídica aos geradores.

IMUNIZAÇÃO

Dia D leva mais de 2,3 mil pessoas a pontos de vacinação em Campo Grande

Mobilização realizada em 22 locais facilitou a atualização da caderneta de crianças e adolescentes além de oferecer doses para adultos e idosos

23/08/2026 17h30

Dia D levou moradores a unidades de saúde e pontos alternativos de vacinação espalhados por Campo Grande

Dia D levou moradores a unidades de saúde e pontos alternativos de vacinação espalhados por Campo Grande Divulgação

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Mais de 2,3 mil pessoas procuraram os pontos de imunização abertos em Campo Grande durante o Dia D da Multivacinação, realizado neste sábado (22). Ao todo, 2.354 moradores passaram pelos 22 locais de atendimento disponibilizados na Capital ao longo do dia. 

A estratégia teve como foco principal crianças e adolescentes menores de 15 anos, com a conferência das cadernetas e aplicação das vacinas previstas para cada faixa etária. A mobilização, porém, também permitiu que adultos e idosos verificassem a situação vacinal e recebessem doses pendentes. 

Além das Unidades de Saúde da Família (USFs), houve atendimento no Pátio Central e no Mutirão Todos em Ação, realizado na Escola Municipal Professor José de Souza, conhecida como Zezão, na região do Bairro Oliveira.

Na USF Santa Emília, por exemplo, foram aplicadas vacinas contra gripe, além da tríplice viral e da dupla adulto. Márcia Arruda, de 63 anos, recebeu doses contra hepatite B e gripe depois de aproveitar que passava pela região.

"Foi bom, porque eu estava passando por aqui e aproveitei para colocar a vacina em dia", contou.

Também houve quem descobrisse somente no posto que estava com a vacinação atrasada. Aparecida Feliciano foi à unidade para acompanhar a filha e decidiu conferir a própria caderneta.

"Eu vim trazer a minha filha e fiquei sabendo que poderia tomar as vacinas hoje. Foi por isso que aproveitei. Nem sabia que estava atrasada", disse.

No mutirão realizado na região do Bairro Oliveira, Elloá, de 10 anos, tomou as vacinas contra HPV e gripe. A mãe, Evellyn Ortigoza, de 29 anos, também recebeu o imunizante contra a gripe.

A menina ainda deverá voltar à unidade de saúde dentro de 30 dias para receber a vacina contra a dengue. Depois das doses deste sábado, deixou um recado para outras crianças: "Nunca mais tenho medo de tomar vacina".

Além da vacinação humana, o mutirão no Zezão teve atendimento do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), com aplicação de vacina antirrábica em animais.

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