Cidades

ANTIDOTUM

MPMS prende cúpula da Santa Casa após escândalo de corrupção

A presidente Alir Terra e mais dois diretores da instituição foram presos por suposto desvio de quase R$ 5 milhões da Saúde

Continue lendo...

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) prendeu três nomes da alta cúpula da Santa Casa de Campo Grande, incluindo a presidente Alir Terra, depois de investigação apontar desvio milionário em dois contratos para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, enquanto a instituição alegava que não tinha mais condições de operar, em função das dívidas financeiras.

As equipes do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagraram a Operação Antidotum na manhã desta sexta-feira, com o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

“A investigação, conduzida pelo Gecoc, identificou a existência de fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, em que ocorreram pagamentos de valores elevados sem a devida contraprestação de serviços”, explica.

“No curso da investigação também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde – empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande – com diversas empresas do mesmo grupo econômico”, complementa o MPMS em nota.

O primeiro contrato alvo da operação previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano e tinha vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Ainda de acordo com o MPMS, somente no primeiro ano do contrato, R$ 1,4 milhão teriam sido desviados considerando apenas este serviço de digitalização de prontuários.

No outro contrato, foi apurado que a Operadora Santa Casa Saúde pagou R$ 9,6 milhões apenas no ano passado, dos quais R$ 3,5 milhões teriam trazido prejuízo ao caixa da instituição. Portanto, somando ambos os valores desviados nos dois acordos, a corrupção chegaria a R$ 4,9 milhões somente nos curtos períodos citados.

“Durante as apurações, constatou-se que os contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado. O valor total do prejuízo causado à Santa Casa de Campo Grande permanece sob apuração no curso das investigações”, afirma o órgão fiscalizador.

Diante disso, Alir Terra, presidente da Santa Casa desde 2022, Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo, e Rinaldo Halme Romano, diretor financeiro, foram presos.

Também teria sido presa Monique Gregório, responsável pelos serviços de digitalização de todo estoque de prontuários, que, segundo ela, era de quase 2 milhões de documentos. A previsão é que o processo fosse concluído entre três e quatro anos.

Vale lembrar que matéria recente publicada pelo Correio do Estado revelou que a Santa Casa fechou 2025 com deficit de R$ 124,582 milhões, o que equivale a um prejuízo diário da ordem de R$ 341 mil.

Por conta das dívidas, os auditores que assinam o balanço do hospital apontam que a Santa Casa não tem mais condições de operar.

Porém, ao mesmo tempo, o esquema milionário de desvio nos contratos investigados acontecia.

Ao considerar o prejuízo diário apontado no balanço financeiro, o valor desviado indicado nas investigações equivale a 14 dias, além de ser maior do que o aporte recebido na semana passada – R$ 4 milhões – para compra de insumos.

Agentes do Gaeco e Gecoc estiveram na sexta-feira na Santa Casa para cumprir mandados de busca e apreensão e de prisão de diretoria - Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

SOCIEDADE

Ao detalhar o caso de desvio no contrato da Operadora Santa Casa Saúde, o MPMS afirma que “essas empresas [do mesmo grupo econômico], cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado”.

Essas empresas seriam de Maurício Aparecido Benites, que também foi preso na operação, Elo com a presidente, Paulo Duarte, proprietário da Duarte Cruz e assessor jurídico da Santa Casa é tido como peça chave do esquema.

Segundo denúncias do advogado Oswaldo Meza, Alir e Paulo haviam sido sócios em um escritório de advocacia.

NOVO CONTRATO

Depois de vencer a eleição com 49 votos, contra 39 votos da chapa concorrente, Alir Terra assumiu o hospital no dia 2 de janeiro de 2023.

No dia 19 do mesmo mês ela comunicou a antiga operadora, a Plural, que fora contratada no dia 12 de abril de 2018, que estava rompendo o contrato. Na sequência, contratou as empresas do seu ex-sócio para operar o plano de saúde.

Mas, pelas cláusulas contratuais, qualquer rescisão só poderia ocorrer por meio de notificação formal com prazo de 90 dias de antecedência.

Ocorre que a Santa Casa, antes mesmo de notificar a Plural, começou a veicular anúncios descredenciando a ex-parceira de negócios. Por conta disso, a Plural move três ações judiciais exigindo indenização do hospital.

Para defender o hospital, foi contratado o escritório de advocacia Duarte Cruz. Mas, segundo a denúncia de Oswaldo Meza, Paulo da Cruz Duarte é ex-sócio da advogada Alir Terra.

Praticamente ao mesmo tempo, Paulo da Cruz Duarte, além de atuar na advocacia, passou a atuar na área da saúde, o que lhe garantiu exclusividade para comercializar os planos de saúde da Santa Casa Saúde.

E se não bastasse a entrega do plano de saúde ao escritório de advocacia comandado por Paulo Duarte, a presidente da Santa Casa ainda repassou a ele centenas de ações judiciais contra o poder público, por meio das quais cobra a restituição por serviços prestados a pacientes encaminhados ao hospital via decisões judiciais.

Essas ações, pelo fato de serem em grande número, resultam ao final em valores significativos a título de honorários sucumbenciais, denuncia Meza.

Levantamentos realizados em bases públicas de CNPJ indicam que Paulo da Cruz Duarte figura como sócio ou administrador de múltiplas empresas diretamente ligadas ao mercado da saúde.

Essas empresas compartilham o mesmo endereço empresarial, localizado na Rua Hélio Yoshiaki Ikeziri, nº 34, no Bairro Royal Park, em Campo Grande, o que indica uma estrutura centralizada de negócios no mesmo setor econômico. E foi este endereço que sofreu devassa do MPMS nesta sexta-feira.

INTERVENÇÃO?

Oswaldo Meza, presidente do Instituto Artigo Quinto (IA5º), propôs uma ação civil pública com pedido de tutela de urgência, ajuizada contra a Associação Beneficente de Campo Grande e a Operadora de Planos Privados de Saúde Santa Casa Saúde Ltda., da qual pede a intervenção judicial temporária na Santa Casa, com nomeação de administrador provisório ou junta interventiva por 180 dias.

Além disso, solicita o afastamento temporário da presidente Alir Terra Lima e da diretoria financeira do hospital.

Já em relação à Operadora de Planos Privados de Saúde, Meza pede que seja instaurada uma auditoria independente, vedação temporária de novos contratos e acionamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para avaliar a instauração de direção fiscal ou técnica.

O processo busca garantir que os repasses de verbas públicas continuem sendo feitos para manter o funcionamento do hospital, porém quer que estes recursos sejam direcionados a uma conta sob supervisão do administrador-judicial.

O documento destaca que a Santa Casa de Campo Grande depende fortemente de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS), cerca de 86% de suas receitas operacionais.

De acordo com a prestação de contas divulgada em novembro de 2025, as entradas operacionais foram de R$ 32.834.799,36, das quais R$ 28.301.056,96 vieram do SUS.

Outro ponto que o documento aborda é a crise assistencial do hospital. Ele relata a interrupção e paralisação de serviços médicos essenciais, como anestesiologia e cirurgia cardíaca pediátrica, por falta de pagamento e escassez de insumos, com casos de médicos que ficaram mais de sete meses sem receber salário.

Por fim, aponta que a instituição vinha se recusando a apresentar integralmente relatórios e documentos financeiros ordenados anteriormente pela Justiça em ação de produção antecipada de provas.

*SAIBA

Sob nova direção

Diante da prisão da presidente do hospital, Alir Terra, quem assume o cargo na instituição é Heitor Miguel Scheibeler. Segundo apurou a reportagem, o atual vice-presidente conversou na sexta-feira com o MPMS e já realizou uma reunião do conselho do hospital.

(Colaborou Neri Kaspary)

rede estadual

Concurso com 2 mil vagas para professores terá edital publicado em novembro em MS

Fetems aprovou o cronograma apresentado pelo governo do Estado; provas serão realizadas em janeiro de 2027

07/10/2026 18h00

Concurso terá 2 vagas para professores

Concurso terá 2 vagas para professores Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

Continue Lendo...

O Conselho de Presidentes da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems) aprovou, em reunião nesta quarta-feira (7), o cronograma para realização do concurso público para professores, apresentado pelo Governo do Estado.

O decreto que autoriza a realização do concurso foi publicado no dia 6 de julho, no Diário Oficial do Estado. O certame prevê o preenchimento de 2 mil vagas para o cargo de professor, na função de docência, da carreira Profissional da Educação Básica da Secretaira de Estado de Educação (SED).

Conforme o cronograma aprovado, a publicação do edital está prevista para o dia 16 de novembro deste ano e a aplicação das provas objetivas para o 24 de janeiro de 2027.

De acordo com a Fetems, a realização do concurso é uma das pautas prioritárias na defesa da valorização profissional, do fortalecimento das carreiras e da ampliação do quadro de servidoras e servidores efetivos da Rede Estadual de Ensino.

“A aprovação do cronograma do concurso é resultado de uma luta permanente da Fetems e dos nossos 74 sindicatos. Vamos continuar acompanhando cada etapa e cobrando que os compromissos sejam cumpridos, ao mesmo tempo em que seguimos construindo nossas demais atividades e fortalecendo a unidade da categoria”, destacou a presidente da federação, Deumeires Morais.

Conforme tabela da Fetems, o salário inicial de um professor concursado com gradução e carga horária de 20 horas semanais é de R$ 6.751,35.

Concurso público

Conforme o decreto  nº 16.787 publicado em julho,  caberá à Secretaria de Estado de Administração (SAD), em conjunto com a Secrataria Estadual de Educação (SED), organizar e executar o concurso, definindo as normas e os procedimentos para o recrutamento e a seleção dos candidatos.

O edital a ser publicado deverá detalhar a distribuição das vagas por área de conhecimento, componente curricular ou disciplina, além da divisão por município ou localidade.

O edital também estabelecerá as etapas do concurso, os critérios para aprovação em cada fase, o formato das provas, os conteúdos que serão cobrados, os requisitos exigidos para investidura no cargo e o prazo de validade do certame.

Conforme informou o governo anteriormente, a abertura do concurso atende à necessidade de provimento de professores efetivos para a rede estadual de ensino.

“Valorizar os profissionais da educação é garantir melhores condições para quem ensina e melhores resultados para quem aprende. Nosso compromisso é com uma escola pública moderna, eficiente e capaz de preparar os estudantes para as oportunidades que Mato Grosso do Sul está construindo”, afirmou o governador, na ocasião da autorização do certame.

O último concurso público para professores da Rede Estadual ofertou inicialmente 722 vagas, com salário inicial de R$ 4.190,82 e jornada de 20 horas semanais.

Posteriormente, o concurso teve vagas ampliadas, sendo convocados mais de 1,3 mil aprovados.

Agora, com a abertura de 2 mil novas vagas, a expectativa é atender à demanda existente nas escolas.

O novo concurso terá abrangência estadual, permitindo que os candidatos concorram a vagas em todos os municípios de Mato Grosso do Sul.

TENSÃO 

Passageiro coloca fogo em ônibus com 13 pessoas na BR-262 em MS

Ônibus seguia de Três Lagoas para Campo Grande quando o incêndio começou; passageiros conseguiram sair do veículo e ninguém ficou ferido.

07/10/2026 17h51

Ônibus que seguia de Três Lagoas para Campo Grande foi abordado pela PRF após passageiro provocar incêndio durante a viagem.

Ônibus que seguia de Três Lagoas para Campo Grande foi abordado pela PRF após passageiro provocar incêndio durante a viagem. Foto: Divulgação PRF.

Continue Lendo...

Um homem foi preso na noite desta terça-feira (6) após ser apontado como responsável por provocar um incêndio dentro de um ônibus de viagem que trafegava pela BR-262, em Água Clara, na região leste de Mato Grosso do Sul.

O coletivo fazia o trajeto entre Três Lagoas e Campo Grande e transportava 13 passageiros. Apesar do princípio de incêndio e da necessidade de retirada dos ocupantes, ninguém ficou ferido.

Segundo informações repassadas à Polícia Rodoviária Federal (PRF), o passageiro teria apresentado comportamento alterado durante a viagem e chegou a anunciar que colocaria fogo no veículo.

Em determinado momento do percurso, ele entrou no banheiro do ônibus. Pouco depois, os demais passageiros perceberam um forte cheiro de fumaça e constataram que havia fogo dentro do compartimento.

O motorista então parou o veículo no acostamento e retirou todos os passageiros. As chamas foram controladas antes da chegada da equipe da PRF, mas os policiais encontraram o ônibus ainda tomado por fumaça.

 

Suspeito foi encontrado na rodovia

Após deixar o local, o homem passou a ser procurado com base nas características informadas pelas testemunhas. Ele vestia um casaco preto e usava um boné branco.

Ônibus que seguia de Três Lagoas para Campo Grande foi abordado pela PRF após passageiro provocar incêndio durante a viagem.Interior do ônibus ficou danificado após o incêndio registrado durante a viagem pela BR-262. Foto: Divulgação/PRF.

Durante as buscas, os policiais localizaram um homem caminhando às margens da BR-262, na altura do quilômetro 123.

Na abordagem, ele confirmou que havia viajado no ônibus e acabou reconhecido pelas testemunhas como o passageiro apontado como responsável pelo incêndio.

O suspeito recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Polícia Civil de Água Clara.

Caso é investigado como tentativa de homicídio

A ocorrência foi registrada como incêndio e tentativa de homicídio. Segundo a PRF, as circunstâncias do caso ainda serão apuradas pela Polícia Civil.

Apesar do fogo dentro do veículo, os 13 passageiros conseguiram sair em segurança e ninguém ficou ferido.

O suspeito, que não teve o nome divulgado, foi preso e encaminhado à Polícia Civil de Água Clara, onde o caso seguirá sob investigação.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).